22/11/16

A crente e a roupa

Poucos meses depois da minha conversão, estava no Brasil de férias e entrei num elevador, num prédio antigo em Copacabana. O ascensorista (ainda existem em alguns prédios no Brasil!!!) que era um homem muito simpático e dono de um sorriso daqueles que contagiam, me perguntou, após ter conversado o pouco que é possível conversar do térreo até o décimo primeiro andar,  se eu era cristã. Respondi que sim, também toda feliz e com uma pontinha de saudável orgulho (existe isso?). O seu  sorriso se abriu de forma ainda mais bonita e ele disse que eu tinha mesmo, cara de cristã. Falou algumas coisas sobre sua igreja e eu logo tive que descer. Achei uma pena, pois naqueles dias estava muito maravilhada com as coisas que estavam acontecendo a minha volta desde minha conversão e adoraria conversar mais com ele sobre as maravilhas do Senhor. E porque é sempre tão bom encontrar irmãos! 

Saí do elevador e fiquei achando engracado ele ter notado. Acho que eu mesma, com minha minúscula mente preconceituosa, nao teria pensado isso de mim mesma se medisse a minha fé, pela roupas que estava usando. Era um dia quente no Rio, e eu estava com uma blusa meio decotadona e tinha um batonzão laranja na boca, uns brincos espalhafatosos. Além disso, no andar em que desci, em frente ao apartamento que alugamos por uns dias, havia um centro espírita, então, eu acho que não havia muito no meu exterior, que indicasse minha crença. Mas aquele senhor não era eu e ele me reconheceu como sendo uma irmã dele!
Só fui entender aquele senhorzinho e sua alegria, meses depois daquela quente tarde carioca. Não é a roupa, ou como arrumamos nossos cabelos, ou que tipo de maquiagem usamos, ou se nao usamos, que faz uma crente. Mas o quanto de Cristo está sendo formado em nós!

Independente disso, cristãos reconhecem cristãos. Talvez nem sempre, mas há algo de muito especial quando nos encontramos. Há alguns dias, reencontrei uma  antiga colega de escola. Não nos víamos há muitos anos e eu não era realmente sua amiga. Na verdade, o jeito meio perua dela, não condizia com meu jeito hiponguinha de ser naquela época e isso talvez, nos afastasse. Mas, agora, ao nos reencontrarmos, notei o quao feliz fiquei em revê-la, e no meio da conversa, descobrimos que ambas somos agora, cristãs! E que coisa boa é quando encontramos pessoas que tem a mesma fé que nós! Agora, apesar de continuarmos diferentes no estilo de ser e de viver, temos uma coisa grandiosa em comum: O Nosso Salvador!!

Há uma frase que amo e já disse aqui no blog: "o cristao nao tem alegria, é a Alegria que tem o cristao" e isso me faz lembrar aqueles crentes de antigamente, de quando eu era crianca. Será que você viveu o que eu vivi? Eu sempre estive rodeada de cristaos, mas nao via neles nada muito alegre. Parecia-me na verdade, que todos eram chatos, rabugentos, metidos a certinhos e amedrontadores, quando comecavam a falar da Bíblia. Certamente eles tinham outras qualidades, mas eu só os via assim. E foram eles, que coitados, sem perceber, me fizeram fugir de Cristo.
Mas, nao sei, nao posso afirmar, mas talvez eles nao fossem realmente convertidos, ou talvez, mais acertadamente, eu que nao fosse capaz de enxergar além do véu. Mas também é verdade que o cristao verdadeiro, mesmo que esteja passando por grandes tormentas, tem Alegria!  E é sobre essa Alegria que gostamos de falar quando encontramos irmaos, que creem no que cremos, que amam Aquele a Quem amamos e que sao gratos pelo que o Senhor fez por eles, por nós.

Obviamente, essa Alegria vem à nossa frente e nos faz nao olhar a roupa que o outro está usando, mas também é fato que a roupa fala muito sobre quem somos. Isso nao se pode negar! Sei que a mulher brasileira é por natureza, exuberante nas suas formas e acha que quanto mais colada ao corpo, melhor aquela peça lhe parece, já que ela tem uma tendência a sempre querer mostrar o corpo, e acha que roupas mais larguinhas envelhecem, ou engordam. Mas há que se ter nocao do que vestir.

Às vezes, vejo as crentes, ou que pelos menos assim se autodenominam, em algumas fotos e nao acredito no que meus olhos veem. Nao consigo imaginar como tal irmazinha pode considerar normal usar roupas tao absurdamente coladas aos corpo, ou que mostrem tanta pele, tanto peito e tantas formas: as calças são muito justas, as blusas coladas ao corpo, os decotes enormes, a sensualidade muito exposta e exagerada! Fico pensando comigo mesma: Será que o Espírito que mora naquele corpo nao dá sinais de que algo está errado na forma como ela se veste?

Será que Ele fala? Será que ela escuta? Será que Ele já teve autorizacao de fato, dela, para entrar em todos os espaços naquela alma e assim, se fazer ser ouvido?

Você não tem que ser nem 8 ou 80!
Quando a gente é carnal demais, nosso espírito fica um tanto surdo a voz do Espírito Santo de Deus... roupa extremamente colada, curta, justa, apertada, nao é somente feio e passa uma imagem barata e ruim de você, ela também fala mal de você como cristã, aos olhos do mundo, e te faz igual ao resto que está ao seu redor. Você é resto?

Está certo que eu, no lugar daquele homem no elevador, me julgaria uma nao-crente. Está certo que aquele homem, viu além. Mas, sabe? Depois daquele dia, eu nao consegui mais usar roupas justas ou decotadas em excesso. Nao somente porque estou mais velha, ou por que achei que ele poderia pensar mal de mim, é simplesmente que amadureci nas coisas do Senhor e descobri que às vezes, Deus usa determinadas situacoes para nos mostrar onde Ele quer que mudemos. Basta estarmos atentos e com boa vontade de fazer o que Lhe agrada.

Nem é questao de preconceito ou de exibicionismo: - ah, nunca mais vou passar batom, vou usar um saião e cabelão no pé! - diria você, já com raiva de mim - essa Nina velhota e crentona!
Mas, nao é isso! Assim, você estará sendo somente uma orgulhosa, se mostrando melhor que aquelas coladinhas ali... mas é uma questao de respeito e obediência ao Deus que nos salvou,entende? 

***
Na dúvida, pergunte em oracao ao Seu Senhor, como você deve se vestir; se há algo que Ele gostaria que você mudasse, uma vez que nao existem regras claras para isso, mas existe sim, um padrão... e este nao está nas academias de ginástica ou nos bailes funk  ;-) 

21/11/16

Meu querido pé de manga

Na casa em que morávamos, quando eu tinha onze anos, havia cinco mangueiras. Cinco dessas maravilhosas criaturas num mesmo quintal, dá pra acreditar?! Como éramos cinco filhos, cada um tinha a sua árvore. A minha era a mais velha de todas, ficava entre as duas jovens e robustas mangueiras das minhas irmãs, que tinham a idade mais aproximada da minha. 
Havia dias em que subíamos, cada uma na sua árvore, e ficávamos chupando manga e conversando, lá do alto. Podiamos ver as criancas correndo na rua, nossos irmaos menores brincando no quintal, nossa mae estendendo roupa no varal, o cachorro latindo atrás de um gato, o brilho ofuscante do fusca na garagem, as folhinhas verdes  do nosso pequeno gramado, o vermelho vivo dos nossos hibiscos encostados ao pequeno muro, e as mangas que caiam em cima do telhado, tornando-se cada vez mais amarelas, manchadas com uns pontos amarronzados. O que nos causava dó, desperdício de mangas! Às vezes, subíamos através dos galhos da minha árvore, até o telhado, para salvar aquelas mangas maduras, quebrávamos telhas e nos dias de temporal amazonense, quando alguma goteira era notada, mamae descobria nossa traquinagem.  

A minha mangueira também era a que mais gostosas mangas produzia, e a que mais lagartas de fogo tinha. Éramos atacadas, quase todo dia, por aquelas terríveis monstrinhas rastejantes, mas elas nunca foram capazes de nos afastar de nossas árvores queridas. Tínhamos muita vontade de fazer um balanço, mas seus galhos nao nos davam muita garantia de que nos aguentariam, além disso, eram muito altos. Havia dias também em que eu conversava com ela, tentando fazer dela minha melhor amiga, assim como o Zezé fazia do seu pé de laranja lima, meu livro preferido naquele tempo. Prometia que escreveria sobre ela um dia, assim como aquele escritor fez, e desde que me lembro do prazer da escrita, minha árvore nunca foi esquecida.

Nao dá para esquecer as lembrancas daqueles dias quentes da infância, trepada numa árvore tao frondosa, com suas folhas longas e tao verdinhas, sentindo o cheiro maravilhoso de manga, naquela Manaus do início dos anos 80, de gente colorida, como as fotos que vejo hoje, com filtros falsos, mas que sao exatamente assim, na minha memória nostálgica. Tempo de descobertas, de namoradinhos, de música lenta, de amizades verdadeiras, de escola nova a cada dois anos, de brincadeiras na rua, de bolas, patins e bicicletas, de banho de rio, de vó ainda por perto.

Abracada a minha árvore, eu tocava nas suas frestas ásperas ao longo de seu caule, sentia seu cheiro e queria ser forte como ela. Eu, que sempre fui tao pequena e frágil, ressentida e calada, a mais boba das meninas, tinha nela, uma amiga poderosa e forte. 

Quando mudamos de casa, nos abracamos, ainda me lembro disso, minha mangueira e eu. É forte e terno o abraco de uma árvore! 

Morar na Vila Militar foi o maior privilégio, uma pausa refrescante numa infância quente, cheia de alegrias e muitas dores. O lugar mais incrível em que já vivi! Mas já era hora de mudar dali. Estávamos crescendo, a maioria dos nossos amigos já havia mudado, com excecao do Macedinho, que também logo mudaria, e que na despedia, me deu uma cartinha meiga e doce, como ele sempre fora comigo.  

Certo dia, quando minha filha mais velha tinha cerca de oito anos, e eu mais de trinta, paramos, minhas irmãs e eu, em frente a nossa velha casa. Ela estava levemente diferente, e parecia bem menor do que era na nossa lembranca. E eu chorei. A nova dona da casa nos viu, olhando curiosas por cima do murinho. Soube que tínhamos morado ali, e nos convidou a entrar um pouco. 
Extasiadas, entramos, olhamos a varanda de piso vermelho, onde escorregamos tantas vezes de barriga no sabão, vimos o jardinzinho, as mangueiras, o quintal, e olhamos a cozinha de longe, onde tantas vezes víamos nossa mae cozinhando. Tudo era tao mais bonito antigamente...

Nao lembro hoje se acenei para minha mangueira, nem mesmo sei dizer se ela ainda estava ali, e se nao o fiz, posso dizer que sinto muito. Sei que minha infância, foi marcada por ela. E se tivesse que ter um aroma, seria o de manga. Mas também seria o de jasmin ou seria de lavanda? Como posso ter esquecido qual era o perfume preferido da minha avó?! Sei que também havia um sabonete na sua penteadeira, o alma de flores... e as florzinhas de jambo embaixo da árvore que formavam um belo tapete cor de rosa, ou o cacau quando se abria depois de umas marretadas, ou a polpa suculenta do cupuaçu sendo cortado por nós, para fazer suco ou um creme gelado...        


Foto: Nirley Sena
A vila militar, há poucos anos, e as legendárias mangueiras

07/10/16

Veneza

Nao há muito o que eu possa falar sobre Veneza, logo,  as imagens falarão por mim.
Além disso, tenho escrito tantos longos textos, que acho até melhor ficar calada neste post ;-)

Um pouquinho das muitas belezas de Veneza, no verão europeu:


















Fotos: Nina Sena.

02/10/16

Contadora de histórias e a vida real

Gosto de contar histórias. Acho que por isso, me agrada tanto escrever e porque ainda nao parei de uma vez por todas, de postar neste blog, mesmo em tempos de facebook, twitter, e tantos outros recursos de mais rápido retorno.
Mas, como eu há tempos, nao espero retorno de blog, to na boa...

Tive uma maravilhosa infância cheia de amigos sensacionais e muito criativos, que povoavam minha meninice, de forma quase mágica. Tal mágica me fazia esquecer os problemas comuns da infância e quase que viver num mundo à parte. Quando meus filhos eram pequenos, eu criava historinhas para eles dormirem: - quanta maluquice cabe na cabeca da mamae! - imagino-os pensando.
E acho que isso os contagiou também. Hoje, ambos, tem uma imaginacao daquelas! E o pequenininho segue os passos dos irmaos.
Mas toda a minha vida de histórias encantadas, nao se compara em nada, com a vida que levo hoje. Nao por ser uma linda, inteligente, gentil e louca criatura, uma feliz dona de casa, ou por ter um marido maravilhoso, por ter bons filhos, lindos e inteligentes, por viver num país tranquilo na europa que amo, ou por fazer viagens incríveis! Nao!! Esta é a vida que todo mundo vê. Mas, é a minha vida em Cristo que me faz internamente, pular de alegria e satisfacao! Pois, viver com Ele e nEle, é a melhor coisa que alguém pode querer nesta vida.
Não há nada mais que eu queira, a nao ser, Ele! Como diz em Cânticos "Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu..."

Só uma coisa ainda me entristece: tantos que amo, ainda nao terem essa alegria que a pessoa de Cristo nos dá. 
Entre elas, estao meus sogros.

Eles moram cerca de seiscentos quilômetros de nós, e há tempos, imagino o dia em que poderei sentar com eles e falar do amor de Cristo. Mas este é um tema do qual eles fogem, como foge o diabo da cruz, como o povo gosta de falar. Sempre que estou com eles, fico me cobrando um momento em que vou poder encaixar o tema Deus, mas esse momento nunca, nunca, nunca chega. Por causa disso, sempre saía triste e decepcionada de nossos encontros.
Mas isso nao ocorre mais,  desde a última primavera, em que estive em sua casa.
Deixa eu contar a "historinha":

Estávamos por quase quatro dias na casa dos meus sogros, que sao assumidamente, ateus. Nesses dias todos, eu, que me cobro sempre por me sentir tao burra e despreparada, espiritualmente falando, estava toda tristonha, mas nao sabia por qual motivo. Já estava quase na hora de partir de volta pra nossa casa, e eu estava no banheiro, arrumando o cabelo. Me ajoelhei e chorando, comecei a falar com Deus, pedindo desculpas a Ele por ser tao tola, tao fraca, medrosa, por  nunca conseguir achar um momento pra falar dEle com ninguém. Até que, "do nada" e de repente, foi dando uma esquentada no meu sangue, senti meu rosto queimar, limpei as lágrimas delicada mas energicamente, levantei do chao frio do banheiro e com intrepidez, fui descendo as escadas. Meus passos iam sendo ouvidos como se estivessem num eco eterno, em pequenos estrondos, me levando certeira, até a sala, onde estava minha sogra, observando pela porta de vidro, meu filho brincando com o avô no jardim. 

Fui em sua direcao, a peguei pelo braço, a fiz sentar no sofá e falei com voz firme e de novo, com lágrimas nos olhos: Renate, eu tenho estado triste todos esses dias, porque sou uma fraca, fico triste quando vejo que nunca falo com vocês sobre meu Deus, triste quando vejo que Ele nunca pode estar nas nossas conversas, quando treino com as paredes toda uma fala antes de encontrar com vocês e essa conversa nunca surge. Sei que vocês nao acreditam nEle, mas quero que saiba, que Ele existe e os ama muito, muito mais do que vocês possam imaginar!

Parei de falar, porque já nao conseguia prosseguir.

Ela estava chorando enquanto me ouvia, disse que eles sabem da minha fé e a admiram, mas que eu nao podia forçá-los a crer. Obviamente nisso eu concordei, porque sei que quem convence é o próprio Espírito Santo de Deus. Conversamos um pouco mais e voltei ao banheiro para terminar de me arrumar...

Sei que aquilo nao foi uma evangelizacao, mas me trouxe uma paz indescritível, que até hoje trago comigo quando estou com eles. Eu falei o que o Senhor queria que eles soubessem! Só depois que subi as escadas de volta ao banheiro, entendi.

* * *
Nao escrevo sobre o Senhor porque quero convencer pessoas. Essa nunca será minha intencao, porque sei que nao posso fazê-lo. Escrevo porque sou melhor fazendo isso do que falando. Escrevendo, consigo ordenar meus pensamentos, diferente de quando falo, quando tudo fica meio embaralhado na minha mente. Nao é uma fuga, nao me escondo atrás de um teclado ou algo assim, é simplesmente, minha maneira de me expressar.  Escrevo sobre Ele, porque nao tenho real interesse em mais nada, e Ele é meu tudo!  Ele completa minha vida, meus pensamentos, meu coracao e mente. Estou "enamorada" por esse Senhor. E como a boca fala o que coracao está cheio... falo através das letras do meu computador, porque a boca ainda anda meio desgovernada...

Mas é preciso dizer que sim, tenho muita alegria, em dividir esse amor com você também ;-)

30/09/16

Quando a luz entra

Como um cômodo sombrio, quando entra a luz através de uma porta que se abre, é assim que ficamos quando o Senhor vem morar em nós. E esse alumiar no nosso espírito, é tao rápido quanto a luz que entra no quarto. Deus nos „invade“ de forma rápida, e vai irradiando Sua luz por cada espacinho desse ambiente, antes tao escuro, triste, sombrio, assim como aquele quarto antes estava.
Há pessoas que pensam que ser cristao é viver com esse ambiente iluminado, perfeitamente limpo e arejado o tempo todo. E quando notam que nem sempre está tudo bem com esse cômodo, criticam, falam mal, acusam, mostram a sujeira apontando o dedo na cara de quem limpou, enquanto passam o outro dedo pelas superfícies, em busca de mais poeira, constrangendo o responsável pelo quarto.
A pessoa nao pode realmente entender que no crente há duas naturezas: o velho e o novo homem. É como um carro movido a gasolina e álcool (nem sei se isso existe), aperta-se uma alavanca, o carro utiliza gasolina, acabando-se esta, aperta-se de novo o botao, acionando o álcool. Só que na vida real, as coisas nao são tão simples assim. O crente nao pode se desligar do velho homem, deixando o espaco livre pro novo, até porque, eles vão estar juntos até o momento em que Deus dirá: basta, sobre para cá, filho! E o nao entendimento dessas duas naturezas, produz muitos cristaos desapontados, quando notam dar mais vazao ao velho homem, que ele ainda tem que carregar, se sentindo com menor valor que aquele outro irmao, tao espiritualmente "elevado"... É muito fácil julgarmos o que nao achamos tao espiritual nos outros. 

Certa vez, uma moça que se dizia minha amiga e testemunha de Jeová, perguntou, ao saber da minha conversao, se eu era 100% mansa durante todo o dia, se tratava todas as pessoas com amor, se tinha tranquilidade no falar, essas coisas, enfim, que pra ela seriam o fruto do Espírito.
Eu? Calma? Quem me conhece pessoalmente sabe que sou uma espoleta, falo rápido, vivo gargalhando alto, me comporto como uma idiota e palhaça durante quase todo o meu dia, nao temo parecer a boba da corte e pareço estar sempre ligada na tomada. Logo, quem me vê pensa tudo, menos que sou crente. Falei para essa amiga que gostaria muito de ser como ela esperava, mas que nao estava ainda no seu nível espiritual, e até, confesso me senti mal por nao ser como ela. Até o dia em que a via, junto com uma das suas amigas, mostrar quem ela era realmente debaixo de toda aquela doce serenidade: as moças viraram verdadeiras bruxas, com uma risada debochada, ao ouvir de mim que eu recusava o seu ensino, por que agora cria que Jesus era Deus (os testemunhas de Jeová nao pensam assim).
O que muitas pessoas nao entendem, é que, ao invadir com Sua luz um ambiente, Deus, através do Seu Espírito Santo, respeita o indivíduo que ali está. Ou seja, ao se converter, ninguém é obrigado a mudar seu jeito, sua vida, seu modo de ser, e de agir. Afinal, nao é preciso limpar o quarto para que a luz penetre nele, pois a luz entra independente de como esteja a condição do quarto, nao é mesmo?! A limpeza pode até ser feita posteriormente e devagar, e mesmo que seja limpo uma vez, tem que fazer a faxina de vez em quando. Entao, assim somos nós.
Nao somos perfeitos, mesmo sendo cristaos que amam ao Senhor e a Sua Palavra. Somos criaturas iguaizinhas a você, que me lê e ainda nao crê. Temos todos a mesma base, viemos do mesmo erro, somos frutos do pecado original, carregamos a mesma carga genética, mas em nós, dentro de nós, lá no nosso fundinho, há uma luz forte, poderosa, e que nao fomos nós que acendemos. Mas que nos tornamos, sim, responsáveis por ela, tentando através do relacionamento com Quem nos forneceu essa bencao da luz, mantê-la sempre acesa (apesar de que até isso, é Deus quem cuida!).

O legal de entregar nossa vida 100% ao Senhor, é isso. Deus faz tudo por você e isso nao é comodismo, é fé! Quando Ele disse: „Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas“ em Mateus 11:29, isso nao te comove? Ele diz, nas minhas palavras amalucadas: fica calmo, eu cuido de você. Nao estressa, nao se cobre tanto, confie em mim.

Portanto, irmaozinho em Cristo, fica na paz. Nao se chateie com quem te critica, com quem zomba de ti, com quem acha que você nao é tao „crente“ quanto deveria ser. Se você estiver de fato, com a luz acesa, sabe em Quem tem crido, nao sabe?! É isso o que importa, todo o resto, vira resto... olhe para Cristo e nao para dentro de você.
Deixe que disso, Ele cuida ;-)

29/09/16

Verona

Entao, tu te vê andando por uma cidadezinha antiga, histórica, romântica, onde cada canto revela um desejo de ser fotografado. Onde tu, em cada virada de esquina, enxerga uma beleza escondida ou escancarada. Onde a cada passo, a tua cabeca vai se enchendo de histórias de amor, de encontros e desencontros, de felizes e tristes fins. Cada metro de chao, te leva em pensamento, a um passado onde tudo era mais bonito, pelo menos, na tua imaginacao teimosamente romântica. Vai flanando enquanto a pequena multidao vai te levando junto, mas sabe que está sozinha, no teu pensar. Tu estás lá, como antigamente, imaginando as pessoas que andaram por aquelas ruas, que usavam outras roupas, que olharam para aquelas mesmas construcoes. Nao deixa de pensar também, nas muitas vidas perdidas, escravizadas numa mentira de fé, numa perseguicao religiosa, num engano que perdura até hoje...
Mas é fato que tu gostas de andar por aquelas ruas, cheias de histórias pra contar. E que te deixam, leve e apaixonadamente, atordoada. 

Verona, a bela Verona de Romeu e Julieta, é assim...  
















Entao, chega na casa que teria sido dela... a casa de Julieta


Se foi ou nao verdade, realmente, nao importa, mas a varandinha ainda está lá. Tem que estar!

 E os chatos chicletes, e os cadeados de amor




E ela, Giulietta de Romeo!


Vontade de ficar mais tempo, de conhecer mais, de fotografar...

18/09/16

Viagens, decepçoes, churrascos, Deus...

Quando se tem muito, é fácil perder o encanto com o menos. Se você está acostumada a ficar em bons hotéis, sempre chega à porta de um novo, com a certeza de que vai encontrar um lindo prédio, ótimo servico e quartos elegantes. No dia em que algo no seu plano de viagem dá errado, e você encontra um hotel diferente do que esperava, se decepciona.



O mesmo ocorre, se já habituou-se a viajar para lugares lindos. Toda vez que desce de um aviao, a sua expectativa é de estar em mais um belo lugar, assim como viu nos catálogos da sua agência de viagens. Caso contrário, sua estada será decepcionante, a nao ser que abra mao de suas exigências e passe a apreciar o lugar com outros olhos.
É muito desagradável para quem te acompanha numa viagem, ficar te ouvindo falar mal do lugar em que estao, e compará-lo o tempo todo com o anterior. 
O melhor mesmo, é saber viajar, com menos dentro da mala e na cabeça. 
É que é muito fácil perder o encanto da coisas inesperadas, e nao reconhecer as belezas encondidas de um recanto, sabe?! E com isso, acabar nao sendo grato.


Esse é o tipo de coisa em que eu me vigio constantemente.. Viajo bastante e sempre para lugares bonitos, com belas paisagens e boa comida, mas, todas as vezes em que algo nao é tao belo assim, me sinto na obrigacao de me beliscar, para acordar e me despertar pro mundo real. Principalmente, pra me lembrar de onde eu vim, da simplicidade da minha vida anterior, aquela em que, pus os pés a primeira vez num aviao, aos 19 anos e nunca soube o que era viajar de férias na infancia!

Esse policiamento, das minhas próprias exigências, me ensina. Fica mais fácil relaxar e aproveitar a viagem, mesmo que ela nao seja como desejei. E preciso mesmo me cobrar essa demonstracao de mais ternura pelas coisas a minha volta! Exatamente como quando meu marido, após preparar um churrasco aqui em casa, me olha e pergunta, TODAS AS VEZES, se está bom. Eu sei que sempre o decepciono com minha resposta negativa, mesmo que atualmente, eu já nem mais responda com palavras.



Ele me conhece, sabe quais sao minha reacoes,  mesmo quando as tento disfarcar. Ele sabe que nao está bom pra mim, mesmo que pra ele, a carne esteja ótima. Explico: carne bovina aqui na Alemanha, nao tem o mesmo sabor da carne no Brasil. Eles até tentam melhorar, enchendo-a de molhos e temperos diversos, mas a carne brasileira (ou diria, a sul americana), só pra ostentar com o resto do mundo, basta sal grosso e pronto. É imbatível!

Meu marido procura, há dez anos, agradar meu exigente paladar para churrasco, faz caras e bocas para me provar que finalmente, achou algo perto do sabor brasileiro, mas nunca me convence! Ele fala que sou mimada, mas ao mesmo tempo reconhece que sei o que é uma boa carne (na verdade, nao sei, apenas sinto o que é bom ou  nao, numa carne, porque tenho bons parâmetros - afinal, cresci num país produtor de boa carne bovina).


Entao, tenho que treinar obrigatoriamente, a gratidao, quando disfarço a decepcao com aquele "sabor de nada" da carne alemã, tento aceitar que nao existe melhor do que isso por essas bandas, e tento reconhecer nem que seja, um fiapinho de coisa boa ali, só pra agradar meu bom marido. Assim, como tento também, me adaptar e aceitar, que aquela pousada simples, tem uma cama bem confortável, ou que aquela cidade suja, pode ter um povo simpático, aquele restaurante simples, tem o mais limpo banheiro que meus olhos já viram, e aquela praia feia, de areia marrom, tem a água mais morninha e as ondas mais calmas pra meu filhinho brincar. Tudo é uma questao de aceitacao da realidade, de menos expectativas, e também de ter mais paciência. Segurar mesmo a língua, sabe?! A vida fica menos complicada agindo assim.

E sei que é difícil encarar as coisas desse modo. Porque, verdade seja dita, é muito fácil para nós, principalmente mulheres, ficar reclamando de tudo, fazer cara feia, resmungar.
Já reparou quando você sempre tem um dinheirinho na carteira, ou o aval do seu marido, para comprar o que quiser? Nesses termos, vocês estao sempre num ótimo estado de ânimo e se tratam apaixonadamente, mas se algo ocorre, e sua conta bancária comeca a sinalizar problemas, já notou  como sua relacao com seu marido também balança? Que injustos e ingratos, somos uns com os outros, sempre dependentes de coisas exteriores pra estarmos bem...



Isso tudo me faz pensar na minha relacao com Deus, mesmo que aparentemente, um tema nao tenha nada a ver com o outro. Por que será que as pessoas sofrem? E porque será que as pessoas quando sofrem, se aproximam mais de Deus? Por que, quando estao bem de novo, se afastam? E por que existem pessoas que só estao de bem com Deus, quando suas vidas estao indo de vento em popa, mas que se afastam chateadas, quando tudo comeca a desmoronar?
É facil, afinal, dizer que ama a Deus, quando sua vida está ótima, nao é?

Será que as pessoas tem expectativas que acreditam, Deus pode solucionar? Mas, se for esse o caso, porque entao ficar nesse vai e vem com Ele? Ora, se Ele é capaz de fazer tudo para você e cuidar da sua vida em todos os aspectos, porque ficar longe dEle em momentos distintos, e nao, "para sempre e para o que der e vier"?
Fato: As pessoas perderam o encanto por Deus, assim como às vezes, perdem o encanto pelas coisas simples! E perderam, porque O ligaram a papai noel. Se Ele der, elas ficam felizes, se nao der, ficam tristes, decepcionadas, distantes, como criancinhas birrentas na noite de natal, quando nao ganham o que pediram.
Eu desconfio que, humanamente falando, Deus se decepciona com esse tipo de pessoa, assim como meu marido se decepciona com minha reacao frente ao seu churrasco sem graça, que ele tanto se esforcou em fazer pra me agradar! 
Efetivamente falando, é claro que Deus nao se decepciona com absolutamente ninguém, porque Ele sabe de que material somos constituidos, mas é bom para nós mesmos, imaginarmos que sim, nossas expectativas estragam tudo e principalmente, esfriam nosso relacionamento com Ele, assim como esfrio a vontade de meu marido em fazer churrasco (na verdade, isso ainda nao aconteceu, mas temo pelo dia em que ele de fato, se canse e desista da procura-da-carne-perfeita-para-a-mulher-perfeita!..... ahã-- perfeita, SQN!)



Se Deus é real, e fez todas as coisas, que chato deve ser pra Ele, ver nossas reacoes diante das belezas que Ele fez para apreciarmos. Já pensou desse modo? Imagina que Ele fez aquelas montanhas, que envolvem como num abraço, aquele mar azul turqueza em frente a você! Daí voce suspira, boquiaberta, que lindo!! Faz mil fotos, de diversos ângulos, posta no Facebook, no Instagram, envia pra toda familia pelo WhatsApp, enfim... o mesmo faz com o hotel, ou com o restaurante, em frente ao seu prato decorado pelo chef de cuisine. Deus fica feliz por você reconhecer o que Ele te deu e como você reagiu bonitinho àquele presente. Daí, imagine-O vendo você voltando de viagem, fazendo cara feia pro marido, por ter que preparar um jantar, ou quando ele diz que terao que economizar um pouco mais e nao poderao fazer aquilo que tinham planejado. Ou como Deus fica ao ver sua reacao diante da casa simples, que é a única que vocês podem pagar, ou com um céu menos estrelado, ou uma chuva que cai acabando com um belo dia ensolarado, ou quando você simplesmente nao engravida, mesmo Ele te dando ótima saúde, ou quando você nao consegue aquela promocao no trabalho que tanto se esmerou em conseguir, ou quando aquela pessoa que você tanto ama, simplesmente vai embora.... entende o que digo?

Se Deus cuida de tudo, (e Ele realmente, cuida!), que triste a gente nao reconhecer esse cuidado mesmo quando as coisas dao errado.
Sabe, elas dao errado, aos nossos olhos somente, que sao muito terrenos e ignorantes, nao aos olhos dEle! Se Deus é perfeito, tudo o que Ele faz, o é também! Entenda e aceite o fato de que Deus sabe muito mais que você.




Quando você passa a entregar sua vida, 100% nas Suas maos, sem sentir medo, sem duvidar, sem desconfiar, a vida fica muito mais fácil de ser vivida. Até as dececpcoes sao mais sutis e menos dolorosas, e as reacoes de alegria, mais comedidas. Porque sabemos que tudo tem seu fim e que no fim de tudo, tem um Deus, que de tudo cuida.
Tente da próxima vez, enxergar as coisas por outro prisma e nao reclame de tudo, nao  se faça superior aos outros, nao faça cara feia para a vida. As pessoas a sua volta já tem coisas suficientemente feias pra encarar.

Como cristao, a sua existência aqui neste mundo tem o objetivo de exalar o perfume de Cristo. E esse perfume pode ser sentido por outros, estando sua vidinha, aos seus exigente olhos,  perfeita ou nao.


Fotos: Nina Sena - Córsega 2016

13/09/16

Ser feliz

Acho curioso quando as pessoas tentam me afastar de Deus, mas posso compreendê-las bem, porque lembro de quando nao era convertida e ouvia que um famoso aqui ou ali, havia se distanciado de sua "igreja". Eu sentia um certo alívio em saber que alguém se "desviava", usando agora o jargao utilizado por alguns, isso me fazia sentir melhor. Pelo menos, pensava,  nao estou sozinha na minha distância de Deus. De alguma maneira, eu sabia que nao era certo ficar de costas pra Ele, assim como lá fundo, as pessoas que recriminam minha fé, também sabem. Porque Deus, quando soprou vida nas narinas de Adao, soprou também a eternidade. Nossos coracoes sabem que nao viemos do nada e nao vamos pro nada... o que a gente nao quer, é encarar o fato de que Deus existe, que é real e que um dia, iremos prestar contas com Ele. Essa verdade, mesmo que nao acreditada por nós, nos causa raiva e repugnância, e queremos distância dela.  Porque foi isso  que fez o pecado (aquele orginal, lá no Eden). Ele nos distanciou do nosso Criador e desde lá, só fazemos m*
O que esperar mesmo de uma humanidade que virou as costas pra Deus?

Há pessoas que lutam constantemente pra mudar a minha visao das coisas. Mas, elas nao podem entender que nao estao lutando contra mim - quando lutam contra minha fé - mas contra Aquele que causou a fé em mim. Entao, essa é uma luta já perdida. Primeiro, porque Deus vai ganhar sempre, e segundo, mesmo que eu quisesse (e eu nao quero!) nao posso mais mudar o rumo que minha vida tomou. É impossível desistir de Deus! Nao dá pra ser esse tipo de artista que falei no início do post, os famosos que veem uma brecha no nojento gospel brasileiro, por exemplo, e depois que tiveram seus rendimentos melhorados e fizeram fama, saem das "igrejas", alegrando o coracao mau daqueles que torcem pelos desvios, como eu torcia antes de ser convertida de meus caminhos.

Você já conheceu algum salvo por Cristo que quis desistir dEle?
Acredite, esse cara nao existe!
Sabe quem é a pessoa mais feliz desse mundo?
Um salvo pelo Senhor!
Você conhece alguém que está cansado de ser feliz?  Isso nao te soa estranho? Então, como pode alguém estar cansado de Cristo? IMPOSSÍVEL! Um verdadeiro cristão, é esse ser feliz, que mesmo vivendo em situacoes difíceis, reluz o brilho de Cristo. Você anda acompanhando algumas notícias de perseguição cristã em países mulçumanos? Pergunta pra eles se eles estao desejosos de desistir de Cristo? Nao, eles desistem de suas vidas e de suas gargantas, mas nunca de Cristo!
Você certamente os acha tristes por isso, nao é?
Te garanto que eles sao mais felizes que a grande maioria que você vê neste mundo de ilusao em que vivemos...

Entao, faz um favorzinho: deixa aquele cara alegre, e até meio bobinho e quem sabe, meio chato, que te fala de Cristo, em paz. Ele nao faz parte desse mundo mesmo,  é um ser de outro "planeta". O planeta dos eternamente salvos, daqueles que vao morar um dia, com o Senhor maravilhoso deles. Que vai correr desesperadamente pra abraçar Aquele que o salvou ainda nesta terra, que vai passar a eternidade, olhando maravilhado para esse Senhor,  e que nunca, nunca, nunca vai se cansar de agradecer, pelo que Ele fez na cruz. O verdadeiro, cordeiro de Deus! Nosso maravilhoso, indescritível, amado Jesus Cristo!  
     

12/07/16

Sem interesse

Nao é dolorido, nao é triste, nao incomoda, mas sabe-se que causa estranhamento. 
Olhar o mundo em volta e cada vez mais, ter menos vontade de sair do seu canto. Nada realmente interessa. Pode até participar (e participa!), das coisas estritamente necessárias lá fora, mas entusiasmo verdadeiro, lhe falta. É como estar num lugar só em corpo, tendo a cabeça noutro lugar. Que estranho! 

A verdade é que as coisas perderam importância. Nao os amigos, nao o trabalho, nao os estudos, mas as coisas: Os sapatos, as bolsas, os carros, as etiquetas à mostra, as festas, o barulho, o exibicionismo, as risadas forçadas, as viagens, a falsidade do dia a dia, os beijinhos mentirosos no rosto, as conversas levianas, as leituras seculares, as fofocas, a internet, o celular, o fazer questao de se mostrar interagida, o preenchimento das horas com qualquer coisa, só pra não ficar de fora das novidades, ou sozinho consigo mesmo!
Acabou!
Agora, só interessa cuidar bem da família e estar de boa. Com Ele. E nEle, ter paz!
"Paz que excede todo entendimento"...

Falar isso pra alguém que nao entende, é dar um tiro no pé: "Ai que triste! Está em depressao! Procure algo pra fazer! Você nao merece isso! Levanta e sacode a poeira! Vai trabalhar! Faz trabalho voluntário! Sai, se arruma, arranja um paquera! Vai fazer compras! Vai dançar! Volta pra academia! Você é tao jovem! Faz um curso de qualquer coisa! Coitada, tá louca".

Fato: Pessoas nunca entenderão, então, desistir de tentar convencê-las é o melhor a fazer. E lembrar:  A paz que excede todo entendimento, guardará vossos coracoes e mentes em Cristo Jesus....

Nao sei quantos estão juntos nesse esperar maravilhoso e nesse apagar lentamente. Nesse sussurro de saudade. Nesse adeus silencioso. Nessa pouca ou quase nada, interatividade com o que está aí: Essas coisas de mentira, ilusórias, como bolhas de sabão. O mundo anda assustando e cada vez mais, perdendo seu brilho, vai ficando distante, e mais distante, perdendo o foco, e que satisfação notar, que nao se deseja mais forçar a vista pra enxergá-lo...

Fica-se bem, quando se está com  "A Pessoa" certa.

" ... Não são do mundo, como eu do mundo não sou. Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade..."

11/05/16

Depressão

Há duas semanas estou resfriada, num vai a vem, e chove e não molha sem fim. Se não bastasse a gripe, tive ainda uma longa TPM e muitos dias de enxaqueca. Me sentindo arrasada, entreguei os pontos, joguei a toalha... e caí na cama. Há três dias não sinto vontade de levantar, mais parecia uma múmia andando pela casa quando ia a cozinha, ou ao banheiro. A família estranhou, isso não é do meu feitio. Na verdade, até eu me estranhei. Fato é que há duas semanas andava triste. 
Hoje, tive que levantar, pra levar filhinho na escola. Já sem dor de cabeça e sem nariz escorrendo, me sentia melhor. Mas depois de voltar da escolinha, e começada a limpeza da casa, me peguei chorando sem cessar, e sem motivo aparente. 
Conheço pessoas que quando começam a desenvolver uma doença, começam também a se sentir deprimidas. Mas, gripe eu nem considero doença, além do mais, fico com muita frequência resfriada, isso não seria motivo para me sentir triste. Gracas a Deus, está tudo bem com a família e com os amigos.
O que eu tinha então? 

Não sofro de depressão, mas hoje ao chorar, lembrei da única vez que senti algo assim. Há dezoito anos, quando estava numa fase muito difícil comigo mesma e com meu ex marido, fiquei uma semana de cama, sentindo grande tristeza e só saí daquilo depois de um médico, amigo nosso, me receitar um remedinho. Nunca mais tive algo parecido. Quando me vi hoje chorando, com uma pazinha na mao enquanto mexia com minhas plantas, a única coisa que me deu vontade de fazer, foi correr até meu quarto. Lá, sentei no chão e chorando, falei ao meu Senhor, que estava com saudade e que desejava só ficar ali um pouco com Ele. Não falei mais nada. Parei de chorar, fiquei mais uns minutinhos ali, e levantei. Já outra! Fui direto para a sala, liguei uma música, e voltei às minhas atividades de antes, sorrindo e me sentindo muito, muito leve. 
Foi aí que percebi a razão. Eu estava com saudade de Deus!

Notei que nessas duas semanas, me sentindo doente, e me vitimizando, quase nao falei com Ele (amo conversar com meu Senhor o tempo todo!), quase não li minha Bíblia e se o fiz, foi automaticamente, e orei muito pouco. Então, a saudade dessa comunhão diária, foi o que me fez falta e estava me entristecendo o espírito.

E aí, pensei em você! É, você! Talvez você sinta isso de vez em quando, não? Provavelmente, seu caso seja mais complicado do que o meu. Há uma doença grave, morte de algum querido, traumas que não consegue esquecer, ou pode ser que você tenha a doenca chamada depressão.  Mas será que você já parou pra pensar que  pode estar com o mesmo problema que eu? Você pode estar sentindo saudade do seu Criador?

Sabia que quando Adão e Eva pecaram, lá no jardim do Eden, eles quebraram essa comunhão que havia entre eles e Deus? Antes de O desobedecerem, esse casal recebia a visita do Senhor todo fim de tarde, bonito pensar nisso, não? Ele tinham, digamos assim, um chá da tarde com Deus! Mas eles quebraram esse relacionamento e desde lá, é isso que Deus tem procurado restabelecer, a relação entre Ele e o homem. É só isso que Deus quer da gente! Que nós O conheçamos, que tenhamos com Ele um relacionamento, uma amizade, um carinho de Pai e filho. Por isso Ele nos deu Jesus Cristo, só através de Seu filho, isso seria possível, porque o pecado nos distanciou de tal forma, que nada seria capaz de nos ligar a esse Deus Santo Santo Santo! Cristo é a porta através da qual, podemos chegar ao Pai, "Ele é o caminho, a verdade e  a vida",  é o pedaço de nós que nos falta. 

Você pode rir de mim, pode rir da Bíblia, mas num dos intervalos do seu choro, quando estiver sozinho consigo mesmo, tente lembrar do que está lendo... pense se a dor que sente, nao vem da saudade de algo que você nao lembra, mas que um dia soube que existia... Pense que o seu espírito morto, talvez, esteja querendo acordar. Fale com Deus, mesmo que você nao acredite muito nEle. O fato de você nao acreditar, nao faz dEle inexistente. 

Se você já tentou muitas coisas e nada tem te ajudado de verdade, talvez este seja o seu diagnóstico: Saudade de Deus. Pense nisso... e tente perguntar a Ele se é isso mesmo. Não custa nada tentar...