24/02/15

A brilhante Dubai

Hotel burj Al Arab
Nao há muito o que se falar de Dubai. Pelo menos pra mim, que costumo gostar mais de lugares que contam histórias e possuem personalidade antiga. Eu gosto de pedras e ervas que crescem em meio a estas, de castelos medievais, de pontes românticas, de flores nas sacadas, de feiras com velhinhas arrastando seus chinelos e andando entre barracas de flores e legumes. Eu sou antiquada e tenho alma velha e simples. Nao gosto de excessos, de frescurices e sofisticacao. Minha alma confesso, é simples, pobre, burra. 
 
Nao sei lidar com servicais, nao adianta, nao sei ser tratada como princesa. Ali nos Emirados Árabes, tudo é feito pra você, por alguém. Do sentar no restaurante, ao abrir de portas, ao ensacolar compras no supermercado, ao esperar que a moca do carrao abra a porta lentamente, enquanto o motorista humilde do ônibus na rua movimentada a aguarda calado. Nao me agrada os carroes brilhantes, rápidos, esnobes e enormes, que mais parecem monstros prontos a engolir alguém. Nem os prédios tao altos e reluzentes. Tudo ali reluz, as fachadas dos prédios sao quase sempre espelhadas, prontas para nos cegar,  num país em que o sol nunca dá trégua. 
 
 
 A constante e fina poeira senta e em poucos segundos, estará sendo limpa pelos servicais, que nunca sao o povo do país. Eles sao muito ricos pra isso. Todas as babás (coisa raríssima na europa e que só vejo no Brasil) estao por toda a parte com seus olhos puxados ou sua pele negra. Todos os garcons falam num inglês quase que incompreensível. Pensei que a cidade toda estivesse de férias, e que nao houvesse populacao local. Pensei que todo aquele povo de lenco na cabeca, meio esnobe, que nao olha pra ninguém na rua, e que anda como se estivesse em nuvens, fosse estrangeiro, mas nao. É que descobri que os funcionários de restaurantes, hotéis, motoristas de táxis, vendedores, enfim, todos que trabalham, sao asiáticos (há muitos indianos no país) ou africanos, que  nao falam o árabe. 
 
àguas dancantes
 
A populacao entediada na sua riqueza, vai passear e comer fora todos os dias e falam outra que nao seja, a sua língua materna com os funcionários. As criancas aprendem inglês provavelmente errado, com suas babás estrangeiras, antes de ingressarem nas ricas escolas inglesas, comuns no país, onde as criancas ainda vao lindamente uniformizadas. 
 
Foto Radicke
 
É interessante sim, é outro mundo, sim, mas sinto falta de coisas antigas. Sei que o país foi construído sobre areia do deserto e os admiro por isso, mas é assustador pensar que debaixo daquilo tudo há areia. Lembro tanto do versículo que fala quao tolo é o homem que constrói sua casa nao na rocha...
 
Aquário gigante com direito a entrada, dentro do shopping
 
Tudo reluz, tudo brilha, tudo! Tudo é feito pra ostentar, tudo impressiona. Dubai e seus arredores conseguem nos deixar boquiabertos sim. Parecem estar em constante ansiedade para serem os maiores em tudo. Andar procurando coisa do passado num lugar que ofusca tudo com seu brilho extremo em diracao ao futuro, é estranho. Aqui na europa, esbarro com ele, o passado, a cada esquina, lá sou obrigada a  olhar pro futuro em cada prédio que se orgulha de ser mais alto que o outro, por causa de uma agulha na ponta, como bem lembrou minha irma, futura arquiteta e que discute na faculdade as construcoes de Dubai.  Mas é estranho olhar para o futuro, já que sei que o tempo de Deus é hoje.  É estranho ser cristao naquele país. Nao sei deles, mas devem ser pouquíssimos e com certeza, se incomodam com o chamamento estridente em todos os microfones de TODOS os lugares, para oracao, cinco vezes ao dia. Assim como os sinos das igrejas devem incomodar os mulcumanos no ocidente.
 
Ouro pra todo lado
 
A riqueza aparente te cutuca, chega a incomodar. Você fica se achando meio que um lixo em meio a  luxúria árabe. Se sente feia perto dos rostos com turbantes carregadíssimos de maquiagem, das mulheres sempre em preto, totalmente cobertas. Às vezes, até com luvas, às vezes, somente com os olhos a mostra. Sente que está fedendo quando anda pelas enormes e extremamente perfumadas passarelas dos maiores shoppings do mundo, que de tao grandes, tem táxis internos. Tudo cheira a perfume, excessivamente. Tenho a impressao de que eles usam perfumes caros nos baldes misturados a água para esfregar o chao. Se estivesse na minha época ruim, teria vomitado várias vezes e viveria tendo enxaqueca. É muito perfume! 

Fotos: Radicke

Em compensacao, tem a seguranca de saber que ningém vai te roubar. Tem a limpeza dos lugares, os servicos perfeitos de metrô, onde você pode ter certeza, nao encontrará quase nenhum nativo, além do mais limpo e bonito metrô que você já viu. Tem a maravilhosa comida! A quantidade enorme de povo vindo dos paises próximos para trabalhar. Tem os indianos coloridos e sua comida deliciosa em toda a parte. Tem o mar. Um por do sol de cair o queixo. Paras as mulheres que gostam de compras, tem ouro por toda a parte, tem os shopping centers enormes e caros. Tem os souks, construcoes onde sao expostas, à venda, todo tipo de buginganga brilhosa, mas nao sem o nojento barganhar. Tem as mulheres cobertas e esnobes. Tem os homens lindos, que eu adorava ficar olhando de rabo de olho, sempre, enquanto eles passeavam soberbos, com suas barbas muito bem feitas, com seus longos vestidos brancos e turbantes balancando ao pouco vento...

Fotos encontradas na Wikipedia. 


Dubai é assim. Se você gosta de ostentacao e brilho, é uma ótima pedida.

23/02/15

Em Dubai com meu companheirinho de viagem e de fé

Quando frequentei uma "igreja" algum tempo atrás, sempre tive receio de parecer uma crente enjoada leitora de Bíblia, mesmo que naqueles tempos eu nem desse importância real às coisas de Deus. Esse receio de parecer fanática me incomodava tanto que eu nem falava de Deus com meus filhos! Hoje as coisas sao tao outras... Me importo muito pouco com o que as pessoas pensam sobre mim e minha fé e principalmente, eu falo de Deus para meus pequenos, mesmo que nenhum dos dois maiores dê realmente atencao ao que mamae Nina fala. Porém, o pequeno Pedro, de quatro anos, dá. 

Quando estive em Paris, para um encontro com alguns irmaos em Cristo, uma querida amiga deu ao Pedro uma Bíblia infantil. Eu já havia pensado em lhe presentear com uma, mas ainda achava, tolamente, que era cedo demais. Mas nao era! Mariliza me fez enxergar isso. Comecei a ler para ele.
Para minha surpresa, ele adorou. Desde que ganhou a Palavra de Deus com curtas histórias e lindas figuras infantis, nao vai pra cama sem sua Bíblia e um dos seus muitos livros de dinossauros. Já a lemos duas vezes, do início ao fim, e sempre que acabar, voltaremos ao início e a cada leitura, a Palavra se faz nova, porque a Palavra de Deus é viva! 
Ele faz questao de acompanhar a leitura atentamente. Sou "obrigada" por ele a ler, mostrando o texto tendo o dedo deslizando sobre as palavras, porque ele faz questao de ler em voz alta, as palavras que já conhece, como Deus, Senhor, terra, água, Israel, e todos os nomes dos profetas. O menininho é mesmo muito inteligente! Mas a verdade é que eu ainda nao havia parado para observar como ele estava de fato, acompanhando o que eu lia. Até nossa última viagem. 

Passamos alguns dias em Dubai e um dia em que estávamos passeando por um lugar onde havia um forte, daqueles de pedras enormes e muito alto e resistente, Pedro parou e disse que parecia com a muralha de Jericó. Ele ficou brincando, tentando empurrar o muro alto, dizendo que podia ser o homem mais forte do mundo, mas que só Deus era capaz de derrubar aquilo, assim como fez com a muralha no tempo dos israelitas. Fiquei espantada e continuamos conversando sobre aquilo. Foi bom ver meu pequenino já mostrando certo conhecimento das coisas de Deus. Do jeitinho especial dele. 

Estas eram as ruínas em Dubai
Na viagem tivemos muitos momentos assim. Como quando comentei com ele que seu amiguinho David de Manaus viria visitá-lo. Ele logo perguntou deslumbrado, se era o Davi do Golias. Uma outra vez, olhando para o céu sempre esfumacado pela poeira do deserto dos Emirados Árabes, ele falou que foi para aquele céu que Elias subiu levado por Deus, que usou para isso um redemoinho, como mostra sua Biblinha. E em uma outra oportunidade, andando com ele perto do burj Khalifa, o prédio mais alto do mundo, com seus mais de 800 metros, Pedro ficou assustado em saber que Deus era muito maior que aquilo e que poderia derrubar com um sopro ou apenas uma palavra aquela ostentacao toda. "Maior que o burj Khalifa, mamae?" perguntou ele com os  olhos arregalados. Depois de uma explicacao breve ele ficou falando: "Sim, é mesmo, nosso Deus é maior que tudo, nosso Deus é o Senhor, o maior de todos! Deus, você é super" falou o pequeno olhando para o céu.

O burj Khalifa
 É lindo ver sinais de fé numa crianca tao pequena, nao é? De fato, nunca é cedo ou tarde demais, pra alguém conhecer a Deus. 

***
Li certa vez que é importante que os pais ensinem sobre Deus aos filhos, mesmo que estes parecam pouco interessados. Porque, mesmo que um dia eles se desviem dos caminhos do Senhor, aquela sementinha plantada na infância brotará num bendito momento. 

***
Em tempo: demos de natal uma outra Bíblia infantil a ele de presente, agora em alemao! Assim, quando a mamae nao pode ler para ele à noite, o papai lê. Unimos o útil ao agradável, já que papai nao conhece nada das coisas de Deus, uma vez que cresceu em família que se diz ateia...

18/01/15

Crente nao sofre?

Eu fico vendo esses crentes atualmente. Como eles mudaram desde que eu era pequena! Alguns ficaram bem modernos, nao? Já notou? Crente nao pode mais ser pobre, nem doente, nem infeliz nas relacoes. Crente tem que ser bonito. Atraente como o mundo ao redor.  Deus o livre falar que tem dores de cabeca, dor nas costas ou depressao. Já será taxado de "emacumbado".
Eu acho até legal ver que as crentes estao mais bem arrumadas, acho mesmo que aquelas da minha infância era meio esquisitas. Aqueles cabelos enormes e sem corte, aqueles vestidos longos e os rostos desmaquiados, sei lá, meio feio... Mas daí a ter que ver a moca usando um jeans extremamente colado, com o umbigo aparecendo e combinando com um salto altíssimo, eu acho meio exagerado. Desculpa, mas acho. Ou entao ter o cabelo super bem feito, de mulher que vai toda semana ao salao de beleza como se "o frisar de cabelos e o uso de joias fosse a coisa mais importante". E tem os caras, que tem que ter o que os outros caras tem. O carro, o emprego, as viagens. "Pega tua bencao". "Deus nos prometeu irmao"!!!

Nao. Nao prometeu nao!

Os valores estao também invertidos no mundo cristao. Crentes que por natureza sao aqueles separados do mundo por Deus, estao querendo se juntar ao mundo. A meu ver, isso é desobediência. Quando comecou tudo isso? Foi mesmo com a prosperidade das pentecostais que chegou dizendo ou melhor, gritando, que crente tem que ter mais que as outras pessoas só pra mostrar que tem um Deus que opera milagres e maravilhas e os outros nao? E assim sendo, ostentando luxo, casamento e saúde perfeitos, cirurgias plásticas, viagens, casas, empreendimentos incríveis, esses crentes serao o motivo de atrair novos adeptos a sua "igreja"e nao O Senhor dela.
Eu tenho em minha memória de quando eu era bem menina, os crentes de antigamente. Eles eram diferentes, eu via, qualquer um via que eles eram diferentes. Se vestiam e se portavam de forma diferente. Hoje todo mundo parece todo mundo, é tao igual. Os crentes se misturaram com o mundo. Será que Deus nao está um tanto chateado com eles? Quero dizer, com a gente?

Olhe a sua volta, tente observar o cristao mais próximo. Você vê algo diferente nele? Sente o "cheiro de vida que ele exala para vida, ou cheiro de morte para a morte"? Um dos dois você tem que sentir senao, nao é cristao. E se você nao sente nem uma coisa nem outra, há algo errado aí. Será que ele é o cara mais ferrado que você já viu mas tem uma alegria que você nao sabe de onde ele tira? Ou  perdeu o emprego mas ele nao reclama. Quem sabe, ele nao pode como você, fazer uma viagem internacional, porque só ele trabalha na família, uma vez que sua esposa prefere ficar em casa e cuidar dos filhos, e por isso a família dele vai passar as férias no interior do estado, numa praia. E você sente um pouco de pena, mas entao pensa que é curioso, como mesmo assim, esse cara aí é feliz com sua fé! E aquela mocinha? Você sabe que ela é crente? Como você a reconhece como tal? Ela é recatada nos atos e nos trajes? Se nao, já se misturou com o mundo que o seu Senhor separou.

Os crentes deveriam ser diferentes. Nao porque eles sao melhores que você, porque absolutamente, eles nao sao! Mas porque eles nao pertencem a este mundo que você vê. Todo verdadeiro cristao é um estrangeiro, sua pátria está no céu e ele nao vive, ou pelo menos, nao deveria viver conforme as coisas deste mundo. E quem diz isso nao sou eu.

O fato é que, com o desejo carnal de mostar a todos que cristaos nao sao menos que os incrédulos, as igrejas atualmente pecam. Mostram uma irrealidade aos seus adeptos e vivem numa ilusao. Deus nao prometeu nada aos cristaos nesta terra, e tudo o que uma pessoa recebe em vida, é dado como misericórdia. É somente a vontade de Deus fazer uns mais ou menos bem aventurados aqui. Isso nao é promessa alguma! É só decisao divina, meu camarada. Cristaos podem sofrer! E isso nao é, definitivamente, uma coisa do diabo. Podem ficar doentes, podem passar por tribulacoes uma atrás da outra, podem viver na pobreza. O fato é que Deus pode querer usar as dificuldades na vida de um filho seu, para ensiná-lo ou prepará-lo pra algo. Porque tudo coopera para o bem.  E esse bem, nao é material!

O cristao pode sofrer, pode chorar, pode ser mau compreendido, pode! O que ele nao pode é viver no mundo como se fosse do mundo.  

12/01/15

Nao gosto mais disso

Exatos cinco dias após minha conversao a Cristo em maio de 2013, fui a um show do Rammstein, uma banda de rock alemao que até entao eu gostava muito. Era um dia de muita chuva e o concerto seria num lugar aberto, um anfiteatro em Berlim. Meu marido e um amigo que estava com a gente estavam bastante animados e eu até tentava acompanhá-los na empolgacao, mas a chuva nao tao fininha que caia sobre aquela multidao de capas de chuva a minha frente nao era muito animadora. A chuva estava realmente me incomodando. Os dois bebiam seus copos de cerveja um atrás do outro e eu, que sempre gostei de cerveja, estranhamente, nao quis tomar nada aquela tarde. Era como se eu tivesse que estar muito atenta, mas isso eu nao sabia ainda. A banda entrou com seus fogos de artifício de sempre e eu nao consegui me alegrar. Meu marido olhava pra mim, esperando ver a reacao que tive num outro show deles, mas nao conseguia ver em mim mais do que um falso sorriso amarelo. Eu realmente nao queria estar ali. Mas fiquei. Entao aconteceu uma coisa realmente incrível. 

Eu já gostava do Rammstein antes de vir morar na Alemanha. Gostava de suas músicas, porque sempre achei que eles nao eram somente uma banda de rock pauleira (tipo musical que nunca gostei), eles cantam coisas inteligentes e melodiosas, bonitas até. Mas aquele dia, entendi qual a razao dos pais, fas da banda, quando estao com seus filhos por perto, nao ouvirem Rammstein. Eles dizem que as letras nao sao boas para criancas ouvirem (falam demais de sangue, p. ex.). Mas no show, lá no alto da arquibancada de onde eu estava, pela primeira vez, eu entendia perfeitamente as letras e era mais do que de sangue que elas falavam. Lembro da minha cara assustada principalmente com duas cancoes. Eu tinha os olhos arregalados e a boca aberta de tanto susto. Nao acreditava no que estava ouvindo. Sentia como se a letra me invadisse os poros, as minhas entranhas, vindo devagar até mim, como em câmara lenta na intencao de que eu entendesse tudo. Sentia que meus olhos e ouvidos se abriam. 
Eu tinha ouvido aquelas duas mesmas músicas várias vezes e nunca as tinha percebido daquela maneira. Foi assustador. Uma das cancoes faz um convite a escuridao. Willkommen in der Dunkelheit. Seja bem vindo a escuridao. A letra fala de forma obscura, daquele caso do austríaco que manteve sua filha presa no galpao de sua casa, por anos, abusando dela. Mas eu entendi a letra de uma outra forma. E nesse mesmo jeito, fui ouvindo uma outra, igualmente horrível. Nao sei realmente explicar o que houve comigo. Era como se enormes tampoes tivessem sido tirados dos meus ouvidos pela primeira vez e eu pudesse ouvir tudo. Era como se a letra tivesse um sentido pra todas aquelas pessoas ali, e pra mim um outro, terrivelmente diferente e assustador. 
Meu marido e nosso amigo, depois do show, quando estávamos jantando num restaurante qualquer numa Berlim fria e úmida, ficaram tentando me convencer, me dando mil explicacoes sobre as letras das cancoes, mas já era tarde demais pra me fazer mudar de ideia: "querido, você pode continuar indo, mas eu nao quero mais ir ao show do Rammstein!". Nao tentei explicar o que eu entendi do que é cantado ali, porque sei que seria em vao, e nada do que eu dissesse a eles, os faria compreender... porque quem convence nao sou eu, mas o Senhor. E acho que mesmo eles nao sendo uma banda do mal, nem terem pacto com o diabo, como nosso amigo ficou tentando me explicar (e eu em nenhum momento pensei nisso!!) acredito que sim, que tanto pode haver inspiracao dos céus como do inferno, se é que você me entende.. e isso mais ou menos independe se você é mesmo alguém do mal ou vive numa igreja.

Hoje eu entendo esse momento naquele show como a primeira vez que senti a presenca do Espírito Santo agindo em mim. Se eu tinha alguma dúvida da veracidade da minha conversao, aquela era a prova. Porque é essa uma das coisas que acontecem quando Deus age em nós. Fazendo-nos gostar de coisas que antes detestávamos e detestar certas coisas que antes amávamos. É por isso, por exemplo,  que hoje já nao saio mais pra dancar. Nao é que eu nao goste, ou que me determinei a nao mais frequentar certos lugares porque agora sou "crente", é que meu espírito fica incomodado, entende? Nao sou eu quem nao gosta, é Deus que nao me quer mais ali. Simples assim. E o melhor de tudo é ver como Ele me completa tao absolutamente em tudo e nao me deixa sentir falta de nada do que agora me abstenho.
É assim que me sinto quando por exemplo, ouco ou leio palavroes. Fale o que quiser falar, mas palavrao nao é somente um alívio de tensao, é uma coisa desagradável de se ouvir e hoje dói profundamente, quando ouco um. Nao consigo mais ver o que se passa na internet. p. ex. meninas novas, fazendo videos sexy, mulheres com roupas escandalosamente decotadas, bundas em micro biquinis em poses exageradas, vídeos extremamente sensuais, mulheres ou meninas dancando essas coisas feias, como o funk ou algo no mesmo estilo. Essas coisas nao descem mais, elas doem, nao na minha visao, nao na minha mente e nem na minha alma, essas coisas doem no espírito, que é a parte da gente que está em contato com Deus. 

E sabe de uma coisa? Deus nao se agrada das coisas sensuais. 

Outro dia tinha uma menina super novinha, cantando uma música totalmente imoral, sobre entre outras coisas, dormir com todo mundo na favela. Aquilo era tao chocante e escandaloso, que nao consegui ver nem até o primeiro minuto! Desliguei enojada assim como várias vezes, desligo outros quando percebo o que tem no video. E entao, vejo as pessoas rindo e comentando, curtindo a sensualidade escancarada, tirando sarro da cara das pessoas, ou achando que tudo é expressao de arte. E existem outras, que ficam chocadas como eu, mas que compartilham os vídeos. Como assim? Será que nao dá pra notar que elas também estao ajudando esse tipo de porcaria e indescência a se propagar ainda mais? 
Mundo perdido mesmo...


Só Deus para abrir-lhes os olhos e ouvidos do espírito...

07/01/15

A luz foi embora

Como todo fim de ano, passamos o natal na casa dos meus sogros. Ficamos cerca de quatro ou cinco dias por lá. Há uma coisa nesses encontros que gosto mais do que as aparentemente infindáveis trocas de presentes, que eles amam fazer. É que gosto de ter a família mais perto. E nao me refiro exatamente aqui aos sogros ("familia" na Alemanha é somente considerada os pais e filhos, primos tios e até avós nao sao contados realmente como tal) mas a família que está aqui em casa, essa família de todo dia. Enquanto estamos lá, os pais do meu marido, em consideracao a nós, nao ligam televisao. Passamos os dias comendo muito bem (minha sogra é uma ótima cozinheira), dormindo mais do que deveríamos, jogando baralho e outros joguinhos, fazendo algumas caminhadas no frio e conversando bastante. Os filhos, quando descem de seu quarto, vem com um alegre bom  dia  e ao subirem,  dao em cada um, um abraco de boa noite. Enquanto estamos juntos na sala ou no jardim de inverno, estamos sempre perto, nos olhando nos olhos, conversando e nos abracando. É um ambiente saudável e terno.

Nao significa que em casa, na vida cotidiana, isso nao exista. Sim, muitas vezes, o filho chega em casa da escola e vem me dar um abraco. A filha sempre passa um tempinho conversando comigo na cozinha e o marido todos os dias que chega em casa, me dá um beijo. Mas entao, todos se afundam em suas próprias vidas. Ele vai pro quarto e parece que se torna invisível em frente a televisao ou estudando para um teste. Ela também, se entoca no quarto olhando pra tela do computador ou para um livro. Marido senta no sofá e de vez em quando, comenta algo enquanto faz atividades do trabalho trazidas para casa com a tv ligada. 
Ainda acho tudo isso um bocado estranho, apesar de saber que a vida normal é assim. E é por isso que gosto tanto desses dias na casa dos sogros. Lá, ninguém tem nada além de uns aos outros. Raramente ligamos o computador. TV nem parece existir e ninguém fica louco pra sair dali gritando desesperado pra saber as últimas notícias ou dar uma curtida na foto idiota do colega no facebook. 

Ficamos somente nós e os outros que de alguma forma, se tornam nós também. E gostamos disso.

Me parece muito com o tempo em que éramos meninos e a luz, lá em Manaus, ia de repente, embora. Antes poderíamos estar vendo tv e no primeiro instante, naquela escuridao horrível, a primeira coisa que fazíamos era xingar a Eletronorte. Ao notar que a energia nao viria tao cedo, nos restava brincar. Geralmente, o mais bacana era acender velas e fazer brincadeiras de sombra com as maos, contar historinhas de terror ou ir pra calcada se ainda fosse cedo, encontrar com alguns amigos e conversar, ou somente, ir ao quintal olhar as estrelas que pareciam escondidas enquanto havia luz na cidade. E era tao bom aquele momento, que muitas vezes, ficávamos tristes quando a luz voltava. E nao era raro as criancas desligarem tudo de novo pra continuarem com as sombras das velas... 

Às vezes tenho também vontade que a luz acabasse... você nao?

02/01/15

Gruyères

Passamos o reveillon em Zurique, na Suica. É tao pertinho de onde moramos! E como queríamos visitar uns amigos que moram lá, unimos o útil ao agradável. Essa é nossa terceira vez na cidade no fim do ano. Zurique tem a mais bonita queima de fogos de artifício que já vi. Pra mim, particularmente, só nao ganha de Copacabana, porque ver todo mundo de branco e no verao, é bem legal! :-) Aliás, aqui ninguém usa branco na passagem de ano, sabia?

Nevou muito, muito mesmo esses dias. E até na cidade em que moro, que é localizada na regiao mais quente da Alemanha, nevou horrores. Desde o dia 25/12 neva. Só diminuiu um pouco hoje, que esquentou um pouco mais. Tivemos temperaturas de até 8° negativos... Mas em Zurique, nevou bem mais que aqui. Cerca de 40 cm! Isso é muito para poucos dias.

Mas nem fotografei Zurique. O dia estava muito claro e o lago, que é a coisa mais linda na cidade, estava nublado, e nao podíamos ver os alpes suicos que ficam lindo dali.
De qualquer forma, fiz algumas fotos de um lugar muito lindo que visitamos depois, ainda na Suica. 
A cicadezinha chama-se Gruyères, situada no cantao Friburgo. 
É muito lindinha. E tudo gira em volta de queijo. 
Veja que lugar lindo!




Acho lindo os telhadinhos coberto de neve...












O queijo Gruyères é originado daqui e uma das especialidades do lugar, é o raclette que voce vê na foto abaixo e deliciosos fondues...  tudo uma beleza para quem gosta de queijo.





À propósito. Felicidades no novo ano!

26/12/14

Em paz com o passado

Ele nao gostava de falar do passado e nem da infância. Como se tudo o que vivera fosse um erro. Sempre que lembrancas vinham à mente, fugia delas, se esquivando. Encontrava uma saída nao muito ortodoxa para se esconder. Como quando fazia em crianca, fugindo de amigos numa brincadeira de  esconde esconde. O pai severo, a mae insípida. A voz alta e reta, quase sempre como uma ordem de um sargento a um soldado raso. As eternas proibicoes. - Nao faca isso, nao faca aquilo, fez errado de novo! - O galho seco na botinha no lugar do chocolate, no natal, como sinal de repreensao. Um menino triste, sem irmaos ou grandes amigos. 


Cresceu tímido. Na defensiva. Porém, pronto para atacar com palavras, assim como aprendeu na infância. Nunca apanhou dos pais com cinta ou chinelo, mas fora espancado por eles com palavras duras, cruas, secas. Nunca soube o que era um elogio. O futuro seria duro e difícil. Nos encontros em família só se falava em dinheiro, poupanca, estudos, trabalho, como se o mundo se resumisse a somente isso aqui. O palpável, o concreto, o certo, a carne... nunca ouvira dos pais sobre as coisas incertas, maleáveis, sobrenaturais. Tudo era prático demais. Nem mesmo os livros infantis tinham tema de fantasia, nunca algo era feito para ele sonhar. Sonhos nao cabiam ali. Números surgiam a sua frente no lugar de ovelhas a serem contadas antes de pegar no sono. Licoes de casa sem fim. Toda brincadeira era uma tormenta. Nao dava um passo em direcao a uma bola, sem que o pai o fizesse uma pergunta teórica do movimento. Se tocasse no aquecimento da casa, permitiam-no se queimar. - A prática leva a perfeicao. O menino precisa aprender. Era solto no playground até quase se machucar. Cuidados extremos dos pais nao eram bem vistos, - assim a crianca nao se desenvolve, nao aprende a ser independente.


Cresceu assim. Sendo o que os pais esperavam dele. Formou-se na universidade, naquilo que acreditava ser  o certo. Fez de si mesmo, o que todos esperavam dele e ele próprio se dizia feliz com as conquistas. Mas o passado o atormentava ainda. Nao seria fácil livrar-se daquilo. A prima que cresceu com ele, mesmo depois de ter-se tornado adulta e  mae, nao ficava sozinha numa casa, e nem dormia no escuro. A mae a deixava chorar no berco, no corredor escuro, enquanto dormia no quarto. Afinal tinha que trabalhar no outro dia. Ele nao tinha medo do escuro como a prima, apesar de também seu bercinho ter sido colocado várias vezes, no corredor. Mas nao olhava para trás. Nao tinha passado, nao falava disso, nao tinha boas lembrancas. Nao gostava nada daquilo.



Até que virou pai. E viu seu pai, virar avô. E tudo aquilo que nao recebera na infância, viu seu filho receber. De alguma maneira, aquilo se tornou para ele uma imagem terna. De aconchego. Tornar-se  avô fez seu pai entender o quanto faltou ao filho. Às vezes, vinha até ele com lágrimas nos olhos tentando se desculpar pela falta. Pelas falhas. Ele desconversava, dizia nao ter o que desculpar. Tudo aconteceu como tinha que acontecer e o fato de nao ter outros parâmetros para fazer comparacoes, fazia-o acreditar que aquilo era a vida normal. E sabia que aquela sua reacao, seria o melhor a fazer, nao machucaria seus velhos pais como eles o machucaram. Apesar de se sentir ofendido a ponto de nem conseguir abracá-los com amor.  


Um dia, reuniu coragem e forca. Levou mulher e filho a uma pequena e curta viagem ao passado. Comecou pela maternidade em que nascera, e foi visitando todas as casas ainda em pé, em que vivera, as garagens que alugavam para guardar o carro e o vagao do trailler. Visitaram as creches em que esteve, as escolas, o playground em que brincava, desceu o pequeno monte nevado que escorregava de trenó no inverno, e a casa do avós. Explicou ao filho, a cada paragem, detalhes engracados que lembrava. Aos poucos o rosto se abria em sorriso. Algumas vezes, nao tao felizes momentos vinham à mente. Mas se esforcou a mostrar a si mesmo e ao filho, um pouco da gratidao que trazia em si. E se emocionava quando o filho repetia: queria ter vivido isso pai! 



Voltou pra casa. Contou aos pais onde esteve e abriram uma cerveja.
Tinham toda uma tarde pela frente...




11/12/14

A espera

Ela era ainda pequena. Tinha longas trancas. Longas e escuras. Todos os dias, subia numa cadeira, com seus sapatinhos engraxados, antes de ir a escola. Arrastava-a pelo cômodo, de piso de madeira, muito gasto pelo tempo, naquela casa antiga e fria. Ainda antes do sol nascer. Olhava pelo parapeito da janela para ver se ele vinha. Fazia isso todos os dias, mesmo quando nao havia aula. Acordava cedinho e subia na cadeira. Era a primeira coisa que fazia quando pulava da cama. Olhava, procurando-o. E voltava a descer. - Nada ainda, vovó - falava desapontada àquela que também, assim como ela, aguardava ansiosa e tinha as mesmas trancas, mas há muito tempo nao mais tao escuras. Os olhos da avó brilhavam, tinham sempre um ar molhado e cansado. - Já nao enxergo tao bem filha. Entao, continue você olhando por mim - falava a avó sentada na outra cadeira do outro lado da sala. Balancando-se enquanto cantava uma cancao como que de ninar. Como que.
A mae da menina chegava na sala e revirava os olhos. - Ainda à procura? Suas duas tolinhas. Quando ele vier, vocês saberao. Nao entenderam ainda? - Comentava a mae, meio que resmungando. Meio que.

Ela sabia o amor que unia as duas geracoes a sua frente. A filha que nasceu de um parto difícil há quase seis anos e que foi quase que completamente, cuidada pela avó, e a mae, que parecia a cada dia, ficar mais distante com seus quase setenta anos. Ambas pareciam viver em um sonho. Toda noite se reuniam a mesa de jantar, à luz de uma vela, para ler e ouvir histórias. - Vovó, tudo isso é um faz de conta como as historinhas que vemos na escola, como quando a Susie fez a princesa e o Andrew o bruxo? - Nao filha, este livro conta histórias reais, mesmo que nosso vizinho, aí do lado, nao acredite. Houve testemunhas, e alguns fatos foram contados de pai pra filho, mesmo antes de ele nascer em forma de letras impressas - Respondia a avó com tamanha veemência que à netinha só restava acatar. Ia dormir toda noite pensando que deveria estar pronta. Por isso ia para a cama com os sapatinhos sempre perto e uma bolsa costurada pela avó com sua boneca dentro. - Nao vou a lugar nenhum sem você, Louise. Dizia baixinho à boneca loura, de rosto rosado e cabelos emaranhados, que ganhara de aniversário do pai que morrera aquele ano, quando ela completava três.  

Aquela manha fora acordada pela mae. A avó nao estava bem e chamava por ela. Saiu correndo, descendo as escadas, esqueceu de colocar os sapatos, esquecera a bolsa, nao subiu na janela, simplesmente correu no quarto da avó. A senhorinha nao estava na cama. Foi até a mae que estava parada na porta. E teve tempo de olhar a avó, em pé, como há muito tempo nao a via, em frente à janela. -Vó! Eu devo olhar para você! Sou eu quem olho, vó! disse a menininha nervosa, enquando corria até sua avozinha. A senhora tinha um sorriso no rosto, agora quase tao rosado, como de sua boneca e apontava para longe. Havia um campo com alguns cavalos e muitas florzinhas amarelas que surgiam no início da primavera. Podia sentir a brisa fresca da manha, com a janela aberta e a cortina em leve balanco, enquanto a avó dizia - Hoje ele vem, querida. Mas só pra mim.

A mulher apertava o olhar contra a janela. Nos bracos, um bebê. Na mesa fazendo licao de casa, uma menina de trancas longas. Como fazia todos os dias, tentava enxergar o que a avó vira há mais de vinte anos. A mesma casa, o mesmo campo, o mesmo frio da manha. Toda dia ela ia ver se ele estava vindo. Nunca desistiria de esperar e seria como a menina que nunca deixara de ser, a pular no pescoco dele e rever sua querida avó.

09/12/14

Culinariando

Lindas experiências na cozinha no último curso de culinária...


Cozinha linda, linda, linda. E cheirosa...


Início do processo de preparo do caldo de carne. Tudo feito por nós! Eu que já nao comprava quase nada pronto, agora, o faco menos ainda...


  Fazendo a "massa para a massa".


Esperando secar só um bocadinho


 Anton, o filho lindinho do Chef, preparando a parte final do macarrao de lavanda. Pro prato!

O risotto com acafrao, fui em quem fiz. iuaaaa...
 

 Preparo dos legumes para o prato mediterrâneo
 

Tudo muito muito saboroso


Um dia ainda aprendo...

06/12/14

Casinhas típicas

Hoje fiz um maravilhoso curso de culinária numa cidadezinha próxima a minha. 
O lugar era tao lindinho que tive que fotografar pra ti ver que fofura é quando encontramos um lugar cheios dessas casinhas, aqui chamadas Fachwerkhaus.
Toda a cidade, na verdade, uma vila, era cheia delas. E como o clima estava "propício", para fazer fotos, aproveitei o céu branco, a temperatura de 4° C, o vento frio, a neblina, o leve chuvisco e fui fotografar :-(


As Fachwerkhäuser ocorrem muito na regiao em que vivo, mais pro sul da Alemanha, mas parece que nao sao típicas daqui. Datam da Idade Média, em sua maioria e a casa mais antiga é do ano de 1200 e tralálá... faz tempo né?

Mas os alemaes nao gostam muito delas nao... vai ver que enjoaram. Na verdade elas sao muito frias, muito antigas e normalmente por dentro sao pequenas e apertadas. Mas bom, a gente nao precisa morar nelas para achar bonitas, né?!


Klischee Klischee

du tust ja weh!! (clichê, você dói)














parece que a gente vai andando em ruas de contos de fada... eu acho...