28/01/16

De volta a forma... só que nao!

Há três meses, estava sentindo muitas dores nas costas e fui ao médico. Ele me recomendou  a um ortopedista que me recomendou a um fisioterapeuta que me recomendou a academia: 

- O que a senhora faz? 
- Sou dona de casa e trabalho feito escrava! 
- Além disso, há outra atividade? 
- Só na cozinha mesmo, moça, todo dia,  manha e  noite! 
- Muito bem! E qual esporte a senhora pratica? 
- Limpar privadas?
- Outra coisa?
- Vale limpar o chao, o vidro das janelas, e arear panelas? 
-  NAO! 
- Ah, eu corro todo dia de manha levando o menino pro Kindergarten, vou e volto duas veezs por dia. Vale? 
- Nao, tem que ir pra academia! 
- Mas eu odeio academia, moça, por favor, nao me manda pra lá, por favor! 
- Eu também nao gosto, dona Nina, mas tem que fazer algo. Como a senhora está, nao dá pra continuar. Nao pode ficar parada!

Hein??????!!
Nao preciso dizer que quase voei no pescoco daquela mulher, certo?!
OK! A descricao aqui nao condiz totalmente com a conversa, mas foi algo parecido e engraçado...

Mas, coagida por aquela moça esbelta e pelas minhas irmas, que pegaram no meu pé, dei a mao a palmatória e voltei para o pilates, coisa que larguei há dois anos pra nunca mais voltar. Fiz entao, duas semanas de pilates, estava já melhor de todas as dores, quando viajei e passei dois meses sem fazer absolutamente nada... corrigindo: corri um dia na praia, mas sabe quando a bunda, culotes e peitos correm e pulam junto? Então, nao dá, nao dá mesmo! E olha que eu tava de shorts e camiseta por sobre o maiô...tisc tisc... 

Dá uma raaaaaiva ver aquelas gatinhas correndo de biquini, se exibindo na areia, jogando vôlei, frescobol, futevolei... tudo durinha!!

Mas como ia dizendo, estou de volta ao lar há quase duas semanas. Ontem voltei ao pilates. Que raiva!
- Inspira, expira, relaxa aqui, coloca a bola ali, pensa na linha, na coluna, senta, deita, levanta, estica, puxa, faz bananeira (naoooo) olha a postura, expira, "inspira, enche o peito de ar" (lembra desse programa? daquela coroa que ficava de colant, meia calca e polaina, tudo no brilho? Você aí, que tem mais de quarenta anos?? Lembra? Pois é).

Ontem depois da aula, doia tudo. As costas, o peito, o quadril, as pernas, o pescoço! Doía mais que há três meses. E o que mais me dá raiva, é ver aquelas velhas alemãs, tudo com sorriso no rosto, se contorcendo todas, parece que estao no circo, pensando que sao gatinhas na praia, parecem nem sentir dor... bando de velhas metidas! 

Ainda vou ser como elas! Só me recuso a colocar colant e polainas brilhantes de novo...

22/01/16

Quanto privilégio!!

Estava em frente ao mar. Não podia vê-lo, apenas senti-lo. Ouvi-lo. As ondas, naquele movimento incrível que nunca para, dia e noite, batiam na praia, trazendo com seu barulho, uma calmaria no meu dia, cheio de aventura e vai e vem, e sobe e desce. Agora era noite e eu olhava o céu absolutamente encantada. Havia uma imensidão azul escura pespontada com brilho prateado, infinito, bem em cima de mim e eu, essa alma simples, que nao ligo pra coisas refinadas, mas nao resisto aos encantos da natureza, fiquei ali, falando com Deus, segurando as lágrimas. Quanto privilégio!



Pude sair da Alemanha, que entrava no inverno e fui aos trópicos. Tomar um sol, beber água de coco, curtir o mar, e o mais importante, rever minha querida família. Agora, estava na Costa Rica, numa praia em frente ao oceano Pacífico, confirmando o que o alegre motorista costa riquenho, nos havia garantido antes: "as águas do mar desse lado do país, sao mais quentinhas que a do lado caribenho da Costa Rica". E era verdade! Há poucos dias havia estado em Curaçao, na ilha de belas águas azuis e areia branca, e depois dali, ainda iria novamente ao Brasil, passaria pela Argentina e Uruguai, numa bela viagem programada meses e meses atrás. Que privilégio!

Ali, em frente ao mar, era impossível nao lembrar de quando Deus chamou Abraao, para fora de sua cabana no deserto e disse, "...Olha agora para os céus, e conta as estrelas, se as podes contar..." Nao, nao se pode contar, assim como eu nao conseguia também parar de agradecer.

Sei que em comparacao a muitos, sou uma pessoa privilegiada. Tenho saúde, bons filhos, família maravilhosa, vivo relativamente bem, e posso viajar para onde quiser. Ali, em frente ao mar, contei mentalmente em quantos países já estive: sao vinte e oito! Fora a quantidade enorme de cidades dentro desses vinte e oito países. Quanto privilégio!

Mas de todos esses privilégios, que me dou conta que tenho, olhando o mesmo céu de Abraao,  nada se compara ao único e maior deles: conhecer esse Deus que me ama mais, muito mais, do que eu a Ele! Ter sido chamada por Ele pra conhecê-lo, ser chamada Sua filha, poder ter comunhao com esse mesmo Deus que criou aquele mar, aquele céu ricamente estrelado,  o mesmo Deus que fez a mim, e que me deu essa família incrível que tenho, conhecer esse maravilhoso Senhor, que fez tudo o mais que há nesse belo mundo, Deus que é tao rico em misericórdia e bondade, por chamar para fazer parte da Sua família, uma pessoa como eu, alguém "como eu"!!! Deus que me deixa sem palavras para descrevê-lo...

Isso sim, é privilégio! 
Absolutamente, o maior de todos!


ps. Só quem conhece o Senhor, de verdade, pode entender de qual privilégio eu falo aqui. Se Ele é só uma historinha de conto de fada pra você, um ser meio inexistente e que você pensa que acredita nEle, mas nao O vive realmente, nao vai compreender e nem acreditar se eu disser: se um dia acontecer de eu nao mais poder viajar, por qualquer motivo, ou nao ter mais um real ou euro no bolso, ou pior ainda, perder minha saúde ou algo mais importante que isso, eu ainda vou me alegrar no Senhor, e dizer a todo mundo que quiser me ouvir: sim, a minha maior alegria é ter o Senhor na minha vida! Porque tudo isso, um dia passará, toda essa beleza que nossos olhos veem, passará, o que nao passa é a Sua Palavra! 
...Aguardo ao Senhor; a minha alma o aguarda, e espero na sua palavra". Salmos 130:5

08/11/15

O melhor que tenho em mim

Uma amiga me escreveu outro dia, me agradecedendo, quando, num momento de angústia, segundo ela,  eu lhe dei a melhor dica: aproxime-se de Deus!
Fiquei pensando nisso hoje. Ela disse que eu sempre quis o seu bem e dei a ela Aquilo que me faz bem: o contato com o Deus que creio.
De fato, eu sempre quis o bem dessa amiga. Mesmo numa época em que acreditava que ela tinha bastante. É que ela sempre me pareceu melhor do que eu. Tinha tudo o que eu sonhava ter um dia e tive que lutar contra mim mesma, pra não permitir que a inveja tomasse conta dos meus sentimentos por ela. Formou-se na faculdade bem antes de mim, fazia trabalhos em conjunto com uma instituição ligada a universidade, viajava o Brasil e a Europa, tinha um salário, fazia o que gostava, era (é) bonita, inteligente, chegou até a me dar aulas perto do término do meu curso, quando ela, já fazendo mestrado, foi chamada por nosso professor para ajudá-lo numa matéria.
Nessa época eu me sentia a mais infeliz das criaturas, porque me corroía da dor dilacerante de ser a eterna vítima e se sentir, uma pobre menina infeliz... mesmo que na minha cegueira espiritual, eu não enxergasse que na verdade, tivesse exatamente o que era necessário ter. Mas também isso é um processo e muitos de nós só entende muito tarde, como foi o meu caso.

Depois que nos tornamos mais próximas, ela foi me contando mais de suas dores e eu fui descobrindo que minha "ídola" sofria e tentei lhe dar o melhor que podia. Até que, há dois anos,  me converti dos meus caminhos e passei a andar sobre os passos do meu Senhor Jesus. Desde então, tenho falado com ela sobre Ele, que é de fato, o melhor que tenho! Porque sei que todos precisam de Deus, mas há certas pessoas, que puxa vida!! precisam REALMENTE dEle, senão, piram! 
Mas minha amiga está errada quando pensa que foi o meu bom coração que me fez falar de  Deus com ela, mas o inverso: foi o amor de Deus por ela, que me fez falar dEle.

Como diz Paulo, em Romanos 3:10 e que parece tão pouco politicamente correto hoje em dia:  "Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só". 

É somente o próprio amor de Deus quem chama, quem nos faz falar do Seu amor. Não somos nós que nos decidimos a isso. É Deus quem faz tudo, inclusive o querer, o ouvir, o crer...

Doei a minha amiga, se é que posso falar assim, o melhor que tenho em mim, e o que tenho saindo por todos os poros: Uma nova vida! "...Que Ele cresça, e eu diminua"... Essa minha amiga, estava bem aberta a tudo isso, porque de fato, já vinha sendo tocada pelo Senhor, mas me vejo em situacoes parecidas com outras pessoas. Sei que de repente, elas podem estar querendo ouvir outras coisas de mim, Deus parece tão longe do mundo delas... mas fato é que me sinto atualmente meio inútil pra esse mundo. Não é que eu tenha perdido o interesse nas coisas que me cercam, ou que nao tenha outras ideias para os problemas dos outros, é que de alguma maneira, me enriqueci desse Amor vindo de Deus e me esvaziei para as outras coisas.
No caso da minha amiga, sei que dei a ela, a única coisa que posso oferecer hoje em dia. Antes de me converter, eu a escrevia falando de tudo, tentava desvendar os segredos que a mente esconde, achar os problemas do passado, ou entender um pouco a mente dos outros, culpando esta ou aquela situação, hoje, diferentemente, da minha boca, só sai coisas sobre Ele. Porque sei que não há resposta melhor que essa: Não importa o que houve! Abra seu coração sem medo, amiga, fale com Deus!

Sei que muita gente, dita, inteligente, pode me olhar com pena."Coitada da Nina, parece que emburreceu, ou vive num mundo de ilusão, alienada e distante de tudo"... Pode ser que tenham razão. Mas a única coisa que sei, é que esse mundo espiritual que nos rodeia, e que não enxergamos, é mais real do que a mesa sobre a qual está meu laptop neste momento...

22/09/15

Visita à infância

Há dias que nos permitimos visitar-nos a nós mesmos, quando meninos. É bom, nao é?!

Sentimos o pé descalço tocar o chão, pisar na grama, subir na mangueira e pegar as mangas lá do alto. Sentimos de novo, o que era nao ter medo. Nem de cair e nem das lagartas de fogo, que queimam nossa pele na mangueira. Olhamos do alto da frondosa árvore, a casa em que moramos e olhamos o teto, e temos vontade de subir nele pra pegar aquela manga madurinha que caiu lá longe, mas ouvimos a voz da mamãe dizendo que é hora do almoço. Descemos correndo, porque com mae nao se brinca,  e alcançamos a cozinha, onde a mamãe já colocou os nossos pratos e a comida simples mas que dá pra todos. Sentimos todos os aromas e sabores e temos a mamãe bem perto de novo. A gente se olha, a gente se alegra. A gente ri, todos os irmaos juntos.

Então, corremos pra varanda, pra molhar o piso vermelho com água e sabão e escorregar de barriga pra baixo. Apostamos quem vai chegar primeiro do outro lado da comprida varanda. Brincamos, escorregamos, caimos, com certeza, brigamos, nos  divertimos.
Na TV ouvimos o som da Jeanny é o Gênio, ou as músicas do Pássaro Azul, ou ainda a Muher Maravilha fazendo coisas incríveis, ou quem sabe, já é hora do Sítio do Picapau Amarelo, mas não temos tempo de assistir, porque logo vem um amigo nos chamar pra brincar na rua. E saimos correndo, pegamos os patins e a mamãe nos deixa brincar à vontade, uma vez que nossa obrigacao já foi feita: a licao de casa! Chamamos o resto da garotada, e surgem por todo lado, bola, bicicleta, corda, uma amarelinha no chão, brincamos de barrabandeira...

A noite vai chegando e depois do jantar, vamos à pracinha em frente de casa, encontrar os amigos, os namoradinhos, ouvir histórias de terror, cantar junto, contar as estrelas no céu e depois que a mamãe chama mais de três vezes prometendo dar mais uma surra na gente, corremos pra casa, tomamos um copo de leite, escovamos os dentes, beijamos e pedimos a bencao da mamãe e já cansados, sonhamos.
Sonhamos com o futuro. E o futuro já chegou e  nos vemos, de repente, lembrando do passado...


15/09/15

Uma oração

Inclina Senhor os teus ouvidos a minha oracao. Escuta, por favor, o meu clamor. Sei que nao sou digna de te pedir nada, mas o Senhor mesmo falou "pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á". O Senhor sabe que verdadeiramente, nao tenho outro pedido a Lhe fazer... 
Permita que as pessoas que amo, sejam tocadas pelo teu amor. Dê a elas, eu te peço, a mesma alegria que sinto. Melhor dizendo, dê a elas muito mais do que eu tenho! Se eu já tenho tanto  do Senhor, dê aos meus amados, muito mais de ti, Senhor. Te imploro, dê aos meus queridos a chance que o Senhor me deu. Dê a eles a tua maravilhosa presença. Dê a eles Senhor, o teu abraço, o teu zelo, o teu cuidado. Deixa que eles provem de ti, que eles conheçam de ti, e que entendam que o Senhor é um Deus que se revela. 
Um toque apenas, um toque Seu, Senhor, é o bastante. Um chamado. Um olhar. Um passar da tua mao sobre suas cabeças basta pra que eles vivam um pouco aqui na terra, do que É o teu grande, incomparável e inexplicável amor, depois que sairmos daqui.
O Senhor sabe. Eu nao tenho mais nada a lhe pedir. E isso nao é orgulho nem arrogância da minha parte, até onde eu possa compreender. Do Senhor tenho tido nesses dois últimos anos, o preenchimento da minha alma, de tal forma, que nada mais me falta, mesmo quando falta. 
A única coisa que lhe peço entao, é que o Senhor toque os meus queridos com teu amor. Por favor! Lhes dê a alegria de viver na Tua presenca. Preencha os espaços vazios que eles tenham, enxugue suas lágrimas, fale com eles quando eles nao tem quem os ouça, permita que eles entendam que caminhar com o Senhor é  a coisa mais linda que pode acontecer a eles, mesmo que o caminho se torne difícil, longo e pedregoso. 
Abra os ouvidos deles ao teu chamar. E os faça entrar na Tua glória, Pai. 
É o que eu peço, no nome do teu Filho Amado, Jesus Cristo.

Amém.  

"Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário". Salmos 51:12

***
aos meus amados filhos, marido, ex marido, mae, padrasto, irmaos, sobrinhos, primos, tios, amigos, leitores, etc, etc, etc...
 Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á.
Mateus 7:7,8

11/09/15

O frango da Mimi

Você coleciona o que? Sapatos, bolsas, maquiagem? Nunca fui de colecionar nada, com excecao de  papel de carta quando bem jovem. Mas isso, toda mocinha nascida nos anos 1970 fez, nao é mesmo?!

Hoje, gosto de ter livros de receitas. Esse é pra mim sempre o melhor presente! E quando o livro é ricamente ilustrado com fotos bem feitas e que mostram detalhes do preparo das receitas, gosto mais ainda. Hoje minha colecaozinha cresceu! Trouxe pra dentro da minha cozinhazinha, uma belíssima moça.

Essa da capa é a Mimi Thorisson.



Linda, jornalista, ex modelo, mae/madrasta de uma penca de moleque, casada com um fotógrafo, Mimi escreve (em inglês) no seu lindo blog algumas de suas receitas maravilhosas e as peripécias de se viver de forma singela e longe da confusao das grandes cidades, direto de um pequeno château no interior da França. O blog é lindo, lindo, lindo! Super bem ilustrado. 
Ela escreve de forma tao agradável, que dá gosto de ler. Se você quiser desestressar de seu dia a dia, basta abrir o blog e ficar olhando e babando nas fotos ótimas que seu marido faz. Imaginando receber do outro lado da tela, um tiquinho do sabor e aroma da vida deles, numa grande família, no meio do campo. Comendo coisas típicas da regiao e cozinhando com temperos e materiais da estacao, sempre acompanhados de vinhos e paes lindos, frutas e verduras frescas. 
Se você nao é do tipo que gosta de cozinhar, vai se animar nem que seja um pouquinho a preparar uns pratos olhando a beleza das fotos deles... talvez se inspire a ter mais filhos também... olha lá a bela meninada do casal!
Aqui o blog se você ainda nao conhece... o que duvido um pouco, porque ela já é bastante famosa: e se ainda nao conhece, reserve tempo para se deliciar com as fotos ;-)


Voltando a vida normal....
Já que nóis é pobre, gente simpres, nao mora na França, nao tem o talento, nem o château, nem um espação no quintal, nem aquele monte de filho (oops, eu tenho!), a gente se vira como pode, certo?!

Por exemplo, plantando tomates na varandinha ;-)



Afinal pouco espaco nao pode nos impedir de ter algo mais saudável em casa, né mané?!

***

Mas paremos de papo e vamos logo ao que interessa! Trouxe pra ti uma receitinha deliciosa da gracinha da Mimi. Esse frango assado com crème fraîche e ervas, super fácil de fazer, com poucos ingredientes e muito gostoso!

 
Eu sei, eu sei, ele nao parece muito apetitoso na foto, mas tu tem que me dar um desconto, nao sou o senhor Thorisson! Mas te garanto que ele é muito saboroso! O frangoooooo mulé assanhada, o frango!!! 
.... quando você corta, o delicioso molho escorre lindamente sobre a carne, as coxas ficam com a pele crocante e o peito, que geralmente é seco, fica bem macio...

Aqui o modo de fazer:

1 frango inteiro (1,3 Kg);
300g de crème fraîche (se nao tiver, eu acho que pode usar creme de leite, ou mesmo misturar o creme com requeijao);
1 cebola pequena;
4 dentes de alho;
1 maço de salsinha e algumas folhas de tomilho, ambas bem cortadinhas;
Sal marinho fino e pimenta do reino
Fleur de sel

Pré aqueça o forno na temperatura de 180°. Corte a cebola e o alho bem picadinhos. Faça o mesmo com a salsinha e o tomilho. Misture ao crème fraîche, numa vasilha, acrescentando sal e pimenta a gosto e coloque a metade do creme dentro do frango. Use um barbante próprio para unir as coxas do seu frango. Passe o resto do creme na parte de fora de toda a ave, incluindo por baixo das coxas e asinhas. Depois por cima dessa camada, salpique um pouco de fleur de sel.
Coloque o frango numa forma e leve ao forno pré aquecido, deixando por cerca de uma hora, até ele dourar. Você pode, quase perto do fim do tempo, retirar o barbante e deixar que o frango asse um pouco mais, se preferir.

Depois de retirar do forno, deixe descansar por uns quinze minutos et bon appétit!

25/08/15

Carta a minha amiga que nasceu de novo

Querida amiga,

que coisa maravilhosa você escreveu. Que lindo ler aquilo tudo.
Ao ler seu email, chorei copiosamente. Chorei por tudo que tenho acumulado essas semanas. Chorei o resto de choro de ontem, que tinha deixado guardado pra hoje. Chorei por mim e por você, mas no segundo caso, somente de alegria. Me alegro muito por você ter encontrado o seu Pai e ter se permitido repousar a cabeca em Seu colo. Sei o quao difícil era pra você ver Deus como Pai, já que a figura de pai era relativamente negativa pra você. Nossos pais terrenos erraram muito, nao é? Porque talvez, eles também nao tiveram uma figura paterna positiva, o que ainda os impedem de conhecer o Pai que podem ter. Mas Este você já conhece! E isso é motivo de enorme alegria e júbilo.  Por isso chorei tanto hoje.

Sabe, ontem à noite, Deus me permitiu ter meu nenén em meus bracos. Ele ainda estava dentro de mim, ainda havia um resto da gravidez no meu útero. Em um momento ontem, senti um sangue quente escorrer e corri para o banheiro. Era muito sangue e fui direto para o chuveiro. E o nenén desceu pelas minhas pernas. Ainda um embriao, com 7 semanas. Os olhos estavam lá, a cabeca, um corpo todinho de carne molinha e vermelha. Chorei muito na ducha. Dei um beijo naquele montinho gosmento quase do tamanho do meu polegar, coloquei-o sobre meu peito por uns segundos. Saí para enterrá-lo aos pés de uma planta que nunca morre, que está na minha varanda há mais de dez anos e disse, até breve meu amor...
Hoje tive a graca de falar com Deus e lhe agradecer pela oportunidade. Eu poderia nao ter percebido o bebezinho e a água o teria levado pelo ralo, mas algo me dizia pra pegar aquela coisinha vermelha no chao do banheiro. Algo me pedia pra segurá-lo, algo me dizia pra enterrá-lo. Aquilo era meu filhinho, e só uma mae que já perdeu um filho sabe o que sinto agora... nao importa a idade, quer seja um embriao, um feto, um homem... um filho é sempre um filho e a dor é a mesma.

Veja, você é filha! Tem um Pai hoje. O teu Pai te via antes de um jeito e te vê hoje de outro. Sempre soube da tua vida, sempre cuidou de você, mas hoje Ele vê o sangue do Seu filho sobre você! Te vê lavada, assim como eu lavei o pequeno corpinho ensanguentado do meu nenén. E eu sei que teu Pai se alegra por você, eu sei amiga! O mesmo Pai que você tem hoje, também já viu Seu único filho morrer, levado pra longe dEle por um período de tempo, que para Ele deve ter sido extremamente longo e dolorido... e ninguém deu muita importância, sabe?! Ninguém viu o corpo ensanguentado, ferido, realmente como era... um corpo bendito, carregando os teus  pecados e os meus. Nao havia alguém capaz de segurar aquele corpo e colocá-lo sobre seu peito. Melhor dizendo, até havia, sim havia, mas ninguém conseguia captar realmente aquilo que Ele fez ao entregar seu espírito.
Até hoje nao temos essa compreensao e dimensao tal qual ela é... um dia saberemos e também entenderemos os porquês de muita coisa. Mas sabe, um dia eu li que quando sabemos QUEM os PORQUÊS perdem a importância ;-)

Te agradeco amiga, pelo email, pelo choro. Ontem eu chorei com muita tristeza pelo meu embriaozinho, pelo meu marido... Hoje eu chorei de alegria por você. Por que mais uma filha nosso maravilhoso Pai ganha. E como diz um amigo, "os anjos se alegraram hoje por você"! E eu me alegro imensamente também.
Bem vinda ao Reino, minha irma!

24/08/15

Das coisas que nao entendemos

Nas últimas semanas tenho vivido experiências bem distintas umas das outras, num verdadeiro turbilhao de diferentes emocoes. Uma delas, tenho vontade de compartilhar com você hoje.

Engravidei. Estava decidida a nao ter mais filhos, desde meu terceiro parto, pensei que era melhor parar por aí. Entao, um ano e meio atrás, veio em mim, assim do nada, um grande desejo de engravidar novamente. A verdade é que eu amo ser mae! Mas em um ano de tentativas nao engravidei nenhuma vez (nao que eu tenha tido conhecimento, você sabe, muitas gravidezes sao interrompidas naturalmente e bem no comeco, sem que saibamos). Desistimos entao de tentar.
Foi nesse tempo também, ou seja, há seis meses, que comecei a sentir os primeiros sintomas do início de uma menopausa relativamente precoce.

Entao, algumas semanas atrás, comecei a me sentir extremamente cansada e sonolenta, além da menstruacao estar atrasada. Pensei que fossem sintomas da menopausa e antes de ir ao médico e pedir algum socorro, resolvi fazer o teste da gravidez. Deu positivo. Nao acreditei. Olhei pro resultado do teste dezenas de vezes, duvidando dele, mas estava no comeco da sétima semana. 
Nao queria mais filhos, mas na mesma hora, aceitei de bom grado, mesmo um tanto confusa. De uma hora pra outra, lá estava eu toda feliz e fazendo mil planos para o bebezinho que carregava em mim. Mas, como disse, vivi emocoes diferentes e no meio de uma curta viagem de férias, que ganhei do marido no meu aniversário de 44 anos, semana passada, vi o sonho de ser mae pela quarta vez, se desvanecer. Estava tendo um início de aborto, que durou uns quatro dias. Perdi meu nenenzinho...

Nesses dias, em vez de ir passear pelos caminhos ensolarados da Toscana, fiquei enfiada num quarto de hotel, descansando o máximo que podia. Mas nada segurou aquele sangue... Um dia antes, estava num hospital de emergência, sendo tratada por um médico que apesar de simpático, parecia ter maos de ferro e que nao tinha a menor delicadeza, me amassando a barriga como um trator. Algumas horas depois da consulta, senti por horas, fortíssimas cólicas, como as de contracoes no parto e depois, bem, o sangue jorrou. O aborto foi confirmado hoje.

Nesse tempo, entre um nervoso descanso, tristeza e medo, tive tempo de pensar sobre tudo isso. O turbilhao que vivi também aconteceu durante esse pensar. Você sabe, eu sou cristã, e nao há nada para nós que nao tenha o dedo de Deus. Para um cristao nao existem coincidências, sorte ou azar. É o nosso Pai, quem cuida de tudo, e nao cai um cabelo de nossas cabecas sem que Ele tenha conhecimento. Isso me fez pensar.  Isso mostra para mim, muito claramente, o grandioso Deus que creio e sirvo de todo meu coracao.
Sei que mesmo que nao entendamos os porquês de Deus, aceitamos o que Ele nos dá, sejam coisas boas ou nao. Passamos pela tribulacao que nos advém, mas nao vivemos nela, mesmo que nossas vidas aos olhos do outros, parecam imersas em tribulacoes, nós nao vivemos nela!

O interessante é ver como somos fracos. Eu estava pensando na situacao em um dia, e Deus falou claramente ao meu coracao: "confie em mim!" E mesmo tendo certeza do Seu falar, ainda me vi triste, pensando na perda de um pedacinho de mim. 

Depois de um tempo, enxerguei meu infinito egoísmo. Como eu posso ficar triste se sei que há tantas mulheres que nunca tiveram um filho sequer? Me senti algumas vezes, enojada de mim mesma. Sei que a tristeza faz parte desse processo e posso e tenho o direiro de ficar triste sim, afinal, todo filho é uma bencao e todo aborto, uma perda... mas poxa, eu tenho três filhos maravilhosos! Já fui e sou tao abencoada!

Mas entendo, como filha de Deus, que existe um propósito para tudo. 
Existe uma razao para as mulheres que nunca tiveram filhos! Existe uma razao para a perda de um filho vivo. Existe uma razao para um aborto. Para a morte de alguém. Existe uma razao para tudo. Eu nao sei ainda qual a intencao do meu Senhor, com esta situacao que vivi, dessa mistura de emocoes (nao querer/querer engravidar-menopausa-engravidar-alegrar-sangrar-abortar-entristecer-alegrar no Senhor...) mas Ele sabe! Ele sabe de tudo!  E é Ele quem me levanta a cabeca, quem me faz seguir em frente... Tendo a certeza de "...que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito". Mesmo que essas coisas aparentemente nao nos sejam  tao boas, a verdade é que todas, absolutamente todas as coisas cooperam para o bem. 

E estou aqui, viva e cheia de vida, apesar de algum baqueamento físico, alegrando-me no Senhor!"Afinal, o cristao nao tem alegria, é a Alegria quem tem o cristao" ;-)



11/08/15

Londres

Ela é louca. Diria, eletrizante. Grande, ruidosa e  movimentada.
Populosa.
Bonita e  feia. Que nao descansa.
Antiga. Moderna. Velha. Jovem. Ela é turbulenta.
Discreta algumas vezes. Ousada quase sempre.
Preta e branca. Colorida. Cinza!!
Cheia de parques verdes. E de cabelos ruivos, rosas, azuis.
É cidade tatuada.
Ventilada. Fria, mesmo no verao.
Rica. Pobre. Faminta. Saciada.
Perfumada e  fedorenta.
Consumista. Muito...
É histórica. Histérica. Porém, educada.
Audaciosa. Pretensiosa. Musical. Frenética.Teatral.
Caótica raramente (confusa pros turistas destros....).
Ordenada porém.
E muito, muito mais adjetivada do que posso explicar.

Ela é Londres.  




                                                           em algumas fotos...
















Nao dá pra conhecer muita coisa. Nem temos essa pretensao.
A cidade é bem interessante mas três dias já me deixam cansada dela. É muito grande e a cidade mais cheia de gente que conheci até hoje. Muito lotada!  Muita gente, muita gente nas ruas, no metrô, nos museus, em todo lugar. Nao sei se estou certa, mas tive a impressao de que a quantidade de turista ali é maior quem em Paris.
Para quem gosta de gastar, é a cidade ideal. Tem diversas opcoes de compra e precos camaradas, mas o "pound" está muito bem cotado.

Eu, que curto comer bem, classifico como a melhor coisa na cidade (pra mim!!!) o fato de descobrir que o chato clichê de que turista vai comer mal é apenas mais um chato clichê. Comemos muitíssimo bem e foi a primeira vez em anos que Pedrinho realmente se alimentou muito bem numa viagem ;-)
Além  disso TODOS os restaurantes sao LINDOS!!!



Ah ia me esquecendo, se você for um turista que gosta de se sentir em casa, Londres é o lugar certo pra ti: em cada esquina tem um bando de brasileiros falando alto...

09/08/15

Sentindo medo

Alguns dias atrás meu filho chegou em casa com o nariz sangrando. Tinha sangue por todo o lado e mesmo que colocasse pano e mais pano por cima, o sangue nao parava de jorrar. Ele recebeu um corte na base do nariz perto da têmpora, uma regiao bastante irrigada. Foi assaltado e a pessoa que fez isso, segundo ele, um estrangeiro que nunca viu na vida, bateu no seu rosto causando esse corte na pele e quebrando o nariz do meu filho. Fui com ele para a emergência e ficamos mais de três horas por lá, entre pontos e raios X.

Nesse meio tempo muita coisa passava pela minha cabeca. Sou muito nervosa com coisas que afetam meus filhos. Como mulher, posso sangrar todo mês por toda a minha vida, sem reclamar, mas ver sangue em filho é outra coisa. A gente sai do nosso normal. O problema é que eu nao estava satisfeita com o que ele me falou. Como meu menino já teve uma terrível fase de muita mentira, eu nao estava acreditando nele. Pensei que estava mentindo sobre o assalto, afinal, ele poderia apenas ter se metido numa briga, coisa extremamente  rara em sua vida, mas muito comum na de outros jovens. Ou talvez, andando pela rua escura olhando para o celular (coisa que eu vivo pedindo pra nao fazer!), tivesse batido a testa num poste ou ter sido atropelado... mas nao, ele insistia no assalto. E eu insistia em nao acreditar.

Voltamos para casa, e mais tranquilos, conversamos. Pedi desculpas por minha reacao e por nao ter acreditado nele mesmo ainda nao acreditando... e os dias se passaram normalmente. Anteontem, peguei minha bicicleta e fui a um lugar meio longe de onde moro. Na volta, resolvi pegar um outro caminho. O sol estava muito forte e sem uma nuvem sequer no céu (os dias estao extremamente quentes por aqui, a Alemanha está derretendo!) e como sou totalmente desorientada, me perdi. Acabei entrando por uma ciclovia super longa, que nunca estive antes, e que passa no meio de uma floresta. Sem absolutamente ninguém por perto, sem água na cestinha, sem chapéu, sem orientacao alguma de onde estava. Parecia pedalar sem rumo algum, e já bastante cansada,  senti pela primeira vez na Alemanha, medo. Um medo real de que alguma coisa pudesse acontecer comigo ali. E porque o medo cria coisas bem reais eu pensava que a qualquer momento, algum maníaco enlouquecido poderia surgir do meio da mata e me atacar. Tive medo e Deus me fez lembrar do meu filho, sentindo o medo que ele sentiu e o susto que ele passou. 

Como para um cristao, Deus está a frente de tudo o que acontece, foi fácil pra mim, vê-Lo ali naquela ciclovia rodeada de árvores ameacadoras me mostrando o quanto fui injusta com meu menino. O meu Deus que de absolutamente tudo cuida, havia  permitido que eu entrasse naquela situacao para que assim eu acreditasse no que meu filho tinha falado...

Quis contar isso aqui hoje porque senti necessidade de compartilhar com os pais, afinal, temos o hábito de nos acharmos sempre com razao, nos vendo a nós mesmos como sendo superiores a nossos filhos. É claro que temos mais experiência, mas isso nao faz de nós, super humanos, nao é? É bom de vez em quando pedir desculpa e reconhecer que erramos, e precisamos fazer isso, sinceramente e de todo coracao... nao fazer como eu, de forma hipócrita,  fiz.
  
Aprendi outra coisa: Nao há lugar totalmente seguro no mundo que nao seja, nos bracos do nosso Criador.

14/06/15

E quando for a sua vez de ir?

Outro dia vi uma notícia de que um homem que eu nunca tinha ouvido falar, morrera. O caso me era indiferente até entao, até que eu soube logo depois, que ele havia composto cancoes muito famosas, que já foram interpretadas por grandes nomes da música brasileira. Me veio à mente que, se ao invés do compositor, tivesse sido o intérprete a morrer, aí sim, teria sido um choque pra mim. Talvez tal notícia causasse tanta comocao ao país, que os jornais no Brasil falariam disso por semanas, bandeiras seriam hasteadas até metade e quem sabe, um feriado novo fosse criado, na cidadezinha natal da celebridade.
Que estranho pensar  na banalidade da morte e na vida das pessoas simples contrastando com as das famosas. Nao é esquisito fazermos tanta diferenca entre ambas? 

É como quando eu, há muitos anos, assistindo o programa do Faustao, ficava vendo aquela secao do... como é mesmo o nome? Algo como, "esta é a sua vida"! Que é aquela parte tolinha, mas tao humana do programa, em que um artista qualquer fica na frente das câmaras, assistindo amigos e familiares num telao. Programa esse que fazia com que, o personagem malvado da novela, virasse bonzinho. Eu sempre pensava como seria bacana se no lugar de um artista, houvesse uma pessoa comum. Que bonito seria ver alguém simples, que ganha a vida a custo de muita luta, ter uma homenagem daquelas. A chance de rever pessoas, receber carinho, flores, aplausos... 
Quem nunca se imaginou em tal cena?

Mas vida cotidiana e gente normal, nao dao ibope.

Perda de tempo imaginar ter uma vida tao interessante que uma hora dessas seria  entrevistado pela Marília Gabriela. Ridículo ficar criando diálogos, caras e bocas, e frases de efeito, numa conversa franca e cara a cara com paredes, a fim de se sentir preparado quando ficasse famoso e ter algo pra falar pra aquela mulher tao agressivamente inteligente. 
Quem nunca?

O fato, voltando agora, ao tema inicial, é que o nao tao famoso, morreu, escafedeu-se, bateu as botas. O famoso? Está vivo. Mas, até quando? E nós, gente normal, que talvez nunca receba aplausos, nem nunca estaremos cara a cara com Marília Gabriela ou com o Jô, e que tampouco, compusemos lindas cancoes? Até quando a gente vai ficar por aqui? 
Você pensa nisso? Pra onde você vai depois...?

Acho legal, acima de tudo, pensar que mesmo que nao facamos nunca, nada de tao interessante, a ponto de ficarmos famosos, somos muito importante para ALGUÉM.
Certo dia, vi um texto que fala que Deus é um mistério e que é algo muito estranho quando "religiosos" tentam diminui-Lo e prendE-lo em palavras de um livro. O texto estava tao bem elaborado e era poeticamente tao bonito, que fiquei pensando como aquilo pode ser pernicioso e perfeito para afastar pessoas do Deus verdadeiro que cremos.

Seria eu, tao feliz por amar um Deus assim, que nem mesmo O conheco? Que tola eu seria!
O escritor estava errado, porque na verdade, Ele é um "Deus que se revela", como já dizia Agar, a escrava de Sara, mulher de Abraao. E só nao O conhece quem nao quer. 
E Ele te conhece, sabia? 

Deus te conhece e se preocupa contigo. Te deu as pessoas que você ama, te faz levantar toda manha, te dá o sol e a chuva. O ar que você respira, o arco iris, o mar, o tempo... É Ele quem cuida de tudo na sua vida, mesmo que você nao acredite nisso e até pense que pode se colocar contra a Sua atividade. Para Ele você é famoso! Ele aplaude quando você acerta, sorri quando você está feliz e se entristece, quando você chora. Ele é o público ativo, sentado na platéia, olhando tudo o que você faz e torcendo por você. É Ele quem te dá a mao quando você cai, e sussurra no teu ouvido coisas que você nem imagina, só porque você ainda pensa como o poeta, que ele é um Deus misterioso e que se esconde. 

A Bíblia nao é um livrinho de faz de conta. Ela é a palavra de Deus. E é ali que Ele se apresenta. Para você conhecer esse Deus que Agar viu no deserto, basta abri-la. Entao, você vai ver como Ele é bondoso, o contrário do que esse mundo, disfarcado de poetinhas amorosos, louca e perversamente, fala todo dia pra você.

***

Eu espero sinceramente, e com todo o amor do meu coracao, que quando você partir, você tenha a maravilhosa chance de encontrar, amorosamente, com o seu criador. Porque, sim, é bem verdade, Ele é amor, mas também é justica. E a única pessoa famosa que você realmente precisa conhecer...

SENHOR, tu me sondaste, e me conheces.
Tu sabes o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento.
Cercas o meu andar, e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos.
Salmos 139:
SENHOR, tu me sondaste, e me conheces.
Tu sabes o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento.
Cercas o meu andar, e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos.
Sa
SENHOR, tu me sondaste, e me conheces.
Tu sabes o meu assentar e o meu levantar; de longe entendes o meu pensamento.
Cercas o meu andar, e o meu deitar; e conheces todos os meus caminhos.
Salmos

11/06/15

Uma cozinha

Há algumas semanas estivemos em Lisboa, para encontrar minha irma, que foi a trabalho ao país. Ela tem feito  algumas viagens pelo jornal que trabalha, e sempre que eu posso, vou atrás dela ;-)
Dessa vez curtimos bastante Lisboa. Desde que estivemos lá ano passado, Portugal passou a ser um lugar muito especial para mim. Se pudesse, eu moraria lá.

Mas o lugar que mais me encantou dessa vez, foi uma cozinha. Dá pra acreditar? 





Na verdade, esta é a cozinha de um pequeno castelo, na vila de Sintra. O Palácio Nacional da Pena, que é originalmente, um mosteiro, reformado por Dom Fernando II. Ali morou inclusive, D.Pedro V.


É isso uma das coisas que mais acho bacana em Portugal. A história deles é tao entrelacada a nossa...



A visita ao castelo é meio confusa, porque é muito cheio de turistas, mas eu gosto muito de visitar castelos. Meu marido acha um saco, mas eu, ahhh, eu curto. Gosto de pensar nas pessoas que moraram ali, que dormiram naquelas camas minúsculas, que olharam para aqueles quadros antigos naquelas paredes de pedra, que usaram aquelas banheiras antigas, passearam por aqueles jardins tao belos, que dancaram vestidos de gala naqueles saloes ricamente decorados...




E que usaram esta cozinha!!!
Dá vontade de morar nela...
Principalmente porque, todo o lugar é meio pequeno, apertado e escuro.Me refiro, aos quartos anteriores a ela, mas chegando na cozinha, o ambiente se expande, se alegra. Da cozinha, há uma vista linda da exuberante paisagem ao redor do castelo e essas panelas todas, ahhhhh essas panelas todas... que lindas!

10/06/15

Voltar para o Brasil?

Às vezes eu penso que tenho saudade de viver no Brasil. E entao passa de relance a ideia de voltar. Alguma coisa faz falta, quando se vive longe do seu país de origem. Alguma coisa que nao tínhamos antes, quando morávamos lá. E temos a impressao de que também nao temos agora, nem nunca teremos, mas que só agora essa coisa, faz realmente falta.

É. É complicado de explicar.  E isso faz parte do "ser estrangeiro", tanto aqui, quanto lá.

Há os que dizem que viver longe, ou ter o desejo de, é uma fuga. Fugimos inconscientes ou nao, daquilo que nos afligiu um dia. Geralmente, tem a ver com infância. Dos medos que carregamos e que pensamos ficar livres quando nao presenciarmos mais os mesmos ambientes de antes. 
Pode ser. 
Foi. No meu caso. Tanto que tenho a sensacao desde muito menina, que o lugar em que eu vivia nao fazia parte de uma escolha do meu coracao.
Mas, daí, passaram-se anos, e a menina em mim cresceu. Fugi por anos, da vida que levava, mas só há pouco tempo realmente me desvinculei das dores. Nao! Melhor dizendo, me desvincularam, porque nada fiz pra mudar. Fui mudada, gracas a Deus. 

Mas entao, bem... já nao precisava mais fugir, já nao teria motivo pra me manter longe...

Mas, como voltar?
Como?

Hoje vinha pensando nisso, no caminho da cidade, até minha casa, sobre minha bicicletinha, com um solzinho bom e música no ouvido. Na cestinha da bicicleta, à minha frente, sentia o cheiro das rosas, recém compradas da senhorinha na feira. Ela estava fazendo um buquê, e eu achei tao lindo que na hora falei: me venda esse, por favor?! Ela disse sorridente, que adora quando pedem exatamente aquele que ela está a fazer. Entao, o aroma das rosas amarelas da senhorinha, invadiu meu mundinho, junto com o cheiro dos morangos maduros que levava na cesta. 
Como posso pensar em voltar a viver no Brasil se sei, eu sei, que tal cena seria muito difícil de ser vivida? Nao falo das flores, nem dos cheiros, ou dos morangos, mas falo da tranquilidade dessa vida que levo aqui.

Sempre lembro de pessoas me falando que estacionaram o carro e quando voltaram, só havia uma vaga onde antes, era um automóvel. E penso que algumas vezes, esqueco de colocar o cadeado na minha bicicleta (nao sempre, porque aqui também bicicletas sao levadas) mas, sabe, a bicicleta sempre esteve ali na volta. As pessoas andam com mochilas nas costas. Abertas! Enfeitam seus jardins e suas janelas, com flores e enfeites, que ninguém mexe. Retira-se dinheiro de caixas automáticos no meio da rua. Policial é coisa rara de se ver, só à noite, pra conter os beberroes saindo das tais baladinhas noturnas. O trânsito é tranquilo. As pessoas respeitam os sinais de trânsito e minha bicicleta tem ciclovias por toda a cidade, à vontade. Os parques sao verdes e bem cuidados. Meus filhos saem de noite e voltam de madrugada, andam de trem, bondes, bicicletas a qualquer hora. Viajam com amigos da mesma idade e eu nao fico preocupada. Pedestres aguardam o sinal verde para atravessarem a rua. Pago menos de vinte euros pelo material escolar dos meus filhos, livros sao dados pela escola e estas sao gratuitas!
Entre tantas outras vantagens de se viver aqui, que nem posso colocar neste texto.

Sim, sim, obviamente, temos problemas e mesmo toda a estrutura deste país correto e justo, tem falhado e mostrado clara tendência a piorar. E vai! Vai, mas ainda nao...

Sim, me faz falta o ambiente amoroso do meu país e o calor do meu idioma aquecendo meus ouvidos, sim, faz falta a leveza do brasileiro, a risada, a bondade de alguns, a simpatia de outros, e principalmente o amor da minha família. Faz falta, sim! Nao sou hipócrita de falar o contrário.
Mas enquanto eu puder pagar as passagens internacionais dos muitos quilômetros que nos separam, vou ficando por aqui mesmo...

Até porque, se um dia eu voltar, vai ser pra morar na beira do rio, e minha bicicleta vai ser um barquinho, vou pegar flores do quintal e colocá-las dentro de uma lata de azeite, pra enfeitar a mesa de madeira velha, enquanto tomo café puro (e sem acúcar, por favor!) com tapioca e olho o cachorro correr atrás de uma cobra, num por do sol maravilhoso sobre o rio.

Mas até lá, vou curtir a Alemanha, que sei, é aqui que Deus me colocou, e Ele tem Sua razoes, mais correta e belamente planejadas do que as minhas tolices provocadas... pela saudade.
Tao brasileira eu sou!   


18/05/15

Quando o espírito chora

Quando eu era menina, tínhamos na minha família, o hábito de todo domingo de páscoa, assistirmos todos juntos o filme sobre a vida de Jesus. Era algo como uma obrigacao, mas gostávamos daquele "ritual". Toda a família ia para nossa casa, que era onde todos preferiam se reunir: mae, irmaos, avó, tios, primas. E depois do almoco a tv era ligada. Essa cena é muito vívida na minha mente, é como se fosse hoje. Lembro do ambiente quente da sala de madeira, com brechas entre as ripas, por onde o forte sol amazonense entrava na casa. Do calor do teto de zinco. Das roupas que usávamos. Das molecagens dos primos, dos gritos e risos da minha mae, da minha avó, das tias. Do agradável aroma que vinha do preparo da comida. Ou do mingau de mungunzá com canela, que seria servido mais tarde. Tenho aquele cheiro de cravinho da índia, tao marcado na memória. 

Lembro de todo aquele povo reunido na sala: no sofá, nas cadeiras de balanco, no chao. Ao pé da porta. A tv laranja berrante, da minha mae, tao anos 70´s, com imagens  ainda em preto e branco e do pedaco de bombril preso à ponta da antena. 
Do barulho inicial e do silêncio no fim. Tenho a impressao de que todo o bairro se fechava na sala pra assistir Jesus ser crucificado. Até os cachorros paravam de latir, o vento que já é raro, parecia parar em algum lugar. Tudo se tornava silêncio.
Lembro dos rostos das pessoas olhando o filme. Todo ano a mesma coisa! Risos. Atencao redobrada. Silêncio. Lágrimas.

Tinha na época, uns seis anos, e lembro especialmente da sensacao que me invadia quando o filme terminava. Da extrema vergonha que eu sentia diante do que passou Jesus, o Cristo. Era terrível! Aquela casa cheia de gente e eu procurando um lugar onde pudesse chorar à vontade. Nao queria que ninguém risse de mim, que sempre me senti a boba da família. Entao, corria pro banheiro, que era fora da casa, e ficava lá, escondidinha, aos prantos. Chorava até nao aguentar mais, ressentida na minha dor e na dor de Jesus. Mas logo passava quando comecava a ouvir as minhas irmas e primas já se ajuntando no quintal para brincar. E melhorava ainda mais, quando éramos chamadas pra tomar o mingauzinho. - Nossa páscoa nao tinha chocolate, nem lembro disso... só lembro dos aromas e sabores da canela, de cravinho e de lágrimas...

Mas, o que me faz pensar nessa época, agora, que nem mesmo mais na páscoa estamos? 
É que eu estava pensando na sensacao que os filmes me passavam. Eu tinha raiva do povo que O sacrificou. Tinha raiva de Deus que permitiu que Seu Filho morresse. Lembro da minha cabeca, remoendo essa ideia, como pode um pai fazer isso? Porque Ele deixou Seu filho sozinho, abandonado naquela cruz? Lembro das palavras dele dizendo, "Deus meu, porque me abandonaste?" Como pode uma morte tao horrível? 

Hoje, posso agradecer a Deus, com uma visao diferente da que possuia naquele tempo, pelo "rasgar de véu" e de tudo o mais que aquela morte nos proporcionou. Só hoje entendo o imenso Amor do Pai. Hoje sei, que o Senhor Jesus nao foi morto por aquele povo realmente, Ele deu a Sua vida por nós (Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai). O Pai teve que "abandoná-lo" por algumas horas em trevas para que NÓS pudéssemos ter a Sua luz. O que os judeus fizeram, nao é diferente do que hoje, nós, faríamos. O que mais doeu em Jesus, nao foram a humilhacao, as chicoteadas, os pregos, a cruz, o vinagre, o sangue escorrendo. Mas, foi saber que tinha que ficar por um tempo, sem ver a face de Deus, por nossa causa! Só de pensar nisso, algumas horas antes de se entregar aos soldados, Jesus suava como gotas de sangue... nao era medo da morte, como eu pensava até pouco tempo, (porque foi para aquela hora que Ele veio ao mundo), mas por saber que iria ficar um tempo sem ver Aquele de quem Ele nunca se afastou. E isso era uma dor que o Senhor Jesus nao conhecia. E tudo por nossa causa!

Eu nao sabia aos seis anos, que era o desconhecimento, a saudade e a distância do Pai que me criou,  que me fazia chorar. Eu nao sabia que era meu espírito que chorava naquele banheiro...