10/09/14

Sou uma crista decepcionada comigo mesma

No dia em que estive com as criancas, no jardim da prima do meu marido, nao havia somente criancas ao meu redor. Havia duas pessoas mais velhas, que nao sairam de perto de mim. Uma delas, a sogra da prima, que estava tentando curtir um momento de leveza no seu dia a dia, carregado de dor e sofrimento, por ter um marido com câncer em estado muito avancado em casa. E um outro senhor, padrasto da prima. Um homem muito brincalhao e de certa forma, zombador, que as pessoas nunca parecem dar muita importância pelas bobagens que ele fala. 

A senhora, eu conheci aquele dia, é muito simpática e parece ter me amado desde o primeiro olhar. Sorria pra mim desde o início, quando eu ainda nao sabia quem ela era. Comecou a falar comigo, e de repente parecia que já nos conhecíamos há tempos. Ele, de alguma maneira, sempre entrava na conversa e pra onde eu ia com a senhora, ele ia atrás. Quase no fim do dia, descobri a história do doente marido daquela senhora, e tentava em vao, falar com ela a sós. Nunca dava, porque o brincalhao sempre estava por perto. Nao sei a razao, mas ele estava o tempo todo grudado em mim. Onde eu ia, ele ia atrás. Eu queria um momento sozinha com aquela senhora, queria poder ter falado do amor de Deus pra ela, queria muito ter dito a ela, que gostaria de visitar seu marido, mesmo que no outro dia estivéssemos voltando pra nossa casa. Queria contar a ela sobre a Salvacao que Jesus nos forneceu a todos os que cremos nEle. Queria trazer algum tipo de alento ao coracao daquela mulher e talvez, do seu moribundo marido, mas nao via espaco. 

Tenho que fazer aqui uma pausa pra confessar: eu sou travada demais! E isso me dói tanto. Tenho tanta vergonha de mim e dos meu medos. Tenho medo de incomodar as pessoas. Especialmente aqui neste país, onde todo mundo está sempre falando que devemos respeitar as opinioes dos outros e sua decisao de nao ultrapassar os limites individuais de cada um. Ouco o tempo todo desde que cheguei aqui, que certo assuntos nao cabem em determinados lugares, que nao se pode empurrar goela abaixo, nossas crencas. Obviamente, isso nao é o que tenho em mente, e isso pode ser considerada uma regra básica de etiqueta em "qualquer" país do mundo. Mas nao é disso que estou falando. Falo do medo de incomodar as pessoas que mesmo aparentando estarem acabadas, entristecidas, sem rumo, parecem nunca estarem interessadas em Deus. Todo o tipo de assunto é permitido nas rodas em que frequento (e é mesmo!), mas Deus nunca foi um tema presente em absolutamente lugar nenhum! Como eu posso comecar esse assunto, se nao sei quando ele se encaixa? Quase sempre quando tento, vem alguém fazer um comentário maldoso, como me chamar de fanática, um que ri de mim e da minha fé ou outro que comeca com uns comentários e perguntas tao estranhas, que eu nao sei nem mesmo como responder de tao absurdas! Me sinto tao estúpida por nao enxergar brecha alguma!

Enfim, foi esse temor que me prendia a língua o tempo todo aquele dia. E tinha aquele senhor colado em mim, que nao nos deixava a sós... Nao achei espaco algum e passei o resto da noite, calada e chateada comigo mesmo. Brinquei com o meninos, sorri, fiz tudo o que tinha que fazer, mas a minha covardia  nao me saia da cabeca,  e meu coracao parecia cada vez mais entristecido pela vergonha que sentia de mim mesma.

Às dez da noite, a senhorinha se levantou rapidamente da cadeira em que estava e se despediu de todos num aceno, dizendo que tinha que ir pra casa. Fiquei quieta, observando-a atravessar o longo jardim até sua bicicleta, até o portao da casa, acompanhada somente do seu filho. Quando já estava subindo na bike, corri até ela, que ficou muito feliz ao me ver, a abracei e disse que oraria a Deus por eles dois. Ela agradeceu. Eu fiquei um pouco mais leve e voltei. Lá onde estávamos, o senhor continuou no meu pé, e do nada, comecou a fazer uma massagem nos meus ombros. Se despediu num abraco, explicou algo sobre a técnica que aplicou ao massagear e saíram, ele e sua esposa. Voltamos pra casa, e eu fiquei dias me sentindo mal por nao ter falado sobre Deus com aquela mulher. 

Ontem, exatos onze dias depois daquele encontro, aquele senhor faleceu, nao o moribundo com câncer, mas o brincalhao, num ataque fulminante do coracao.

Dá pra sacar o quanto isso me deixou mal?


***

Você dever estar estranhando, nao é? Louco pra me xingar:  "Mas como assim dona Nina? A senhora entao deixa de falar cara a cara com alguém que está morrendo, mas nao poupa a nós, seus míseros e raríssimos leitores desse seu blog de m* e nos enche desse papo de crente? Sua miseravelzinha hipócrita!" 
E sabe de uma coisa, se você pensa assim, tem toda razao! Mas mesmo assim, preciso explicar que junto a tudo isso que você leu antes que me impede, tem também o fato de eu me expressar melhor escrevendo. Falando eu sou uma tonta... escrever é a melhor forma que encontrei, de dizer o que penso, desde meus treze anos, idade em que, se eu falasse o que vinha à mente, poderia ser muito mal interpretada e no mínimo levaria uma boa surra da minha mae. As pessoas nunca gostaram de me ouvir, porque sempre me criticaram por eu falar rápido demais. Além de tudo isso, ainda tem o problema da língua, do medo de nao ser perfeitamente entendida. Aqui no blog, ah, francamente, quem nao quer ler que feche a página, diga adeus e vá embora!

04/09/14

Quando eu poderia ter morrido

Ando de bicicleta. Nao sei dirigir carros. Moro numa cidade em que nao há muita necessidade deles. O sistema público de transporte beira o perfeito e há por todos os trechos muito bem cuidados e sinalizados, ciclovias. A cidade é tranquila pra pedalar, mas mesmo assim, às vezes vivo situacoes na rua em que penso que aquilo poderia ter sido bem perigoso. Algumas vezes surge um carro do nada, e bem, o ciclista voaria pro alto... e nesses momentos, sempre penso que Deus estava ali guardando alguém. E lembro das várias vezes em que Deus me salvou de perigos. 

Na bicicleta mesmo, quando menina, várias vezes. Certo dia, aos vinte anos, depois de muito tempo sem pedalar, encontrei um amigo na rua que estava sobre uma. Pedi pra dar uma volta, porque amo bikes,  e o guidon girou de modo estranho, um carro quase me pegou. Sobre os patins, descendo como relâmpago as ladeiras da vila militar em que moramos, nao foram poucas as vezes em que Deus me livrou. A mim e a toda garotada comigo. Penso nas vezes em que o Senhor me livrou de doencas venéreas, nas muitas vezes em que estive dentro de um aviao em turbulência. Nos três partos cesárea e nas várias cirurgias pelas quais já passei. Nas várias vezes em que saí pra dancar à noite, quando mais jovem e encontrei tantos bêbados pelo caminho. No namorado agressivo. Na namorada enciumada de um ex, que me ameacou com uma faca. Das noitadas de carnaval que nunca gostei, mas ia por que, ahh vai,  todo mundo ia! E bebia.  Das viagens longas de ônibus numa estrada péssima e perigosa, pra fazer faculdade a trezentos quilômetros de onde morava, toda semana. Nas diversas voltas irresponsáveis sobre a Kawasaki de um namorado, a muitos Km/h, sem capacete. Do trabalho na floresta, assistindo a motosserra funcionando e tirando vidas nao só de árvores... Nos namorados estranhos da nossa babá. Nas muitas madrugadas, saindo das discotecas, com namorados com chave do carro na mao e muito álcool na cuca. Lembro especialmente de uma vez, em que indo pra uma festa, aos dezoito anos, num fusquinha com um bocado de amigos, passamos por poucos centímetros de um caminhao. Até hoje as luzes amarelas e a buzina alta, me vem à mente.   

Sabe? A vida é perigosa demais! E você sabe disso, nao? 
Já perdi muitos amigos e conhecidos que saíram pra nao voltar...
Tenho visto alguns filmes ultimamente. Alguns dramas onde pessoas sofrem com câncer e deixam um vazio na vida dos que ficam. Mas, pra onde elas vao depois da morte?? Perdi um primo ontem...onde estará ele hoje?

Das vezes em que fui salva, hoje entendo, estavam nos planos de Deus. Em muitas daquelas situacoes passadas, fui salva de morrer e nao sabia disso. Algo me falava ao coracao e eu automaticamente, agradecia a Deus, mas era mesmo, automaticamente. Porque tudo continuava como antes e eu, bem, eu nunca pensei que poderia morrer. Eu era jovem, bonitinha, namoradeira... eu nao morreria tao cedo. Mas... Sabe? Eu poderia sim, ter partido e onde estaria eu hoje? Naquele tempo, certamente, nao do lado de Deus!

Eu só queria hoje te fazer pensar um pouco. Pense nas vezes em que Ele te salvou. Se fizer uma lista, vai ficar horrorizado. E isso, sem contar nas vezes em que você nem percebeu, nem soube que havia ali a mao do Senhor. Sabe de uma coisa? Mesmo que você nao compreenda, Ele tem um propósito na sua vida e é por isso, que você ainda nao se foi! Ah, você nao acredita em Deus? Infelizmente eu nao tenho como provar a Sua existência, assim como você nao pode provar a Sua inexistência. Entao, sabendo que a eternidade existe e que sua alma diferente do seu corpo, nao morrerá, pra que arriscar?

***

 É que eu acredito na Bíblia e ela me diz em Hebreus 9:
 "... e, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo..."

H

03/09/14

Em meio a criancada

Semana passada, ficamos três dias na casa de uma prima do meu marido. Ela tem dois filhos pequenos e um deles, de seis anos, está ingressando na escola. Aqui essa é uma data muito importante, quando as criancas, recém saídas do Kindergarten sao recebidas na nova escola. Geralmente tem Zuckertüte (um grande cone de papel, recheado de doces e algum brinquedo ou uma peca de material escolar) que as criancas aguardam ansiosamente, uma Schulranz (pasta escolar ou mochila) seguida de uma recepcao que os pais fazem em casa com amigos e familiares. Depois da cerimônia na prefeitura da cidedezinha, com auditório lotado de outros tantos pais, irmaos, primos, avós e criancas, os pequenos sao recebidos na escola, onde sao apresentados a nova professora e onde os alunos da classe mostram toda a escola ao recém chegado. 

Pequena em relacao as que vi  sábado passado
Depois fomos para a casa da prima, que tem um enorme jardim. 
Os amigos deles tem mais criancas e eu quando há criancas em volta, esqueco que sou uma pessoa adulta. Enquanto as maes cuidavam da comida e os pais das bebidas (claro!), eu me ocupava da meninada. Só no outro dia percebi que nao havia ajudado as mulheres em quase nada na festinha, tao entretida que fiquei o dia todo com as criancas. Me desculpei umas dez vezes com a mais querida das primas do meu marido, mas ela nao entendia o porquê da minha preocupacao com isso: - Mas Nina, nao tem do que se desculpar, você cuidou daquele monte de criancas, já foi uma ótima ajuda. 

Cuidei nada! Fiz foi muita bagunca com elas.

Passamos o dia inteiro, de meio dia até meia noite, brincando. 
Jogamos bola todo o tempo, fui goleira (aliás, muito boa) e um juiz muito rigoroso! Fizemos esculturas de bolas de isopor e papel marchê, cacamos mais Zuckertüte pelo jardim, nos acabamos nos docinhos, brincamos de boca de forno, de pique esconde, de bumerangue. Colhemos ameixas e macas a tarde inteira. Subimos em árvores. Corremos e caímos um monte! Aguentei menino pequeno caindo e chorando e chamando maaaae várias vezes enquanto via menino maior, cair, sangrar um bocadinho e nem chiar. No início da tarde, eles resolveram ir ao rio (um pequeno riacho perto da casa, no meio de uma pequena mata). Todos saíram correndo. Eu que nao ia, ao ver Pedro se animando pra acompanhar  os mais velhos (todos meninos entre seis e nove anos) tive que ir e saí correndo atrás da molecada (uns sete meninos e uma menina). Até que ouvi um gritar: - Ah, que chato, lá vem um adulto. - Mas quem te disse que sou adulta? perguntei - Ah, nao? Entao tá bom, você pode vir. Respondeu ele. 
Ao saber que eu nao era adulta (o que o meu enoooorme tamanho ajuda bastante na mentirinha) e ter permissao de acompanhá-los na aventura, andamos pela florestinha úmida da forte chuva na noite anterior, cacamos insetos, aranhas, encontramos pedacos de um  túmulo que ninguém sabe como foi parar ali, de um casal que nasceu em 1845! Ouvimos cantos de pássaros e historinhas de terror. Pedro encantado, corria pra lá e pra cá e se fazia de maiorzinho.  
Ficaram o tempo todo perguntando qual minha idade. - Quinze? Dezenove? Vinte e quatro? Trinta e cinco? - Nao! disse eu, depois de me divertir e me orgulhar, com os chutes que ele davam sem acerto na minha idade, - sou mais velha que tua mae, teu pai, o pai dele, e o pai dela, tenho uma filha de vinte  e um outro filho de dezessete!
Eles nao acreditaram quando lhes disse a minha verdadeira idade e de vez em quando, durante o dia, olhavam pra mim realmente impressionados e diziam: eu nao acredito que você tem quarenta e três anos, Nina!

Foram embora pra casa, à meia noite, ainda sem sono e se recusando a acreditar.      
E eu, no outro dia, meio quebrada e dolorida, pensando que na próxima vez, digo que tenho trinta. Pelo menos assim serei um pouco mais poupada...

28/08/14

Lisboa

Era o dia vinte de agosto. Acordei às seis horas. Da porta de vidro enorme do apartamentinho em Lagos, olhei para o céu como fazia toda manha. Mas toda manha quando acordava, o sol já estava brilhando forte lá fora, cegando minha vista escurecida do quarto fechado. Olhei. Olhei de novo. Apertei os olhos pra ver se era real. Apaguei a lâmpada que tinha acabado de acender. Nao dava pra acreditar na visao. De cara grudada no vidro, fiquei admirando longamente o horizonte. No céu de um azul profundo, límpido, com tons alaranjados, o sol ainda nao tinha se levantando. Só vinha subindo sua luz discreta e lentamente. No alto, dois pontos brilhantes. A Estrela da Alva da manha reluzia. Era meu presente de aniversário! Fiquei longos minutos agradecendo aquilo. Se morasse ali, todo dia iria fazer questao de acordar as seis da manha, ou mais cedo, só pelo prazer do contemplar. Posso estar sendo exagerada, e sei que estou, mas nao lembro de ter visto céu mais azul e límpido na vida. O céu de Portugal nao é possível descrever! 
A família lentamente ia acordando. Eu tentei fotografar o céu. A foto nao ficou boa. Um a um, vinha me abracar, desejando feliz aniversário, e eu repetindo sem parar enquanto apontava pra o horizonte: veja, meu presente está ali! A filha riu. Riu porque deve ter notado que a mae tem sonhos e desejos aparentemente, tao miúdos. Nao quis presente de aniversário este ano. De ninguém. E no Natal, já comunicou, nao quer nada! 

Vou continuar presenteando, mas nao quero ganhar. Acho que cansei desse negócio, dessa paranóia de ter que presentear, só porque tem data certa pra isso. Tenho meus motivos. Hoje sou uma das pessoas mais de bem com a vida que conheco. Meu Senhor e Salvador, me faz sentir tao completa e satisfeita de tal maneira, que parece que nada mais me falta. Nao é excesso de soberba, nao é orgulho nao, tampouco, nobreza. É simplesmente um fato. É também excesso de tanta coisa. Nao tenho lugar pra coisas novas na casa. O que quero, posso, gracas a Deus, comprar. Meu presente de 43 anos, foi a visao do horizonte às seis. A companhia da minha família, a coisa mais importante na terra pra mim, o passeio pela bela Lisboa. E só.

Voltei pra casa cansada, no fim da noite. Mas com a alma serena. Com a mente cheia de belezas vistas e os ouvidos ainda ecoando o idioma. 
No outro dia, quis de novo acordar às seis.

Aqui algumas fotos da encantadora e surpreendente Lisboa:












 Aqui a foto mal feita, mas que dá uma pequena ideia, da beleza do meu presente:

27/08/14

Gosto de Portugal

Arrumei minhas malas com o mínimo de coisas possível e com o máximo de caraminhola na cabeca. Desde muito tempo ouco piadinhas sem graca sobre portugueses, além de vez ou outra, ver algum brasileiro falando que sofreu algum tipo de preconceito estando em Portugal. Mas ultimamente tenho ouvido muitas pessoas que moram aqui na Alemanha, incluindo muitos brasileiros amigos meus,  falando muito bem do país e isso me animou a escolher nossa viagem de férias. Muito feliz digo que todo o receio que eu poderia ter, foi dissipado, voou para longe, assim como vi o vento levar embora muitos dos guarda-sóis espalhando-os nas praias ventiladas da Algarve. Desde o primeiro momento, quando fomos recepcionados pela senhora que cuida do apartamento, até a moca do guichê da copanhia aérea, no voo de volta pra Alemanha, me senti em casa. A sensacao de estar em algum lugar que é, em termos gerais, a origem de todos nós, brasileiros, e saber que ali, depois daquele oceano de aparência infinita, está nosso país, encontrado por acaso há tantos anos, é uma sensacao de muita beleza.

Dá conforto estar em Portugal.






Conforto oferecido pela língua, que no primeiro momento, achamos engracada e pensamos que nao vamos compreender totalmente, mas que logo se encaixa e passamos a perceber os singelos preames do linguajar. Conforto na comida, tao caseira e tao nossa, com gosto de cozinha de mae. Conforto ao ver as senhoras indo a feira, com seus chinelinhos e sacolas de compra, seus "bom dia" tao marcantes. Conforto do sol que arde no céu, mas que vem de levinho ao amanhecer, sobre uma brisa fresca e azul e se poe alaranjado e sereno, no início da noite de verao. Conforto em comer pudim como o que conhecemos no Brasil, de tomar guaraná Antártica e ver produtos brasileiros nas prateleiras. Conforto no voo da gaivota, que faz um barulho como de crianca gritando, no fim da tarde e suja todos os vidros dos carros nas ruas. Conforto ao ver nos bares os senhores mais velhos, reunidos em mesas redondas, tomando um vinho com os amigos, comendo frutos do mar e conversando sobre como suas respectivas esposas se parecem umas com as outras, enquanto assistem futebol e param a conversa animada pra gritar quando o Benfica faz um gol e diminuem a algazarra pra nos dar um até logo simpático quando saímos. Conforto das rádios que tocam tantas músicas brasileiras e fazem piada (olha só, eles nao sao bobos, também riem da gente!). Conforto porque do fogao sai fogo de verdade das bocas (aqui eles quase nao existem mais). Conforto quando na conversa, eles ficam olhando com cara de encantados, quando rio discretamente das palavras novas que vou aprendendo e fazem questao de mostrar que apesar de me entenderem bem, a palavra pra copo de vidro, é galao, que xícara pode também ser chávena e carro é viatura, ou se quiser fazer rir, popó. Conforto em sentar num bar e ver alegremente, várias vezes, um português entrar na conversa de forma gentil e ficarmos ali por horas conversando sobre tudo.  Eu gosto.
Eu gostei de Portugal!





 
Gosto do garcom engracado que pergunta se quero a con"ti"nha. Da gentileza da cozinheira do restaurante que faz nosso jantar mesmo que cheguemos depois da dez da noite, de cara vermelha e pés sujos de areia perguntando se é possível comer algo e do Chef que cozinhando frente a todos, faz uma pausa e vem oferecer um pirulito ao Pedro. Gosto do ardido do piri piri, do bacalhau com batatas e muito azeite, da dourada grelhada, da cataplana linda, brilhante e cheirosa recheada com tamboril, camarao e batata. Gosto da feira livre com peixes frescos e verduras aromatizadas, gosto das casas brancas com seus telhados de barro, com eira e beira e chaminés, tao típicas da regiao. Gosto da sensacao de acreditar que falo devagar, quando percebo que eles sim, falam rápido e engolem letras. Das tantas bougainvilles desesperadamente floridas. Gosto do mar e do rio. Das pontes e bondes. Das placas de rua sempre feitas em azulejos, aliás, gosto dos azulejos! Deles enfeitando as fachadas, as varandas, as cozinhas, os banheiros, os vestidos que imitam sua estampa. Gosto de ver as árvores descascadas até a metade, que servem pra fazer um dos principais produtos portugueses, as rolhas de garrafas de vinho. E das árvores de medronho espalhadas por toda a paisagem e que fazem um conhaque (ou aguardente) que junto com o "moscatel" é famoso na regiao.
Nao, eu nao gosto de cachaca, mas marido sim...






Eu gosto é de Portugal!
  

26/08/14

De férias na Algarve, Portugal

Passamos duas semanas de férias em Portugal, na regiao da Algarve. Envergonhada confesso que nunca antes havia pensado em Portugal como um destino de viagem, nao sei porque, a terra de nossos colonizadores nunca me prendeu a atencao. Acho que a língua sempre fora um empencilho. Quando ainda morava no Brasil eu queria era desbravar outras terras, seria maravilhoso e instigante, aprender uma nova língua. Mal sabia eu que a língua falada em Portugal é outra mesmo ;-)  Achava que Portugal seria um segundo Brasil e que nao seria interessante visitar... sempre fui uma tonta!
Entao, por favor, se surgir oportunidade de conhecer, nao seja boba como eu. Você vai amar o país.




Portugal foi uma maravilhosa supresa pra mim. Nunca pensei que pudesse ser tao lindo! As praias dessa regiao sao um encanto, coisa de cair o queixo mesmo, sabe? O mar tem uma cor exuberante (apesar de as águas serem terrivelmente frias), as ondas sao relativamente tranquilas,  sol fica tinindo o dia todo, no verao de dias prolongados, já que ele se poe, assim como em parte da europa, mais ou menos as dez da noite, e fica lá, brilhando, refletindo magnificamente no mar, compondo uma beleza indescritível! O céu, sem nuvem e lindíssimo, apresenta um azul digno de inspirar poetas! O calor, apesar de temperaturas bastante altas, nao é uma coisa sufocante, uma vez que o vento nao para de soprar e levar por onde passa, o cheiro delicioso de maresia. As falésias da regiao, que cortam o mar, sao impressionantes, a cada paisagem que você para pra observar, fica mais clara a presenca e mao de Deus, desenhando aquelas imagens. Ficava lembrando de uma cena de um filme muito antigo, que já nao lembro o nome, onde uma freira ao se ver no alto de uma montanha, pergunta como alguém ao ver aquela beleza toda pode nao acreditar na existência de Deus. Era isso mesmo que eu me perguntava ao ver aquilo tudo. 





Passeamos bastante. Alugamos um apartamentinho que saiu muito mais em conta do que ficar em hotel e também um carro, o que facilita muito a locomocao. Percorremos muitas praias e paisagens diferentes do que se espera de uma regiao praiana. Comemos muitíssimo bem, foram duas semanas em que só comemos peixe! Com excecao do meu filho, que nao suporta nem o cheiro, todos nos deliciamos com aqueles pratos deliciosos, de sabor incrível e tao bem elaborados. Onde quer que você pare pra comer na Algarve, pode ser o muquifo mais vagabundinho, tenha certeza de que comerá o peixe mais maravilhoso que já experimentou antes! É tudo muito gostoso, com sabor de comida de mae, muito bem feito e o preco da alimentao é bastante camarada.







A única coisa que me aconteceu de estranho foi ter notado que apesar de amar o mar e praia, nao curti tanto dessa vez. Nao sei. É estranho. Acho que estar ficando velha tem dessas coisas. Você chega pensando estar toda bonitona, no seu maiozinho charmoso e discreto e fica lá, o tempo todo, rodeada de mocinhas lindas, nos seus micro biquinis (nao tao micro quanto nas praias brasileiras! ninguém, no mundo todo, usa um biquini tao pequeno quanto as brazucas!) e de topless (se você nao curte ver mulher pelada, nao vá pra Algarve, ok?), e você se sente, devagarinho, diminuindo. As meninas pra lá e pra cá, com seus pequenos e mais ou menos, empinados, peitos ao ar livre, seus cabelos dourados do sol, óculos modernos, suas tatoos, sua pele lisa, aparentemente durinha e bronzeada, sua barriga lisa,  e você ali, escondida naquele monte de areia, querendo enfiar sua cara no buraco mais próximo feito pelas criancinhas, com suas pazinhas coloridas. Encolhendo sua barriga ao máximo que pode, até notar que só pode ir até um ponto em que alguém pense que você tá grávida, enchendo de bloqueador a regiao celulitada, levantando devagar a sua canga cheia de areia, mas no fundo, doida pra que os graozinhos entrem nos olhos do gato ao lado, todo bronzeado, pra ele nao ver que você tá uma velhota...
Sei lá, cara, esse negócio de ficar velha é um saco! Ficar se perguntando, onde foram parar meios peitos e minha barriguinha e bumbum levemente durinhos... ficar se lembrando dos bons tempos quando, pelo menos se pensava, que você era uma gatinha... ai que dureza de vida!

nao quero ficar velha numa cidade praiana, nao quero!
ah sei lá, envelhecer tem seu lado meio desagradável né nao, amiga?

07/08/14

Pedalando pela vida

O dia comeca meio lento. Uma nuvem escura e pesada fica se formando lá fora da minha janela. Tem um ventinho estranho pra dias de verao, mas nao faz frio. O pequenininho coloca seu capacete, fecha o cinto de seguranca da cadeirinha e agarra firme na cintura da mamae enquanto esta comeca a pedalar. O deixo na escolinha e continuo o caminho em direcao a feira. Uma chuvinha fina comeca e eu paro quando ela dá uma encorpada. Debaixo da verdejante copa de uma frondosa árvore, fico observando o pouco movimento da rua, quando muitos dos moradores da cidade, já sairam de férias de verao. Algumas bicicletas, poucos carros. Uma senhora passa com um guarda chuva vermelho e um cachorrinho brinca na chuva, um rapaz passa falando alto num outro idioma no celular, enquanto pedala, os motoristas dos carros olham pra mim. E eu embaixo da árvore, lembro das chuvas grossas do Amazonas. Quando no meio daquele trânsito caótico de Manaus, certa vez, peguei todo o temporal de pingos grossos e em vez de reclamar e me proteger, deixei que a chuva molhasse corpo e alma. Lembro das pessoas olhando pra mim, feliz, na chuva. Elas nao sabiam, mas já era tempestade dentro de mim há tempos... 

Na feira, em frente a catedral, compro as frutinhas para o bolo. Só ontem lembrei, quando meu menininho perguntou na sua língua enrolada: "mama, vamos levar o bolo da senhora da janela?" Meu Deus, esqueci de fazer o bolo prometido a mim mesma! Coloco as frutas na cestinha e vou pra casa. 


Nao se preocupe, as compras nao vieram abertas assim, tá?

A chuva já passou, a nuvem deu uma clareada e eu, de volta, noto como é fácil voltar pra casa. A rua é levemente inclinada, a bicicleta vai descendo sozinha e eu fico olhando as coisas em volta. Lembrancas vao passando como a paisagem que passa ao meu lado, alguns momentos da vida, até ontem, me vem à memória. O sorriso leve faz uma prece. E os pensamentos vao se encaixando um no outro, como imagino acontecer na corrente da minha bike. A cadeirinha atrás faz barulho, a cesta deu uma balancada, sinal fica verde e continuo o caminho, quase sem pedalar. E penso como minha vida ultimamente está assim. Como descendo devagar uma pequena ladeira. Sem esforco, confortavelmente sentada numa bicicleta, recebendo o ar fresco no rosto, de cabelos ao vento e frutas e flores na cesta...

Entendi desde minha conversao e aprendo a cada dia desde entao, o que significa assentar-se nas promessas de Deus. Ontem vivi uma das experiências mais claras e palpáveis de como é Ele quem faz absolutamente tudo na nossa vida. Ontem me ficou muito claro, quao vao é todo sacrifício e esforco para que alguma coisa venha a acontecer. Desisti de, desde agosto, brigar com Deus, com o mundo, com o tempo, com as pessoas e comigo mesma. É claro que nem sempre é fácil, tem vezes que eu choro quando as coisas nao saem exatamente como pensei. Mas daí, eu só faco isso mesmo: chorar quieta no meu canto e pedir a Ele forcas. Já nao brigo, nao bato boca, de que vai adiantar?? Quem se estressa no fundo, sou só eu mesma... Sabe? Ontem um amigo do meu marido, desmaiou no trabalho, foi levado ao pronto socorro. Era um início de infarto. Com 32 anos! Foi por pouco. Eu penso: já pensou? Morrer de repente. Alguém levando tudo tao a ferro e fogo, nao tendo tempo de pensar na família, vive pra trabalho. E nunca pensa na eternidade. Nao sabe nem mesmo, pra onde vai depois de bater as botas. Tao estranho saber que pessoas nao pensam nisso...

Mas eu continuo meu pedalar.
E a cada dia creio mais que quem está comandando o guidon (ou se preferir, guidao) da minha bicicletinha é Deus, enquanto eu fico só fazendo pose como meu vestidinho florido. Vou seguindo meu caminho, aquele mesmo que Ele tracou pra mim, sem medo, sem receio, sem mágoas, sem cobrancas, mas sempre com fé e esperanca.
..."E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus"... Efésios 2:6
 E
* * * 

Vou agora fazer, finalmente, essa torta e levar pra senhorinha...

* * *
To fazendo como parte dos "freiburgers": saindo de FÉRIAS!
Até a volta, querido leitor deste singelo blog!


05/08/14

Alugar apartamento em vez de ficar em hotel

Existe na internet a possibilidade de alugar apartamentos em viagens, né? Tem até um site especializado nesses aluguéis, com ofertas de aps., casas e até barcos, lindinhos e bem decorados no mundo inteiro. O Airbnb. Conhece? Você já experimentou algo assim? Ou seja, em vez de você ficar em hotel, você fica num apezinho, geralmente bem mobiliado e confortável. 


sala de jantar e de estar, no fundo

Nunca tínhamos feito isso fora do Brasil (costumamos alugar apartamentinhos no Rio) e a primeira vez foi em Amsterda. Lá ficamos num apartamento joinha demais. E agora, nessa viagem a Bruge, também alugamos um.


Cozinha fofa
Temos um amigo que só de pensar nisso sente arrepios. Diz achar muito estranho usar coisas que foram usadas por outras pessoas poucos dias atrás. Nós, porém,  nao temos problema com isso, até porque, ué, nao é isso o que acontece num hotel, ora bolas?

ainda na cozinha
 O que acho mais bacana nesse tipo de coisa, é que tira a impessoalidade e rigidez dum hotel e você se sente em casa. Às vezes, convenhamos, até melhor do que em casa, dependendo do lugar que você for parar. Tem cada casinha lindamente mobiliada mundo afora, que você fica só babando e acumulando ideias pra suas próximas loucurinhas decorativas na sua própria morada ;-)
Delicadeza

É o que eu faco o tempo todo. Porque sabe, eu sou meio maluca com decoracao. Sou daquelas que anda pelas ruas olhando pra dentro das casas, sou o tipo voyeur mesmo e assumo. Amo ver como as pessoas decoram seus lares. Quando vou visitar amigos, fico olhando tudo e adoro quando eles me convidam pra conhecer a casa. AMO! E sempre acho algo bem bacana, seja num lar bem simples ou numa casa mais sofisticada. Às vezes até faco fotos, como essas que você vê aqui nesta postagem. 


Sao do apezinho em Bruge. Simplesmente um encanto. O dono é a gentileza em pessoa! Assim como em Amsterda, ele mora encostadinho no ap, o que facilita  ver mais ou menos de perto, quem está de passagem na sua casa. Além disso, ele prepara o café da manha na hora em que você pede, que aliás, foi sempre uma verdadeira delícia! O apartamento em Bruge era absolutamente todo lindinho, cheio de delicadezas em cada canto. E o preco ficou até mais barato do que muito hotel na cidade, que nao é nada baratinha!

Entao é isso. É só uma dica de viagem pra quem procura algo menos formal que um chato hotel.

03/08/14

Bruge, na Bélgica

Semana passada estivemos alguns dias na cidade de Bruge, na Bélgica. Nem sabia que estava visitando uma das nove recomendadas, na lista que a Ellen me indicou. A cidade é muito lindinha, merece mesmo estar em qualquer roteiro de viagens! Quando for a Bélgica, nao deixe de visitar. Vale muito a pena conhecer Bruge. Ela é tao antiga quando Colmar, e tem uma paisagem sempre tranquila, bucólica. Suas casas antigas sao lindas e muito bem cuidadas, alguns moinhos de vento fazem parte da paisagem assim como vários pequenos canais  entrecordados por pontes romantiquinhas (que parece mesmo que deram origem ao nome da cidade -  Brug se chama ponte em holandês, um dos três idiomas falado no país).

Gostamos muito da paisagem, das casas de pedras, das construcoes bem antigas, das pontes, do rio. É muito arborizada, come-se bem e a cerveja é esplêndida, como em toda a Bélgica ;-)
Vamos voltar lá se Deus quiser, foi uma viagem muito agradável.

Aqui algumas fotos.
Curte aí o passeio.





Ah nao liga nao, quem me conhece desse blog, sabe que amo fotografar bicicletas, janelas, varandinhas floridas, portas e.. olha quem encontrei confortavelmente curtindo o clima:
gente eu AMO esse cachorro!


A cidade nunca sofreu grandes danos em sua construcao, nem com guerra ou outro tipo de problema, por isso as construcoes que se vê por lá conseguem ser bem originais. 


 Todos os canais que sao vistos hoje foram constuídos na Idade Média.
E nao, os canais nao tem cheiro ruim como alguns de Veneza, foi apenas coincidência a menina ter colocado um lenco no rosto. Hora errada!


Cada cerveja (na Bélgica há mais de 1000 tipos diferentes de cerveja!) deve ser tomada no copo pertencente a marca da cerveja! Essa foi uma "exigência" que o dono do apartamentinho que alugamos nos fez. Curioso nao?




Na cidade há muitos museus, teatros e mercados de pulga. Estive num que quase me deixou doida. Onde você anda, encontra coisas antigas à venda, porcelanas maravilhosas, quadros, latinhas antigas (minha paixao),  chocolates deliciosos, que por sinal, é um dos melhores da europa! Ahh uma coisa acho estranho: quase 100% dos pratos que você pede num restaurante, tem batatinhas fritas como acompanhamento. Estranho pra mim que nao gosto de jeito nenhum de batata frita. É que lá, dizem as más línguas, sao feitas as melhores batatas fritas da zoropa. Bom, sei se isso é verdade nao, mas pra quem gosta, sim, parece que é, porque meu marido e filhinho adoram...