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Do dia a dia em tempos difíceis

O jardim tem sido meu lugar de terapia. Mexer com terra, podar, regar, adubar. Para cada planta, uma necessidade e um tempo diferente. Como tem sido proveitosos esses momentos no quintal! Não canso de agradecer a Deus por Ele nos ter colocado nesta casa antes da pandemia. Ter duas crianças presas em um apartamento sem poder movimentar-se e tomar sol, deve mesmo ser dureza. E o jardim tem se revelado uma caixinha de surpresas pra mim, que nunca tive um aqui e jamais, para ser sincera, havia notado as loucas mudanças que ocorrem dentro dele. É muito incrível perceber uma nova planta que surge do nada, florescendo com belas flores, quando nada, absolutamente nada, se via antes. O inverno cobre com seu manto frio, escondendo tudo e dando a impressao de mortificação. A primavera tira algumas camadas, o verao outras... e a cada mês temos um jardim diferente. Vivo! Isso é quase mágico... **
Tenho um aplicativo maravilhoso no meu celular, o Picture This. Fotografo uma planta que não conheço …
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O inferno não é uma metáfora

Hoje para o almoço, fiz um cordeiro assado, num molho de alecrim, alho, cebola, cenoura e aipo. O agradável aroma tomou conta da casa. Enquanto esperava assar, ouvia um pregador que falava sobre nascer de novo. Na hora em que fui abrir o forno que estava há uma hora ligado a duzentos graus, veio sobre meu rosto um forte e quentíssimo bafo. E lembrei das palavras do homem na internet. Ele falava não somente sobre a benção de nascer de novo, que acontece quando cremos a primeira vez no Senhor, como diz em João 12:
"Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus"; mas falava também do inferno.
Você que pensa que Jesus veio à terra para ser um exemplo e que ele era só amor, está certíssimo; mas você também sabia que Jesus foi a pessoa que mais falou sobre inferno e lago de fogo em toda a Bílbia? Falou porque é Amor! É um al…

A coisa boa do coronavírus

Sim, estamos vivendo num tempo estranho. Às vezes, observo minha filhinha olhando o vazio por um longo período e seus olhinhos parecem atravessar paredes, brinquedos, pessoas. Queria poder ler pensamentos pra saber onde ela está. Hoje em dia, me pego fazendo o mesmo. Do nada, olho para o céu e num instante vazio, me pergunto onde isso tudo vai parar. De vez em quando também, minha mente me leva para a frente da nossa casa na Vila Militar, onde morei quando tinha dez anos e tia Maria lia para nós o Apocalipse. Lembro claramente das enormes nuvens se acumulando num fim de tarde, do céu tornando-se escuro e a Ave Maria tocando na rádio vinda de um poste da rua. E o medo que surgia do fim do mundo. Naquele tempo eu tinha pavor de Deus. E ainda havia um tal de chupa chupa e os alienígenas que o povo todo falava e que só ajudavam a nos apavorar ainda mais. Hoje compreendo que esse livro da Bíblia tem a função principal de não somente nos alertar para o que há de vir sobre o mundo, mas prin…

Uma nova mudança

E a vida vai começando a normalizar... Devagar, a rotina vai se estabelecendo.  Ah, como é bom uma vida de rotina! Não entendo como tem gente que reclama. Minha vigésima oitava mudança de casa, desde que me entendo por gente. Desta vez, me deu uma canseira: É enchendo e esvaziando caixa que se vê como se está ficando velho... Mas, como tenho coração vagabundo, que não para quieto em lugar nenhum, se me falarem em mudança daqui a alguns anos, é bem capaz que eu tope :-)
Marido, seus pais, amigos e pais de amigos do meu filhinho, estavam preocupados com a sua reação, que está com nove anos e na quarta série, dizendo que ele iria estranhar a mudança, que mudar de escola no meio do ano letivo era uma loucura, que isso e aquilo; já eu, macaca velha, que passei toda minha infância mudando de casa e de escola a cada dois anos, nem liguei. Sabia que meu filhote iria aguentar. Porém, com tanta gente falando, acabei me preocupando e foi assim que fui levá-lo no primeiro dia de aula a nova esco…

Atenção ao outro

Meu marido sempre está com o celular na mão. Ele é aquele tipo de pessoa que caminha pela rua olhando o celular e que consulta absolutamente tudo no google. E quando está em casa, sempre está assistindo TV. O contrário de mim, que detesto televisão, desde meus vinte e dois anos, quando decidi que iria parar de ver novela ao notar que elas estavam atrapalhando meus estudos; e celular, dou uma olhada no máximo umas quatro vezes ao dia e nunca passo muito tempo com ele. Já meus sogros adoram ver televisão e há pouco mais de dois meses, compraram finalmente um smartphone e estão curtindo a nova tecnologia - logo eles que sempre foram contra a ideia de ter um. Por que estou falando isso? Porque estávamos com eles esses dias depois do Natal e sempre acho lindo como eles dois, ambos com setenta e quatro anos, lidam com essas coisas quando estamos hospedados na sua casa. A TV, que eles são apaixonados, nunca é ligada quando os visitamos. Nunca! E eles nem encostam no celular. Se surge alguma…

Culpa e perdão

Algumas vezes, uso a música para estudar francês. É divertido e dá para aprender bastante coisa. Outro dia estava atenta à letra de "Non, je ne regrette rien". É interessante pensar em alguém assim, que não se arrepende de nada, que faz uma fogueira com suas lembrancas, que nao liga para o passado e que considera que tudo já foi pago, já foi dito. De alguma maneira, isso é bom. Porque tem muita gente sofrendo com coisas que ficaram lá num passado distante, pessoas que teimam em ficar remoendo sentimentos. Mas, para um cristão, essa não é realmente uma boa maneira de levar a vida. Vou explicar.  De vez em quando tenho uns "arranca-rabo" com meu marido. E de vez em quando, ele usa um termo alemão: "schlechtes Gewissen", que significa ter má consciência, ou se sentir mal por ter feito algo. Eu sempre me irrito com essa sua frase, porque não vejo mal algum em sentirmos isso de vez em quando. Ele vê. É óbvio que não é legal e nem saudável viver com alguém qu…

Lidando com as emocoes

Sempre fui uma pessoa emotiva em excesso. Tudo doía muito mais do que deveria, do que o esperado, do que o normal. Desde muito menina tem sido assim e eu nunca achei que isso fosse um problema, apesar disso me trazer sempre problemas... Até o dia em que o Senhor me chamou, eu atendi Seu pedido e passei a andar nos Seus caminhos. Desde lá, mais precisamente, maio de 2013, Ele tem me ensinado constante e diariamente, que meu jeito excessivo de sentir as coisas e as emocoes, era desordenado. Entao, Ele tem me "secado" um tanto, quando diminuiu consideravelmente minhas lágrimas. Nao me fazendo entretanto, sofrer menos, mas me fazendo compreender os sentimentos na medida certa.  Deus tem me feito sentir as coisas pelo lado verdadeiro delas, é como se fosse um alimento que quando ingerido, pudéssemos sentir o seu real sabor, o original, sem excesso de condimentos  e sem falta de outros. Essa é aliás, uma das coisas que admiro na cozinha francesa: ela é quase pura, mesmo que você …

Um pedido de desculpas

Hoje estou aqui para me desculpar com alguém. Poderia muito bem falar diretamente com a pessoa para a qual as desculpas devem ser direcionadas, e poupar você de ler minhas chateacoes, mas resolvi que seria  melhor me expor. Me comportei extremamente mal com uma antiga amiga e não sei até hoje o que aconteceu comigo. Ainda me questiono e não sei a resposta para tal comportamento. Pode ser que eu tenha me calado algumas semanas antes e tudo explodiu em quatro dias; pode ser que tenha sido a decepcao com o clima que nos forçou a ficar mais em casa, e não nas praias baianas como pretendíamos; pode ser também que tenha sido a distância, o estresse comum do Brasil, o ficar mais velha e não entender que algumas coisas ficaram definitivamente no passado, ou quem sabe, o fato de ela ser mae há pouco mais de quatro anos e eu há mais de vinte e cinco, e achar na minha soberba, que estou mais certa que ela. Enfim, pode ter havido vários motivos que explicassem meu péssimo comportamento, mas o fat…

Florinha

Minha menininha já está com quase dois anos! Como o tempo passa rápido! Nem parece aquela coisinha minúscula que colocaram no meu colo, segundinhos depois de nascer. Toda independente hoje em dia, ela faz questão de comer sozinha, tenta se vestir só e passa o dia todo, tirando e colocando roupa, mesmo que sejam calcas com um perna só, suéteres do lado avesso ou saias como blusas. Poe seus laços nos cabelos, tira e poe colares e pulseiras coloridas e anda de sapatos enormes pela casa, que não pertencem a ela. Quando está na rua - o que ama fazer, já que basta saber que vamos sair, que já vai colocando os sapatos e dessa vez, os certos - quer andar só! Nem gosta de nos dar a mão, andando em pulinhos alegres e serelepes e apontando tudo em volta. Se alegra com as menores coisas, e até mesmo o movimento da poeira que aparece com algum raio de sol, a faz radiante. No playground tenta ser ousada e corajosa, subindo e descendo de brinquedos que antes, seu irmãozinho não se arriscava. Ela é …

Nossa viagem ao Brasil

Pois é, estivemos no Brasil. Fazia quatro anos que nao íamos, pois quando nos programamos para ir, houve uma gravidez inesperada e o bebê precisava completar um ano até tomar a vacina contra febre amarela. Quando essa fase foi completada, tínhamos que esperar o menino terminar o ano letivo, que aqui é no fim de julho.  Entao, o fim de julho chegou e fomos! E que alegria!
Antes passamos uma semana em Cuba, que com exceção do mar maravilhosamente belo, de água quase morninha, nao me agradou. É um país muitíssimo atrasado, com serviços muito lentos, com uma comida não muito boa e prédios totalmente destruídos, como se tudo tivesse passado por um bombardeio. Aquele lugar é visualmente, horrível! Desculpa aqueles que amam Cuba, mas não deu pra mim.  Meu marido vem da antiga Alemanha Oriental e nesse tempo em que o país vivia uma ditadura, só era permitido a eles viajar para pouquíssimos lugares, e um desses, era Cuba, obviamente pelo fato de ser um país comunista. Mas, somente agora deu…