22/11/2016

A crente e a roupa

Poucos meses depois da minha conversão, estava no Brasil de férias e entrei num elevador, num prédio antigo em Copacabana. O ascensorista (ainda existem em alguns prédios no Brasil!!!) que era um homem muito simpático e dono de um sorriso daqueles que contagiam, me perguntou, após ter conversado o pouco que é possível conversar do térreo até o décimo primeiro andar,  se eu era cristã. Respondi que sim, também toda feliz e com uma pontinha de saudável orgulho (existe isso?). O seu  sorriso se abriu de forma ainda mais bonita e ele disse que eu tinha mesmo, cara de cristã. Falou algumas coisas sobre sua igreja e eu logo tive que descer. Achei uma pena, pois naqueles dias estava muito maravilhada com as coisas que estavam acontecendo a minha volta desde minha conversão e adoraria conversar mais com ele sobre as maravilhas do Senhor. E porque é sempre tão bom encontrar irmãos! 

Saí do elevador e fiquei achando engracado ele ter notado. Acho que eu mesma, com minha minúscula mente preconceituosa, nao teria pensado isso de mim mesma se medisse a minha fé, pela roupas que estava usando. Era um dia quente no Rio, e eu estava com uma blusa meio decotadona e tinha um batonzão laranja na boca, uns brincos espalhafatosos. Além disso, no andar em que desci, em frente ao apartamento que alugamos por uns dias, havia um centro espírita, então, eu acho que não havia muito no meu exterior, que indicasse minha crença. Mas aquele senhor não era eu e ele me reconheceu como sendo uma irmã dele!
Só fui entender aquele senhorzinho e sua alegria, meses depois daquela quente tarde carioca. Não é a roupa, ou como arrumamos nossos cabelos, ou que tipo de maquiagem usamos, ou se nao usamos, que faz uma crente. Mas o quanto de Cristo está sendo formado em nós!

Independente disso, cristãos reconhecem cristãos. Talvez nem sempre, mas há algo de muito especial quando nos encontramos. Há alguns dias, reencontrei uma  antiga colega de escola. Não nos víamos há muitos anos e eu não era realmente sua amiga. Na verdade, o jeito meio perua dela, não condizia com meu jeito hiponguinha de ser naquela época e isso talvez, nos afastasse. Mas, agora, ao nos reencontrarmos, notei o quao feliz fiquei em revê-la, e no meio da conversa, descobrimos que ambas somos agora, cristãs! E que coisa boa é quando encontramos pessoas que tem a mesma fé que nós! Agora, apesar de continuarmos diferentes no estilo de ser e de viver, temos uma coisa grandiosa em comum: O Nosso Salvador!!

Há uma frase que amo e já disse aqui no blog: "o cristao nao tem alegria, é a Alegria que tem o cristao" e isso me faz lembrar aqueles crentes de antigamente, de quando eu era crianca. Será que você viveu o que eu vivi? Eu sempre estive rodeada de cristaos, mas nao via neles nada muito alegre. Parecia-me na verdade, que todos eram chatos, rabugentos, metidos a certinhos e amedrontadores, quando comecavam a falar da Bíblia. Certamente eles tinham outras qualidades, mas eu só os via assim. E foram eles, que coitados, sem perceber, me fizeram fugir de Cristo.
Mas, nao sei, nao posso afirmar, mas talvez eles nao fossem realmente convertidos, ou talvez, mais acertadamente, eu que nao fosse capaz de enxergar além do véu. Mas também é verdade que o cristao verdadeiro, mesmo que esteja passando por grandes tormentas, tem Alegria!  E é sobre essa Alegria que gostamos de falar quando encontramos irmaos, que creem no que cremos, que amam Aquele a Quem amamos e que sao gratos pelo que o Senhor fez por eles, por nós.

Obviamente, essa Alegria vem à nossa frente e nos faz nao olhar a roupa que o outro está usando, mas também é fato que a roupa fala muito sobre quem somos. Isso nao se pode negar! Sei que a mulher brasileira é por natureza, exuberante nas suas formas e acha que quanto mais colada ao corpo, melhor aquela peça lhe parece, já que ela tem uma tendência a sempre querer mostrar o corpo, e acha que roupas mais larguinhas envelhecem, ou engordam. Mas há que se ter nocao do que vestir.

Às vezes, vejo as crentes, ou que pelos menos assim se autodenominam, em algumas fotos e nao acredito no que meus olhos veem. Nao consigo imaginar como tal irmazinha pode considerar normal usar roupas tao absurdamente coladas aos corpo, ou que mostrem tanta pele, tanto peito e tantas formas: as calças são muito justas, as blusas coladas ao corpo, os decotes enormes, a sensualidade muito exposta e exagerada! Fico pensando comigo mesma: Será que o Espírito que mora naquele corpo nao dá sinais de que algo está errado na forma como ela se veste?

Será que Ele fala? Será que ela escuta? Será que Ele já teve autorizacao de fato, dela, para entrar em todos os espaços naquela alma e assim, se fazer ser ouvido?

Você não tem que ser nem 8 ou 80!
Quando a gente é carnal demais, nosso espírito fica um tanto surdo a voz do Espírito Santo de Deus... roupa extremamente colada, curta, justa, apertada, nao é somente feio e passa uma imagem barata e ruim de você, ela também fala mal de você como cristã, aos olhos do mundo, e te faz igual ao resto que está ao seu redor. Você é resto?

Está certo que eu, no lugar daquele homem no elevador, me julgaria uma nao-crente. Está certo que aquele homem, viu além. Mas, sabe? Depois daquele dia, eu nao consegui mais usar roupas justas ou decotadas em excesso. Nao somente porque estou mais velha, ou por que achei que ele poderia pensar mal de mim, é simplesmente que amadureci nas coisas do Senhor e descobri que às vezes, Deus usa determinadas situacoes para nos mostrar onde Ele quer que mudemos. Basta estarmos atentos e com boa vontade de fazer o que Lhe agrada.

Nem é questao de preconceito ou de exibicionismo: - ah, nunca mais vou passar batom, vou usar um saião e cabelão no pé! - diria você, já com raiva de mim - essa Nina velhota e crentona!
Mas, nao é isso! Assim, você estará sendo somente uma orgulhosa, se mostrando melhor que aquelas coladinhas ali... mas é uma questao de respeito e obediência ao Deus que nos salvou,entende? 

***
Na dúvida, pergunte em oracao ao Seu Senhor, como você deve se vestir; se há algo que Ele gostaria que você mudasse, uma vez que nao existem regras claras para isso, mas existe sim, um padrão... e este nao está nas academias de ginástica ou nos bailes funk  ;-) 

4 comentários:

  1. Boa noite, querida Nina!
    Sabe, senso do ridículo só nos faz bem, independente de religião... antes, eu usava um tipo de roupa que não me cairia bem agora... hoje. fiquei contemplando uma jovenzinha e a roupa lhe caía super bem... já em mim, seria simplesmente ridículo...
    Também não sou caretona mas o ridículo me admoesta tanto quanto o Espírito Santo que é dono de mim...
    Oxalá seja sempre assim!
    Bjm muito fraterno

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  2. Uma ótima observacao, Ro. Nocao do que nos cai bem, é sempre bom.
    Mas acredito que as cristãs, tem que ter mais do que isso ;-)

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  3. Nina, já te disse que a maneira que você escreve é dom de Deus? Só pode menina!
    Olha, sou cristã há 30 anos, fui ainda bebê levada pela minha mãe e quando cresci decidi permanecer na fé. Por conta disso, nunca fui uma jovem de baladas, festas e coisas assim. Pra mim soa muito estranho uma "amiga" do facebook que vai na balada na quinta, sexta e sábado e quando é domingo tá no culto. Por vezes me sinto julgadora sabe?! Mas depois penso, Jesus cadê coerência? Não quer dizer que crente não pode se divertir, mas fazer o mesmo que o mundo faz é legal? É isso que Cristo espera de nós? Aí me vai a mesma pessoa e comenta que bandido bom é bandido morto. Se esquece que Cristo veio pra todos, inclusive os fora da lei.
    Super beijos

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    1. Crente em balada? hihihi, realmente, soa mt estranho ;-)
      Tem coisas que ficam tao longe da gente agora, ne Maira? parece que num passado láaaaaa longe, distante... ir numa balada é uma dessas coisas.
      E sobre ser dom de Deus, sei la querida, o que sei é que tudo o sou e tenho é dEle! mesmo que eu seja um nada...

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