02/10/2016

Contadora de histórias e a vida real

Gosto de contar histórias. Acho que por isso, me agrada tanto escrever e porque ainda nao parei de uma vez por todas, de postar neste blog, mesmo em tempos de facebook, twitter, e tantos outros recursos de mais rápido retorno.
Mas, como eu há tempos, nao espero retorno de blog, to na boa...

Tive uma maravilhosa infância cheia de amigos sensacionais e muito criativos, que povoavam minha meninice, de forma quase mágica. Tal mágica me fazia esquecer os problemas comuns da infância e quase que viver num mundo à parte. Quando meus filhos eram pequenos, eu criava historinhas para eles dormirem: - quanta maluquice cabe na cabeca da mamae! - imagino-os pensando.
E acho que isso os contagiou também. Hoje, ambos, tem uma imaginacao daquelas! E o pequenininho segue os passos dos irmaos.
Mas toda a minha vida de histórias encantadas, nao se compara em nada, com a vida que levo hoje. Nao por ser uma linda, inteligente, gentil e louca criatura, uma feliz dona de casa, ou por ter um marido maravilhoso, por ter bons filhos, lindos e inteligentes, por viver num país tranquilo na europa que amo, ou por fazer viagens incríveis! Nao!! Esta é a vida que todo mundo vê. Mas, é a minha vida em Cristo que me faz internamente, pular de alegria e satisfacao! Pois, viver com Ele e nEle, é a melhor coisa que alguém pode querer nesta vida.
Não há nada mais que eu queira, a nao ser, Ele! Como diz em Cânticos "Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu..."

Só uma coisa ainda me entristece: tantos que amo, ainda nao terem essa alegria que a pessoa de Cristo nos dá. 
Entre elas, estao meus sogros.

Eles moram cerca de seiscentos quilômetros de nós, e há tempos, imagino o dia em que poderei sentar com eles e falar do amor de Cristo. Mas este é um tema do qual eles fogem, como foge o diabo da cruz, como o povo gosta de falar. Sempre que estou com eles, fico me cobrando um momento em que vou poder encaixar o tema Deus, mas esse momento nunca, nunca, nunca chega. Por causa disso, sempre saía triste e decepcionada de nossos encontros.
Mas isso nao ocorre mais,  desde a última primavera, em que estive em sua casa.
Deixa eu contar a "historinha":

Estávamos por quase quatro dias na casa dos meus sogros, que sao assumidamente, ateus. Nesses dias todos, eu, que me cobro sempre por me sentir tao burra e despreparada, espiritualmente falando, estava toda tristonha, mas nao sabia por qual motivo. Já estava quase na hora de partir de volta pra nossa casa, e eu estava no banheiro, arrumando o cabelo. Me ajoelhei e chorando, comecei a falar com Deus, pedindo desculpas a Ele por ser tao tola, tao fraca, medrosa, por  nunca conseguir achar um momento pra falar dEle com ninguém. Até que, "do nada" e de repente, foi dando uma esquentada no meu sangue, senti meu rosto queimar, limpei as lágrimas delicada mas energicamente, levantei do chao frio do banheiro e com intrepidez, fui descendo as escadas. Meus passos iam sendo ouvidos como se estivessem num eco eterno, em pequenos estrondos, me levando certeira, até a sala, onde estava minha sogra, observando pela porta de vidro, meu filho brincando com o avô no jardim. 

Fui em sua direcao, a peguei pelo braço, a fiz sentar no sofá e falei com voz firme e de novo, com lágrimas nos olhos: Renate, eu tenho estado triste todos esses dias, porque sou uma fraca, fico triste quando vejo que nunca falo com vocês sobre meu Deus, triste quando vejo que Ele nunca pode estar nas nossas conversas, quando treino com as paredes toda uma fala antes de encontrar com vocês e essa conversa nunca surge. Sei que vocês nao acreditam nEle, mas quero que saiba, que Ele existe e os ama muito, muito mais do que vocês possam imaginar!

Parei de falar, porque já nao conseguia prosseguir.

Ela estava chorando enquanto me ouvia, disse que eles sabem da minha fé e a admiram, mas que eu nao podia forçá-los a crer. Obviamente nisso eu concordei, porque sei que quem convence é o próprio Espírito Santo de Deus. Conversamos um pouco mais e voltei ao banheiro para terminar de me arrumar...

Sei que aquilo nao foi uma evangelizacao, mas me trouxe uma paz indescritível, que até hoje trago comigo quando estou com eles. Eu falei o que o Senhor queria que eles soubessem! Só depois que subi as escadas de volta ao banheiro, entendi.

* * *
Nao escrevo sobre o Senhor porque quero convencer pessoas. Essa nunca será minha intencao, porque sei que nao posso fazê-lo. Escrevo porque sou melhor fazendo isso do que falando. Escrevendo, consigo ordenar meus pensamentos, diferente de quando falo, quando tudo fica meio embaralhado na minha mente. Nao é uma fuga, nao me escondo atrás de um teclado ou algo assim, é simplesmente, minha maneira de me expressar.  Escrevo sobre Ele, porque nao tenho real interesse em mais nada, e Ele é meu tudo!  Ele completa minha vida, meus pensamentos, meu coracao e mente. Estou "enamorada" por esse Senhor. E como a boca fala o que coracao está cheio... falo através das letras do meu computador, porque a boca ainda anda meio desgovernada...

Mas é preciso dizer que sim, tenho muita alegria, em dividir esse amor com você também ;-)

3 comentários:

  1. Adoro suas histórias, você é ótima escritora!

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  2. Nossa Nina...senti a tua angustia .Mas que bom, vc consegui falar do Amor que Jesus sente por nós

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