20/03/2016

Domingo de manhã

Acordei cedo. O dia amanheceu com preguica, o sol ainda estava encoberto, havia um pouco de neblina e fazia um friozinho de 4 graus. Vesti o casaco e fui. Fazia tempo que nao precisava fazer algo cedo num domingo. Me surpreendi com a beleza desse dia da semana, e quero me dispor a fazer isso mais vezes. Domingo de manha pode ser um encanto. É bonito ver que as pessoas nao estao esbaforidas, correndo de um lado pra outro porque estao atrasadas, ou que as ruas nao estao cheias de carros, ou que os funcionários da prefeitura nao estao fazendo uma interminável reforma na sua rua. Passo a observar mais as pessoas e paisagens no domingo de manha. E isso é agradável! 

Entro no bonde que está quase vazio para o horário, normalmente os estudantes enchem o bonde com seu barulho juvenil e suas mochilas cheias e pesadas, empurrando a todos no caminho, ou há sempre pessoas penduradas em seus celulares falando todo o idioma que é possível aqui ser ouvido. Domingo de manha nao é assim. Do bonde observo o movimento lá fora. Uma senhora de cabelos brancos e aparentando no mínimo uns setenta anos, passa correndo num patinete (!!), me surpreendo, já vi muita coisa nessa Alemanha, mas tal cena ainda nao! Vejo pessoas idosas com buquês de flores  descendo no ponto do cemitério, essas sim, mais comuns de serem vistas. 

As pessoas também estao bem vestidas no domingo de manha. Algumas vao a igrejas, outras levam pratos e flores nas maos, talvez estejam indo para algum encontro, algum café especial com amigos, quem sabe? Vejo a igreja bonita, com suas torres e rodeada de grama  no centro da cidadezinha, e noto os galhos das árvores ainda pelados de folhas, por enquanto, porque dentro de alguns dias eles já estarao verdinhos, com o início da primavera. Dentro do bonde, um casal pergunta aonde descer para ir a certo  lugar, noto que o homem é idêntico ao Albert Einstein. Os mesmos cabelos, o bigode, os olhos, a sobrancelha! No assento ao lado, um pai leva seu filho de no máximo, dois anos, no colo, e o menininho carrega aqueles macarroes coloridos de natacao - há um curso de natacao no domingo, para criancas pequenas, mas nao havia mais vagas quando procuramos... talvez aquele menininho tenha pego a última que havia. Mas ele é tao bonitinho e doce, que o perdoo. Ao descer do bonde, para pegar outro, olho a cidade vazia, coisa rara em dias de semana e especialmente, em dias de sol. Os alemaes esperam cada raio de sol como se fosse um presente divino. E é! No bonde, de volta para casa, umas seis horas mais tarde, verei pessoas de rosto colado no vidro, por causa do sol que saiu lindamente numa temperatura de dez graus, sorrindo e de olhos fechados. A primavera é tao bela e as pessoas parecem tao gratas.

Gosto da cidade no domingo de manha, de lojas e restaurantes fechados, e tenho tempo e espaco para observar e ler as plaquinhas de metal espalhadas por todo o país, no chao, em frente a casas de onde judeus foram retirados e levados aos campos de trabalho e concentracao, num passado nao muito distante. Vejo um homem de aparência muito triste, comendo uma dönner num banco. Um outro homem dorme no chao em frente a uma loja, num saco de dormir. Ambos me deixam triste, mas logo me alegro - o homem que parece o Alberto Einstein passa por mim e eu tenho vontade de mostrar  a língua pra ele... No outro lado da rua, passa um pai numa bicicleta seguido de seu filho com um gorrinho afrancesado, numa outra bicicletinha. O ambiente ainda é sereno. O domingo de manha me agrada. 


Chego perto da casa da amiga. Seu marido está de saída: - nao vai ficar? pergunto - Nao! Já trabalhei muito, limpei vidros, tirei pó e limpei banheiro, vou descansar agora.-  fala ele brincando. Entro num dos apartamentos mais bonitinhos em que já estive. E a tranquilidade da cidade lá fora, acaba, somos brasileiras falantes tomando um café da manha juntas. Sem filhos, sem maridos, somente nós e o cachorrinho mais lindo e querido do mundo. E no meio daquilo tudo, percebo a serenidade disso, a tranquilidade que há na amizade. Porque estar reunido com quem amamos, é tranquilizante, reconfortante. É bom saber que temos umas às outras. 


 Obrigada Grazi querida, pelo convite, pelas flores, pelo Quinto, pelas deliciosas guloseimas, pelas meninas e por me mostrar a beleza do domingo de manhã.

  

3 comentários:

  1. Ohhhh Ninoschka queridona, amei o teu post, fiquei mesmo lisongeada pelas palavras com respeito ao nosso encontro, valeu a presenca, a alegrias, as risotas e acima de tudo a amizade, mando um <3.

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  2. Boa Tarde, querida Nina!
    Domingo é um dia mais do que especial...
    Bjm muito fraterno

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  3. Amei esse Ninoschka! Grazi vc é uma flor!!!!!

    Roselia, domingo, o dia do Senhor! ;-)

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