27/08/2014

Gosto de Portugal

Arrumei minhas malas com o mínimo de coisas possível e com o máximo de caraminhola na cabeca. Desde muito tempo ouco piadinhas sem graca sobre portugueses, além de vez ou outra, ver algum brasileiro falando que sofreu algum tipo de preconceito estando em Portugal. Mas ultimamente tenho ouvido muitas pessoas que moram aqui na Alemanha, incluindo muitos brasileiros amigos meus,  falando muito bem do país e isso me animou a escolher nossa viagem de férias. Muito feliz digo que todo o receio que eu poderia ter, foi dissipado, voou para longe, assim como vi o vento levar embora muitos dos guarda-sóis espalhando-os nas praias ventiladas da Algarve. Desde o primeiro momento, quando fomos recepcionados pela senhora que cuida do apartamento, até a moca do guichê da copanhia aérea, no voo de volta pra Alemanha, me senti em casa. A sensacao de estar em algum lugar que é, em termos gerais, a origem de todos nós, brasileiros, e saber que ali, depois daquele oceano de aparência infinita, está nosso país, encontrado por acaso há tantos anos, é uma sensacao de muita beleza.

Dá conforto estar em Portugal.






Conforto oferecido pela língua, que no primeiro momento, achamos engracada e pensamos que nao vamos compreender totalmente, mas que logo se encaixa e passamos a perceber os singelos preames do linguajar. Conforto na comida, tao caseira e tao nossa, com gosto de cozinha de mae. Conforto ao ver as senhoras indo a feira, com seus chinelinhos e sacolas de compra, seus "bom dia" tao marcantes. Conforto do sol que arde no céu, mas que vem de levinho ao amanhecer, sobre uma brisa fresca e azul e se poe alaranjado e sereno, no início da noite de verao. Conforto em comer pudim como o que conhecemos no Brasil, de tomar guaraná Antártica e ver produtos brasileiros nas prateleiras. Conforto no voo da gaivota, que faz um barulho como de crianca gritando, no fim da tarde e suja todos os vidros dos carros nas ruas. Conforto ao ver nos bares os senhores mais velhos, reunidos em mesas redondas, tomando um vinho com os amigos, comendo frutos do mar e conversando sobre como suas respectivas esposas se parecem umas com as outras, enquanto assistem futebol e param a conversa animada pra gritar quando o Benfica faz um gol e diminuem a algazarra pra nos dar um até logo simpático quando saímos. Conforto das rádios que tocam tantas músicas brasileiras e fazem piada (olha só, eles nao sao bobos, também riem da gente!). Conforto porque do fogao sai fogo de verdade das bocas (aqui eles quase nao existem mais). Conforto quando na conversa, eles ficam olhando com cara de encantados, quando rio discretamente das palavras novas que vou aprendendo e fazem questao de mostrar que apesar de me entenderem bem, a palavra pra copo de vidro, é galao, que xícara pode também ser chávena e carro é viatura, ou se quiser fazer rir, popó. Conforto em sentar num bar e ver alegremente, várias vezes, um português entrar na conversa de forma gentil e ficarmos ali por horas conversando sobre tudo.  Eu gosto.
Eu gostei de Portugal!





 
Gosto do garcom engracado que pergunta se quero a con"ti"nha. Da gentileza da cozinheira do restaurante que faz nosso jantar mesmo que cheguemos depois da dez da noite, de cara vermelha e pés sujos de areia perguntando se é possível comer algo e do Chef que cozinhando frente a todos, faz uma pausa e vem oferecer um pirulito ao Pedro. Gosto do ardido do piri piri, do bacalhau com batatas e muito azeite, da dourada grelhada, da cataplana linda, brilhante e cheirosa recheada com tamboril, camarao e batata. Gosto da feira livre com peixes frescos e verduras aromatizadas, gosto das casas brancas com seus telhados de barro, com eira e beira e chaminés, tao típicas da regiao. Gosto da sensacao de acreditar que falo devagar, quando percebo que eles sim, falam rápido e engolem letras. Das tantas bougainvilles desesperadamente floridas. Gosto do mar e do rio. Das pontes e bondes. Das placas de rua sempre feitas em azulejos, aliás, gosto dos azulejos! Deles enfeitando as fachadas, as varandas, as cozinhas, os banheiros, os vestidos que imitam sua estampa. Gosto de ver as árvores descascadas até a metade, que servem pra fazer um dos principais produtos portugueses, as rolhas de garrafas de vinho. E das árvores de medronho espalhadas por toda a paisagem e que fazem um conhaque (ou aguardente) que junto com o "moscatel" é famoso na regiao.
Nao, eu nao gosto de cachaca, mas marido sim...






Eu gosto é de Portugal!
  

5 comentários:

  1. Que beleza, Nina! Certamente dá conforto estar lá.Nos faz sentir em casa ! Adorei as fotos e por isso adivinhaste o céu,rs LINDO! bjs, chica

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  2. Nossa! Maravilhoso, sempre tive vontade de conhecer Portugal.... vou incluir na minha liste de lugares incríveis a conhecer :)
    bjocas

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  3. Olá, querida Nina
    Vc tem toda razão de gostar... é lindo e tem gente como em todo lugar: educada ou não...
    Felicidade aí!!!
    Bjm fraterno de paz e bem

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  4. Belissimo post e elogio a Portugal!!! Vontade de ir amanha!!

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