04/02/2014

Mamae e Roberto Carlos

Nao sei como fui parar hoje, enquanto cozinhava, num canal do youtube onde havia um show de natal de uns anos atrás do Roberto Carlos. Deixei rolando as músicas enquanto cortava peixe, cebolas, azeitonas e batatas. Como era de se esperar, me deixei também levar pelas músicas. E minha mae veio à minha mente. Nao tem jeito de ouvir Roberto Carlos e nao lembrar dela. Principalmente nos especiais de natal, quando ele é presenca marcante desde muitos anos na TV. E hoje vieram muitas lembrancas da minha mae, preparando todas as refeicoes de natal e parando tudo o que fazia, quando comecava o show. Ficávamos as criancas arrumadinhas esperando os primos que acabavam de chegar, cada tio com um  prato pra aumentar nossa ceia e mamae fazia todo mundo sentar pra assistir o concerto. Nada acontecia na casa antes que Roberto nao cantasse a última cancao tendo minha mae como acompanhante.

Lembro desses natais agradáveis e alegres em família e quando ainda havia a linda presenca da minha avó. E Roberto  lá. Sempre. Presente e constante, o convidado de honra da mamae.
Alguns anos antes disso, quando criancas ainda muito pequenas, lembro de minhas duas irmas e eu, cantando enquanto nos embalávamos juntas numa rede, as músicas que mamae ouvia nos seus LPs. Cantávamos tudo do Roberto Carlos e um bocado de outros antigos cantores da Jovem Guarda. Nos fins de tarde, íamos brincar na ruazinha em frente a nossa casa, enquanto mamae colocava suas músicas num volume muito alto, numa vitrola antiga. Lembro muito claramente da sensacao agradável de família feliz que eu tinha naqueles momentos. O sol se pondo, a gente brincando, o chao de barro, as bonecas, as cordas pra pular, os elásticos, a amarelinha riscada no chao, a casa tipo palafita, com  "pernas longas" onde podíamos brincar embaixo, o muro da casa das primas do lado, a mamae... e o Roberto. Ele era de fato, um companheiro naqueles tempos, que apesar de duros, tinham uma ternura muito peculiar, muito real e nossa: era mamae toda linda que tínhamos, sempre arrumada, alegre, faceira, ouvindo músicas apaixonadas dele, que era tao íntimo de nossos fins de tarde, que mais parecia alguém da família.
Uma presenca querida que reencontrávamos sempre nos shows de fim de ano e que reencontrei agora há pouco na minha cozinha...

Dias bonitos da minha infância eu tenho na memória. 
Como é bom poder dizer isso sem rancor e mágoas...

2 comentários:

  1. Doces lembranças, fazem bem e ficamos felizes poder tê-las, como dizes, sem rancores... Adorei! bjs,chica

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  2. TAMBÉM LEMBREI DA MINHA INFÂNCIA... TODOS OS ANOS MEU COMPRAVA O LP QUE O ROBERTO LANÇAVA. ESTOU CHORANDO NESTE EXATO MOMENTO, POIS ACABEI DE CONVERSAR COM MINHA IRMÃ MAIS NOVA E VI FINALMENTE QUE NADA RESTOU DAQUELA MENININHA QUE VI NASCER AOS MEUS 9 ANOS. TENHO SAUDADE DOS MEUS 9 ANOS E ETNHO SAUDADE DO ROBERTO...

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