30/05/2013

Tirando as fraldas "na casa de pobre"

Quando éramos meninas, nunca parávamos em casa nos fins de semana. Nossa família era daquelas de inventar sempre um motivo pra estarmos todos juntos, e ir aos banhos de igarapés nos arredores de Manaus era nosso programa favorito. Éramos tao malucos com esses nossos passeios que alugávamos ônibus pra caber todo mundo. Iam todos os tios mais próximos, toda a filharada desses tios e nossa avó materna, Laura. Quando nao estávamos nesses banhos, estávamos juntos na casa da minha mae, que era aquela que reunia todos. Oportunidade essa em que o que se esperava de cada gênero, era muito bem observado na família: as mulheres iam cozinhar o almoco do dia, os homens iam jogar dominó e as criancas brincar na rua. 

Nos fins de semana em que o resto da família nao estava com a gente, minha mae sempre nos levava pra tomar banho de piscina na casa de alguns amigos que ela e seu marido tinham. 

Sao dessas casas que falo agora. Minha mae ficava impressionada como as pessoas eram diferentes dela. Nós nunca fomos donos de posses, nunca tivemos casas elegantes, nunca moramos em casas com piscina, nem tivemos quartos bem decorados cheios de brinquedos como as criancas filhas dos amigos militares tinham (nosso padrasto era subtenente do exército). Mas minha mae, era muito cuidadosa com as coisas de casa. Nunca foi exagerada e perfeccionista, como umas tias nossas eram com limpeza de casa, mas todas as casas simples em que moramos, sempre foram muito limpas, na medida do possível quando se tem cinco criancas. A coisa que deixava mamae mais impressionada e isso eu via em seus olhos discretamente arregalados - ela nunca comentou nada - era o fato das casas terem um cheiro horrível de xixi. Entrávamos na casa e dos quartos onde as criancas dormiam já exalava aquele cheiro estranho, as paredes tinham leves sinais de mofo, os cachorros dormiam na cama das pessoas - coisa que minha mae nunca nos permitiu fazer com os nossos. Eram casas de pessoas que viviam melhor que nós financeiramente e eu sabia que minha mae sonhava ter um dia uma casa bonita e grande assim, mas eram casas muito mal cuidadas, eram casas sujas. 

Engracado era notar que nós éramos vistos como pobres por nós mesmos, porque nao tínhamos uma casa de sonhos, mas quando víamos aquele descuido na casa chique dos amigos da mamae, acho que entendíamos o que era riqueza de verdade.

E sabe, aquele cheiro de xixi impregnado em cada cômodo me segue até hoje.

* * *

Tenho dois filhos, hoje, adolescentes, e sempre morei em casas simples, com os dois. Mas uma coisa nunca permiti: casa fedorenta com xixi de menino. Ao comecar o processo de tirar fralda de filho, quando eles precisam ter nocao de que agora nao usam fraldas, mas cuequinhas ou calcinhas, é importante estar sempre atenta pra nao deixar marcas fedorentas pela casa toda :-)  

É difícil, é trabalhoso, trabalho duro mesmo, mas compensa!



Pois é. Hoje tenho um filho de dois anos e meio e estamos nessa fase. Ele fica de shorts ou cuequinhas, pra ser mais rápida a ida ao piniquinho e estamos nos saindo muito bem. É impressionante como subestimamos o desenvolvimento de nossos filhos.  Eles sabem tudo... mas, porque falei das casas fedorentas? O molequinho aqui de casa andou vacilando, e algumas vezes esqueceu de dizer: pipi mamae... Entao, o cheiro e a lembranca da infância e os olhos grandes da mamae vieram sobre mim...

***
Obs. meio sem sentido: 
Casa de "pobre" nao significa casa suja, fedorenta e mal cuidada e casa de "rico" nem sempre é como a gente imagina nas novelas. 
Bom mesmo é revermos nossos conceitos sobre o que é realmente importante num lar.
 

12 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. ADOREI..... Minha mãe falava que, pobreza não tem nada com limpeza. Tenho 4 cachorros... 02 vivem dentro de casa e, todos os conhecidos que por aqui passam sempre falam " A casa dela não tem cheiro de cachorro..." Eu fico muito feliz, porque demonstra que, o meu cuidado vale a pena. Um ABRAÇÃO.....

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  3. Parabéns e paciência nesta nova etapa do filhote. Dá trabalho sim, mas faz parte.
    E claro que cheiros nos trazem lembranças, sejam eles bons ou não.
    Beijo

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  4. Vim agradecer e deixar um beijo.Domingo volto aos blogs.beijos,chica

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  5. Limpeza e simplicidade sempre combinaram né? Também vivi em casas simples e tinha noção de quem era mais "rico" ou "pobre" mas limpeza e cheirinho bom sempre nos acompanhou! ;-)
    Adorei o post! beijos

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  6. Sem sombra de dúvidas, Nina, concordo de cima a baixo com tuas reflexões.Higiene não vem atrelada à pobreza ou riqueza e sim aos bons hábitos, trabalhosos, mas compensadores.
    Meu netinho mais velho está na mesma fase de teu pequeno e a gente fica atrás dele o tempo todo perguntando se ele quer ir ao banheiro, rsrss
    Um ótimo fim de semana,
    Bjos,
    Calu

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  7. Meus dois filhos deixaram a fralda do dia aos dois anos e a da noite aos dois e meio. Nunca vi casa "fedida" por causa de criança deixando a fralda, juro. Meu irmão comentava que a casa da sogra dele tinha um cheiro terrivel de xixi de manhã porque sua cunhada, ja grande, fazia xixi na cama. Enurese noturna é um problema de saude e imagino que xixi de adolescente não deve ser nada cheiroso mesmo.

    Ah, Nina, a Chanel dorme na cama com a gente. E é uma vira-lata imensa que acha ruim se os meninos mexem a noite e incomodam o sono dela.rsrs

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  8. Amei sua matéria. Realmente por mais simples que fosse nossa casa, sempre era enfeitadinha, panelas ariadas e cheirinho de limpeza. Beijos.
    ]

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  9. Oi Nina!
    Valentina demorou pra sair da fralda, comecei a tentar com quase dois anos, mais foi sair mesmo com 3 anos.
    Tantas fases né Nina... e passa tão depressa.
    Sair da fralda, da chupeta, da mamadeira, engatinhar, andar, falar, ir pra escola, escrever, ler... depois vestibular, casar ou não casar, quando dermos conta NETOS!!!
    vida louca e boa!
    beijokas

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  10. Este seu texto me fez lembrar da minha mãe - em todas as casas... tudo sempre tão limpinho, cheiroso e aconchegante! Vim agradecer a sua visita e comentário. Obrigada. Seu blog tem lindas fotos e belos textos! Uma ótima semana pra você! Bjs.

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  11. Oi, Nina!
    Não gostei do texto que está no topo do blogue... :( mas fazer o quê se a vida nos chama ao batente? Espero que você volte!
    Seu texto me fez lembrar do bordão da Cláudia Rodrigues que interpretava a empregada doméstica Sirene (Sai de Baixo): "Sou pobre mas sou limpinha".
    Sei bem como é esse cheiro, porque tive uma amiga que o irmão tinha problemas para controlar o xixi - era psicológico. Ele era grande já e fazia xixi na cama. A mãe dele forrava a cama todos os dias, mas enquanto ele dormia, saia tudo do lugar. Ela mandou reverstir o colchão de courino, mas piorou. Não sei o fim dessa historia porque mudamos de cidade e nunca mais vi essa amiga.
    Minha mãe limpava a casa e nos colocava para ajudar - dizia que era para aprender, mas acho que ela nunca gostou de serviço doméstico. Era tudo muito limpo, mas ela não fazia questão que arrumássemos a cama todos os dias - dizia que era perda de tempo, pois saíamos cedo e voltavámos só a noite.
    Gosto de conforto, mas não ligo para ostentação. Odeio casa cheia de pendurricalhos e acho que o básico é essencial para os olhos! :)
    Beijus,

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