23/10/2012

Uma viagem muito louca

Quando ainda morava no Brasil tínhamos um amigo alemao que dizia se irritar quando as pessoas ao entrar num trem, logo abriam seus livros pra ler. Ele dizia que preferia olhar pela janela do trem e apenas, observar e pensar na vida. Lá fora e lá dentro. Foi assim que eu fiz essa nossa viagem de férias. Fiquei observando. Nao tinha vontade de ler, havia muita riqueza viva e pulsante me chamando do lado de fora de mim mesma. Depois de tantas inquietacoes na ida, afinal, eu merecia curtir o voo para um pedacinho paradisíaco da África.

Inquietacoes na ida?
Sim, deixa eu te contar...

Marido resolveu que iríamos de trem. O voo sairia de Munique. Quase umas 5 horas de distância de onde moramos. Na metade do caminho o trem parou. Ficamos alguns minutos sem saber o que estava acontecendo mas logo depois fomos informados a razao que infelizmente de vez em quando, faz com que os passageiros dos trens cheguem atrasados aos seus destinos: alguém resolveu se suicidar em alguma das linhas a nossa frente! Ficamos mais de duas horas parados, com uma voz repetindo zilhoes de vezes a mesma coisa: "as linhas continuam interditadas senhores passageiros, continuamos sem informacao de quando estaremos liberados a continuar nossa viagem, pedimos desculpas pelo transtorno".

Meu marido bufando de raiva, Pedro muito inquieto chorando e gritando porque queria continuar no leve balanco do trem e eu só pensando na pobre alma que havia se jogado num dos trilhos, em algum lugar a nossa frente. Juntando toda minha paranóia normal ao desespero de pensar o que levou aquela transtornada pessoa se matar, e todos os pequenos detalhes que me faziam temer pela viagem, cheguei a pensar em dizer que seria melhor deixar a viagem pra outra época, afinal o que será que tudo aquilo poderia significar? Mas nem ousei falar isso com marido, ele estava uma fera e me engoliria viva se ouvisse algo assim: ele ansiava por essa viagem há meses...

Depois de 2hs25min, o trem partiu. Alcancamos Munique, corremos pra pegar um táxi até o aeroporto que fica a meia hora de distância de onde chegamos e dez minutos depois de fechado o chek in, chegamos no balcão da companhia aérea. Ou seja, perdemos o voo! Remarcamos a data para quase dois dias dali e fomos arrumar vaga num hotel.  Munique, depois da bendita e embriagante Oktober Fest, inventou de organizar uma outra parafernália qualquer, o que deixou TODOS os hotéis sem vagas, só nos restava um, muito caro. Foi o jeito encaramos o preço abusivo do único com vagas, afinal não dava pra encarar dormir duas noites no aeroporto, como poderia sem problema fazer se fosse uns 20 anos mais jovem, mochilando e sem filho,  não é?

No voo normal que perdemos, faríamos uma escala de duas horas na cidade de Mascate (Muskat) em Omã. Mas nesse novo voo, teríamos que pernoitar na capital desse pequeno país árabe. Sem saber como nos virar, ficamos ainda algumas horas em frente ao aeroporto lotadíssimo, empoeirado, altamente estressante (na parte "pobre" do aeroporto, pra onde são enviados os nativos e indianos para voos nacionais), tentando trocar dinheiro pra moeda local (que por sinal se chama real), arrumar táxi e hotel para o pernoite. Uma loucura impossível de descrever!

É por isso e por outras coisinhas que depois de quase 12 horas dessa confusao toda, já sentadinha no aviao em direcao a África, que pude somente observar, curtir o voo do alto. A cabeca ainda estava a mil por hora, coracao ainda acelerado.

E ainda tinha muito o que ver pela frente...

17 comentários:

  1. Peeeeeeelo amor de Deus! Tu tá lembrada do ditado daqui? "isto é programa de índio". Pois é. A tua viagem começou assim. E olha que programa de índio pode ser dos melhores...pescar no rio e tal...hehehe
    Conta mais, vai!

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  2. Eu tenho que fazer a piada... como é que o maridao fala mesmo?? Ah ICE é maravilhoso!! Nao atrasa!! rsrs rsrsrs

    beijinhos. Adri

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  3. Pode crer Pitanga, programao de indio mesmo! vou contar mais pode deixar :-)

    Adri, eu lembrava de ti o tempo todo no trem, so nao ousei rir da cara dele :-)

    Bjs meninas!

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  4. Que coisa hein?

    E a gente pensa que essas coisas só existem no Brasil...eu hein!

    Mas estou doida pra saber o fim dessa história, que espero ter acabado bem,

    Abraço,
    Tudo de bom pra você

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  5. Desvantagem do trem é essa né? Algum problema lá nao sei onde atrasa tudo porque nao tem como desviar... Espero que o restante da viagem tenha sido prazeirosa e sem tantas surpresas desagradáveis!!

    beijo

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  6. Realmente, o clima de sua viagem não começou dos melhores. Ao saber de um suicídio, fico meio pensativo, tal como você.
    Este tipo de viagem é mais tolerante para quem não tem filhos, penso. Criança não aguenta muitas coisas que aguentamos.
    Tem um tempo que não visito este blogue e, pelo que vejo, está tudo bem por aqui.
    Até Nina!

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  7. Nina!
    Nunca leio em viagens, fico zonza...

    E nunca arrisquei viagens com mais de meio período. Ficaria mais zonza ainda!
    Um abraço.

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  8. Já estou no aguardo no próximo capítulo! Porque o de estreia foi intrigante, no mínimo!
    Beijo

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  9. Eita que perrengue minha amiga... Vai que Deus estava querendo preparar vocês para as próximas cenas da viagem...
    Africa, que show!!!
    Conta tuuuudo!
    Bjão!

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  10. Geeennte, que epopéia, vcs passaram, Nina.I
    magino a ansiedade frente tantos transtornos e quebras de planejamento.Imagino teu alívio quando pode finalmente curtir a viagem de ida pras tão esperadas férias.
    Bjos e boa semana,
    Calu

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  11. A "turbulência" começou antes mesmo de vocês pegarem o avião hein?!? A parte desse probleminha, espero que vocês tenham curtido muito a viagem:-). Bjs

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  12. Deve ter sido incrível tua viagem, quero viajar na tua viagem, não deixe de nos contar....

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  13. África. Nossa, mas que início fatídico desta viagem que promete ainda muita aventura.
    Estamos aqui, na espera do que virá ... espero que dias melhores.
    bjs cariocas


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  14. Oi Nina!
    Ontem quando eu li seu post fiquei pensando que no domingo mesmo eu e Joel estávamos conversando sobre as estatísticas de suicídio em linhas de trens na Suécia (em torno de 60 no ano passado) e que a SJ (maior companhia ferroviária de passageiros) anunciou na semana passada uma série de medidas para tentar diminuir o índice.
    Ao contrário da companhia alemã, a SJ tem uma política de não informar os passageiros que o trem parou devido a um suicida. Lendo seu relato entendo porque e concordo: primeiro, que as pessoas mais sensíveis ficam realmente chocadas (eu ficaria extremamente mexida se soubesse que o veículo no qual estou sentada acaba de matar um ser humano) e segundo, que os mais stressados talvez quisessem sair do trem e acabar de matar o suicida, se por um acaso o mesmo ainda estivesse um pouco vivo.
    É a vida...
    Beijos!

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  15. Oi Helena, pois é, isso é comum tbm por aqui.
    Ah sim, sim, eles nao falam que foi um suicídio, na verdade, mas fica subentendido.

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  16. Gente, que início de viagem atribulado! Oh my god! Mas pelas fotos que vi no post lá em cima, valeu a pena todo o stress do início, nao? :-) Bjs e bom final de semana pra voces!

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