24/10/2012

As confusoes em Mascate, Omã

Chegamos em Mascate, capital de Omã. Marido estava bem curioso, era sua primeira vez (mesmo que pra passar só algumas poucas horas) num país realmente árabe. E eu estava loucaa pra chegar ao nosso destino, num país da África. Eu também nunca estive na África. Quer dizer,  já estivemos no Egito. Eu sei, sei, Egito fica na África, mas eu acho o Egito tao árabe. Entao, na minha cabeca, Egito nao conta! Seria entao  minha segunda vez na Arábia e a minha primeira na África, ai que emocao.  Mas antes da África, tinha essa cidade no meio do caminho, tinha essa cidade, Mascate. 

Depois de sermos enviados por funcionários igualmente perdidos de  lá  pra cá atrás do visto (sim, para um pernoite na cidade precisa-se de visto), entrar e sair da fila de raio x umas 3 vezes no mínimo (incrível como tem tantas dessas esteiras de raio x ali, mesmo quando se chega no aeroporto!) e ficarmos em  filas enormes e cheias de indianos, saímos finalmente do saguao do aeroporto. Uma multidao esperava amigos e familiares lá fora. Eu nunca havia visto tanta gente num aeroporto! Marido com sua língua ferina dizia que se duvidar, era todo mundo da mesma família...
Aí comecou nossa saga pra fazer o câmbio para pagar hotel e táxi. Corre lá, corre cá, descobrimos depois que tudo poderia ser pago em dólares, o que já tinhamos reservado no bolso. Hã? Ai senhor... porque homens nao perguntam as coisas antes? Alguém pode me explicar, p. ex., porque eles ficam rodando com o carro por horas ao invés de perguntar onde fica tal lugar???
Enfim.

Só vi homens usando essas vestimenta
Marido cuidava das coisas práticas enquanto eu carregava casacos de inverno que usamos antes na Alemanha num calor de uns 40 graus numa Oman já de noite, uma mochila pesadíssima cheia de comidinhas pra bebê, fraldas e brinquedos e um menininho de dois anos que irritado de sono e calor, só queria ou chorar ou ficar se jogando num chao podre de poeira e pegadas de milhares de sandálias sujas.

A calcada do aeroporto fervilhava, como sons de mil alto falantes em várias línguas diferentes, homens com suas túnicas longas e brancas e seus caps brancos e bordados e mulheres todas, vestidas de longas vestes pretas, cobertas dos pés a cabeca e algumas somente com os olhos à mostra. Homens gritavam pra cima e pra baixo, riam, conversavam alto, celulares tocavam alto músicas árabes, carros buzinavam, marido passava pra lá e pra cá mais perdido que cachorro em dia de mudanca, enquanto eu era observada por centenas de olhares curiosos, com meus bracos e ombros de fora - que eu tentava esconder com um lenco que menino vivia puxando - e meus cabelos abusadamente descobertos. Eu era a única estrangeira ali, naquele espaco, todas as outras mulheres estavam cobertas e todas as indianas, que nao cobrem os cabelos, haviam ficado nas filas dentro do aeroporto. Me senti nao muito à vontade, apesar de que ninguém me incomodou em momento algum, como aconteceu várias vezes no Cairo, p ex.
Horas depois, aliviados, chegamos ao hotel 3 estrelas, mas simplesmente lindo, como num templo das arábias. 

Mascate é uma cidade bonita, organizada e limpa e me deu até vontade de voltar pra conhecer melhor, mas só de pensar na louca confusao  do aeroporto, esqueci rapididinho essa ideia.

E mulheres usando estas, às vezes com o rosto menos ou mais coberto
Fui dormir com muito medo. Fiquei de olhos abertos boa parte da noite, ouvi todos os sons noturnos das mil e uma noites, vi o sol raiar e a poeira subir junto com brilho do sol, enquanto filho e marido roncavam ao meu lado num sono justo e profundo, pois como disse no post anterior, sou muito paranóica e o fato triste com o trem pra Munique se juntou à minha cabeca cheia de minhocas, e me fez ficar imaginando apavorada que estava dentro de um filme da Sessao da Tarde, sendo desperta por homens barbudos e armados até os dentes gritando na sua língua cheia de rrrrrááásss vindo do fundo da garganta: "passe agora sua mulher e sua crianca, agora eles serao nossos reféns, seu branquelo ocidental!" Me via sendo puxada pelos cabelos, envolta em panos pretos, sendo levada pra ser mais uma concubina de um sultao velho e barbudo e terminando meus dias velha, acabada e desdentada, esturricada do sol ardente do deserto, puxando atrás de mim um camelo mais acabado que eu, cheia de filhos meninos vestidinhos com longas roupas brancas, pensando nos meus dois filhos que ficaram estudando na Alemanha e nunca mais viram a mae,  e tentaria explicar pra meu bebê Pedrinho, como era lindo e friozinho o seu país de origem ou tentando lhe explicar que Alá é Deus, é Deus!!! e que eu era na verdade - mesmo só mostrando os olhos debaixo de uma niqab - uma cristã, meio índia, meio gente, meio bicho, nascida num país abencoado por Deus e lindo por natureza...

Mas é claro tudo isso era só minha imaginacao louca funcionando. O café da manha estava uma delícia, o restaurante do hotel era lindo e climatizado e a mocinha asiática da recepcao com seu inglês impossível de ser compreendido, nos ajudou com o táxi. - Fiquei me perguntando o tempo todo porque a companhia aérea OmanAir só tem funcionárias mulheres asiáticas e homens árabes.

Mas, agora sim. Iríamos a África. 
Nao aguentava mais de tanta vontade de ver o tao desejado colorido das africanas depois de tantos pretos femininos e brancos masculinos num país onde tudo é cor de barrro.

* * *

Obs. as imagens postadas aqui foram pegas na internet em sites onde as fotos nao eram registradas. No meio de tanto estresse nao havia pique pra fotografar nada nem ninguém :-(

10 comentários:

  1. Kkkkkkk, que post bárbaro!

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  2. Tenho uma vontade enorme de conhecer um país árabe, mas estou de boca aberta com toda a experiência maluca que você viveu. Espero que as próximas postagens sejam mais alegres, rsrsrs.

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  3. Nina, sabes como se diz em PT? "Se eu estivesse lá, vinha-me embora" hehehe

    PS: PT não é o Partido, viu?? hehehehe

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  4. afff miga to de boca aberta com tanta aventura.....amando e esperando os próximos capítulos...kkkk...bjks

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  5. Inshalá! Bom, não sei bem o que quer dizer isso, mas talvez seja, Carácoles!!!
    Que que tu foi fazer no mato maria chiquinha? hehehe
    Eu sei, não tem mato, tem muita poeira, calor, barro e gente estranha, estranhíssima para a nossa cabecinha. Mas, que punk heim!
    Contado assim, achei um barato, visualizei direitinho tudo, até os rrrrrrs que os arabescos falam, mas lá, ao vivo e a cores, deve dar um medão daqueles mesmo.
    Nestas alturas eu já estava querendo voltar correndo, mas seguiram em frente, então deve ter coisa boa ainda por vir, né?
    Conta mais, vai?
    beijos cariocas



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  6. Oi Nina!!!!! que delicia você de volta!!!!
    mas este post ficou com o tom de continuaçãooo... pois realmente parecia um filme da sessão da tarde este post.... rsrsr
    Diferente não este lugar... conta mais!!!
    beijosssssss

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  7. Olá Nina!
    Se você escreveu, está viva...
    Brincadeirinha! Dá-se a impressão que virão maravilhas sobre a África.
    Um abraço.

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  8. Puxa Nina, que post bacana...
    Esse pit stop rápido em Mascate foi suficiente para lhe causar impressões interessantíssimas.
    Estou planejando uma viagem a um país árabe em abril do ano que vem, e mesmo na fase de planejamento, fico com a cabeça fervilhando igual a sua... Lá não tem sultão, mas tem tanto doido que se eu não tivesse um contato no governo de lá, eu não iria nem amarrada.
    Amiga vc tá me matando de curiosidade.
    Foi pra onde, afinal?
    Zimbábue?
    Ahhh tô curiosa!
    Bjim
    Márcia

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  9. Zimbabue? quase acertou Marcinha!!!!

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  10. Hehehehe - adorei o romance que a atmosfera te inspirou, Nina :-) Ate parece que a gente ia deixar te manterem prisioneira em Mascate! Da próxima vez que tu imaginar isso, imagina que, na sequencia da história, um batalhao de blogueiras enfurecidas fretam um aviao para vir libertar vocês dos homens barbudos e armados até os dentes - bem estilo Mulher Maravilha, só que no plural, hahaha :-D Bj grande

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