24/03/2012

Solidao no sábado

Hoje é sábado, passamos o dia interinho fora, fazendo compras para o bebê e outras coisas inúteis. Agora sao 8 e pouco da noite.
Cheguei há duas horas em casa tao cansada que deitei e apaguei. Acordei sem nocao de onde estava. Com o céu já escuro. Aqui anoitece mais tarde nessa época. 
Marido via o fim do futebol, o bebê dormia, a filha estava toda maquiada, com meias floridas e sainha, dizendo que iria a um café com uma amiga e me pergunta se poderia dormir na amiga, o filho nao estava em casa, mas roubou uma flor que estava na sala e que a "mae do olho biônico" logo notou, e foi claro, pedir pra namorada voltar. Chegou agorinha e saiu de novo, veio buscar  a jaqueta porque esfriou um pouco nesse lindo dia de primavera, porque o sol já foi embora e ela vai embora também: a menina que já namorou meu filho, vai pegar um trem pra passar uma semana fora num estágio...ele tava de cara boa, será que a flor ajudou? Nem briguei pelo roubo... 

E eu vim ligar o computador. Nenhum email. Olhei os três enderecos: nenhum email. Com Facebook nao tenho paciência. Sei que lá tem umas poucas mensagens de uma semana atrás, talvez. Quando tiver vontade pra aquilo eu abro. 

Fiquei me sentindo meio triste agora. Solitária.

A sensacao é igualzinha quando era mais jovem e estava sem namorado (o que era modéstia à parte, coisa rara). Mas tinha as minhas irmas que tinham zilhoes de amigos e eles as vinham buscar em casa. Lembro dos carros parados em frente a nossa casa. As luzes acesas, a música tocando, as pessoas bonitas esperando as minhas irmas. Algumas me chamavam pra falar: e aí  Nina (seu bichinho do mato) tudo bem? E o vestibular, tá estudando direitinho? Enquanto faziam cara de riso. Eu era muito tímida, e meio de lua, um dia era simpática com aquele povo todo das minhas irmas,  no outro era azeda. Tinha vontade de ter amigos pra sair à noite, mas de alguma maneira, aquilo nao acontecia, nao pegava no tranco. As amizades novas nao floresciam e as velhas, tinham outros compromissos aos sábados. Minhas irmas tinham sempre alguém novo pra sair. Elas era mesmo incríveis!

Eu preferia meus livros. E meus estudos. Queria tanto passar no vestibular naquela época. Minha mae me trazia leite morno com biscoitos e se orgulhava que eu estudasse tanto. De alguma maneira também, aquilo era uma fuga. Nos livros e nos estudos eu encontrava o que precisava, acalento que os amigos inexistentes nao podiam me dar. E no leitinho morno da minha mae (nao sei se ela fez isso mais de uma vez, mas se aquela foi uma única vez, me marcou tao profundamente, que parece que era todo dia) eu encontrava a tranquilidade de me saber amada afinal. Passar no vestibular era minha única saída daquela solidao, sensacao de falta de amor e de coisas interessantes na vida.

Mas tinha essa solidao aos sábados que era bem marcante. E ela nao era agradável. 
E isso eu senti agora há pouco.
E ela já está passando.
Porque escrever é como estudar pro vestibular naquela época.
Alivia, acalma e ma faz útil pra mim mesma, colocando os pensamentos em ordem.

Eu tenho uma família e sei que amanha toda ela estará aqui.
A filha com a maquiagem meio borrada, o filho sem a namorada e sem a flor, o bebê que acordou, o marido ainda feliz com o time que ganhou.

E fico pensando naqueles que realmente vivem sozinhos, sem muitas escolhas.
Nao deve ser muito fácil acordar no meio da tarde, sem sol, sem barulho, sem alguém pra conversar... deve ser duro...

16 comentários:

  1. Lindo teu texto e deu pra ver bem a situação...Imaginar!! E a solidão que falas dos que nunca tem ninguém deve ser triste demais!!! Credo!!! beijos,, lindo domingo,chica

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  2. Nina,tenho sentido muita solidão ultimamente.Tive uma identificação bem grande com este post.

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  3. Querida Nina,
    As vezes nos sentimos assim mesmo, todos nós, isso é normal, já que se referiu a hj (ou seja, um dia e ñ todos ou quase todos os dias)... como vc mesma disse, amanhã tudo voltará ao normal e a tal solidão já terá ido embora...
    Um grande beijo, fique com Deus!!!

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  4. Boa noite Nina........solidão...temporária é saudavel,faz bem ,te permite pensar e se conhecer melhor,mas quando longa.....deprime e acaba com nossa estima.Já tive tempos de solidão forçada....sem namorado e amigos....foi dificilnem penso nessa fase da vida.Na minha maturidade nunca mais senti isso...mesmo quando estive sozinha,acho que me entupi de atividades que não me deixaram pensar rsrsrs....Mas é para se pensar...como a solidão doi nas pessoas que sabem que estão sozinhas na vida.....felizmente a sua é passageira e que assim seja...beijokas e bom domingo pra vc,cercada pela criançada....

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  5. Eu gosto destes momentos de solidão- é claro, se forem momentos, não rotina.São momentos em que estamos tendo contato com alguém bem interessante: nós mesmos. E isto é muito benéfico, são nestes momentos que nos avaliamos.
    Muito bacana seu texto!

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  6. Ai Nina, quem ainda não teve um momento de solidão mesmo cercada de pessoas que as amam? A vida prega peças ..... ainda bem que não é toda hora!
    Olhe para as flores e veja a beleza da solidão delas.
    Fique em paz.
    Beijos.

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  7. Veja sua caixa de email nesse Domingo!!
    Mas nao veja agora, nesse momento, mais tarde rsss um grande bj minha lindona!!!

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  8. Eu também tenho essa sensacao de vez em quando... é estranho se sentir solitário estando entre outros, mas acontece... O bom é saber que vai passar, que "amanha" vai ser diferente!

    Seu texto me fez lembrar também os meus fins de semana sozinha enquanto eu estava ainda no Brasil e meu amado aqui na terra da batata... foi difícil, acho que nunca me senti tao sozinha quanto naquela época... Claro que eu ainda tenho mesu momentos de solidao, misturados com saudades, mas pelo menos agora tenho com quem dividí-los

    Bom domingo pra vc!!

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  9. Pois é, Nina, daí você pode ter uma idéia do que reclamo. Você disse em comentário seu no meu blog que sente meus textos tristes. Mas realmente ando numa fase bastante triste e é mais por conta da solidão quase total que se tornou minha vida. De repente não sei o que aconteceu, até minha mãe que me enchia o saco ligando 3 vezes por dia, agora nem liga mais. Meu telefone não toca, ninguém me procura, vivo uma vida quase de total isolamento. Se não fosse meu trabalho acho que passaria dias sem conversar com ninguém.

    Estranhamente estou acostumada com a solidão. Ao contrário de você, tive muitos homens na vida, mas poucos relacionamentos duradouros. Então estar sozinha de relacionamento amoroso sempre foi normal pra mim. Já amizades, sinto que tive bem mais quando tinha lá meus vinte e poucos anos. Hoje em dia tenho bons amigos, que se eu precisar e ligar eles me socorrem na hora. Mas esses mesmos amigos nunca estão disponíveis para sair, para um chopp, para uma visita. Acho que a vida meio que nos afastou.

    E sinceramente não acredito que ninguém fique bem com tanta solidão. Tem horas que me cansa bastante, mesmo eu tendo uma boa resistência, mesmo eu estando acostumada com ela.

    Aí muitos me dizem, procure novos amigos. Eu procuro, mas encontrar bons amigos não é algo fácil, você encontra conhecidos, pessoas sem nenhum compromisso emocional contigo. Amigos mesmo é coisa rara.

    E para somar ainda tem o bendito problema de voz que me tira a possibilidade de interagir em vários ambientes.

    Enfim não sei muito bem o que fazer mas uma hora eu acho uma solução, ou não... rsrs.

    Desculpa o desabafos no seu post, mas acho que precisava dizer isso.

    Beijocas

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  10. Viajei com seu texto, Nina...
    Nem sempre temos o privilégio de estar ao lado de amigos, porque cada um tem sua vida, segue seu caminho... E ficamos com vários sábados solitários.
    É preciso segurar a onda nesses momentos. Cair no desespero é fácil. Mas a gente precisa se enfrentar e lutar com as angústias que carregamos, e para isso, nada melhor que um sábado solitário...
    Beijos!
    Márcia

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  11. oi Nina...
    Você percebeu peolos retornos que muitas de nós estamos no mesmo barco... neste momento da minha vida, estou sentindo muita solidão, tem amigos que imaginei que iriam sentir com a minha ida, e até agora nem se manifestaram... Encontram comigo e nem perguntam como estou com toda esta mudança, parece que estou indo ali sabe do lado...
    Bom, temos que lidar com isso não é!
    Gosto muito desta frase:
    "É sobretudo na solidão que se sente a vantagem de viver com alguém que saiba pensar."
    Jacques Rousseau

    beijos e bom domingo Nina...

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  12. Nina
    Voce é uma grande escritora. Faz com que eu entre em seu texto sem temor.
    E ainda consigo pensar em mim.
    Eu gosto da solidão. Sempre gostei.
    Mas aqui em casa somos seis. E quase sempre tem alguem por perto.
    Mas agora estamos mudando para outra cidade e me senti assim, sozinha no meuio de muita gente que nao conheço.
    Não gostei do que senti.
    E agora estou apavorada.
    }Mas sei que tenho que ir!
    com amizade e carinho de Monica

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  13. ah, eu comecei meu blog com um amigo q raramente aparece. eu adoro ficar em casa, curtir a casa, filmes, livros, internet. adoro poder ficar sozinha, não totalmente pq minha gata qd acorda, anima a casa tb. beijos, pedrita

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  14. Oi Nina
    Sabado na NET é devagar, todos estão de alguma forma no mundo real e muitas vezes, curtindo um pouco por estar só.
    Entendi a conexão que fez com sua juventude e sua volta a realidade atual, movimento bem saudável de percepção.
    bjs

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  15. Oi Nina, gosto de ficar sozinha,muitas vezes,mas sabendo que minha turminha vai chegar ,adorei o texto.Imaginei todas as cenas.
    beijos

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  16. Nina, como todos, me identifiquei com o texto. Já senti solidão e realmente não é agradável. Aos poucos temos que nos acostumar com a própria companhia. Os filhos vão seguir com a própria vida...
    Essa solidão inquieta é interessante...a falta de adequação...acho que todo mundo tem e passa por isso mas eu volto naquele tema do amor. Encontrar esse ponto em nós (e ele existe)onde nos apoiamos, nos acarinhamos, nos damos colo, encontrar isso em nós nos prepara e amadurece para as mudanças que virão inevitavelmente com o decurso da vida.
    É bom demais ter a companhia da família e dos amigos, é realmente algo que nos estrutura mas primeiro temos que começar em nós. Encontrar dentro de nós esse lugar onde ficar é extremamente confortável e acolhedor...é um processo :)
    bjs

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