01/12/2010

Café com mamaes

Todo mundo costuma falar do alemao (ou mesmo do europeu em geral), classificando o povo de frio, de poucos amigos,  que é chato, que é isso que é aquilo, né? Engracado, eu nao vejo assim nao. Tá certo que eles sao muito mais retraídos que nós (mas também, quem mandou a gente ser esse palhaco de povo que somos?? É, palhacos tristes, eu acho que a gente no Brasil é alegre, mas ser alegre, nao significa, ser feliz...certo?). Mas aqui, eu nao os acho distantes ou frios. Interessante é que mesmo entre eles, é isso o que eles pensam; "ah alemao é muito frio"... mas sinceramente, ou eu tenho uma visao muito romantizada desse povo ou tenho sorte. O que vejo é gente muito do bem em minha volta. Sao muitas poucas as vezes que tive outra impressao, acho que tive, em 4 anos, duas experiências nao muito agradáveis...  e só.
Afinal um povo que sempre se abraca ao se encontrar em vez de dar beijinhos (eu acho isso tao lindo!! e tao próximo...) nao é nada frio, nada distante... e olha que é um abraco gostoso, quente, terno... um povo que anda com um sorriso no rosto pela rua, nao é um povo que quer distanciamento, ou é? Eles andam com sorriso no rosto, e procuram o olhar do outro na ruas,  minha gente!!!

Tá certo, eu moro numa cidade pequena, mas de cidades pequenas a Alemanha tá cheia e ela é feita disso, afinal. Também devo levar em consideracao que moro mais pro sul do país, o que significa, mais povos misturados, o norte é bem mais fechado pro novo, com algumas excecoes.

Porque to falando isso? É que na gravidez do Pedrinho, fiz um curso oferecido pela maternidade chamado  curso de preparacao pra o parto, e depois do parto, fiz um outro que era uma mistura de  ginástica pra fazer o útero voltar a posicao normal,  onde a gente trocava conversas sobre os nossos bebês e tirávamos nossa dúvidas em geral, acompanhadas de uma maravilhosa parteira (um dia tenho que explicar o que significa parteira neste país, é lindo o que elas fazem aqui!). E nesse curso haviam 11 maes, contando comigo.
E no fim do curso de 8 semanas, a gente combinou de sempre manter o contato, assim nossos filhos cresceriam mais ou menos juntos. Sugeri um café (aqui tudo é Kaffeetrinken, ou seja, tomar um café juntos pra conversar e comer uns bolinhos gostosos) e todo mundo concordou na hora. Na próxima semana, já havia um convite de uma das maes, e lá fomos, todas nós, pro café em sua linda casa. Depois de três semanas, resolvi fazer aqui em casa. Eu imaginei, ahh, vai, nao vem muito gente nao e tal, mas conforme as horas iam passando, todo mundo ia confirmando a vinda, e logo vi que todas viriam. 
Foi com alegria que recebi minhas 10 amigas alemas, ooops, nem todas sao alemas, 2 sao turcas (maioria de estrangeiros aqui...). Todas muito alegres em se reencontrar, muitas trouxeram presentinhos e tivemos uma tarde agradável entre chorinhos, gritinhos, risinhos, apartamento cheio de cadeirinhas de carro pra bebês e cheiro de café e chá  pela casa toda... e bolos, muitos bolos.

Fiz uns paezinhos de queijo (eles adoram quando faco  minhas receitinhas brasileiras), pudim de leite condensado, bolo de chocolate, bolo de ameixas e um de blueberry (gente, que bolo delicioso, to virando uma boleira, e nem sabia que podia). Elas se surpreenderam por eu ter feito tudo sozinha, mas Pedro estava bem simpático e colaborou com a mamae dele nesse dia.   

Aí, no fim do dia, tinha ido quase tudo. Elas chegaram falando: Nina quanto coisa! mas comeram quase tudo e ainda pediram receita dos pratos brasileirin...
No café da manha só sobrou isso aqui pra fazedora de bolos...


E já tem um próximo encontro marcado... e todas já confirmaram a ida. 

Sao essas coisas que me fazem pensar o quanto esses clichês sao bobos. Eu acredito mesmo, que a gente dá o que recebe. Se você vive de cara amarrada, resmungando pelos cantos e criticanto tudo o que vê, o que você espera receber em troca??  Putz, eu acho a vida tao linda, e ela pode ser tao curta, pra que encucar com tudo???
Sabe, às vezes eu tenho a impressao de ser burra, vejo tanta gente encontrando pequenas coisas pela vida, fazendo posicionamentos críticos, fazendo declamacoes e descobertas, vendo coisas escondidas, tendo um olhar astuto sobre tudo, e eu ainda vendo tudo meio cor de rosa, mas aí eu penso que isso nem sempre é bom. Você passa a ser tao carrancudo, negativo até... e talvez nem veja mais a beleza nas coisas simples, nao percebe o sorriso do vizinho, a beleza de uma música, um livro bom, uma saidinha com um amigo, um abraco do marido, dos filhos, sei lá... acho que ser menos crítico e mais solidário, se sentir grato pelo que tem, ser mais risonho, reclamar menos das coisas, falar e prometer menos e AGIR mais, pode ser o  segredo pra uma boa convivência. Seja em Freiburg, em Sao Paulo, em Paris, em Mumbai, em Praga, em Bogotá, em Manaus...
 

8 comentários:

  1. Nina querida, tá ficando boleira como eu :)
    Que delícia de encontro com as amigas-mamães-alemães-ou-turcas! Adoro seus insights, realmente somos responsáveis pelos bons momentos da vida! E temos que sempre cultivar estes laços, estes encontros... ao invés de esperar o primeiro convite!
    Tenha um bom dia lindinha!
    Márcia

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  2. Nossa Nina que linda declaração de amor e ensinamento.

    Quando vc tah fora do seu pais, não deve fazer comparações, pq nunca vai ser igual. Vc deve buscar as coisas boas que esse pais pode te proporcionar. É fácil conquistar uma pessoa, basta olhar pra ela com um sorriso daqueles e dizer: GUTEN MORGEN!

    Na alemanha eles são romanticos sim, quando vc vai comer na casa de alguem eles deixam tudo tão bonito pra te receber, uma mesa linda com velas romanticas, comida deliciosa, bolo maravilhoso....
    Fazem de tudo pra te fazer feliz!

    Nina, conheci Viena....
    Vou mandar e=mail com fotos....


    Super beijo.....

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  3. Tenho ótimas amigas alemães. Acho que cada pessoa tem experiências diferentes, e que toda regra tem exceção. Já encontrei muita gente chata, grossa tanto na Alemanha como no Brasil.
    Acho que o povo alemão é diferente do povo brasileiro e ponto. Não quero ser igual a eles, e acho que eles não querem ser iguais a mim. Ufa, ainda bem.
    O importante é conviver bem com as diferenças e não discriminar as pessoas em qualquer lugar do mundo por pensar diferente uma das outras.
    Quero a receita dos bolos.
    Bjks

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  4. Concordo contigo Nina. A partir do momento em que voce cria um laco com alguem aqui eles sao tao sinceros e verdadeiros, a gente sente isso nos pequenos detalhes, nas entrelinhas.
    Fico imaginando esse curso, deve ser engracado.
    Nina, eu AMO bolo! Fiquei babando aqui com o tanto de delicias que voce fez, imaginando o cheirinho de cafe e cha.
    Ahh para mim nao ha cha melhor do que os Alemaes. Mas eu so tomo o de frutas, qdo vem com essencia de baunilha... huumm, para mim e o melhor. Mas dizem que quem gosta de cha de frutas nao e o verdadeiro bebedor de cha. rsr Faz sentido, tirando por mim.

    Seguindo o caminho das suas amigas, depois passa uma receita de um bolinho supimpa pra gente. ^^

    Um otimo dia para voce! =)
    bjim

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  5. Oi Nina!
    Muito obrigada pela sua enorme manifestação de carinho! Amei sua visita e conhecer você e seu blog!
    Então vambora arregaçar as mangas e partir para as mudanças! Muito sucesso pra você!
    Bjos e até mais!

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  6. Nina, eu acredito em você. Acho mesmo que temos a triste mania de rotular tudo, principalmente pessoas. Rotulamos o que não conhecemos e aguamos o bom da vida...
    Eu adoro, amo mesmo Nina, estes encontros de amigas. Eu tinha o meu grupo querido quando morava lá em Belém. Meu Deus, como era bom! Uma verdadeira terapia! Infelizmente, aqui em Floripa, no meu ambiente de trabalho, nunca consegui fazer parte de um... Trabalho em um ambiente extremamente competitivo, onde ninguém se permite confiar em ninguém. É triste, mas depois de algumas "pancadas" vi que eu não poderia romancear, para continuar tendo o meu ganha pão.
    Sinto muitas saudades desse clima gostoso entre amigas, seja as que estão se descobrindo - como este seu novo grupo - ou seja daquele de amigas-irmãs que se conhecem só no olhar...
    Mas não há de ser nada. Não me fechei, apenas estou cuidando para deixar entrar apenas quem tem bom coração e boas intenções.
    Um beijo e obrigada pela resposta a minha pergunta, lá no bloguito.

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  7. Nina...

    Vim conhecer seu outro blog... E encontro uma história linda.
    (Que me mostrou uma coisa que hoje me deixou super em dúvida) E só tenho a agradecer porque o seu post foi a resposta.
    Parabéns a uma pessoa que eu chamo de cidadão do mundo! Acho que você é uma dessas pessoas. Que representa a diversidade... a disseminação da informação.

    Sinceramente. Vir aqui hoje foi uma resposta, e eu te agradeço muito por isso, Nina. Tua escrita e o teu texto.

    Beijo

    Carla

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  8. Nina, queridona!
    Eu também amo estes encontros, sempre fui chegada a isso e quando não faço em minha casa, chamo a algum lugar bonito e aconchegante ou levo para a casa de uma amiga querida. Semana passada mesmo fiz com a Glorinha e levei um bolinho de tâmaras para nosso lanche. Ela amou e já me pediu a receita.
    Você tem toda razão em frisar no final deste belo post o que nos faz feliz, afinal são pequenas coisas, mas que com o dia a dia corrido, as pessoas vão esquecendo de exercer.
    E eu não acho o alemão fechado não, convivi muito com eles lá em Petrópolis e são alegres às pampas.
    (gostou da gíria antiga?) hehe
    beijinhos cariocas

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