09/09/2009

Na Terra dos Faraós com os Beduínos

Um dia que marcou muito fortemente minhas férias, foi exatamente o dia que passamos no deserto. O Egito é um dos muitos países que estão no meio do deserto do Saara, mas não foi nesse deserto propriamente dito que estivemos, mas sim num dos desertos de pedra. Existem vários tipos de deserto...

Os jeeps nos buscaram no hotel de manhã e passamos mais de uma hora dentro deles, num calor de louco e num balançar de peitos e barrigas impressionantes. Já começava ali nossa pequena aventura, entre muito areia, pedra e um calor de 47 graus, na sombra!
O motorista que só falava árabe brincava com a gente enquanto pulávamos atrás com seus solavancos e gritava: "Safari safari!!!"

Sim, 47 e até mais, mas na verdade, estava mais fresco do que todo o nosso grupo pensou, muitos se entreolhavam surpresos, com o fato de não estar assim, tão quente quanto imaginavam.

Passamos o dia todo entre um grupo de família de Beduínos, ou seja, o povo habitante das terras abertas ou povo da tenda, como são conhecidos, são na verdade nômades que vivem nos desertos do Oriente Médio e norte da África.

Fomos recebidos com uma mistura de chá preto quente com café verde (aliás, essa é uma tradição, quando você chega do calor, você deve sempre ser recebido com uma bebida quente, porque prepara seu organismo contra o calor exagerado do lado de fora), pão árabe feito na hora e queijo fresco. Uma delícia!

Aqui o preparo do pão



O Beduíno é um povo que vive agrupado, e permanece no lugar escolhido com suas tendas armadas até que a água reservada se esgote (segundo o guia que nos levou, nesse lugar que estávamos, fazem 13 anos que não chove!) então, ele parte pra outro lugar, levando consigo alguns pertences e deixando sua tenda pra outra família que vier.
Falam o árabe e estão tão adaptados a vida dura no deserto, que impressiona. Pra gente, é complicado imaginar tal situação, mas eles são como os índios da minha terra pra mim, aquele é o ambiente deles, eles cresceram ali, e não tem vontade de sair. Muitos partiram e voltaram ao deserto...



O de camiseta do Bob Esponja me disse um momento: "Eu to entediado! Sabe porque?? Porque aqui só tem camelo que só podemos dar poucas voltas, carneiros que só fazem méééé, pedra e areia..."

Mas enfim, acho que foi só o pequeno que se sentiu entediado. Afinal, foi um dia inesquecível. Andamos pelos caminhos rochosos e de areia, de uma maneira que não cansava, não doía, a cada canto, uma história, uma lenda. As pessoas nos mostravam suas casas, seu modo de viver, as crianças ficavam ao redor da gente, e claro, comigo, sempre brincavam, eu que adoro menino por perto, fiz a festa com a meninada, tão queridos, todos!!


Do Beduíno, diz-se, que é um povo mais rígido, menos aberto às coisas novas. Se é verdade, eu nem sei, a única coisa que vi é que de fato, as mulheres não falam nada com os forasteiros, elas ficam sempre caladas, com seus olhos vivos e desconfiados, por debaixo das burcas pretas (elas usam preto, segundo a explicação do nosso guia, porque o preto aparece rapidamente no deserto, e se um homem vê a mulher, de longe reconhece e não chega perto, só se aproxima se algo estiver incomodando a mulher, mas só no caso de ela levantar um tecido branco, em sinal de pedido de socorro, estranho pra nós, não??) Na verdade, os meninos e homens falam muito, se aproximam, riem, mas as mulheres se mantém à distância, trabalhando ou falando com outras mulheres.

O animal mais presente na vida de um beduíno é de fato, o camelo. É ele quem faz a viagem longa carregando os pertences dos seus donos e ainda levam pra cima e pra baixo os turistas curiosos, como eu por exemplo.


Passear de camelo é bem bacana, você só deve segurar firme com uma mão, a parte da frente e com a outra mão, a parte de trás que ele tem preso às costas, porque o movimento que ele faz ao descer e subir pode ser meio violento. Depois que ele levantou, basta curtir o passeio... hmm, talvez só o cheirinho enjoado incomode os mais sensíveis...

E depois do passeio de camelo, só resta a você aproveitar o caminhar, olhar pras rochas incríveis que aparecem pelo caminho

pras montanhas enormes que estão rodeando você



para algum verdinho que surge no caminho e pro céu, sem uma nuvem sequer...


Aliás, da folha desta planta acima, os beduínos fazem sabão, basta um pouco de água e esfregar a folha na pele que você tem sabão líquido na hora...

Se eu fechar os olhos ainda posso ver e sentir aquele lugar. Foi um dia belíssimo!

No fim da tarde, os homens se juntaram e cantaram pra nós depois de termos jantado juntos, jantar que eles prepararam



Sem mulheres por perto, infelizmente, elas deveriam estar em seus aposentos...
* * *

No fim dos post, apresento a minha paixãozinha, Philip, um menino nascido na Sérbia (como chama isso mesmo?) mas que mora na Áustria, meu companherinho de viagem, queridíssimo, que no fim, ainda no carro perguntou: Wie heißt Du eigentlich? (como você na verdade se chama?) Eu disse meu nome e ele: "Ok, Nina, até logo!" Do jeito mais doce que um menininho pode dizer...

De fato, um dia lindo!

9 comentários:

  1. Nossa, realmente é apaixonante. criança é coisa bacana mesmo.
    Um abraço !!!!!

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  2. Ninocaaa, saudade de tu muié de Deus!!!
    Tu é chique demais Nina, tua pose subindo no capelo tá sensacional!!!
    Nossa quantas coisas vividas né? Adoro essas experiências de coisas tão diferentes assim, elas sempre enriquecem o nosso espírito.
    Beijos e beijosss!!

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  3. Encantada com seu relato tão lindo!
    É bom saber ver o novo com olhos sem preconceitos!

    beijos!

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  4. Nina,
    Que coisa linda esta tua viagem e ainda por cima rodeada por estes serezinhos maravilhosos que são as crianças!
    Alguma coisa se assemelha a este nosso imenso Brasil, talvez a imensidão das terras, o calor da Amazônia, não sei..
    Veja lá no blog o site que deixei de presente para meus leitores e a você, especialmente, filha genuína das terras amazonenses.
    beijos cariocas

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  5. Amiga que ferias maravilhosas hem! To feliz por vc. As fotos ficaram ótimas. Bjos

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  6. Nossa Nina! Estou acompanhando teu relato e achando mais emocionante que novela das 8. Amanhã tem mais um capítulo?
    Beijos!

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  7. Voce deveria ser historiadora.
    Eu amei o que contou!
    Com carinho
    Monica

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  8. Quando meu pai era jovem, ele tinha um jipe, e até hoje ele fala que pulava mais do que cabrito :-)))
    Ai, Nina, 47 graus na sombra já arrasava comigo! Minha nossa, que caloooor!
    Que show que vocês puderam conviver com os beduínos: eu acho o máximo a interacao com culturas tao diferentes!
    E a pergunta que nao quer calar: como eles sao um povo nômade, como funcionam os banheiros deles? Nao tenho a mínima idéia!
    Beijoquinhas, Angie
    P.S. A foto de você no camelo tá ótima!!! Momento Mastercard total!!! :-)
    P.S.2 Que fofas as fotos das criancas!!! Muito doce, Nina :-)

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