17/07/2009

As muitas guerras e a força de um povo

O meu curso já tá quase no fim, semana que vem, acaba. Tenho aprendido tanta coisa nova, entendido mais sobre o país e sobre a cultura de outros também. A gente sai de cada aula mais enriquecido interiormente. É como se você sentisse algo se expandir dentro de você. Dominar um novo idioma, por exemplo (ok, não tão dominado assim, como eu gostaria) faz isso dentro da gente, a gente expande por dentro, é como se algo aumentasse de tamanho. Você se abre pro novo, não cria barreiras, ao contrário, derruba as barreiras que existiam, e passa a ver sua auto imagem melhorada pra si mesmo, estar aberto para o novo...
Quando trocamos os óculos uns com os outros, a gente passa a ver algumas coisas através de outros ângulos. É dessa maneira que o livro que usamos pede pra fazermos, trocar os óculos uns com os outros, já que cada um vem de países diferentes, o que antes eu pensava de um país, ao trocar as minhas lentes com outros, eu vejo através dos olhos deles, e eles através dos meus, e assim, sucessivamente, cada um vai entendendo que conceitos como maior conhecimento da nossa própria cultura e principalmente, tolerância, com as diferencas, devem obrigatoriamente, fazer parte da vida de cada um.

Anteontem, a professora mais legal e querida (são duas) chegou perguntando se estávamos preparados pra aula do dia. A famigerada aula de História da Segunda Guerra!! Ela se permitiu falar com a emoção, coisa não muito comum aos alemães, e aula transcorreu de uma forma tão bonita, emocional e forte, como nunca, em toda a minha vida numa sala de aula, tinha presenciado. Quando a gente tem aulas de História, na escola, o professor dificilmente consegue chegar no coração do assunto, é algo totalmente diferente quando você ouve a história da boca de alguém que viveu aquilo. É claro que a professora não era viva nos anos de 1933 a 1945, mas seus avós, seus pais, seus familiares viveram tudo aquilo.

O jeito da professora contar os fatos, complementados por ela ser uma pessoa muito emocional, fazia com que me arrepiasse da cabeça aos pés. Não somente pelas maldades aprontadas pelos nazistas, que já conhecemos tantos de livros e filmes, mas também, por exemplo, os pequenos e poucos grupos que tentavam lutar de alguma forma contra o acréscimo de poder que Hitler começava a ter, como por exemplo, o Weiße Rose

Aqui Sophie Scholl, seu irmão Hans e o amigo Christoph, que faziam parte da "Weiße Rose", Rosa Branca, estudantes universitários que apenas distribuiam panfletos e foram guilhotinados pelo governo ditador da época (no governo onde o regime é ditatorial, não há democracia, é claro, você sabe, as pessoas não tem o direito de falar sua opinião, há censura, como já vivemos no Brasil e muitos somem sem deixar rastros).

Também pela comoção do pós- guerra, ou a Hora Zero, que é como é chamado o momento depois da segunda guerra, onde as pessoas foram ver o que havia sobrado das suas cidades, onde os homens todos haviam morrido, ou estavam desaparecidos, ou ainda presos, e as mulheres tiveram que recomeçar as construções das cidades... sozinhas! Essas mulheres eram chamadas de "Trümmerfrauen", ou seja, Mulheres das Ruínas!




O jeito da professora contar as coisas, era muito forte, bonito, interessante, eu não conseguia tirar os olhos daquela professora bonita, nova e que já presenciou e ouviu tanta coisa, como por exemplo, a construção do muro de Berlim, em 1961, que foi levantando tão rapidamente, assustando os moradores da cidade, que ainda não sabiam das outras dificuldades pelas quais passariam



e a queda daquele que dividia a cidade em quatro setores e separou tanta gente, tantas famílias e amigos, que ceifou a vida de muitos que tentaram atravessá-lo, por longos anos...


A História da Alemanha é impressionante, e precisaria de muito tempo e um longo post pra tentar explicar pelo menos uma parte dela. Parece ter sido um país que saindo de uma dificuldade entrava em outra, saía de uma guerra e entrava numa outra (leia-se Primeira e Segunda Guerras e a Guerra Fria).

Observando o que a História nos mostra, dá pra entender direitinho, de onde vem toda a força desse povo...


15 comentários:

  1. Você já viu o filme 'The Reader', Nina? Aborta de um jeito diferente a Segunda Guerra Mundial (ou algo que aconteceu nela).
    Beijos, Angie

    ResponderExcluir
  2. Nina como disse Einstein quando a mente se expandi ela não volta mais a seu tamanho original. Eu adoro estar numa sala de aula e história é tudo de bom!
    Beijos menina!

    ResponderExcluir
  3. Vixe esqueci de assinar o comentário acima. hehhehe

    ResponderExcluir
  4. Nina,
    Me arrepiei lendo seu post. A história da Alemanha é marcada por muita superação, é impressionante como foram capaz de se reeguer em meio a tantos destroços, emocionais inclusive. E como este povo ainda paga caro pelos erros cometidos por outros no passado... eu não tinha noção do preconceito até conhecer o Michael.
    A sua aula deve ter sido interessantíssima... obrigada por compartilhar aqui um pedacinho da experiência!
    Bjão!

    ResponderExcluir
  5. Que bom que esta aula se estendeu por aqui...Acabamos aprendendo também, e de um jeito que só a sua sensibilidade poderia fazer!

    Beijos com carinho,

    Rê.

    ResponderExcluir
  6. Realmente Nina só mesmo conhecendo a historia de um povo a fundo é que temos noção de todas as dificuldades que todos temos seja qual for a nacionalidade!!
    beijos Nina.

    ResponderExcluir
  7. Interessante , eu gosto muito de historia ,e sempre entrei em conflitos por causa de alguns colegas estúpidos eu achavam Hitler " o cara ". Se alguem dissesse que o anticristo esteve na terra ele seria o primeiro nome da minha lista . Por mais que o tempo passe sei que essas marcas não deixaram esse povo. Com relação a sua professora eu tenho uma igualzinho mas ela ensina teologia , a forma como ela fala faz com que vc sinta cada palavra que vc esta ouvindo , muito cativante, profundo !
    Obrigado por compartilhar sua aula conosco, um bom final de semana !

    ResponderExcluir
  8. Alemanha de Hitler, pavor só de lembrar. Hoje me angustio pelas mulheres do Afeganistão. Bj

    ResponderExcluir
  9. Nina,
    muito lindo o post, o jeito que vc contou o que aprendeu.
    Eu sou muito impressionada com a história da Alemanha, isso que não sei nada, só o basicão!
    Bjo e ótima semana.

    ResponderExcluir
  10. realmente, Nina.. lendo assim a gente realmente enxerga as coisas por um outro angulo que os livros não conseguem nos fazer ver!!!

    interessante mesmo!!

    ResponderExcluir
  11. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  12. Nina apesar do tempo corrido com a Lara dodoi, não podia deixar de dar uma passada aqui nesse dia do amigo pois a considero como tal. apesar de longe vc mora em meu coração e no da Larinha também!!
    beijo grande minha amiga teadoro!!!!!

    ResponderExcluir
  13. Mana é como ouvir nossos professores falar da ditadura. Certo que nao ha comparacao holocaustica, mas a emocao é VIVA

    ResponderExcluir
  14. Ahhhh esses cursos sao muitos bons! E parecido com o que eu fiz aqui, mas da Belgica, a gente aprende de tudo um pouquinho sobre o pais, o antes, o agora, os sistemas, a gente fica mais por dentro. E bacana mesmo, e um conhecimento tao gostoso de receber e ainda a gente faz amizades de outros paises e quebras barreiras e pre conceitos loucos que tinhamos antes. A gente vai mudando um pouco. E muito gostoso! E imagino o quanto saber sobre a Alemanha deve ser intenso. O amore gosta muito da Alemanha e ele sempre me conta historias e eu fico super atenta a tudo! E muito incrivel! So de pensar no muro ja e uma loucura total ne? Imagina!!!? Nuss!!

    ResponderExcluir
  15. Olá!
    Gostaria de lhe convidar a conhecer meu blog. Comentários são muito bem vindos! Se gostar siga-me e seja meu amigo.
    E*Ma* - http://ema-ranhados.blogspot.com

    ResponderExcluir