15/07/2008

Uma pequena grande diferença

Laura e João a partir de setembro, estarão em nova escola, porque é quando recomeçam as aulas após as férias de verão, que já estão batendo à porta de casa e que duram cerca de 2 meses.
Até aqui, eles frequentaram uma escola especial para estrangeiros, com ênfase no aprendizado do idioma.

Ontem fomos matriculá-los e pra essa tarefa importantíssima, bastou eu preencher uma folha com nome e endereço, assinar um documento dizendo que eu concordava com alguns pontos relacionados a comportamento do aluno em sala de aula e pronto, João já estava matriculado. Para Laura foi ainda mais fácil, bastou ela conversar com a pessoa responsável em receber os alunos pretendentes (ela queria verificar como estava o idioma da Laura) e preencher um papel com alguns pouquíssimos dados pessoais, e também Laura já estava matriculada.

A Alemanha é um país altamente burocrata, adora um papel, tudo tem que ser muito, extremamente certinho, mas com relação a criança e escola, o negócio é diferente.
O sitema de educação é outro que no Brasil. Primeiro que criança é obrigada a ir a escola a partir dos 6 anos (mas no Brasil também é obrigatório, não é?). A diferença é que, se os pais que não mandam suas crianças a escola forem descobertos, é capaz de irem parar na cadeia. E se essa for a lei, esteja certo que os pais irão ser presos, mesmo! O sistema também é outro, eles dividem as escolas em categorias a partir da quarta série, Hauptschule, Realschule, e Gymnasium, da menos boa em direção a melhor, respectivamente.

Geralmente quem faz a Hauptschule não vai ser muito bem visto profissionalmente, por exemplo (se compararmos, é como se o aluno tivesse feito a escola pública, aquela meio ralé no Brasil), a Realschule é muito boa e o aluno pode fazer um curso técnico depois, já o Gymnasium, é considerada a melhor, e onde o aluno mais ou menos decide por si só o que vai fazer depois, podendo ir pra uma universidade se assim preferir. Detalhe: obviamente sem vestibular! esse teste atrasado e burro, não existe aqui. A universidade infelizmente, deixou há pouco tempo de ser gratuita.

O aluno ainda tem a chance de, se por acaso estiver numa escola não muito boa, como a Haupt, e mostrar muito esforço e progresso no decorrer do período letivo, mudar de escola em seis meses, porque ele é constantemente avaliado. Podendo também acontecer o contrário, se ele estiver numa escola boa, e não se esforçar, ser enviado pra uma outra menos boa.

Quando a professora ontem, perguntou a que tipo de escola Laura fez no Brasil, ela começou a explicar sobre escolas públicas e particulares. A mulher ficou desorientada e acabamos explicando que não dá muito pra comparar os dois sistemas, porque aqui toda escola é grátis, não importa quanto de dinheiro você tem no bolso.
E isso ela não iria entender mesmo.

Aqui quem decide pra qual escola o aluno irá, são os professores que se reúnem e observam durante o período escolar, como o aluno se saiu no geral.

Infelizmente no Brasil é o dinheiro que fala mais alto, é ele quem decide pra onde o aluno vai. Aqui é o que você sabe, é o que você adquiriu no decorrer do seu aprendizado, é o quanto você é esforçado, o quanto de boas notas você acumulou. O quão bom foi o seu relacionamento com seus colegas e professores.

Essas são coisas que estão começando a mudar no Brasil, eu sei, mas talvez pra uma determinada pequena parte da população, para determinadas regioes do nosso Brasil enorme. Não para todos os brasileiros.

Ontem saí das escolas feliz por meus filhos poderem passar de fase, e agradeci a Deus por isso. Ao mesmo tempo que me entristecia ao constatar as grandes diferenças que temos entre os dois países. Ao ver que bastou um papel preenchido com dados como nome completo, país de origem, e telefone de casa, pra matricular meus filhos, enquanto no Brasil temos que levar todos os documentos dos filhos, do cartão de vacinação, ao comprovante de residência, provar com detalhes que podemos pagar a escola (quando esta é particular), ou ficar em filas absurdas desde a madrugada pra conseguirmos uma vaga, quando esta é uma escola pública.

E em ambos os casos termos uma educação pobre.

Dói perceber que os alemães, os suiços,os franceses, os belgas, etc, não são mais inteligentes que os brasileiros, como muito se pensa erroneamente por aí, eles têm apenas melhores chances.

Pequenas grandes diferenças.

13 comentários:

  1. Oi, Nina...
    Que delicadeza sua página!
    Imagina vc invadir meu espaço.
    Abri este blog justamente pra poder ouvir pessoas de fora do meu convívio, pois já não aguentava mais tantas opiniões tipo, "se eu fosse vc faria isso", "se eu fosse faria não faria isso"... E por assim vai.
    Menina, desculpe a expressão, mais é f... tudo que estou passando. Tem hora que tenho vontade de sair correndo, gritando e surtando, mas meus meninos é que me trazem à lucidez. E tenho pouquíssimas pessoas com quem contar a não ser comigo mesma. E agora com vcs, é claro!!
    Olha... e apareça mais vezes.
    Confesso que vcs estão se tornando uma amigas e tanto.
    Bjs
    Flavinha
    P.S.: Posso colocar um link da sua página na minha?

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  2. Educação...Esse é o assunto que mais me preocupa no Brasil e eu só posso me revoltar com a situação que temos aqui.
    Acho um absurdo termos analfabetos em pelo século XXI, um absurdo crianças trabalhando invés de estudar, pessoas que chegam à faculdade e nem sabem empregar "para mim, para eu"
    Isso me entristece demais!

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  3. EDUCAÇÃO: o futuro de cada nação depende dessa palavra, pois eh, infelizmente em nosso querido Brasil ainda não temos a educação como prioridade... não sei até quando os nossos governantes irão continuar deixando "isso" como segundo plano, quer dizer, nós sabemos o motivo disto, certo? pois eh, qto mais gente sem educação, sem saúde, sem voz ativa, melhor para os governantes (os politiqueiros) que visão apenas seus interesses e esquecem do povo, na cidade, da nação... essa eh uma realidade triste que se vive em um país tão lindo e cheio de potenciais como o nosso tão qurido Brasil... Bjs!!!!

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  4. uma pequena correção do texto acima... em vez de "visão" mudar para "visam"... Bjim!

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  5. Oi Nina...
    Nossa que diferença hein?!
    Mas é claro que para os presidentes é melhor deixar assim, pois se melhorarem os estudos as pessoas ficarão mais inteligentes e não vão votar neles, pois saberão que eles não são bons...
    São, como voce mesma diz, pequenas grandes diferenças...

    Ps: Que folga, dois meses de ferias, nós só temos 2 semanas...

    Beijos*

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  6. Nina,
    sonho desde semmpre com uma educação de qualidade na escola pública, pago escola pros meus meninos, e dói no bolso viu?
    Pago por não ver outra solução, quero que eles sejam esclarecidos, quero que eles tenham condições muito melhores que eu tive, estudei em escola pública a vida inteira, mas tive professores apaixonados pela educação, nunca fiquei sem uma resposta, nunca fui "cortada" por ser curiosa demais nem querer saber demais.
    Que sonho isso que você escreveu, eu quero uma Alemanha no meu Brasil.

    Beijins

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  7. Oi, moça...
    Olha que nem percebi que meu e-mail estava errado.
    Mas já alterei.
    Pode me mandar um e-mail para fcalassa@hotmail.com (que é meu msn tb.)
    Bjs

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  8. Que diferença, hein, Nina?! Tomara que algum dia a educação em nosso país seja realmente prioridade máxima e de ótima qualidade para todos, sem exceção...
    Beijins

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  9. Nina,

    Meu sonho dourado é uma educação desse calibre pra minha filha, pois potencial eu sei que ela tem (modéstia a parte).
    Por muitas vezes tenho vontade de sair do país, dar um boa educação pra minha princesa.

    Olha só, quanto ao seu comentário que sumiu lá do blog, eu não sei o que aconteceu, faz o seguinte, escreve de novo pra ver se da certo agora.

    Bjux querida!
    Obrigada por todos os comentários e por sua delicadeza de sempre!

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  10. Você sabe que se há um assunto que me interessa,é Educação,não?
    Fiquei encantada com o sistema educacional alemão!Maravilhoso,esplêndido,incrível,diria até perfeito!Todos têm as mesmas oportunidades e são avaliados por seus esforços e desempenhos.É assim que deve ser em qualquer lugar do mundo.Eu,como estudante brasileira,sei o tamanho da diferença entre os dois sistemas.E não se engane-não está melhorando!As escolas públicas nem precisam ser comentadas e as particulares estão com um nível péssimo!
    Me sinto triste por não ter tido o ensino que sempre desejei ter,mas aproveito da melhor maneira o pouco que tenho.
    Parabéns à Laura e ao João por passarem para esta nova fase!Agora,será mais difícil,mas eles estão tendo uma chance maravilhosa de crescer!E você sente muito bem isso!
    Beijos! ;**

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  11. Nina só eu sei como foi difícil cursar a universidade por conta da falta de preparo. Estudei em escola pública a impressão que eu tinha era que tinha perdido meu tempo, mas graças a Deus e minha força de vontade minha filha teve uma escola melhor.
    Forte abraço sempre.

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  12. Pois é gente, educação é algo que tem mt pra mudar ainda no nosso país, mas olha o caso da Sônia. Ela mora no sul do país. É fato que nós temos dois países num só, não dá pra negar as diferenças existentes entre o sul e o norte.

    Tá certo que não deve ser 100% maravilha, lá também, assim, claro, como aqui. não pensem por favor, que a escola aqui é 100% boa, porque nao é. mas tbm é fato, que se compararmos, mesmo com o sul do Brasil, aqui a qualidade do ensino é melhor.

    mas esse é um tema difícil a gente tem que pensar que eles já são velhos,o continente aqui é antigo e eles ainda estão por aprender e muito, imagina nós aí, que estamos apenas comecando.

    mas ainda acho que o pior problema que mt de vcs comentaram é falta de escrúpulos em nossos governantes, é esse eterno empurrar com a barriga, é o repugnante desviar de dinheiro público... hmm, falei demais.

    * o negócio é pensar pra frente, e colocar em ordem tbm nossos próprios costumes e hábitos, pensar onde estamos tbm errando. e to falando aqui de educação nossa mesmo, com nossos filhos, para os quais somos exemplo.

    Beijos queridas

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  13. Nina, aqui também, pelo menos na teoria,pais que não mandam filho pra escola são presos.
    Eu pago uma escola católica particular para os meus filhos e todo ano tenho que passar pelo constrangimento de uma entrevista com a assistente social e providenciar dezenas de documentos e comprovantes.Mesmo assim só a Valon tem uma bolsa parcial, o Jujuba não.
    Na França há o baccalauréat, similar do nosso vestibular mas , de acordo com o Fabien, mais difícil porque conta com no minímo duas provas orais.
    Imagino que quando meus filhos estiverem na adolescência irão pra lá.Ou pelo menos a Valon que é a queridinha mor de sua grand mère.

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