22/07/2008

Aprender

Eu sou mãe há 14 anos (sei que não é muito quando comparado com mães mais velhas), mas em certas circunstâncias me sinto como uma mãe de primeira viagem.
Meus filhos estão na adolescência, e isso faz com que de repente aquele menino que sempre foi um docinho, meigo, carinhoso, vire um completo estranho pra mim.

„Ei menino, eu não te conheço. Que foi que você fez com meu filho que estava aqui ainda agorinha?? Devolva ele já!“

Por causa de algumas atitudes não muito corretas, o jeito é recorrer ao antigo, bom e velho castigo. Sorte deles que não têm uma mãe que vive na época da minha mãe, ou seja, que só conhecia o poder da palmatória de madeira nas mãozinhas pequenas ou do cinto de couro, que marcava as pernas das filhas magrelinhas. Putz, minha mãe não era fácil! E nós, os seus filhos, muito menos.

Mas voltando ao presente. O moleque precisa de correçoes de vez em quando. A última que ele me aprontou, foi fazer a professora telefonar pra minha casa reclamando que ele alegou não ter feito uma lição porque „tinha“ que ir ao treino de futebol!

Pequenas mentirinhas, é bem verdade, mas de pequena em pequena vai se tornando grande. E mentira é um vício, e se você pelo menos não tenta cortar pela raiz, pode apresentar sequelas graves no futuro.

Até uma certa idade, é até aceitável, quando a criança vive num mundo de fantasia, mas os pai devem ficar atentos com essa linha que divide a fantasia da mentira, ela é muito tênue.

Não é a primeira vez que ele inventa, por isso, a necessidade de fazer algo.

Pois bem, contando com hoje, são duas semanas sem o que ele mais gosta: o bendito Playstation.
A lembrança do brinquedo favorito veio à tona no sábado, quando ele comprou um novo jogo e quis testar na mesma hora. Eu com grande esforço me mantive firme. „ não senhorzinho, o seu castigo ainda não acabou, só pode jogar na quarta feira“. Ele ainda tentou me persuadir, dizendo que estava se comportando muito bem. E ele tem razão, mas se eu falei que era até quarta, não posso voltar atrás. Mãe tem que obrigatoriamente, mesmo que doa muito nela, manter sua palavra. Isso é extremamente importante, se você não mantém sua palavra, dá um motivo ao seu filho pra não confiar tanto em você, e até pra tirar sarro da sua cara quando ele achar necessário.

Depois de nos entendermos numa boa com relação ao joguinho, uma leve conversa surgiu:

Laura: mãe qual o objetivo do castigo?
Mamãe Nina: o de mostrar a criança que algo que ela fez não foi correto. O importante aqui é dizer claramente ao filho o porquê dele estar sendo castigado.
Laura: tá, mas se é a mãe quem castiga agora, quando formos maiores, vamos morar sozinhos, e nossa mãe não vai estar com a gente todos os dias, quem é que vai nos castigar?
Mamãe Nina: a vida filha, ela se encarrega de nos castigar quando fizermos algo de errado.
Laura: e vamos perceber quando estamos sendo castigados?
Maame:: ahhh mas não tenha dúvida!
Laura: você já foi castigada pela vida mãe??
Mamae Nina: iiiihh, e como Laurinha...
Laura: e o que você já fez de tão errado mãe, que precisou ser castigada?
Mamãe Nina: lá lá lá rrii lá lá rrririi lá lá...
Laura: rsrsrs, mas mãe, continuo sem entender a razão do castigo.
Mamãe Nina: você pode escolher o que quer, castigo ou peia, igual a vó Flora fazia, quer dizer, pra nós não havia opçoes, era só peia, mas você pode escolher, bom né? (mentira, eu odeio bater, tenho horror, nunca bati nos meus filhotes)....
Laura: não, pode deixar como está, prefiro castigo. Mas o meu castigo seria ficar sem computador né?? ai ai, dói...
João: olha Laura, o castigo é algo que tu precisa receber, sabe? Pra quando tu pensar em fazer algo errado de novo, tu lembrar e assim não faz. E aí, quando tu já for grande, já vai ter aprendido o que é errado. E assim tu pode castigar os teus filhos, e eles vão aprender o que é certo.
Laura:hhmmm

Mamãe Nina sorri e pensa feliz que eles entenderam.


Mesmo que não pareça, mesmo que eles fiquem muito bravos com a mãe hoje, eles amanhã vão agradecer os castigos que receberam, quando fizeram algo que não era correto. Criança sem limite é um adulto infeliz, especialmente quando percebe que não é o dono do mundo e nem da razão!

Eu agradeço até mesmo (hoje!) as peias que levei da minha mãe...

11 comentários:

  1. ai, Nina... Ser mãe não é fácil. Educar então...
    Teoricamente é tudo tão simples e tão fácl. Como existem livros que te ensinam a ser a mãe perfeita, faça isso, faça aquilo, não faça isso...
    Mas na prática tudo muda! Os livros não tem sentimentos, mas como lidar com o simples fato de um olhar pedindo desculpas depois de uma correção?
    É um trabalho árduo, duro (muitas vezes até sujo), mas que alguém tem que fazer, e neste caso, cabe à mãe fazê-lo.
    E a única coisa que queremos é que um olhar de gratidão, que saibam reconhecer futuramente, qual foi o papel da mãe na sua vida.
    Bjs amiga

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  2. Olá querida, te acho uma mãe maravilhosa, concordo com vc, os pais sempre querem o bem de seus filhos, logo se batem ou castigo eh por uma boa razão, um aprendizado... às vezes penso que não serei uma boa mãe, tenho medo de não ser, de não saber criar, ai ai ai... mas quando vejo o seu exemplo, imagino que ser mãe eh um momento mágico na vida de qualquer mulher, parabéns mãezona!!! Bjs e fica com Deus!

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  3. Eu sempre entendi o por quê do castigo, mas colocar isso em prática é difícil... Eu peno tentando controlar a pequena princesa indomável. Ela é geniosa, e vc não sabe o quanto...

    Bjux e obrigada pela lição do dia, minha "Super Nanny"!

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  4. Nina, não sou mãe, mas como filha já "adulta", e psicóloga q não exerce a profissão, reconheço o valor do castigo e como os recebidos por mim foram o meu alicerce da minha vida de hj. Como vc bem disse à Laura, a vida tb castiga, mas se vc aprendeu direitinho a lição de(em) casa (kkk), pode fazer escolhas melhores e tentar escapar destes castigos da vida... beijins

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  5. Nina, você tem toda a razão. Imagino o quanto deve doer em uma mãe colocar seu filho de castigo e privá-los de algo tão importante para eles,mas sei como ninguém como um castigo (limite) é essencial na vida de uma criança.
    Minha mãe recebeu uma criação rigída e por isso tentou nos criar mais liberalmente e deu no que deu.
    Meu irmão nunca teve limites, sempe se achou o dono do mundo e ele virou o cara mais doido que eu conheço.
    Sei que deve ser duro,mas será mais duro paraas mães se elas não tomarem essa atitude.

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  6. Nina, as crianças que hoje não têm limites até podem achar bom , porém mais tarde acham que não eram suficientemente importantes para que os adultos avaliassem o que eles estavam fazendo. É complicado? É. Mas alguém disse que seria fácil????

    beijos a toda a família boa de cabeça.

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  7. Oi Nina!!
    Sabe, acho que vc é um exemplo de mãe. Vc está certíssima!
    Tem que ensinar. E isto não é tarefa fácil.
    Mas vale à pena!
    Bjo grande, saudades!!
    Ah! Achei uma graça seu novo template! Eu também mudei o meu. Tava cansada do outro!
    =P

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  8. Eu sei que o castigo faz bem,hoje em dia sou tão realista devido aos que recebi.Lógico que viver também ajuda,mas um castigo ou outro na infância não faz mal!

    O que eu não suportava era quando minha mãe me batia...eu ficava com uma raiva enorme dela!Era horrível,porque eu era pequenininha e não sabia direito dos sentimentos:na escola falavam que se você sentir raiva da mãe,Deus castigava,mas era o que meu coração estava sentindo.Minha mãe nem sabe disso,mas todas as vezes em que ela me bateu estão guardadinhas na minha memória,e tenho pavor só de lembrar!

    Você faz bem com a Laura e o João.Ele sabe que você está fazendo o certo,mas nunca vai confessar.Eu mesma nunca confessei(e nunca confessaria).Sempre achamos que estamos certos.

    Beijos e sorte com o rebelde!

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  9. Ei meninas, vcs têm razão, fácil não é mesmo, mas talvez ai que esteja a beleza de educar nossos filhos. porque é mesmo uma luta. o mais complicado é ver que os valores estão trocados, é ter medo de ensinar valores que parece terem sido perdidos pelo tempo. Mas eu ainda sou das antigas e insisto nas coisa boas. mas vou falar, nao sou perfeita nao, igual a vcs, to aprendendo.
    Bom saber que temos uma Psicóloga (uma profissional e uma futura, Tânia e Carol)por aqui, agora podemos sentar no divã.. oba!

    Obrigada pelos eolgios a mamãe Nina, eu me esforço, é verdade, mas bem que eu preciso tbm de uma super Nanny, viu Marcinha, rsrs.

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  10. Oi Nina!

    Obrigada pela visita, claro que pode me linkar, tb vou linkar o seu blog!

    Comecei a ler seu arquivo e estou gostando muito!

    O que vc escreveu sobre quem é vc? o que fez com o meu filho?? lembrou-me muito do meu cunhado. Adolescência pode ser um perìodo negro.

    Felizmente a mentalidade das pessoas aos poucos evolui e hoje é um choque ver alguém batendo em criança. Isso é covardia, é humilhação.

    Beijos

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  11. Nina,
    sou uma mãe quase a moda antiga, ou uma mãe parecida com a minha, converso abertamente sobre tudo, tudo recebe uma explicação verdadeira ou muito próxima da verdade(afinal os meninos ainda são meninos- 9 e 3anos).
    Não me sinto culpada pelo que fiz, faço ou vou fazer.
    Castigo ou dou umas palmadas quando é necessário, nunca sem um bom motivo, e acredite, tem dias que os "anjinhos" resolvem que querem testar a minha paciência!
    Abençoada você que os seu meninos já entenderam o recado hehehehe


    Beijins

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