26/06/2008

Cora "Carol" Coralina

"Não sei se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,
Se não tocamos o coração das pessoas.

Muitas vezes basta ser:
Colo que acolhe,
Braço que envolve,
Palavra que conforta,
Silêncio que respeita.

Alegria que contagia,
Lágrima que corre,
Olhar que acaricia,
Desejo que sacia,
Amor que promove.

E isso não é coisa de outro mundo,
É o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela
Não seja curta,
Nem longa demais
Mas que seja intensa
Verdadeira, pura.
Enquanto durar".



Minha amiga Juli me enviou esse texto de Cora Coralina por email ontem, lendo e concordando com cada palavrinha que foi escrita, pensei em colocar aqui toda essa beleza delicada de Cora, pra você Carol. Essas palavras apesar de não serem minhas -quem me dera poder escrever assim-, são pra você. Que tem uma bela alma. Puro anjo é você.

7 comentários:

  1. Lindo mesmo, Nina. Só assim a vida faz sentido. E também te vou conhecendo mais um pouquinho. E gosto. Muito.

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  2. Viva a Carol! Ela merecE!Merece mesmo

    P.S. Carlinha com ciúmes, rs!

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  3. Lindo poema , assim como era linda a Cora ! Mesmo assim continuo achando a vida muito curta.Ate´já escolhi meu epitáfio:
    " - Mas já acabou ?!? "

    A Valon fala francês sim.Ela e o Jujuba.

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  4. Sabe,eu não entendo vocês.Sempre que posto coisas como as que tenho postado,que mostram o quanto estou estranha,penso:"agora,todos eles vão me odiar".Mas vocês ficam cada vez mais doces comigo.E eu fico tão confusa,mas tão feliz ao mesmo tempo!
    Como você bem sabe,estou passando por um período muito difícil,no qual estou tentando me conhecer.É uma coisa que dói muito,porque também estou vendo o mundo como realmente é,pouco a pouco.E na maioria das vezes,o que descubro não é bonito.Estou sofrendo bastante com isso,mas sempre que chego em casa e leio os comentários de vocês,começo a sorrir e sinto que nem tudo o que encontrarei nesse mundo será ruim.Vocês me fazem um bem enorme,nem tentem descobrir o tamanho,porque eu mesma não sei.Li uma expressão em algum lugar do Orkut,era "uma rosa no meio do asfalto".Isso é o que vocês simbolizam pra mim.A beleza onde não se espera.
    Esse poema é tão lindo!Sempre achei a Cora Coralina especialmente maravilhosa,queria saber fazer poesia para tocar o coração de alguém,como ela.Quando entrei aqui e fui ler,eu disse "Eu li meu nome ali".Respirei e disse "Não,eu não vi meu nome ali".Li e comecei a chorar.Ah,como ando chorando nos últimos tempos!
    Obrigada por cuidar de mim da maneira como cuida.Por me achar especial,mesmo que eu não me ache tanto.Por ser linda,mágica,por ser você.Amo muito,muito vocês.Não achei que isso fosse possível,mas amo pessoas que nunca vi com os olhos reais,mas vejo com os olhos da alma.
    ^^
    Muuitos,muuitos beijos.;****
    Ps:ainda emocionada =)

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  5. Olá meninas, que bom que gostaram da Cora, eu acho ela fantástica tbm. Por isso resolvi oferecer a vc Carol, uma oração com as palavras delas, por vc. De amor, de carinho e esperança.

    Carlinha, pára já com esse ciúme bobo, rsrsr

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  6. Rifando a Amazônia


    Começo com uma anedota. O sujeito chega para a mulher e pergunta: --Por 40 milhões de dólares você dormiria comigo? Necessitada, com a mãe doente e o pai desempregado, ela responde: --sim! Aí o cara dispara: --E por 20 reais você dormiria comigo? Indignada, ela retruca: --Que tipo de mulher você pensa que sou!? Ao que ele retorque: --Isso nós já determinamos, agora estamos apenas acertando o preço.

    Minha coluna da semana passada, "Vendendo a Amazônia", na qual insinuei que a internacionalização da floresta poderia ser uma solução para o problema do desmatamento, gerou uma pororoca de protestos de leitores, alguns com raciocínios pertinentes, outros apenas mal-educados. Era um texto evidentemente provocativo, e eu não esperava mesmo que passasse em brancas nuvens. Ainda assim, surpreenderam-me o grande volume de palavrões e o reduzido número de missivistas que demonstrou ter lido a peça da forma como a concebi.

    Retomo, portanto, o tema com o intuito de desfazer alguns malentendidos. Antes de mais nada é preciso voltar à arquitetura do texto. A soberania sobre a floresta funcionava como um pretexto para discutir o problema do nacionalismo, que era, este sim, o fulcro da coluna. A venda da Amazônia operava apenas, admito-o, como uma apetitosa isca, uma armadilha para levar o leitor incauto até o assunto que eu de fato pretendia debater. Quem puxar pela memória (ou apertar o link acima, o que é mais fácil), terá a oportunidade de constatar que eu jamais disse que a porção norte-noroeste do país será vendida aos gringos. Ao contrário, afirmei com todas as letras que isso não vai acontecer. E não vai acontecer por uma miríade de razões que incluem sua inconstitucionalidade, a ausência, ainda que momentânea, de um modelo de negócios adequado e, principalmente, o tal do nacionalismo, que faz com que a maioria de nós pense com o fígado em vez do cérebro.

    E, já que estou falando do que não afirmei na semana passada, aproveito para esclarecer mais algumas coisinhas que nunca disse. Jamais sugeri vender a floresta para a nação A ou B. Como lembrei no texto, muitos países do Primeiro Mundo já destruíram suas selvas originais e seguem com comportamentos ambientalmente irresponsáveis. Entregar-lhes a Amazônia provavelmente significaria apenas atuar com mais zelo e melhores métodos na destruição do bioma.

    Como a operação comercial é menos do que uma remota especulação teórica, não me preocupei em descrever um esquema que eu consideraria adequado. Mas, já que me cobram por isso, acho que precisaríamos buscar um modelo de internacionalização no qual uma nação vigiaria com desconfiança os passos da outra, de modo a garantir que ninguém fizesse nada muito dramático. É uma dessas raras circunstâncias em que a paranóia individual transforma-se em virtude coletiva. Um sistema mais ou menos com esse desenho funciona na Antártida, território que segue razoavelmente preservado e desmilitarizado (as bases lá existentes servem apenas para apoiar a pesquisa científica). Pelo menos até aqui, conseguiu-se evitar a mineração e a prospecção de petróleo na região.

    Na hipotética venda, precisaríamos também, por óbvio, garantir que os habitantes originais da região, indígenas e não-indígenas, pudessem seguir lá vivendo --e levando alguma coisa nessa história.

    Correndo o risco de tornar-me repetitivo, a tal venda não vai acontecer, mas está longe de ser algo que não possamos nem ao menos considerar. Suponhamos, apenas como exercício imaginativo, que o mundo nos oferecesse toda a riqueza existente em troca da floresta. Nesse caso, mesmo para o comandante militar da Amazônia, seria rematada tolice não aceitar. E todas aquelas objeções que os leitores me fizeram a respeito do imenso valor material e estratégico da região, com suas reservas de água doce, minérios e biodiversidade, cairiam por terra, pois nenhum valor em particular pode, por definição, superar a soma de todos os valores.

    Isso nos leva à anedota inicial: é tudo uma questão de acertar o preço. E as suscetibilidades podem também ser incluídas na fórmula. Se a palavra "venda" é forte demais, podemos bani-la do vocabulário empregado em nossas transações, substituindo-a por termo menos polêmico. É o caso do MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo), previsto no Protocolo de Kyoto, para auxiliar na redução das emissões de gases-estufa. Trata-se de um sistema altamente complexo e não sem controvérsias pelo qual países que estejam estourando suas metas podem abater cotas de CO2 adquirindo "vales-preservação", isto é, investindo em projetos que resultam no seqüestro de carbono atmosférico ou mesmo em emissões evitadas.

    É aí que o Brasil teria uma excelente oportunidade. Já que todo o mundo tem interesse em que a Amazônia seja preservada, deveríamos cobrar para fazê-lo. É uma compensação bastante razoável pelo desenvolvimento que deixa de vir por conta de leis ambientais muito restritas. Ocorre que, muito em virtude do lobby brasileiro na ONU, a conservação de florestas ficou de fora do MDL. E isso porque a paranóia nacionalista de militares e itamaratecas nem sequer admite a possibilidade de que países estrangeiros comprem o direito de monitorar o desmatamento na Amazônia. E, convenha-se, o único jeito de o sistema funcionar é se houver atores que possam vigiar e cobrar o cumprimento de um acordo pelo qual estariam pagando. Essa, na opinião de respeitados ambientalistas, seria a melhor chance de conciliar desenvolvimento e preservação. É isso que o nacionalismo tosco nos faz desperdiçar.

    E, para não ficar restrito à questão da Amazônia, encerro a coluna de hoje com algumas observações a respeito do homem e seu preço. Receio que, no espírito da piada inicial, sejamos todos pessoas "de vida fácil", isto é que tenhamos o nosso preço.

    Nem é preciso definir a espécie como Homo oeconomicus para chegar à conclusão de que o ser humano faz trocas. Capaz de projetar o futuro (ainda que erroneamente), ele está a todo instante tomando decisões com vistas a posicionar-se melhor para enfrentar o que imagina que a sorte lhe reserve. O dinheiro seria então é apenas um modo prático de intermediar essas trocas, estabelecendo valores simbólicos comparáveis. Mas nem é necessário que as coisas tenham expressão monetária. Mesmo o jovem revolucionário ou o santo que dão a vida por um ideal ou pela religião o fazem por atribuir mais valor a seu sistema de crenças do que à própria existência. É uma troca que em algum momento envolve uma tomada de decisão que gostamos de acreditar seja livre e consciente, ainda que em situações que nem sempre controlamos. Foi nesse contexto que Sartre "condenou" o homem à liberdade.

    Por algum motivo, entretanto, nos recusamos obstinadamente em colocar a etiqueta de preço em determinados "produtos" como vida, amor, pátria. Isso não significa que não tenham, como se constata, por exemplo, em qualquer recorte epidemiológico sobre doenças preveníveis.

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  7. Nina, obrigada pelo carinho no meu blog.
    E obrigada por nos lembrar esse texto da Cora.
    Fantástico.
    Beijos.

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