13/05/2008

Uma carta escrita em 2070

Não sou pessoa alarmista, mas estas palavras enviadas por email pelo Ruy, doem demais. E o medo do futuro se torna tão palpável, tão real.


"Texto publicado na revista "Crónicas de los Tiempos“, de Abril de 2002".

"Ano 2070.

Acabo de completar 50 anos, mas a minha aparência é de alguém de 85.
Tenho sérios problemas renais porque bebo pouca água.
Creio que me resta pouco tempo.
Hoje sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade.
Recordo quando tinha 5 anos. Tudo era muito diferente. Havia muitas árvores nos parques. As casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um banho de chuveiro por aproximadamente uma hora. Agora usamos toalhas em azeite mineral para limpar a pele.
Antes, todas as mulheres mostravam as suas formosas cabeleiras. Agora, raspamos a cabeça para mantê-la limpa sem água.
Antes, meu pai lavava o carro com a água que saía de uma mangueira. Hoje os meninos não acreditam que utilizávamos a água dessa forma.
Recordo que havia muitos anúncios que diziam para CUIDAR DA ÁGUA, só que ninguém lhes dava atenção. Pensávamos que a água jamais poderia terminar.

Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aqüíferos estão irreversivelmente contaminados ou esgotados.
Imensos desertos constituem a paisagem que nos rodeia por todos os lados. As infecções gastrointestinais, enfermidades da pele e das vias urinárias são as principais causas de morte. A indústria está paralisada e o desemprego é dramático. As fábricas dessalinizadoras são a principal fonte de emprego e pagam os empregados com água potável em vez de salário.
Os assaltos por um litro de água são comuns nas ruas desertas. A comida é 80% sintética.

Antes, a quantidade de água indicada como ideal para se beber era oito copos por dia, por pessoa adulta.
Hoje só posso beber meio copo.

A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo.
Tivemos que voltar a usar as fossas sépticas como no século passado porque a rede de esgoto não funciona mais por falta de água.

A aparência da população é horrorosa: corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele pelos raios ultravioletas que já não têm a capa de ozônio que os filtrava na atmosfera.

Com o ressecamento da pele, uma jovem de 20 anos parece ter 40.
Os cientistas investigam, mas não há solução possível. Não se pode fabricar água, o oxigênio também está degradado por falta de árvores, o que diminuiu o coeficiente intelectual das novas gerações.

Alterou-se a morfologia dos gametas de muitos indivíduos. Como conseqüência, há muitas crianças com insuficiências, mutações e deformações. O governo até nos cobra pelo ar que respiramos: 137 m3 por dia por habitante adulto. Quem não pode pagar é retirado das "zonas ventiladas", que estão dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam com energia solar. Não são de boa qualidade, mas se pode respirar.

A idade média é de 35 anos. Em alguns países restam manchas de vegetação com o seu respectivo rio que é fortemente vigiado pelo exército.
A água tornou-se um tesouro muito cobiçado, mais do que o ouro ou os diamantes.
Aqui não há árvores porque quase nunca chove. E quando chega a ocorrer uma precipitação, é de chuva ácida..

As estações do ano foram severamente transformadas pelas provas atômicas e pela poluição das indústria do século XX. Advertiam que era preciso cuidar do meio ambiente, mas ninguém fez caso.

Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem, descrevo o quão bonito eram os bosques. Falo da chuva e das flores, do agradável que era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens, beber toda a água que quisesse. O quanto nós éramos saudáveis!

Ela pergunta-me:- Papai! Por que a água acabou? Então, sinto um nó na garganta!

Não posso deixar de me sentir culpado porque pertenço à geração que acabou de destruir o meio ambiente, sem prestar atenção a tantos avisos. Agora, nossos filhos pagam um alto preço...

Sinceramente, creio que a vida na Terra já não será possível dentro de muito pouco tempo porque a destruição do meio ambiente chegou a um ponto irreversível.

Como gostaria de voltar atrás e fazer com que toda a humanidade compreenda isto...
...enquanto ainda era possível
fazer algo para salvar o nosso planeta Terra!"

"FAÇA ESTA MENSAGEM CHEGAR A SEUS CONHECIDOS.
POR CADA PESSOA QUE A LER
VOCÊ ESTARÁ CRIANDO UM POUCO DE CONSCIÊNCIA
PARA CUIDAR À SUA VOLTA".



E eu me questiono que mundo deixaremos pra nossos filhos e netos?



Tente você também fazer a sua parte. Economize o máximo que puder água e energia elétrica e mais importante, faça disso um exemplo pra seus filhos. E mesmo que outros digam que um só é igual a nada, faça ouvido de mercador e continue na sua tarefa por um mundo melhor.

9 comentários:

  1. Concordo que todos nós, cidadãos anónimos tenhamos de fazer a nossa parte.
    Mas a resolução do problema não está em nós, mas nos governantes do mundo.
    Esses sim, poderiam fazer muita coisa e não o fazem porque só vivem o presente, só estão interessados em enriquecer hoje e agora.

    Por exemplo, apareceram os carros híbridos que poluem muito menos que os a gasolina; então porque são muito mais caros? Se eu quiser contribuir para a um melhor meio-ambiente, sou logo travada à partida!

    Porque é que não exploram mais as energias alternativas? O o vento, a força do mar etc?

    Nunca entendi, passam a vida a dar conselhos às pessoas para terem comportamentos ecológicos, pouparem nisto e naquilo e depois só fazem porcaria.

    Olha eu cá por casa, faço o que posso, apesar de saber que é quase nada.
    Porque a diferença eram 'Eles' que a fariam.

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  2. Não tiro Patti, de modo algum suas razoes, e concordo totalmente contigo. É cômodo demais a esses tais poderosos as coisas como estão, afinal é fácil pensar no agora. Mas te confesso que sou uma romântica incorrigível a acredito piamente no já batido "cada um fazendo a sua parte". É verdade, não faz diferença alguma, mas já pensou se nenhum cidadão comum, ninguém mesmo, fizesse absolutamente nada?? acho que seria bem pior. Quero ser exemplo para meus filhos, e exemplo é mais do que falar, é fazer! nem que seja tão pouco...

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  3. Mas Nina, eu não digo que aquilo que nós fazemos e devemos fazer em casa e na nossa vida, não faça diferença alguma! Eu também e todos nós cá em casa o fazemos!
    O que eu digo é que a diferença para o que nós fazemos e para o que os 'donos do mundo' poderão fazer, é enorme, gigante.
    E se esses o fizessem como deviam, é que poderíamos ter resultados à viste de toda a gente.
    Nós os cidadãos fazemos muito mais, apesar de pequenas coisas, do que eles.
    E devemos continuar a fazê-lo!
    Olhe quer saber um truque muito simples e muito útil?
    Aprendi uma nova esta semana, em relação ao óleo alimentar.
    1L de óleo contamina cerca de 1 milhão de litros de água, o equivalente ao consumo de uma pessoa no período de 14 anos.
    O que fazer então, com o óleo já utilizado?
    Colocá-lo numa garrafa de plástico (por exemplo, garrafas pet dos sumos), fechá-la e deitá-la no lixo normal (orgânico).
    Simples, não?

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  4. Sim, querida, entendi perfeitamente. Como assim? essa do óleo é mesmo boa. Bem sei que é um mal terrível que ele faz ao meio ambiente, mas aqui, não sei como faria. Na Alemanha separamos os diferentes tipos de lixo, e garrafas peti não podem ser colcadas no biolixo. Mas super valeu a dica, vou ver o que posso fazer por aqui, já que tenho horror em jogar o óleo pelo ralo da pia.

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  5. Valeu o alerta, Nina.

    Minha consciência doeu...
    Vou aderir a esta Campanha por mim e pela minha filha.

    Bjux Queridíssima! E obrigada por todos os comentários carinhosos.

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  6. Eu já tinha lido esse texto em algum lugar, ele é muito bom mesmo.
    Eu tenho muita consciência ambiental e esse assunto realmente me preocupa. É difícil mudar e principalmente colocar na cabeça das pessoas o que pode ser feito paraq a melhora...
    Eu tenho fazer o´possível, se bem que eu acho que poderia ser feito muito mais.
    Eu queria reciclar,mas eu não sei onde tem postos que arrecadam isso e nem passam aqui perto de casa...
    Ai ai! Tudo muito complicado!

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  7. Oi Nina!
    Sou muito preocupada com as questões ambientais. Acredito que toda esta preocupação com o meio ambiente deveria ser uma constante na vida das pessoas, e não só um modismo.Parabéns pela iniciativa!
    Te apóio e tô contigo!
    Ainda dá tempo de fazermos alguma coisa em vez de apenas esperarmos que os governantes resolvam o problema! Bjos!!!

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  8. Nina querida,
    obrigada por "invadir" meu espaço.
    Suas palavras me trouxeram sorriso e até uma lagriminha boa no canto do olho.
    A gente tem que ter força, né!?
    A Paty tem sido uma guerreira de dar orgulho. Em menos de duas semanas estarei com ela!
    Ela adora o blog que eu fiz pra ela, que é segredinho, só ela entra lá. A gente está mais perto que nunca.
    Sua mensagem me deixou muito feliz, pareceu um colinho de amiga, sabe!?
    Obrigada de coraçao.
    Gostei do espaço aqui também... e voltarei mais vezes, ta!?

    Um abraço forte!

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  9. Pois é Marcinha, "mon amour", a gente tem que pensar num mundo melhor pra nossos meninos,mesmo.

    Carlinha, vc conseguu comentar corretamente! viva!!!! uhhhuuuu!! eu sabia que vc conseguiria.

    Esse assunto é mesmo um dos mais sérios ultimamente Sabrina

    Anadri, fico imaginando a sua irmã, guerreira, lendo um blog que foi feito especialmente pra ela, nossa, a sua idéia foi genial! mas ela deve chorar horrores de emoção, não é??

    bjs pra todas

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