01/05/2008

Sobre meu pai

Hoje é feriado aqui também. Vários significados num dia só. Christi Himmelfahrt (Ascensão de Cristo), Dia do Trabalhador e ainda Dia dos Pais (ou como eles gostam de falar, Dia dos Homens). É um dia especial para os homens na Alemanha. Eles se reúnem, somente eles, pra juntos aproveitar o seu dia. Pegam suas bicicletas e suas cervejas e vão juntos falar de assuntos de homens. Meu marido já foi com os amigos. Saiu e agradeceu porque eu permiti. Ora, é claro que permito, eu sou daquelas mulheres que acreditam que os homens precisam de um tempo pra si, pra falar bobagem, rir, ficar à vontade com os amigos.

Mas eu estou aqui pensando não na quantidade de cerveja que eles vão beber hoje pelas ciclovias arborizadas da Alemanha, mas em meu pai. Hoje é dia dos pais e o meu, bom,o meu não está mais aqui nesta terra.

E só me resta usar meu cantinho aqui pra colocar pra fora uma saudade. Mas preciso avisar: será um texto longo. Se você quiser continuar, está convidado a entrar um pouquinho mais na minha doce vida. Agora, num capítulo especial.

* * *

Meu pai se foi há quase três anos. Eu morava ainda no Brasil. Ele sempre foi um pai um pouco distante. Eu não entendia o porquê daquela ausência toda. Minha mãe e ele estavam separados há muitos anos, quase 30! Meu pai aprontou muito com ela, e minha mãe teve que ser forte num época em que todos a julgaram mal pela saída de casa com 4 filhos muito pequenos, mas ela tinha que fazer algo senão enlouquecia. Meu pai não era fácil, mulherengo demais.

Depois da separação, ainda pequenos, nos víamos todo fim de semana, quando ele ia nos buscar pra irmos ao cinema, ao parque de diversoes, pra sua casa, enfim. Ficávamos mais perto dele nesse tempo do que quando vivíamos juntos. Maravilhosos fins de semana com papai.

Crescendo, fomos ficando mais distantes. Ele foi tendo mais e mais filhos pelo caminho. No fim de sua vida, descobrimos que tínhamos mais irmãos do que imaginávamos. Ao todo, meu pai pelo que até agora sabemos, fez 10 filhos.

Duas delas, Suelem e Alessandra, conheci no dia de sua partida. E foi uma alegre surpresa ter outras irmãs tão simpáticas e bonitinhas como elas.

Eu criei uma barreira muito grande entre mim e papai porque achava que ele não gostava de mim. Como sempre, eu e minha baixa autoestima.

Ele tinha uma frieza na minha adolescência que condizia com minha timidez e medo de não agradar. Para mim ele só gostava da minha irmã mais velha.
Não era verdade. Eu fui descobrir isso, no último dia dele com vida.

Sempre me achei a pessoa menos importante na vida de alguém. Dele inclusive. Sempre achei que as pessoas não me amavam e assim cresci, tímida, quieta, feito um bicho do mato. Me distanciava das pessoas que amava, como medo de não agradar, de não bastar. E assim cresci, entre meus livros, meus sonhos, meus traumas, meus medos. Amando tanto, mas não sabendo falar sobre esse amor.

Um dia meu pai ligou coincidentemente no meu aniversário de15 anos, sem saber da data, minha mãe falou pra ele que era meu aniversário enquanto eu escutava sem querer na extensão. Ele simplesmente falou: „ah é?? A Nirley tá ai??“ (minha irmã mais velha)


Desde esse dia, eu criei a tal barreira, quase intransponível entre nós dois, no meu aniversário de 15 anos, meu pai quis falar com minha outra irmã...
Pronto. Ali foi criada a barreira.


Evitava sempre contato com ele. Foi-se passando os anos. E a raiva foi diminuindo. Mas a barreira continuava. A gente se via praticamente somente uma vez ao ano, porque eu já morava em outra cidade e meu pai tinha outros interesses e outros filhos pra dar um pouco do seu carinho. Um com cada mulher diferente. Ele só teve nós 4 com a mesma mulher.

Meus outros irmãos devem ter também seus problemas com nosso pai mas também suas boas lembranças com ele. Sua ausência doeu no transcorrer das nossas vidas, eu tenho certeza, e em cada um de nós, de forma diferente, existe uma parcela de dor e saudade do que nunca tivemos com papai.

Os meus filhos nasceram, e meu pai tinha, uma vez ou outra, algum contato com eles, quando minha irmã vinha de São Paulo, ligava pra ele e ele vinha correndo nos ver a todos. Iamos passear de carro com ele, visitar uma irmã dele muito querida. E pronto. Mas eram dias tão agradáveis na sua companhia. Agradáveis como eram os dias no cinema vendo os Trapalhoes, ou no parque de diversoes, enquanto ele ficava lá embaixo, nos olhando orgulhoso, e nós felizes da vida, acenando pra ele e virando de cabeça pra baixo na montanha russa.

Um dia, quando estava ainda grávida da Laura, com quase 4 meses, fomos a casa dele, e foi a primeira vez que pude sentir a Laura mexendo na minha barriga. Fiquei tão emocionada e papai me viu feliz, grávida, esperançosa.

Depois que os meninos cresceram, papai era tão desligado, que nem mesmo lembrava os nomes dos netos. „Como você se chama minha filha? Ahh Laura! Você sabia que esse era o nome da sua bisavó torta? Aquela que cuidou de mim quando era criança? e que esse também era o nome da avó da sua mãe??“ e Laura só repetia: „sei vô, sei!“

E assim, desse jeito maluco dele, de fala rápida e engraçada, a gente ia levando nossos poucos encontros anuais. Mas ele sempre era tão carinhoso com a gente. Sempre.

Eu adorava ter esse contato com papai . Queria que tivessem sido menos raros, mas por medo, eu não o procurava, eu achava que ele só queria me ver, se fosse junto com as outras irmãs. Eu tinha medo dele não gostar de encontrar só a mim. Como fui boba!

No nosso penúltimo encontro, ele foi nos buscar na casa da minha mãe. Todos juntos, saimos na sua D20 velha, ele com seu chapéu de cowboy, de cabelinhos brancos apesar de novo, 65 anos, engraçado, sorridente, orgulhoso. Fomos visitar nossa tia Ceci, irmã querida dele. Foi uma tarde tão agradável. Lembro que eu lhe perguntei porque ele havia me dado esse nome que não combinava: Nina Rosa. Ele ficou ofendido, disse que eu deveria ter orgulho do meu nome porque era o mais bonito que ele já havia escolhido para os filhos. Na casa da minha tia, ele olhou pra mim, e disse: „Nina, você tem estilo minha filha. Gosto do seu jeito“. E minha tia falou o mesmo pra mim. Ela tocou violão aquela tarde pra nós, e pediu pra gente fazer muitas fotos, porque um dia como aquele, com todos juntos, com nosso pai, era raro... ela não sabia, mas ela também iria fazer a tal viagem, dois meses depois daquela tarde cheirosa, de sol ameno. Minha tia morava perto de uma fábrica de café, sempre que íamos pra lá, tinha aquele cheiro gostoso de café no ar. Minha tia morreu e meu pai que a adorava, se formou na faculdade dois meses antes dela ir, duas semanas depois do nosso encontro. Ele foi professor de Geografia por muitos anos, mas só um ano antes de morrer, ele conseguiu realizar seu sonho de formar na faculdade de Geografia. Estava todo orgulhoso por ser universitário.


Num sábado à tarde, um ano depois desse encontro na minha tia, minha mãe me telefonou avisando que meu pai havia sofrido um acidente de motocicleta e que estava em coma.

Eu nunca chorei tanto na minha vida como naquela tarde. Passei sábado, domingo, segunda, terça feira, toda chorando. No meu trabalho, meu chefe falou junto com minhas amigas que eu deveria ir a Manaus. Eu não podia, trabalhava, e ninguém podia entrar na salar de UTI. Mas mesmo assim, fui. Na quarta feira de madrugada.

Uma noite antes, sonhei com os pés do meu pai. Pés brancos, unhas longas, amareladas. Acordei assustada. Viajei a Manaus, 4 horas de viagem,e fui ao hospital que ele estava em coma. Lá encontrei meu irmão mais velho. Ele estava indo lá todos os dias, mas na sala da UTI, só podia entrar duas pessoas por dia, uma de cada vez. Meu irmão falou que eu deveria entrar, já que morava tão longe, porque ele estava sempre lá. Então entrei agradecida.

A primeira coisa que vi foram os pés do meu pai exatamente como no sonho. E ele estava lá, irreconhecível, sem cabelos, com tubos na cabeça. Em coma. A médica de plantão falou que ele deveria reagir, mas não reagia a cirurgia que sofreu. Eu tinha pouco menos de meia hora pra ali permanecer, cheguei pertinho dele, e no seu ouvido falei tudo.... agradeci os dias que tivemos juntos, agradeci os momentos no cinema (nunca um cinema foi tão gostoso como aqueles com papai, vendo o Didi Mocó), os dias nos parques de diversão, falei que o amava muito, tudo pertinho do seu ouvido. Falei o nome de cada filho que até então sabia existir, de cada neto, agradeci tudo que ele fez e repeti várias vezes que ele foi um pai muito legal. Que tinha saudade dos nossos dias juntos. Na infância. Falei que tinha muita gente orando por ele, falei que estava muito feliz agora, que ia casar com um alemão e que iria em breve morar na Alemanha. Isso sem mesmo saber se ia dar certo meu romance. Sem nunca ter encontrado meu marido pessoalmente, sem nunca ter falado sobre futuro com ele. Falei o que meu coração me dizia. Sem saber que isso iria mesmo acontecer alguns meses depois.

Chorei emocionada ao abraçar meu pai em coma. Já sem nenhuma barreira entre nós. Depois de tudo isso, vi uma lágrima escorrendo do seu olho esquerdo. Tive a mais plena sensação de felicidade ao constatar que meu pai me ouviu, apesar dos médicos dizerem que isso não era possível.

Tive que sair da sala da uti. Minha sobrinha deu lugar a um pastor, enviado pela minha outra irmã, pra ele orar pelo meu pai.

Saí do hospital, conheci minha irmã mais nova, a Alê, e uma linda sobrinha, Lidiane. Saí dali tão alegre, por ter colocado todo meu amor pra fora. E ganhar de presente uma reação do meu pai em coma. Por encontrar irmãos, reunidos na dor. Mas todos sorrindo por se reencontrarem.

Fui pra casa da minha mãe. E logo depois, na mesma quarta feira, no mesmo dia, peguei o ônibus de volta pra cidade que morava, 4 horas de viagem, feliz, aliviada, cheia de amor, apesar de triste pelo coma de papai. Cheguei em casa, e 5 minutos depois de colocar os pés em casa, minha irmã me liga avisando que meu pai havia morrido.

Meu pai havia morrido.

E eu entre lágrimas de tristeza (pela perda) e de alegria, por pensar que ele me esperou no hospital, me mostrando que eu era SIM, alguém importante pra ele.

Desde sua estada no hospital, nenhum dos filhos dele com minha mãe haviam estado no hospital, pra vê-lo. Uma morava no sudeste do país, os outros dois, não tinham coragem de ver papai naquele estado, que sempre foi tão alegre, e agora em coma, era estranho e muito dolorido pra eles, e ambos tinham esperança que papai se recuperasse. Eu morava longe, e trabalhava aos prantos, desde que soube do coma. Até que tive coragem de ir ao hospital graças a duas amigas do trabalho que insistiram pra eu ir.

Ao abrir meu coração pra dizer ao meu pai o quanto o amava, percebi ali depois da sua partida, que ele só estava aguardando um de nós, pra finalmente ir ao chamado de Deus.

Só depois desse dia entendi seu modo de nos amar. Não era falta de amor, era somente o seu jeito de amar, distante, mas nem por isso, menos amor. Ele nos amava, a todos nós, os seus muitos filhos, à sua maneira.

Pra mim ele mostrou no seu último de dia de vida, que eu estive enganada esses anos todos, quando pensava que eu era alguém sem importância.

No meio das minhas lágrimas, já de volta a Manaus no mesmo dia, pra ir ao seu enterro, eu agradecia a Deus e a meu pai pelo presente que eles me deram, o de poder falar do meu amor pra ele ainda em vida.

Depois daquele dia eu prometi a mim mesma, que nunca mais iria guardar meus sentimentos pelos outros dentro de mim mesma e que nunca mais permitiria que alguém me destratasse, afinal, eu era alguém importante agora.


* * *

E é por isso queridas, por esse homem, que eu sempre digo que o amor está acima de tudo nessa vida. Quem diria que eu iria aprender sobre amor, exatamente com aquele que eu imaginava ter menos amor. O papai.

17 comentários:

  1. Oie ninaaa!!!

    Ah... Eu estou chorando!!! ahaha...
    Que lindo post!!
    É Nina... por isso você essa mulher maravilhos... pois o que você viveu,não foi fácil,né??

    Cada verso que eu lia,eu pensava em meu pai também... Ele anda muito distante também... mas não chega ser tanto. Mas quando eu vejo ele,eu sou muito paparicada!! Sou a menor dos meus irmãos(uma irmã e um irmão!) e aí eu fico muito mal quando ele some... Meu irmão... pensei nele quando li isso. Ele tem um rancor do meu pai,que nunca vi!!! Algo aconteceu antigamente,que não sei... Meu irmão é uma pessoa muito carinhosa e linda...mas ele não liga mais se o meu pai existe ou não ... que difícil!!!

    Desculpa por relatar a minha vida aqui!!!!

    ahhhhh.. Um dia eu ainda aperto muito você e a Laura!!!! (E o João tb!!!! xD) ahahahah...

    Desejo um ótimo feriado pra vocês!!!!! E Feliz dia dos Pais pra todos os pais... Que lindo!

    Beijos Ninaaaaaa!!!!
    Saudades!!! ^-^
    (Ah,passa no blog da minha mae?! xD Té mais!! www.big_lu.blig.com.br brigada! xD)

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  2. Nossa Nina...sempre emocionando a gente com suas doces palavras...você deveria escrever um livro com suas mémorias, sabia?

    Vida mais que especial...
    superando cada obstáculo...
    sendo feliz!!!

    Papai Sena teve sorte de ter uma filha "com estilo" como você, viu?
    e que bonito dizer que aprendeu o valor de amar com que menos achava que amava...
    Sua Tia querida devia ser uma pessoa pra lá de especial tbém...
    Lindas recordações...
    Ás vezes a gente demora para enxerga as coisas...que estão na nossa frente...
    sabe? Lembrei do comentário que me enviou sobre meu pai, no dia do seu aniversário...é eu pensei mto no que me escreveu...e prometi a mim mesma...não ter vergonha de expressar o quanto o amo!!Mesmo que ele nao entenda mto bem o pq?!

    O tempo é o Sr. do destino...
    e como voce disse o amor esta acima de tudo nessa vida...
    por isso devemos amar sempre...
    e demonstrar sem ter a vergonha de ser feliz...como naquela música, né?

    Cuide bem do maridão hoje hein??
    ele vai voltar querendo colo..rs
    Feliz dia dos pais...pra voces ai...=)
    e tenha a absoluta certeza Nina...
    que ele está ai do seu ladinho...
    Te amando em silêncio...
    Bjim...
    FUI***

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  3. Olá Nina,
    Amanhã venho com mais calma ler este grande post.

    Agora é só para dizer que tens um desafio lá no “Ares”, se o aceitares fazer, claro.

    Bjs ***

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  4. Nina,a Tatá está aqui em casa e ela tem uma história um pouco parecida com a sua.Na verdade,fora Allyne,todo o nosso grupo tem problemas com a figura paterna.
    Eu não sei,mas me parece que nos últimos anos,os pais têm deixado de valorizar o amor de um filho.Tudo o que vejo são crianças solitárias,sem uma boa estrutura familiar.E é por isso que tantas coisas ruins vêm acontecendo nos últimos tempos:as pessoas estão crescendo sem amor.
    Acredito que eu,você,a Carla,a Tatá,a Klô e Beu sejamos pessoas muito iluminadas,porque todos esses problmeas não nos impediram de sermos pessoas fortes,que não usam seus problemas para justificar ações ruins.Ao contrário,nós usamos tudo isso para melhorar,para não passar todas essas coisas ruins para outras pessoas.
    Ainda bem que você conseguiu se expressar,que conseguiu dizer tudo o que estava guardado em seu coração.Acho que serei retraída a vida inteira,mas nunca se sabe...algo pode acontecer,alguém muito especial pode me fazer mudar.
    Mesmo triste,a sua história com seu pai é muito bonita,porque lhe ajudou a mudar e ser alguém especial.Na verdade,a Tatá decidiu aqui que vai procurar o pai dela.Quando ela postar no blog dela(amanhã),você verá como ela se sente e como está fazendo para mudar a situação.Viu só?Sua história mudando mais uma vida.
    Pela foto,achei seu pai um senhor muito simpático.Cara de vô^^
    Muuuuitos beijos,Nina.Estamos aí,com vocês.E,sinta um enorme abraço meu e de Tatá.

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  5. Nem sei o que falar,mas vou tentar.
    Até pouco tempo não admitia pra mim mesma que eu o amava,mas agora resolvi isso dentro de mim. amo sim o homem mais ausente do mundo.
    Um dia disse a ele que o amava e ele não deu bola,então não consegui mais falar.
    Tentei várias vezes me aproximar,mas ele não quis. Ele me deixou várias vezes esperando dizendo que vinha e nunca veio e um desses dias foi bem no dia dos pais. Comprei o presnte e eu e o bruno ficamos esperando e nada!
    Nina, amo meu pai, apesar dele ser um grande mentiroso,de num ser um bom homem e tão pouco bom pai.
    Fico feliz por seu pai ter te ouvido num moemnto que diziam que ele não a ouviria e fico ainda mais feliz por vc ter quebrado a barreira entre vocês.
    Realmente nossas histórias são muito parecidas e tenho certeza que não foi por acaso que Deus te colocou em meu caminho.
    Com vc aprendo tantas coisas...
    Um dia, que não sei quando tudo ficará bem entre nós e já me basta ter reconhecido pra mim o quanto o amo, o que me machuca é não ter o amor dele como queria, dói ter a visita dele só em dias que antecedem meu aniversário e uma ligação no Natal. Dói perceber que ele ve as dificuldades que passamos enquanto ele está viajando para Fortaleza e não dando um tostão e o pior,não dando amor aos próprios filhos.
    Que seu pai esteja sempre com vc e que vc guarde esses momentos lindos em seu coração para sempre!

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  6. Voltei para ler tudinho.
    Sabe Nina, é como você diz: não é que ele não te amasse, mas era sim a forma que ele tinha e sabia fazer.

    Ainda bem que você se reencontrou com ele, agora é só recordar das coisas boas que passaram juntos.

    E não precisa de ter baixa auto-estima, logo você uma pessoa alegre, doce, generosa, preocupada com os outros, sensível e meiga.

    Bjs *** de Lisboa e bom fim-de-semana.

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  7. Nina... eu entendo e compreendo cada palavra que voce disse. Creio que muitas pessoas próximas a nossa faixa etária vão se identificar com o seu relato pois a educação de nossos pais foi essa mesmo... machista e muitas vezes autoritária e egoísta... no caso de minha mãe ela não teve a coragem que sua mãe teve e sofreu e sofre até hoje...
    Quando nos tornamos adultos e mães revemos e procuramos entender e principalmente perdoar... e fazemos isso a medida que não repetimos os erros com nossos filhos.
    Sou mãe solteira e meu pai acabou sendo um pai para minha filha que não foi para mim e para os meus irmãos... e isso me fez sentir tão amada... as relações são tão complexas não é?
    Um forte abraço.
    "O que o pai calou aparece na boca do filho, e muitas vezes descobri que o filho era o segredo revelado do pai."
    Friedrich Nietzsche

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  8. Nina minha linda! meus olhos se encheram de lagrimas...tive que me conter aqui pois sou muito chorona.
    Simplesmente lindo!!! Enquanto lia eu vivia a sua historia e a minha, lembrando dos ultimos momentos com minha mãe...até hoje agradeço a Deus pela oportunidade de falar com ela o quanto a amava, de abraça la pela ultima vez...entendo o que voce sentiu na Uti ao lado do seu pai.
    Voce é importante sim e nunca duvide disso, é importante não só para seus pais, irmãos, filhos mas sem duvidas para todos nos aqui, é importante para mim. O que me anima a viver é saber que existem pessoas com o coração tao grande e tão bom como voce.
    Eu tbm aprendi a nunca esconder por vergonha ou medo meus sentimentos, perdi o medo de dizer eu te amo, que sinto saudades, quero te ver feliz, dar um abraço apertado...a gente nunca sabe quando iremos partir, quando as pessoas que amamos vão ir...
    Moça, receba de mim um abraço bem apertado e carinhoso neste momento e saiba que você é especial para Deus e para todos aqueles que te amam de verdade, é especial para mim grande mãe Nina!Estou com o coração cheio de alegria por conhecer esta parte de sua vida e pela sinceridade e emoção que voce compartilhou, sei q onde quer q seu pai esteja esta orgulhoso de vc, admiravel Nina! mil beijusss

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  9. Nina, que história linda!
    Quantas coincidências, meu pai mora longe e faz 30 anos que ele se separou da minha mãe.Também cresci me sentindo insegura, achando que ele não gostava de mim. Mas o meu ainda está vivo, e hoje nos damos super bem e eu também consegui perdoá-lo e aprendi a entendê-lo também. Que bom que vc conseguiu falar prá seu pai tudo que sentia, abrir seu coração...Com certeza ele deve ter ouvido vc! E deve ter gostado muito do que ouviu!
    Grande beijo!!!

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  10. Nina, só posso agradecer por sua amizade e por ser quem vc é! Vc sabe o quanto é especial pra mim,num sabe???
    Obrigada pelos parabéns! Queria muito que vcs estivessem comigo hj,mas sei que estavam no coração!
    Amo você!

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  11. Priscila, imagina, aqui vc pode falar o que quiser, eu gosto qd vcs comentam coisas sobre a vida de vcs, é uma troca tão boa.

    Pois é Lu, qd te escrevi naquele post lembrei exatamente da minha história com papai.

    Carol, que bom que Allyne nao tem problemas, graças a Deus mesmo. E fala pra Tatá que tudo vai ficar bem. É só ela dar o primeiro passo, como filha, homens são diferentes de nós.

    Fico tão feliz em vc reconhecer Carlinha, que o ama, apesar de todos os problemas que citou. Isso é mágico.

    Pois é Patti, entendi um pouco atrasado isso, mas entendi. E não sinto mais essa baixa autoestima, mt coisa mudou dentro de mim nos últimos anos, graças a Deus.

    Vc tem razão Ro, é um problema mt comum, não sei porque alguns homens agem assim, eles parecem ter problema com os sentimentos.

    Ju, eu sei da sua relação linda com sua mãe e sempre te admirei por tua força. obrigada pelas palavras lindas e fortes.

    Sabrina que lindo saber que vc mudou as relaçoes com ele. Que bom!!! =)

    De nada Carlinha querida. Feliz aniversário de novo!!!

    Bjs pra todas

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  12. Nina, estou aqui emocionada! Emocionada e feliz. Feliz por adentrar tua vida assim, tão intimamente, com todo esse teu texto bem vivenciado, detalhado, assim, de presente pra gente. Me senti como se fosse sua amiga de infancia...e olhando essa foto é como se eu conhecesse seu pai. Adorei, adorei, adorei. Adorei teus sentimentos, tua entrega, tua declaração de amor (e de dor!). Falar do meu pai é tao doido pra mim. Ele foi a pessoa mais querida da minha vida...até eu ter minha familia. Nunca pensei que pudesse amar tanto alguem como amei (amo) meu pai. Quando penso em alguem nobre, de bons sentimentos, penso logo nele. Um dia quero ter a inspiração pra falar dele...porque pra falar dele tem que ser com as palavras mais lindas e sinceras, assim como vc fez com o seu...

    Nina, obrigada! Foram minutos de uma leitura maravilhosa.

    beijooooooo

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  13. Ah Nina... Você é linda, sabia?
    Que bom que você colocou todo o seu amor pra fora. Isso é bom demais, né? Eu também já fui assim, fechada. Não sou mais.

    Seu texto me emocionou demais. Gosto de todos os seus posts, mas o de hoje foi demais...

    Bjux querida!

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  14. Cris e Marcinha, obrigada queridas. Falar do meu pai é falar de algo mt maior do que eu poderia imaginar. nunca pensei que seria assim, mas é! ele mexeu demais comigo, de uma forma que nunca vou esquecer. Cris, espero que vc tenha força pra um dia falar do seu pai tbm. Um beijão pra vcs.

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  15. Nina querida, quando o meu pai entrou em coma também, perto do Natal de 2005, eu pedi a Deus a oportunidade de pedir perdão a ele por não ter-lhe dado o amor que ele também merecia por ocasião da separação dele e de minha mãe. Sempre tomamos partidos, somos passionais demais. Deus me deu 25 meses com meu pai num leito de hospital...sem memória, sem movimentos, sem consciência, apenas acordado, uma criança crescida...foram os nossos melhores dias, o mais intenso amor entre pai e filha que alguém possa imaginar...e eu agradeço a Deus eternamente por esse presente...

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  16. Nina, estava passeando por aqui e lí essa postagem. Maravilhosa. Foi a melhor coisa que aconteceu para você na sua vida.
    Muito emocionante.
    Um beijo carinhoso no seu coração
    Manoel

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  17. E de post em post parei aqui nesse. Uma experiência inesquecível, tocante e que traz um grande aprendizado.

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