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Mostrando postagens com o rótulo família

Minhas filhas meninas

Hoje mais cedo, passei alguns momentos de estresse na rua e quando cheguei em casa, estava contando ao meu marido que começou a reagir bravo comigo, daquele jeito de homem que pensa estar fazendo a coisa certa, mas está só reagindo como homem, sabe? Então vi minha filhinha Flora, de três anos e meio, indo em sua direção e dizendo calmamente e com amor, na sua língua enrolada:  – Não papai, não fale assim com a mamãe, estou lhe dizendo, não fale!  Depois ela vinha em minha direção, me dava um abraço me dizendo:  – Eu já falei com o papai, mamãe! – E me dava um beijo, se aninhava em meus braços, e voltava ao pai, repetindo, "não papai, assim não!"   Nós ficamos rindo do seu jeitinho... E eu emocionada, fiquei lembrando de uma cena parecidíssima, acontecida vinte e quatro anos atrás, quando minha primeira filhinha Laura, que completa hoje vinte e sete anos, dizia com mãos na cintura, olhando séria para seu pai, que falava irritado comigo:  – Não pai, não fale ...

A partida da minha querida prima

Depois de quase três semanas internada com Covid, minha prima Kit partiu para o Senhor no domingo passado. Minha Kit! Nossa Kit! O mundo certamente ficou um pouquinho menos romântico. E eu ainda estou naquela fase que todo enlutado se vê um dia, lembrando os momentos com ela; chorando todos os dias; ouvindo suas músicas preferidas; lendo suas muitas mensagens e emails; ouvindo sua risada, seu bom humor, sentindo sua bondade. Eu amava minha doce prima como uma irmã. Ela sempre esteve com a gente lá por casa: um dia chegou, com seus cabelos cacheados e sua voz mansa e foi ficando. Era doce como um morango bem madurinho e cheia de energia, como uma pimenta! Dona de uma alegria contagiante, Kit era uma garota e tanto! Apaixonada e apaixonante .  Desde meus onze anos, até poucas semanas atrás, Kit foi muito presente na minha vida. Nunca deixou de entrar em contato, nunca deixou de me ver quando eu ia ao Brasil, nunca deixou de me falar palavras gentis, bem humoradas, alegres e cheias de...

A casa da mamãe e meu padrasto

A casa da mamãe é o meu lugar preferido no mundo. Minha referência de vida. Aquela casa emana alegria, saúde, refúgio, amor. Eu não saberia dizer o que minha mãe fez para conquistar isso, mas ela conseguiu fazer do seu lar, o melhor pedaço do mundo para os seus filhos e netos. É como entrar num pequeno paraíso, muito quente, é verdade, sem luxo ou riqueza, barulhento, mas é o nosso lugar, o de todos nós! Tem uma cozinha sempre em funcionamento, e os vizinhos barulhentos, tem latido de cachorro e somente um banheiro, e uma TV que não para de funcionar, mas tem tanto amor naquele lugar!  Hoje porém, este alegre ambiente está levemente mais triste: nosso padrasto, que vivia com mamãe há quarenta e quatro anos, morreu no domingo passado, no dia do aniversário do meu filho mais velho.  Seu Garcia sofria há quatro anos das sequelas de um derrame cerebral, e vinha por esses anos, dando muito trabalho, coisa que minha mãe nunca reclamou. Eu que cresci com raiva dele, pelas muitas cois...

Atenção ao outro

Meu marido sempre está com o celular na mão. Ele é aquele tipo de pessoa que caminha pela rua olhando o celular e que consulta absolutamente tudo no google. E quando está em casa, sempre está assistindo TV. O contrário de mim, que detesto televisão, desde meus vinte e dois anos, quando decidi que iria parar de ver novela ao notar que elas estavam atrapalhando meus estudos; e celular, dou uma olhada no máximo umas quatro vezes ao dia e nunca passo muito tempo com ele. Já meus sogros adoram ver televisão e há pouco mais de dois meses, compraram finalmente um smartphone e estão curtindo a nova tecnologia - logo eles que sempre foram contra a ideia de ter um. Por que estou falando isso? Porque estávamos com eles esses dias depois do Natal e sempre acho lindo como eles dois, ambos com setenta e quatro anos, lidam com essas coisas quando estamos hospedados na sua casa. A TV, que eles são apaixonados, nunca é ligada quando os visitamos. Nunca! E eles nem encostam no celular. Se surge algum...

Nossa viagem ao Brasil

Pois é, estivemos no Brasil. Fazia quatro anos que nao íamos, pois quando nos programamos para ir, houve uma gravidez inesperada e o bebê precisava completar um ano até tomar a vacina contra febre amarela. Quando essa fase foi completada, tínhamos que esperar o menino terminar o ano letivo, que aqui é no fim de julho.  Entao, o fim de julho chegou e fomos! E que alegria! Antes passamos uma semana em Cuba, que com exceção do mar maravilhosamente belo, de água quase morninha, nao me agradou. É um país muitíssimo atrasado, com serviços muito lentos, com uma comida não muito boa e prédios totalmente destruídos, como se tudo tivesse passado por um bombardeio. Aquele lugar é visualmente, horrível! Desculpa aqueles que amam Cuba, mas não deu pra mim.  Meu marido vem da antiga Alemanha Oriental e nesse tempo em que o país vivia uma ditadura, só era permitido a eles viajar para pouquíssimos lugares, e um desses, era Cuba, obviamente pelo fato de ser um país comunista. Mas,...

Nossa casa em ordem

Ando arrumando cada pedacinho desse apartamento bagunçado! Tá certo, to exagerando: nem o ap. é tao bagunçado assim, nem to cuidando exageradamente de cada detalhe, mas é o que ando tentando fazer sempre que a bebê me dá uma trégua. Comecei pelo meu quarto, fazendo a limpeza e organizacao por partes: primeiro um móvel, depois o outro, tudo devagar e no meu tempo. Fiz um super planejamento numa agenda do que vou fazer diariamente e mesmo que seja somente a organizacao de uma gaveta o que posso fazer por dia, me atenho completamente a ela.  Mas, por que esse interesse súbito em organizar o lar?  Porque notei que o estresse da bagunça estava me deixando exausta! Eu olhava a bagunça se acumulando e com ela meu nervosismo. Sabe aquele sentimento bom que temos quando terminamos uma bela faxina e que dá gosto de ficar naquele ambiente que parece estar mais leve e arejado, e temos até a sensacao de leveza em nós mesmas? Pois é! Isso estava me fazendo falta. Minha vida está meio c...

Contadora de histórias e a vida real

Gosto de contar histórias. Acho que por isso, me agrada tanto escrever e porque ainda nao parei de uma vez por todas, de postar neste blog, mesmo em tempos de facebook, twitter, e tantos outros recursos de mais rápido retorno. Mas, como eu há tempos, nao espero retorno de blog, to na boa... Tive uma maravilhosa infância cheia de amigos sensacionais e muito criativos, que povoavam minha meninice, de forma quase mágica. Tal mágica me fazia esquecer os problemas comuns da infância e quase que viver num mundo à parte. Quando meus filhos eram pequenos, eu criava historinhas para eles dormirem: - quanta maluquice cabe na cabeca da mamae! - imagino-os pensando. E acho que isso os contagiou também. Hoje, ambos, tem uma imaginacao daquelas! E o pequenininho segue os passos dos irmaos. Mas toda a minha vida de histórias encantadas, nao se compara em nada, com a vida que levo hoje. Nao por ser uma linda, inteligente, gentil e louca criatura, uma feliz dona de casa, ou por ter um marido...

Família

Poucas coisas se comparam com o sobrevoo de nossa cidade natal, não é mesmo? Quando você está longe de casa há algum tempo e lá de cima, após horas de voo, finalmente enxerga as luzes (se for à noite, obviamente) da cidade que você conhece tanto e estava com tanta saudade. Isso te dá um senso de pertencimento tão grande! É dali que venho!  - Olha lá embaixo, Pedrinho, Manaus! Manaus!! - Vovóóóóó, estamos chegando! - Falamos querendo gritar... Estar de volta ao Brasil é algo sempre indescritível. Sim, não nego, o Brasil me deixa louca com todo aquele barulho, em todos os lugares e direcoes, ou a preocupacao constante do dia a dia, o transporte público complicado, o lixo, o desrespeito do brasileiro no geral, o preconceito, o preconceito e sempre o preconceito! A exagerada vaidade sensual das mulheres, a diferença absurda entre ricos e pobres, a falta de pontualidade, enfim. Mas foi dali que vim, e é pra ali que sempre vou. Porque Brasil é família e família a gente não deix...

Mulher, cuide de sua família!

Tenho visto muitas mulheres se perguntando o que elas podem fazer pela obra de Deus. Muitas nao enxergam que a obra de Deus é feita por Ele mesmo, que é Ele quem move aqueles que Ele deseja!  Nao acredito que devemos ficar procurando feito loucos onde podemos nos encaixar. Me parece que, como tudo na nossa relacao com o Senhor, isso é mais uma coisa que devemos nos achegar a Ele e pedir orientacao, de coracao aberto e sincero. É mais uma questao na qual você precisa mais se calar para poder  ouvir... Tudo, obviamente, ficará mais difícil, se a pessoa nao vive em comunhao com o Senhor. Como afinal, eu posso querer que Deus fale comigo, se estou longe dEle?  É como quando pensamos que oracao é algo que tem determinada hora e circunstância para acontecer. Nao! Oracao é comunhao com Deus. É viver com Ele e para Ele, pelo tempo que dura  seu dia... você nao faz oracao, você vive em oracao! Nao precisa de momento agendado para fazê-lo. Mas essa questao das mulhere...

No dia a dia

O menino estava sendo puxado pelo pai. O sol era forte. Suor escorria na testa do menininho. Seu bracinho era puxado pelo pai e ao mesmo tempo, ele cravava os calcanhares na areia. Nao queria ir embora. Fiquei olhando. A sensacao de estar sendo levado sem se desejar tomou conta de mim. Me vi menina de novo. A cena voltou a minha memória. Tremi. Como é ruim ter que sair de onde se está se divertindo tanto! Tinha passado por aquilo e a cena do corpinho encurvado, nao querendo sair do lugar, invandiu meus dias. Nao gostei de lembrar que vivi isso num playground qualquer da vida.  O menininho, o outro, o daqui, chora pra nao ir pra escolinha. Se agarra às pernas da mae, faz drama, nao quer caminhar até a escola, que fica uns 300 metros de casa. Nao quer ir de bonde, nem de bicicleta, nem de Laufrad* , nem andando, nem de carrinho de bebê. Nao quer ir. E só vai se mamae carregar no colo. Bate os pés. Dos olhos escorrem lágrimas pesadas. Chora alto. Grita. Faz os moradores dos...

Minha tia e uma oracao atendida anos depois

Amo minhas tias, mas uma tem sido especial pra mim, mesmo depois de 17 anos morta. Na época em que ela estava viva, sempre a vi como uma pessoa muito sofrida e nao entendia como  podia ter aquela presenca tao serena, mesmo passando por tanta dificuldade. Desde que me converti, tenho lembrado muito da minha tia Maria, a irma mais velha da minha mae. Inclusive, falei dela e de sua fé no primeiro post que escrevi, quando Deus me encontrou em maio do ano passado. Sei pouco da sua vida, mas estou certa de que esta foi bastante dura com titia. Sei que quando jovem, trabalhou em uma empresa que produzia juta, que é uma fibra têxtil extraida de uma planta, muito comum na Amazônia, e que passa por vários processos trabalhosos até virar na maioria dos casos, aqueles sacos ásperos que embalam graos de café. Lembro das minhas tias comentarem sobre esse trabalho duro na fábrica de juta, e de como saiam de lá cansadas e com cheiro ruim da própria matéria prima com a qual trabalhavam. Nos anos 4...

O Natal em casa

Só agora dei uma ajeitadinha na casa com pouquíssimos detalhes de natal.   a foto ficou péssima, esqueci de cortar as luminárias... Mas desde o dia 1° coloquei o Calendário de Advento pra família Em cada saquinho, há um dia do mês gravado, que contém o nome da pessoa (exceto eu, é claro) que vai ganhar o presentinho, sempre algo simples, até o dia 24/12.  É bonitinho ver como a família se alegra e fica animada pra saber quem é o premiado do dia. Pequenos, simples e amorosos detalhes que fazem a diferenca no dia a dia da gente...

BC Fotos: O Céu

Na minha última viagem ao Brasil  (jul/ago deste ano), passei seis semanas no país e um dos dias mais bonitos foi esse aqui, estampado nas fotos abaixo. Na minha terra, o Amazonas.  Estávamos todos juntos, num flutuante (casa sobre o rio) da família, no rio Negro.  Dormimos lá ouvindo os sons do rio e da mata ao redor. Comemos peixe, pulamos no rio, nadamos muito, vimos muitos botos, rimos e conversamos deitados em redes, passeamos, vimos o mais belo por do sol e nascer da lua de nossas vidas.   Quando o rio está tranquilo e sereno, é quando o acho mais bonito. Quando o céu se encontra com ele num belo horizonte, quando o rio reflete o céu e a gente se confunde: onde está o céu? onde é o rio? Cresci vendo esse rio, passeando de barco por muitos fins de semana, com minha grande família. Apaixonada pela minha avó, brincando com meus irmaos e primas. Olhando as árvores nas bordas, apontando os muitos pássaros, olhando o banzeiro do rio que um bar...

Nao sou e nem quero ser feminista

Nao sou muito vaidosa, mas gosto muito de fazer as unhas dos pés. Na verdade, isso nao tem muito a ver com vaidade pra mim, mas com  bem estar. Gosto muito de receber cuidados nos pés, eles ficam tao limpinhos e leves depois... é bom né? Quando estive no Brasil, em julho e agosto, nem fui a salao, com excecao de uma tarde fazer as unhas (na Alemanha nunca vou a salao fazer unhas, nunca penso nisso e é caro demais). Mas e daí? Daí que lembrei que quando comecei a viver com meu marido, eu fazia as unhas dos pés dele. Compramos até uma daquelas vasilhas especiais pra colocar os pés de molho, que fazem massagem, soltam bolhas e tal. Fazia também os pés dos meus filhos. Sempre com uma boa massagem, feita com um bom creme no fim do servicinho. Eu gostava. Eram legais esses momentos pra mim, e eu queria fazer alguma coisa bacana para minha família, e como eu gosto que cuidem do meus pés, achava que as pessoas que eu amava também gostariam. E sim, elas amavam.  ...

Quiche Lorraine e lembrancas

Ontem fiz a Quiche Lorraine da Rachel Khoo, perdoa se ando falando muito de comida tá? É que to na febre... Daí enquanto eu preparava, fiz uma pequena viagem até a cidadezinha que morei por um tempo, ainda no Amazonas. E lembrei da primeira vez que ouvi falar em quiche. A tia-avó dos meus filhos (lado paterno), a querida tia Lila sempre ia nos visitar. Velhinha, debilitada, saia de Belo Horizonte todo ano, encarava aquela longa viagem até Manaus, pegava ainda 4 horas de ônibus pra chegar até a cidade que morávamos. E ficava lá nossa casa, curtindo os sobrinhos netos e o sobrinho que tanto amava, por um mês. Eram dias de alegria e confusao ter alguém tao bondoso mais também tao cheio de pequenos cuidados como tia Lila. E eu a adorava. Tinha muito carinho por ela e era muito grata por seu amor e cuidados com a gente.  Entao tinha esse velho caderninho de receitas, onde ela e várias pessoas da familia escreveram. Meu ex sogro, com suas ótimas moquecas, a minha ex sogra, que ...

Da dificuldade em presentear alguém

Estava esses dias na cidade e na volta pra casa, esperando o bonde, sentei num banco onde já estava lá uma senhora sorridente e de aparência bem simpática. Era a velhinha mais bonita que já vi até hoje, de cabelos brancos meio longos, presos numa tranca, olhos azuis muito brilhantes, um semblante contente, uma capa de chuva colorida e trazendo uma cesta com algumas coisas frescas da feira. Tao bonita era sua serenidade que me lembrou um anjo. Ela logo olhou pra mim e fez um movimento pra que eu olhasse em sua sacola - as pessoas sempre falam comigo, parece que tenho um cartaz na testa escrito: Olá, estou aqui pra lhe ouvir! Como isso é bom pra meu aperfeicoamento dessa língua difícil eu aproveito pra bater papo mesmo, além disso eu sinto que as pessoas precisam conversar com alguém, é como se elas estivessem sempre sozinhas :-( Mas enfim. Olhei a sacola e dentro havia uma cabeca cor de rosa de um porco sorridente (alemao adora porco, nunca vi coisa igual!). Nao, nao era de verdad...

Encontre a sua música pela melodia ou, o caso de amor da minha prima

Eu tenho uma prima muito querida, que esteve muito presente numa parte da minha infância e na verdade, em boa parte da vida adulta também. Ela é da parte do meu pai, e a pessoa mais ligada a nós daquele outro lado da família.  Seu nome é Kit e ela é a pessoa mais romântica que conheci na vida. Sua marca registrada sempre é deixada nas bochechas das pessoas: com batom vermelho, ela deixa sua boca em forma de coracao por onde passa.  Kit morou uma época com a gente, crescendo e nos ensinando sobre a vida de adulta. Ela é um bocadinho mais velha que nós, e por isso, quando eu era apenas uma menininha boba, ela já tinha quinze anos e namorava o Jorginho, o garoto pelo qual era apaixonadíssima. Kit vivia pela casa de cara apaixonada, cantava, dançava, falava de forma tao amorosa desse amor (imagine uma atriz italiana num daqueles filmes bem melosos - essa era a minha prima). Eu a achava simplesmente sensacional!  Um dia, ela nos mostrou uma foto em que estava de topless,...