Entao ela sai. Bate a porta levemente. Dá pra ouvir chamar o elevador. Lá dentro deve estar colocando as botas pesadas: ela sempre sai com os sapatos na mão. A mãe nunca entende o porquê da pressa... Antes, pegou suas coisas: sua bolsa bonita de tecido japonês, seus fones de ouvido, colocou suas meias-calcas coloridas, seu casaco e saiu balançando sua sainha de tule. No rosto, leva um discreto sorriso, um batom, um rímel no capricho. A bochecha levemente rosada, a franja que cai na testa, uma touca grande, colorida, afrancesada. Na bolsa leva certamente um, dois ou três livros que vai ler no bondinho, um creme para os lábios, a carteira, o celular. Alguma peca pra trocar na casa de uma amiga qualquer onde vai dormir aquela noite. Na semana passada, aproveitou que a mae nao estava em casa e reuniu uns bons amigos para uma noite de pocker. Diz ter ganho alguns trocados: estou ficando boa nisso . Devem ter rido muito, ouvido muito música - às vezes a mae pensa que talvez os vizi...