30/09/2013

Um tema um tanto podre

Havia acabado de mudar para a cidadezinha no Amazonas que moraria ainda por oito anos. Tínhamos alugado uma casinha boa, as criancas ainda eram bem pequenas e eu tinha largado mais uma vez a faculdade pra cuidar melhor das minhas duas amadas crias. Tinha uma moca que me ajudava em casa e eu vivia passeando de bicicleta pela cidade com meus meninos nas cadeirinhas próprias para bicicleta. Levava uma vidinha boa.

Mas já fazia dias que eu sentia uma dores fortes na barriga. Na terceira noite de dor, nao aguentei. Dei um jeito de chamar a moca pra ficar em casa com meus meninos enquanto eu ia ao pronto socorro. Marido estava em mais uma de suas viagens a trabalho e eu já nao estava mais aguentando as dores,que pioraram muito. Doía toda a barriga e como sou desesperada por natureza, já estava pensando até em preparar meu testamento que nao teria nada de excepcional além de uma alianca de ouro branco com esmeralda que minha sogra me deu ao "casar" e um brinco de ouro que a tia-avó do marido, me dera uns anos antes, além de cartinhas de motivacao e amor pra cada filho abrir a cada novo ano, quando a mae deles já nao estivesse presente. 

Sou dramática ao extremo! 

Chamei um moto táxi me contorcendo na rua, me agarrei na cintura do rapaz e disse com voz de moribunda pra irmos ao hospital. A atendente deve ter levado muito a sério as caras horríveis que eu fazia e me mandou rapidamente falar com o médico de plantao. 
- "Doutor, desconfio que estou com algo muito grave, pelo amor de Deus, dá pro senhor ver logo o que tenho?" - e fui logo me deitando na maca que havia no consultório mesmo antes de ele me pedir pra fazer isso. Se ele falasse algo sobre apendicite, eu teria morrido ali mesmo - tenho um grande trauma de infância,  quando uma priminha nossa, morreu em decorrência de uma  apendicite furada (tenho horror só de ouvir alguém falar desse problema, até hoje).
O médico apalpou daqui e dali, doia tudo, em todos os lugares e a dor era tao terrível que parecia se mover de um lado pro outro. "Ai meu Deus, sou tao nova pra morrer e meus filhos? Como vao ficar?"

- "Dona Nina, tome esse remedinho aqui" - falou o médico com uma leve cara de riso. Eu olhei o nome: Luftal. - "Mas doutor, Luftal eu dava pra minha filha quando ela era bebê pra aliviar suas cólicas!

- "Exatamente, dona Nina, o que a senhora precisa é dar pum, vá pra casa e alivie isso aí.

Heim?? Como? O que o senhor falou?

Quando cheguei em casa, toda serelepe e contente (ainda nao havia chegado a minha hora!!),  encontrei Lene toda preocupada comigo. Ela correu pra saber o que eu tinha. Contei e ela caiu na risada - "Vindo da senhora dona Nina (ela sempre me chamou assim, mesmo que eu insistisse pra me chamar de Nina) - nao era de  se estranhar, a senhora é tao chiquezinha que parece nem mesmo soltar pum".

Nao sei porque Lene me achava chique, talvez porque eu ouvia umas músicas difrentes, tentasse estudar francês sozinha com velhas fitas cassetes, sonhava viver na europa e brigasse sempre que ela ia fazer algo pra mim na rua e quisesse ir descalca - Lene era muito estranha, um dia ela foi ao banco descalca! E nunca ia trabalhar se chovesse... Mas ela tinha razao, eu tinha horror em dar pum. Ahahhahahha.. Achava a coisa mais ridícula que alguém podia fazer.

Depois desse dia, vivia me observando: "Nina, pum é coisa saudável! É saudável".

***
Pensei nesse dia com Lene neste fim de semana. Há muito tempo nao tenho problema com gases, mas no último sábado sim. Atualmente, as dores nao sao mais na barriga, mas nas costas e ombros. Daí lembro da Lene, do médico jovem e mais especialmente, lembro de um velhinho índio, que morava nessa cidadezinha, que um dia, ao me ver reclamando de dor na barriga, disse que após o parto as mulheres podem apresentar uma tal de "mae do corpo" e me receitou um chazinho ótimo pra gases (oops, mae do corpo entao seria pum acumulado?) 

Se você sofre do mesmo problema pode confiar, esse chazinho é tiro e queda:

300 ml de água fervida;
metade de um dente de alho cortado ao meio;
um pedacinho de casca de laranja;
6 cravinhos da índia

Tome e vá, pelo bem dos que você ama, pra bem  longe deles!

obs. minha mae que trabalha com velhinhos e diz que eles viviam tendo problemas com gases, desde que soube  desse meu chazinho miraculoso, diz que os velhinhos nunca mais sofreram disso.
A velhinha aqui também nao ;-)

7 comentários:

  1. Sempre passo para uma visitinha, mas hoje dei tantas risadas com o seu post que resolvi deixar esse recadinho. Realmente a dor é terrível, outro dia pensei que ia infartar e era apenas gases.Pode? vou fazer o chazinho. beijos e ótima semana.

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  2. Nina, esse post eu precisava ler hoje! rs Passei a noite me contorcendo em dores, cismei que meu Luftal estava "esquisito" (não se dissolvia bem na água, e não pude tomá-lo. Como estou em tratamento contra a "Síndrome do Intestino Irritável", sabia que eram gases, mas foi dor demais e pensei até em uma cólica de vesícula, vou ficar de olho hoje.
    Adorei a Lena. rs
    Beijo.

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  3. Só você mesma.... rsrsr
    Olha Valentina as vezes tem retenção de gazes, tadinha... dói...
    Falo pra ela dar pum ou tentar arrotar, o negócio é colocar pra fora... rs
    Ai Nina.... rsrs
    Beijos

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  4. Nina, sabe que quando comecei a ler seu texto e suas queixas dessa terrivel mazela, nao pensei em outra coisa senao gases! hahahaha Mas que comedia seu texto, me acabei de rir aqui LOL
    Bjinhos Nina!

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  5. Mulher de Deus! Só tu pra descreveres com tanta propriedade essa história tão "bombástica". hehe

    beijos pitangueiros

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  6. olá..retribuindo a visita ..e confirmando o q vc disse: qdo vc escrever um livro eu faço a ilustração.. q tal?? seu post me fez lembrar que tb já fui parar no hospital com 16 anos pelo memso motivo..e até hj sofro desse mal mas já peguei a receita do chá ..bjks LIN

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