21/11/2012

O snorkel e eu

Nao foi minha primeira vez fazendo snorkel, mas me comportei como se fosse.  Deixa eu te contar mais uma experiência em Zanzibar.

***


Meu marido é louco por snorkel, eu, mais ou menos. Queríamos ir juntos, mas a equipe falou que nao podíamos levar o bebê (nao pra ele praticar snorkel, mas pra ficar com um de nós enquanto o outro mergulhava) porque a ida até lá pode ser perigosa (alto mar). Entao ele foi no primeiro dia. Chegou esbaforido, todo contente, falando sem parar que havia sido o mais bonito schnorcheln que já tinha feito na vida. E foi correndo fazer minha inscricao pro dia seguinte. Eu meio desencorajada, topei e no dia seguinte, lá estava eu com meu snorkel, protetor solar e só. Marido tinha levado toda a parafernália que alemao sempre carrega pra onde vai: máscara, sapatos especiais pra nao machucar o pezinho delicado que nunca pisou descalco em lugar nenhum, protetor solar que NUNCA usa, máscara, enfim, tudo! 

Cheguei, conheci a equipe de mergulho, e todas as pessoas que iam com a gente, um total de mais ou menos, umas 15 pessoas. 4 mulheres apenas. Depois de todas as informacoes necessárias, e a vestimenta apertada, fomos ao barco. Comecou aí o sofrimento.
O barco era bem grande, super resistente,  madeira robusta, mas isso nao serviu pra abrandar o movimento das ondas do oceano. Até o ponto de mergulho, era preciso quase uma hora de cor linda de mar mas de movimento brusco de onda. Todo mundo parecia estar muito bem, só eu parecia já estar enjoada? Quando chegamos ao destino, cada um foi colocando suas máscaras, pés de pato e arrumando seu snorkel, enquanto outros colocavam os equipamentos de mergulho mais profundo. Nos dividimos em três equipes, eu fiquei com um líder de Zanzibar, e mais 4 pessoas. Duas mulheres e dois homens.

Marido viu antes golfinhos bem na sua frente, eu nao vi.
Pulamos do barco, todos pareciam bailarinos elegantes se jogando ao mar e eu parecia mais uma elefante desajeitada, tchibum na água. Nessa hora me deu meio que um desesperozinho. Batia as maos como uma pata doida se pata tivesse maos, nao conseguia manter os pés de pato embaixo como todos faziam, eles teimavam em ficar boiando, pra trás, me deixando numa posicao no mínimo estranha, o meu cabelo agarrava na borracha da máscara, água entrava pelo snorkel, e pela máscara, eu nao enxergava quase nada. Ainda levava uma máquina de fotografia de mergulho que claro, marido insistiu que eu levasse e que eu claro, em momento algum usei. Ficava com medo da merda se perder de mim, entao me enroscava na corda da máquina, e na corda da bóia. O líder perguntava o tempo todo: are you ok??? eu já nem respondia, nao tava ok p* nenhuma! Ou ele perguntava: what´s wrong with you??? Eu queria dizer que ele estava vendo alucinacoes, eu estava ótima, magiiiina! Ele me deu a sua bóia que usa pra casos de gente lesa como eu, e eu fui tentando segui-lo. Ficava lá pra trás, quando todos iam na frente, nao via nada de interessante, a nao ser um peixinho ou outro que veria em qualquer rio do Amazonas. Ficava muito puta vendo todo mundo fazer sinal de ok com a mao, significando que estavam vendo maravilhas apontadas pelo guia. Enquanto eu, só via uma paisagem embacada. Tentava limpar a lente, mas ao fazer isso, perdia o equilíbrio e me afogava lentamente, engolindo água salgada. "Cospe a água pelo snorkel mesmo" disse o guia, e eu em vez de cuspir, engolia. Já estava me arrependendo muito de ter ido aquele passeio podrao, xingando marido, o guia, aquelas mulherzinhas metidas falando italiano e albanês, os peixes, a água, o mar, o sol me queimando as costas, quando ele indicou que deveríamos voltar ao barco. Já ia com tanta vontade de chegar, que por pouco nao morri enforcada na corda que prende o barco a âncora, que obviamente, nao tinha enxergado. 


De volta, pensei inocente que ia ficar melhor, mas quando você sai da água e vai pro barco, a sensacao pode ser bem chata porque o barco fica balancando, e é diferente de quando você está envolta pela água. Comecei a me sentir mal. Tínhamos que comer algo, eu comi uma banana apenas e bebi  muita água, agora doce. A italiana já estava com uma cara bem estranha, a inglesa também, a albanesa me olhava e ria. Eu olhei pra cara da italiana, ela olhou pra minha cara, nos viramos na borda do barco e comecamos a "alimentar" os peixes com as frutas comidas antes. A inglesa fez o mesmo e ficamos ali, as três, vomitando por algo que parecia horas. A gente olhava uma pra outra, e voltávamos a vomitar no mar. Aquele balanco infernal parecia que nao acabava nunca e nem  o que tínhamos dentro da barriga! Os homens riam discretamente, com cara de pena e de nojo, os nativos da aquipe diziam ser normal, e eu queria matar os líderes que nao nos recomendaram medicamentos antes de sairmos. A albanesa me olhava agora com pena e perguntava se estava tudo bem.... 

marido viu muitos peixinhos. Eu também.

Alguma mágica aconteceu depois de passar mal. Toda a sensacao ruim acabou e eu decidida, coloquei meus equipamentos. As outras duas, estavam tao mal que nao quiserem mais ir pra água. A albanesa, o seu pai e o namorado da italiana foram sozinhos. E eu fui junto, me jogando nos bracos azuis do oceano  agora como uma elefante-bailarina e confiante. Renovada e mais leve, voltei pra água sob olhares incrédulos de todos que nao acreditavam que eu estava voltando pra fazer snorkel. 

A bóia eu já tinha dado pra italiana quase no fim da primeira "snorkada" e tinha sido a melhor decisao do dia, a bóia, na verdade, atrapalhou muito, agora, sem ela,  foi maravilhoso. A máquina ficou no barco. O ponto de snorkel era outro, ainda mais bonito, próximo de uma ilha de areia branquíssima, a água era incrivelmente clara e havia muitos recifes e muitíssimos peixes, que nao, eu nao veria no Amazonas. Tudo funcionou perfeitamente dessa vez, o guia  me olhava orgulhoso e eu via tudo!!! Tudo o que nao vi antes. 

Marido viu estrelas do mar , eu também.
O corpo parecia levitar naquela água de um azul profundo mas leve, o fundo do oceano ficava longe, e eu o olhava de cima, num balanco bom e agradável, os peixes nadavam pra lá e pra cá, perto, longe, entre nós, vi tudo, vi a mágica.  Aquele silêncio dentro do mar, aquele mundo submerso, as cores, as belezas, nao dá pra explicar em palavras. O mar se sente apenas. Apenas se sente.

Voltamos. O guia já falava comigo supreendido pela minha coragem de ter voltado. As pessoas me cumprimentavam. Comentavam comigo o que tínhamos visto. Eu resplandecia.

Voltamos e ao descer do barco, pisei num espinho, furei o pé, fiz sangrar tudo a volta, até hoje sinto a dorzinha discreta. Marido estava com seus sapatos especiais pra corais... eu ri dele antes. Ele riu de mim depois.

E assim, a vida continua, com suas pequenas e mágicas situacoes...


11 comentários:

  1. Ai que delicia Nina...
    Eu não sei se teria coragem - NÃO SEI NADAR!!! RSRS

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  2. HEHEHEHE, JÁ RI MUITO AQUI OLHA!

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  3. Oi Nina!

    Menina, usar snorkel é assim mesmo, no começo a gente sempre se enrola, mas depois que pega a manha, tudo fica mais bonito... eu lembro que quando fomos a Maceió, e fizemos o passeio para Maragogi, aquele lugar lindo, usei o snorkel que a gente alugou, depois disso, pensei "nunca mais quero usar esses snorkels babados" (êca!), depois, ao voltar dessa viagem, comprei snorkel e máscara e na próxima viajem levei. Foi para o Morro de São Paulo, um lugar lindo também, é muito bom ver a vida marinha, né? os corais, os peixinhos, as algas, enfim, tem um mundo lá embaixo, né?
    Quanto ao uso da bóia, vc tem razão, é isso mesmo, às vezes acaba dificultanto, melhor está livre, leve e solta (rs), assim vc curte mais o mergulho.

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  4. Amiga, me empolguei e acabei esquecendo de comentar as suas fotos... são lindas, maravilhosas, fiquei imaginando a sensação do seu marido ao ver os golfinhos de tão perto, maravilha!

    Bjs e fiquem com Deus!

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  5. MARAVILHA!!! de lugar... de fotos... AMEI!!!
    corajosa você!!!! eu teria medinho....
    Que delciai sua viagem Nina, parece que você aproveitou muito mesmo... que bom!
    beijosssssss

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  6. Que belezura, Nina!
    Persistência, prática, coragem...
    Fiquei com remorsos por ter sorrido tanto. Você riu por último, e melhor!
    O dodoizinho foi só um detalhe.
    Beijo caipirinha.

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  7. Nao precisa ficar mal por ter rido, Cris, foi uma situacao engracada mesmo, pelo menos depois, eu tbm ri mt da minha leseira baré ;-)

    leseira baré= bobagem amazonense :-)

    Aêeeeee Julita, fazendo tbm!!! nao sabia dessa tua pequena aventura. É maravilhoso ne? Tbm temos aqui todo o equipamento, nao da pra usar aquele que outros mts ja babaram :-) ecaaaaa :-/
    Vamos fazer em Morro de Sao Paulo juntas?? vamo ver...

    Dani, tu nao sabe nadar? rsrsrs, ta bom de aprender, viu? nao diga isso a um alemao, eles acham uma das coisas mais importantes na vida, principalmente os pais. Essa é a primeira licao que as criancas aqui aprendem :-) Eles acham super perigoso alguem nao saber nadar... sao quase paranoicos com isso.

    anonimo, a situacao foi comica mesmo :-) se vc visse a minha cara na hora, ahahahahahha

    As fotos estao legais, mas nao condizem com a realidade, sabe Ana? aquilo é mt lindo menina!

    Ei Renata, dramin, que lembranca! eu vivia com dramin antigamente... eles falaram depois que era pra ter tomado bem antes, mas entao que dissessem na hora da inscricao ne? Po!

    Bjs meninas!

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  8. Vc tem uma maneira muito bonita de descrever sensaçoes. Tive uma experiencia existencial junto com seu texto. :)

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  9. Nina, não tenho medo de rato ou de barata,nem de minhoca,o meu pavor é de peixe.Todo e qualquer peixe, até mesmo os pequenininhos de aquario.Me apavora as guelras, as escamas, aqueles olhos...
    Parabéns por sua coragem, determinaçéao e por não sedeixar abater porolhares e criticas.

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  10. Adorei ler, Nina. Eu jamais entraria no mar, mas admiro que tem essa coragem.
    Você descreveu toda a situação muito bem, com humor junto.
    Beijo!

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