19/09/2012

Eu cresci!! Eu CRESCI!!! EU CRESCI!!!!!!!!!!!!!!

Nao cresci fisicamente. 
Infelizmente. 
Bem que eu queria amanhecer um dia e ter magicamente, 1,70m...
Nao cresci assim.
Mas por dentro.
O post vai ser longo.
Entao, tudo bem se você fechar a página.
Sei que você nao vai ter paciência de ler minhas descobertas de mulher finalmente, adulta.

* * *

Depois do sonho com minha avó, fiquei pensando muito ainda em qual era afinal o ensinamento que eu deveria tirar dali. Pensei por longos dias, li e reli cada comentário de vocês, fui e voltei na minha imaginacao a esse sonho procurando detalhes que passaram por mim, despercebidos. Tentei entender sozinha, li muito sobre sonhos, visitei muitos sites, livros, perguntei a amigos, tentei visitar o passado, até mesmo o futuro. Nao encontrava nenhuma resposta... Mas foi na cozinha aqui de casa, com minha filha Laura, de 18 anos, que entendi. Que entendemos juntas o meu sonho. Nao sei se estamos certas. Nao sei se há outras perspectivas a serem abordadas, mas por enquanto, com  a nossa observacao, estou me dando muito por satisfeita.

Quando contei detalhadamente o sonho a minha filha, ela me ouviu muito calma e silenciosamente. Eu falava com toda a paixao que me é característica, tentando fazê-la entender um pouco do êxtase que foi rever minha avó. E da emocao da despedida, quando a abracei, forte e demoradamente, como jamais havia abracado alguém. 

Minha filha entao falou coisas que pela primeira ficaram muito claras. Em outras palavras, ela me disse isso:

"Mae, se a bisa veio em espírito ou nao através desse teu sonho, eu nao posso afirmar, mas acho e desconfio que essa resposta que tu procuras,  tu já conhece. Porque nosso inconsciente sabe das coisas antes mesmo delas acontecerem e é você quem sempre me diz isso. Quem falou contigo, mae, foi tu mesma. Foi teu inconsciente querendo te mostrar que já é hora de deixar de ser menina pra ser mulher. Mae, eu nunca te vi falando da bisavó Laura sem se acabar em lágrimas! Quando tu fala dela, tu parece uma menininha se desvaindo em choro e vivendo como se fosse no passado. Alguma coisa te prende a esse passado, e tu encara a bisa como uma muleta. Te ajudando a segurar as barras que tu acha que nao pode segurar sozinha. Mas tu pode mae! Só tu nao percebe que é forte pra caramba! Nao precisa mais da vovó, mae! Deixa ela ir. Quer seja o espírito da bisa, quer seja, teu inconsciente que se acha dependente da lembranca dela".

Durante essa conversa que tivemos na cozinha, eu tentava de todas as maneiras fazer Laura entender que eu tinha verdadeira alegria em manter as lembrancas da minha avó, que nao queria perder isso, que nao vivia no passado,  que isso que aquilo... debatíamos longamente sobre tudo isso. E só quase no fim da conversa notei que apesar de toda a emocao, eu nao havia derramado uma lágrima sequer nessa noite na cozinha.

Você nao sabe, mas eu nunca  falei sobre minha avó sem chorar. Nunca, nesses quase 29 anos depois de sua morte...
Entao, a ficha caiu.

...

A ida da minha avó causou um grande impacto em mim. Eu era menina e cheia de traumas, tristezas, mesmo que na época nao soubesse disso claramente. Me achava uma pessoa que nao recebia amor de ninguém, na minha cabeca, só minha avó me amava. Entao ela parte, vai embora, cara!!! Que dor feladaputa! Minha prima diz que antes dela ficar gravemente enferma, antes da fase em que já nao podia falar, ela chamou todos os filhos e netos e se despediu de cada um. Eu nao lembro disso. Meu cérebro apagou isso, e como nao lembro, nao acreditava ter de fato me despedido. Como funciona isso na cabeca de uma menina que só acreditava ter amor de quem estava à beira da morte? O jeito era nao se despedir nunca dessa pessoa amada. Claro. Por isso eu a mantinha guardada dentro de mim. Minha filha me fez ver, que enquanto minha vida estava muito dolorida, ou seja, desde sempre, até poucos anos atrás, eu precisava da muleta que minha avó representava. E como a minha transformacao "de lagarta pra borboleta" foi um longo processo, eu ia pouco a pouco, me desvencilhando das mágoas, tristezas, carências, enfim, das coisas que me prendiam a infância e que achava nao ser capaz de ultrapassar sem que me segurasse na minha avó. Ela era meu porto seguro, mesmo nao estando mais aqui. Minha filha acha que eu alcancei um nível agora em que nao preciso disso pra me sentir feliz. Porque eu sou feliz.

Entao, eu deveria me despedir finalmente da imagem que me ajudou tanto nesse período de aprendizado, porque a missao já foi alcancada.  
Entao tá explicado porque  tive que esperar 29 anos pra me despedir da minha vó... porque comigo tudo funcionava mais lentamente. Eu precisava desse tempo.

E foi aí que  juntei todos os quebra-cabecas.
Eu agi a minha vida toda como uma menininha indefesa, doente, carente. Fazia tudo o que os adultos queriam, lutava pra sempre dizer sim, pra ser boazinha, caladinha, comportadinha. Tentava passar a imagem de vida feliz, mesmo estando com a alma em frangalhos. Eu era uma menininha esperando eternamente que minha avó passasse a mao sobre a minha cabeca e me abracasse com seu grande amor e cheiro de lavanda infinito! Muitas pessoas ligavam a minha imagem a de uma menina, minha filha diz que por longos anos, a música que mais a fazia pensar em mim era aquela na voz da Cássia Eller "quem sabe ainda sou uma garotinha, esperando o onibus pra escola, sozinha...

Notei na nossa conversa que as descobertas da mulher que eu estava me transformando comecaram há muito tempo, mas que tudo foi bem devagar, num longo processo de aprendizagem, onde eu amava a mim mesma e me permitia ser feliz. As evidências desse desenvolvimento, eu escondia, porque nao queria crescer, nao queria perder minha avó. Notei que até nos blogs, tenho seguido outro rumo: neste, já nao preciso falar de tanta tristeza como antes, e no outro, que escrevia sobre minha infância, parei faz tempo. Ou seja, estava me despedindo aos poucos dessa necessidade de ter protecao há muito tempo e o recadinho escrito com letra de menina e o longo abraco na vovó em sonho, foi o ponto máximo dessa despedida.

Nao existe mais razao para o uso de muletas. Porque as feridas sararam. E eu cresci.

É bom se ver adulta, viu?! Isso me faz bem. Sou mulher e pela primeira vez na vida eu aceito isso: sou mulher, adulta, feliz e realizada. E gosto de mim exatamente como sou, mesmo nao tendo 1,70 de altura.

* * *
vai vovozinha. pode ir. 
obrigada Laurinha, minha flor, meu amor.

18 comentários:

  1. Nina, que postagem fantástica!
    Quando postou a respeito de sua avó eu ainda não seguia o seu blogue, contanto, li e fico muito satisfeito ao ver alguém se desvencilhando do passado, amadurecendo... Caraca... você me deu inspiração para escrever um post a respeito disto, claro, não exatamente de sua história, mas algo geral, porque há muita gente que precisa deste tempo, deste processo todo que passou, porém, não está compreendendo e creio que nós, blogueiros, de algum modo, somos formadores de opinião. Se eu fizer o post, quero permissão para que me deixe linká-lo a este para que as pessoas possam compreender melhor. Aguardo sua permissão.
    E observe como as coisas evoluem, pessoas geralmente fazem descaso de adolescentes, mas foi a SUA filha, adolescente, que lhe fez enxergar o que você não conseguia.
    Boa noite Nina e até mais ver!


    => CLIQUE => Escritos Lisérgicos

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  2. Olá Nina!
    Transcendente... Freudiano!
    Creio que sua história é a de todo mundo,mais cedo ou mais tarde.
    A "vovó" denominada Maturidade não tem este nome à toa!
    A música (tão boba) que me acordou para a maturidade a anos dizia:
    "Tô nem aí, tô nem ai..."
    Um beijo do leste paulista,
    Cri.

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  3. O ouvir da sua filha foi de uma sabedoria extraordinária.
    Um relato intenso.
    Beijo

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  4. Danada, sempre acabo com os olhos marejados aqui, sozinha, diante deste Pc!
    Ninoca, não é à toa que sua filhota é uma devoradora de livros, a menina que também virou uma moça, e talvez vc nem tenha percebido tanto, envolvida com seu pequeno Pedrinho, mas a Laura é uma moça muito perspicaz e inteligente, uma grande companheira que a observa com carinho e imparcialidades.
    Ela está certíssima e ainda bem que ajudou-a a clarear tudo isso.
    Agora sim você será feliz verdadeiramente e estou prá lá de contente em saber disso, afinal já te acompanho há tempos e sempre você acaba recorrendo a este tema de sua avó, mas é sempre dolorido, penosa a falta que ela te fez precocemente.
    Ainda bem que ela veio em sonho e vocês elucidaram este quebra cabeças.
    Seu post sempre maravilhoso, claro, muito sensível e intenso.
    Falei de você noutro dia para a amiga Calu que mora aqui perto de mim e fiquei feliz em ver que vocês duas se visitam agora, ela também teve uma avó assim, querida, participativa, grande amor em sua vida.
    Que elas tenham um lugarzinho ao lado de Deus para sempre!
    beijinhos cariocas



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  5. Sábia Laurinha, teus filhos valem ouro minha amiga.
    beijo grande, Adri

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  6. Querido Christian, claro que pode linkar. Eu pensei exatamente nisso, adolescentes tbm sao seres pensantes :-) Brincadeira. Minha filha é mt perspicaz, inteligente e prática. Ela vê as coisas por um outro prisma que eu. A gente se completa mt.

    Isso mesmo Cristina, é a história de cada um de nós, mais cedo ou mair tarde. Tenho um livro aqui que fala sobre isso, de como somos criancas eternamente feridas, qd reagimos assim ou assado. Mas o livro fala que a gente tem que crescer...

    Ela me ouve muito Ana, Laura é minha melhor amiga. Mas tbm qd comeca a falar, ninguém segura :-)

    Laurinha é uma menina mt diferente das mts que vejo, desde pequena é diferente, tem outras coisas na cabeca, gosta de filosofia, lê tudo o que aparece na frente, discute sobre tudo. Sempre foi mt esperta, Beth. Tbm me cobro nao ficar tao colada ao pedro e dar mais atencao aos dois adolescentes. A gente conversa mt ainda, é o que nos prende firme um no outro.

    Anteontem, um dia depois da nossa conversa, qd agradeci a ela pela ajuda a entender o sonho, ela me disse simplesmente: foi fácil maezinha, eu te conheco mt bem.
    Nao é lindo?
    Ahh Beth, a Calu é mesmo um amor, a conheci através da última blogagem coletiva. Nem sabia que vc eram amigas, olha que coincidência.

    Sao mesmo Adri, sao jóias mt preciosas, minha maior e única riqueza.

    Um bj gente. Um beijo da adulta aqui :-)

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  7. Lindo post! Bela visão da situação!

    E quando te vejo dizendo que se sente feliz e realizada, gostaria de saber como é se sentir assim... rs

    Beijocas

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  8. Que post lindo Nina!! Eu te compreendo perfeitamente... tem gente que leva a vida toda para entender e superar certas coisas e as vezes não conseguem... você conseguiu no seu tempo. Coisas que não "lembramos", a mente muitas vezes bloqueia para nos proteger.
    Em uma corrente da psicologia, para isso que aconteceu, dizemos que você "fechou uma Gestalt". Agora sim... tudo fez sentido pra você. Beijosss

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  9. Oi flor...
    que post e desabafo lindoooo...
    Sua filha demonstrou pra você também Nina... você percebeu que você virou mulher e sua filha deixou de ser criança??? Achei as palavras dela profunda e fortes e cheia de sabedoria... minha nossa...
    E que venham mais descobertas boas na sua vida!!! sempre...
    beijosssssssss

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  10. Nina, fantástica sua conclusão!
    O processo que te leva a aceitar a "adultez" na plenitude é cheio de pedrinhas, pedrinhas do passado, amores, dissabores, mas tudo faz parte de um pacote que por vezes fica muito pesado... E a vovó veio pra te dar esse recado!
    Tempo de renovação!
    Lindo o papo que tivestes com Laura, ela é uma querida, tal como a mãe!
    Beijos, adulta!
    Márcia

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  11. Oi Nina!!!

    Que lindo o post!
    A necessidade de se libertar para viver plenamente a vida te fez ir lá no lugar mais íntimo e guardado da memória e trazer as mais fortes emoções, provocando sensação de paz, conquista, crescimento.
    É a vida buscando seguir. Que bom que vc conseguiu!

    Parabéns a sua filha que é iluminada e esta num estagio elevado de evolução.

    Vida que segue! E viva plenamente!

    Beijos!!!

    Selma

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  12. Que lindo ver essa flor se desabroxando, e digo no contexto do texto inteiro, como voce foi com essa historia fluentemente desatando todos os nos! E lindo ver esse passo a passo, esse despetalar, se e que podemos dizer assim. E nao tem coisa melhor que voce se descobrir atraves de sua filhota, que ja deveria receber a carteira profissional do conselho de psicologia (;D). Agora sua vozinha vai em paz e voce segue sua vida como um outro olhar para os problemas, conflitos e para si mesma. Voce esta de parabens, Nina, por tomar esse passo tao grande no entendimento consigo mesma... e um processo que tem o seu tempo. As coisas acontecem como tem que acontecer.
    Um beijo grande para voce Nina mulher :)

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  13. Eita, mae! Fazendo propaganda da sua filha de novo por aqui, né? Confesso que me sinto lisonjeada com todo o amor e orgulho vindo de você, mas, qualé: "acho e desconfio que essa resposta que tu procuras, tu já conheces"? Soei culta até demais nesse parágrafo em itálico aí. Nao vai enganar os leitores, que tu sabe que "nóis fala errado purque nóis qué" :D

    Enfim, também estou feliz em te ver feliz. Que bom que a nossa solucao te agradou! Mas, olha, tudo o que eu fiz foi ouvir e tentar organizar os fatos de forma mais racional, a maioria das descobertas você fez sozinha... Talvez eu tenha dado um empurraozinho, mas nem foi tanta coisa assim! Como já dito: eu te conheco a minha vida inteira, é óbvio que também tenho que dar o meu tempero à sopa, nao?
    (falando nisso, quando rola sopa de abóbora de novo? *-*)

    Povo dos comentários: valeu mesmo! Só que pra receber "carteira profissional do conselho de psicologia" ainda tô longe... ;)
    Mas quem quiser um ensinamento geral da filósofa de plantao, aí vai: Fiquem na paz. Pensem. Falem. Amem. Vivam muito que o "tempo nao paraaa, nao, nao paraaaaa...~"

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  14. Como disse a leitora Cristina :
    FREUDIANO....
    Laurita estou te mandando uns livros pela sua mae....acho q vc vai gostar...
    beijokas

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  15. Foi um post muito bonito, mas acho que esquecer as lembranças da sua avó não são a solução. Lembranças felizes sempre nos ajudam a seguir adiante quando temos problemas. Se é para deixar para trás alguma coisa, é melhor deixar os sentimentos de dependencia e falta de amor. Beijos!

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  16. Coisa mais linda!!!! Nem tenho o que comentar. Quero apenas dizer que quero pra sempre ler coisas bonitas assim.

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  17. Oi Nina,
    Temos um ponto em comum: amamos (e muito) avós.
    Li suas histórias e mais do que a possível explicação pro seu sonho, achei linda e madura a relação que construiu com a sua outra Laura - coisa de adulta sensível. No fundo é isso: carregamos o que somos e a gente que nos formou SEMPRE e chega um dia que começamos a ver refletido todo esse pessoal em nossos filhos. Por isso, não há como dar ponto final, nem ao seu sonho, nem ao seu sentimento. A gente cresce com eles.
    Sinto que um adulto melhor é aquele que não perdeu a criança que foi. E a sua sensibilidade mostra que as vivências se somam. Não é preciso subtrair nada pra seguir adiante.
    Gostei de te conhecer e virei seguidora!
    Beijos,
    Rachel

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  18. Nina
    Aplausos.
    Foi um processo catártico, que compartilhar produtivo. Que bela despedida, enfim liberta para seguir enfrente cheia de coragem e alegria por ter tido uma avÓ tão significativa que vai estar sempre em seu coração.
    bjs, Boa semana

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