27/04/2011

Um pouco sobre o que eu sei do amor

Quando mais jovem, eu queria entender porque as pessoas que mais deveriam entender de amor, nao sabiam colocar esse sentimento em palavras. Eu ficava muito chateada com os poetas, pensadores e escritores que diziam nao poder expressar em palavras sobre o que é o amor. Eu era jovem, confusa e precisava entender o que era afinal aquilo que tanto lia em livros, via em filmes e novelas, via no rosto da minha prima apaixonada. Mas nao via em mim mesma. 
Os namorados já existiam e pareciam saber mais do que eu o que era o amor e eu ainda nao sabia explicar se o que eu sentia por eles era isso tudo que todo mundo queria mostrar, exibir, pra mim. Eu me sentia cega e insensível. Sem entender o que acontecia comigo mesma ia procurar entender o amor em livros... e os caras que poderiam explicar nao faziam seu trabalho direito. Daí, como sempre, o tempo foi me ensinando, sabe? Como sempre...

De fato nao há nada que explique o amor. Ele existe e pronto. Ponto. Os poetas estavam certos. Nao há nada que o explique. Ele adquire diversas terminacoes, e pode ir por várias direcoes. Sem razao. Mas é ainda algo inexplicável. Pode ser entendido de diversas formas e sentido também assim. Às vezes é forte, às vezes é mais fraco, é quando tá no comeco, quando tá no fim, o amor se desenvolve. Se transforma.

Havia um casal de tios do meu ex-marido. Eles eram casados há muitos anos. Sobre ele, todo mundo falava mal, era desde novo muito paquerador e depois de velho, ficou extremamente chato. Sua mulher, uma maravilhosa e tranquila senhora, uma muito prendada dona de casa, inteligente e trabalhadora (tinha uma ateliê de costura), já tinha sofrido muito com  o companheiro de anos e era mesmo assim, extremamente cuidadosa com seu marido. Eu perguntei um dia a ela porque ela aguentava os abusos do marido e ela disse ser simplesmente uma mulher resignada, que nao havia o que fazer, ele era daquele jeito e se ela decidiu ficar com ele por aqueles anos todos, era por decisao própria. E por amor a relacao deles. 
Depois de ouvir isso comecei a observar os dois mais atentamente e pude notar que as pessoas falam muito do que nao sabem. Elas nao veem os pequenos detalhes, apenas abrem sua boca pra falar, sem pensar nas consequências de suas maldosas palavras. O casal era amor puro dentro de casa e isso o povo nao queria ver. Ele acordava bem cedinho pra nadar na piscina do prédio, todas as manhas, e ela preparava as coisas pro café. Ele fazia o que podia e o que sabia, pra ajudar em casa e ela se dividia entre a casa, o marido velho, o trabalho no ateliê. Trabalhava por prazer e isso fazia bem a ela. Ele era contra, mas entendia e aceitava. Fazia piada com as irmas dela que talvez por inveja por nao ter um marido, nem nunca terem tido um amor na vida, falavam mal do cunhado pra toda a família. Ela, ria do que ouvia e com um jeitinho meigo e tranquilíssimo, mexia nos cabelos brancos e dava uma risada gentil. Ele me mostrava fotos de quando ainda muito jovem jogava futebol no clube mais importante da cidade e ela ria dos filhos pequenos agarrados às suas pernas nas fotos de família. Eles se entreolhavam com carinho. Depois ele falava qualquer bobagem e ela ia abracá-lo.  
Ele morreu depois de uns anos da minha última visita a sua casa e ela sentiu a perda enormemente, mas como sempre foi muito independente e corajosa, tem levado a sua vida muito bem. 

Até hoje guardo essa lembranca boa dos dois juntos, acho aquele casal o esplendor do amor em alguém. Da aceitacao de que ninguém é perfeito.
Do entendimento de que se eu nao sou perfeita e cometo falhas uma atrás da outra, porque vivo reclamando dos erros do outro? Tá certo, somos todos passíveis desses erros, somos humanos... mas esse entendimento tem que vir um dia na nossa mente pra só assim, passarmos a viver bem com a gente mesmo  e com o outro. Com o nosso par, nossa banda da laranja, nossa tampa da panela...

O que a gente tem que entender é que:
  • o amor só vai chegar quando eu estiver preparada;
  • mesmo que meu companherio nao seja o príncipe que sempre desejei, ele foi a minha escolha, consciente ou nao;
  • eu nao sendo perfeita, nao tenho o direito de cobrar perfeicao no outro;
  • mesmo que o atual amor seja o meu grande amor, e um dia esse meu grande amor acabe a relacao comigo, sempre haverá outro melhor pra ficar no lugar vazio que ele deixou;
  • ninguém é insubstituível,  que o amor é infinito;
  • se eu já tentei de tudo e o amor do outro nao chegou pra mim pode significar que eu posso comecar com o amor por mim mesma e que mesmo que eu fique pra sempre sozinha, isso nao significa necessariamente que vou ser triste;
  • tudo o que o cinema mostra é SÓ filme!!! Que aquele amor romântico e doentio, gracas a Deus, nao existe; 
  • o amor muda, se melhora, se renova, e que pode ser transformar em carinho e cuidado;
  • o sexo pode diminuir e que ele nunca pode ser tomado como prova de que o amor ainda existe; 
  • e que, principalmente,  um pedido de desculpa, um abraco, um toque de mao produzem verdadeiros milagres quando o amor precisa de um cuidado especial, ou simplesmente quando nao se sabe por onde (re)comecar...


11 comentários:

  1. Não se explica o amor, mas ele só cresce e se mantem através do cuidado entre os parceiros.

    bjs,

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  2. Pois é...Admiro mulheres como essa que você citou. Difícil aceitarmos os defeitos do próximo, difícil não guardarmos rancor mesmo amando alguém para o resto de nossas vidas.
    Eu espero ser paciente como essa mulher para poder viver para sempre com o homem que escolhi para mim.
    Amor não se define, apenas se sente,mas o segredo da para a base disso tudo é paciência, respeito e dedicação.

    Saudades!

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  3. Oi Nina!

    Olha, gostei muito de ler o que você escreveu. Texto lindo e maduro sobre o amor, sobre a vida também. As pessoas não são mesmo perfeitas, e o amor envolve um pouco de aceitação quanto a isso. Aliás, amor e amizade, pois os amigos também não são perfeitos. Todos nós erramos. E a capacidade de aceitação desses erros&acertos deve estar sempre presente para que não percamos as oportunidades que o amor e a vida nos oferecem.

    Beijos, Nina

    Carla

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  4. Ameei o post. Amoor muito complicaado.^^
    beijos
    historias-amigassempre.blogspot.com

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  5. Ameei o post. Amoor muito complicaado.^^
    beijos
    historias-amigassempre.blogspot.com

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  6. Eu tenho a seguinte opinião:quando namoramos tudo é paixão e atração,claro que também temos que gostar muito,quando casamos, ainda continua tudo isso, mas vamos amadurecendo aí que percebemos que amor é bem diferente disso, é cumplicidade, companherismo, amizade epara não perder a atração, mais paixão...Bjo

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  7. Nina,
    Eu também sou como você, sei algumas coisas no decorrer desta minha vivência a dois (28 anos), principalmente que para se continuar amando é preciso muita atenção e vontade, não descuidar nunca, como se fosse uma plantinha que poderá murchar sem água e luz.
    Muito bonito seu post reflexivo!
    bjs cariocas

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  8. Ah Nina... definir o amor é mesmo tão complicado... Porque o sentimento é dinmâmico, como nós, e muda com o tempo, com atitudes, com descobertas... Admiro muito sua Tia, mas temo que - pelo menos atualmente - não eu consiga ser como ela. Por isto tendo a sofrer um bocado, até eu finalmente entender que amor é renúncia e aceitação...
    Um beijo querida,
    Márcia

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  9. Difícil opina no caso dos tios. Todos achavam que ele não prestava. O que esse cara fazia fora de casa? Dava em cima de todas as mulheres? De repente era infiel direto. Difícil saber... Vou falar em tese.

    Geralmente o que acontecia com os casais mais antigos é que eles não se separavam por conta do que foi ensinado. Que casamento não se desfazia, que mulher separada era mal falada e tal. Então as mulheres seguravam a infelicidade do relacionamento enquanto os homens continuam tendo sua empregada 0800, mulher dos seus filhos e suas amantes fora de casa...

    Hoje em dia a mulher mudou, mas nem tanto, continua se submentendo porque os homens são um "artigo" valorizado. Todas precisam ter um, mesmo que sejam um traste. E não concordo com isso. Acho mesmo que não nasci para me relacionar nesses moldes que estão aí. Não quero ser empregada de homem, porque me sustento, muitas coisas nem para mim faço, pago alguém para fazer.

    Então fica difícil dizer o que é felicidade num relacionamento. Ela é relativa, o que pode deixar alguém satisfeito, deixa outro totalmente insatisfeito e nem se trata de ser exigente. Mas de suportar isso ou aquilo.

    Beijocas

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  10. Nessa parte de amor, eu tenho bons exemplos. Tiro por minha mae e meu pai, e por meus avos, mesmo nao tendo conhecido nenhum avo e nenhuma avo... o que escuto dos meus pais sobre eles e tao verdadeiro!

    Os pais da minha mae eram primos, e se casaram por amor mesmo, minha avo faleceu antes dele, ele 2 anos depois de sua morte, os filhos dizem que ele ficou triste demais e morreu de amor. Ha pessoas que dizem que e errado casamento entre primos... sinceramente, nao levo em consideracao.

    Entao acho que a senhorinha que voce conheceu prestava mais atencao na propria vida, nos proprios sentimentos, afinal havera sempre pessoas falando demais e coisas diferentes, se formos dar credito a todos perdemos a nossa identidade e fe em nos mesmos. Se ela estava feliz e o que importa!

    Minha avo era meio a frente do tempo e sempre disse para as filhas que nao havia problema se divorciar se elas tivessem infelizes ou se o cara bebesse demais ou se simplesmente elas nao o amassem mais. Por sua vez minha mae tbm me passou isso. Acho que talvez por dar essa liberdade e independencia a pessoa se sente mais confiante de tomar decisoes.

    Nao sei...

    A gente esta falando de amor ne?! Entao... sempre vi o amor de forma positiva. Para mim amor e bom, se nao e bom nao e amor, se designa entao algum outro sentimento, ja classificado ou nao.

    Tenha uma boa sexta!^^

    Bjinhos

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