25/11/2010

Mal educada, eu??

Eu acho que nao sou uma pessoa mal educada, eu me esforco sempre em ser gentil,  costumo tratar muito bem as pessoas, sorrir, dar lugar a quem precisa mais do que eu na fila, no ônibus, no trem, aprendi com o tempo que você recebe o que dá. 
Mas outro dia fiquei pensando se de fato, sou essa pessoa educada que penso ser.

Fui levar minha filha ao médico. Cheguei na sala de espera e ela já estava lá, do lado da sua cadeira havia uma outra cadeira vazia com uma bolsa em cima, e uma senhora de uns 50 anos na cadeira do lado. Bom, a senhora viu que eu queria sentar, mas nao tirou a bolsa. Eu estava bem nervosa porque tive medo de ter chegado atrasada, conversava com minha filha e fazia levemente o movimento de que gostaria de sentar, a mulher muito calmamente, foi tirando muito calmamente a bolsa, e falou nao muito calmamente pra eu  aguardar só um momento, que  já tiraria a bolsa,  até que finalmente ela tirou e eu por pouco, já impaciente, quase  sentei em cima daquela bolsa velha de velha chata e ranzinza!
Sabe o que é minha gente?? Aqui nao é Brasil! Aqui você nao costuma sentar num assento de ônibus ou trem, sem antes perguntar: ist noch frei? "algo como: está livre?" pra quem está do lado. Eu deveria ter perguntado isso como sempre faco, mas como já disse, estava bem nervosa e acabei esquecendo.

Passou. 
Minha filha tinha que ficar esperando ainda muito tempo e eu havia deixado meu bebezinho com o pai esperando num café, falei a minha filha que iria lá rapidinho, amamentar Pedro e voltaria em breve. Saí correndo, já comecando a suar,  num fim de tarde muito frio e fui ao encontro dos dois. Estava amamentando um bebê que já estava dando sinais de que iria abrir o berreiro, comendo um bolo, tomando café, pensando na minha filha e sua cirurgia, olhando pro relógio a cada segundo e conversando com meu marido que falava sobre um tema que nao combinava definitivamente com o momento, meio estourada e já estressada falei por um segundo num tom mais alto e acho que a boca estava nao muito vazia, um casal que estava perto olhou pra trás e fez cara feia...

Me senti péssima claro! Porque sou alguém que me cobra muito o respeito pelo outro e costumo  esperar reciprocidade, observo o que os outros fazem, e claro, surgem sempre queixas do comportamento nada educado de muitos. Principalmente aqui, onde costumo sem querer, observar como os estrangeiros sao em sua maioria, muito mal educados. Aí, no meio disso tudo, eu sendo uma estrangeira, brasileira, mae de dois estrangeirinhos, que prezo pelo bem do meu trabalho como embaixatriz do meu país (assim que penso, cada estrangeiro é por si só, um embaixador,  deve levar o melhor de si e do seu país de origem para o país que o abriga) me veio à mente que eu nao sou diferente daqueles que eu mesma critico.
Gente, isso é muito sério! Como podemos julgar os outros do alto da nossa vaidade, do nosso pedestal criado exclusivamente por nós??? Quem somos nós pra criticar os outros enquanto nós também fazemos muito parecido e nem nos damos conta? Como é fácil julgar! Você nunca sabe o que tem por trás daquilo, nao sabe que dia infernal aquele cara tá tendo até ali, até o momento que ele estoura numa fila, no ônibus, no banco.. você nao sabe que vida tem aquele cara... olha eu sei que isso nao é desculpa pra tratar mal as pessoas, ou ser mal educado, mas a questao aqui nao é ser ou nao ser mal educado, mas sim, falar do outro tendo você mesmo, culpa no cartório, entende??

As minhas atitudes sempre me levam muito a pensar. Virei uma pessoa ainda mais crítica comigo mesma desde que moro aqui. E essa situacao, apesar de nao ter sido assim tao terrível, e mostrar que  os outros também mostram muito pouca boa vontade em  contribuir para uma boa convivência, me deixou muito chateada comigo mesma...
 
Chato notar que a gente é na verdade tao imperfeito quanto aqueles a quem criticamos...


8 comentários:

  1. Nina, sinceramente não entendi a gravidade...
    As coisas que você relatou, não me pareceram em momento algum falta de educação. Sei lá. Moro no Brasil, né.
    Mas mesmo com alto estresse, você me pareceu bem controlada. Eu, em alto estresse, sou uma mula de mal educada. Sério mesmo...

    Beijos, menininha e tira esse grilo da cabecinha, ok?

    ResponderExcluir
  2. Eu nao sei como foi ao vivo, geralmente a sitacao ao vivo e diferente, mas pelo que voce falou, voce nao foi "mal educada". Somos movidos a energias, humor, e em cada situacao a gente reage. Voce nao e feita de papel, numa situacao dessas muitas vezes e compreensivel perder o equilibrio, claro que o outro nao merece despeito. Mas nao vi como uma coisa ruim. Aqui na Europa eu vejo claro: educacao e a formalidade. Eu por exemplo sou muito educada, tento ser simpatica a medida do possivel, mas eu na sou nada formal. Eu acho que aqui as pessoas sao educadas e tbm formais. Eles sao mais cometidos. Acho que e questao de cultura, pois no Brasil se para para pensar nao somos formais.
    Agora de fato voce falou uma coisa interessante, que nos somos tao imperfeitos qto aqueles a quem criticamos. Verdade, verdade.

    Agora vi este video:
    http://www.zie.nl/video/lifestyle/Brazilianen-giechelen-om-Japanse-cultuur/m1czrh5f8v4x

    outro dia desses, num jornal holandes ainda por cima, que mostrava um grupo de brasileiros em um restaurante no Japao. Quem os atendeu foi o dono do local, que sem querer derramou molho na menina. Ele ficou mais de 5 minutos abaixado em sinal de desculpas, essa e a tradicao deles, japoneses sao bem tradicionais quanto ao respeito e tudo... a questao e que o grupo de brasileiros foi totalmente insensivel ao outro que e bem diferente. Eles agiram como se fosse no Brasil, sei la, mas isso no jornal holandes estava como deselegancia, como nao respeito a cultura alheia, como zombaria. Veja bem, errado tbm do jornal Holandes, pois ao vermos o video vemos que a ideia dos brasileiros era de nao fazer o japa "se humilhar", mas soou como falta de educacao. Nos, brasileiros, somos sempre intimista, e como se todo mundo fosse amigo. Aqui na Europa ha claramente o lugar de cada um! Acho que o "excesso de alegria" dos brasileiros nao cabe em diversas situacoes, como nessa. E bom ter um simancol ne? rs

    So relaxa Nina pois voce e um amor e sempre educada. Na=)


    bjinhos

    ResponderExcluir
  3. Marcinha, sim, aqui é bem diferente mesmo. Mas e to legal, foi só um momento que eu parei pra pensar mesmo sobre julgar os outros.

    Chris, vc falou tudo. E menina, que horror o vídeo, acabei de ver, desculpa, mas achei ridículo o que o grupo fez,tirando sarro da cultura de outros povos. Sério, ridículo!

    ResponderExcluir
  4. Nina, tu fizestes o mais difícil na minha opinião: enxergar a sí mesma!!! Quantos criticam, pecam pelo mesmo erro que criticam e não conseguem ver nada além do seu próprio umbigo!!! Afinal, enxergar nossos defeitos, ter consciência deles e estar atento ao nosso papel na relação com o outro, não é pra qualquer um, comadre!
    Um beijo e parabéns pela reflexão!

    ResponderExcluir
  5. Simples assim, Nina. Todos temos falhas, cometemos erros. Para mim tabém é difícil admitir.
    Critico muito, mas sempre tento ver o lado do outro.
    Não é fácil.
    Sua filha está bem? Deu tudo certo?
    Beijo!

    ResponderExcluir
  6. Sério? Pedir licença para sentar em um lugar público onde uma bolsa está sentada?
    Eu estou sempre me policiando para não fazer tantos julgamentos, Nina, e meu estado natural é a educação mas sei que em dadas circunstância escapa... há momentos e pessoas que por vezes nos tiram o eixo... compreensivo.
    Como está sua filha?

    ResponderExcluir
  7. Ai, Nina, você mexeu comigo com este post, pois ainda há pouco me vi criticando algo e depois que a li, sinto mais ainda o quanto estou errada e sou imperfeita.
    Mas, é sempre bom quando alguém nos lembra sobre os nossos erros e ajudam-nos a enxergar e corrigir nossos atos.
    Quanto à bolsa na cadeira por aí, muito me estranha, pois não foi isso que vi no USA por exemplo, pois lá as pessoas em restaurantes costumam colocá-las no chão, imaginando que alguém possa precisar da cadeira ao lado.
    um super abraço carioca

    ResponderExcluir
  8. Olá Nina, muito prazer! Cheguei aqui através da minha amiga Beth do Mãe Gaia, que escreveu aí acima...pois é, eu e ela hj nos surpreendemos juntas o quanto criticamos nos outros o que não vemos em nós...olhar pra dentro dói...mas precisamos fazer isso e nada como uma auto análise ou uma amiga pra nos lembrar disso. Amigos de verdade são os que nos ajudam a nos tornar melhores. Eu e Beth temos isso, muito mais que irmãs, talvez. Seu post foi muito bom! beijinhos,

    ResponderExcluir