18/11/2009

Gente que não se toca

"Sie ist eine Seele von einem Menschen!"
Não se assuste com a frase em alemão, ela significa mais ou menos e não literalmente,  que alguém é amável, bondoso, comprensível.

No curso estamos atualmente debatendo psicologia (esse curso está mesmo sendo  incrível! Nunca um simples curso de língua foi tão fundo em tantos assuntos...) e ao ouvir essa frase sobre personalidades, todos na sala se viraram pra mim e inclusive a professora apontou e disse: - "A Nina é um exemplo desse tipo de personalidade". Minha colega Emanuela, italiana, ficou gritando na sala que  ninguém seria mais característico desse tipo de personalidade,  do que eu, no que todos concordaram. É claro que fico lisonjeada por ser considerada por pessoas que não me conhecem verdadeiramente, que sou um bom tipo de pessoa, que posso ser chamada de boa alma... mas fiquei pensando se sou realmente assim. À propósito, o tema veio de um filme, 21 gramas, que fala sobre os estudos de alguém que verificou o peso de pessoas antes e depois de elas morrerem e notou que elas pesavam 21 gramas a menos, o que o filme ou estudo  sugere ser o peso da alma. Na nossa sala, metade não acredita que exista alma. E metade sim. Claro que estou no grupo do sim. Não posso acreditar que estamos aqui por motivo algum, e muito menos que depois de morrer, não sobra nada. Mas enfim, voltando ao tema de ser bondoso ou não.

Ser bondoso às vezes é confundido com ser besta não é?

Não, eu nunca vou deixar de ser quem eu sou. Sim, eu me acho uma pessoa de muito boa alma, sou boa, sou generosa, procuro sempre ver o lado bom das pessoas, sou boa ouvinte, gosto de ajudar as pessoas e faço isso muito bem quando me disponho a ouvi-las, às vezes, só o fato de emprestar o ouvido e o coração pra ouvir os problemas de alguém, já ajudamos e muito. Mas foi exatamente nesse ponto que parei pra pensar.

Semana retrasada, estava no ponto de ônibus e vi uma moça vindo em minha direção pra tomar o mesmo onibus. Ao entrar e sentar, abri meu livro, que estou lendo atualmente e em português. Alguém me cutucou por trás . Ela era perguntando se eu falava português, porque viu o livro.  Eu já a tinha visto antes, todos os dias no mesmo ponto de ônibus. Um dia a vi com um meninino de uns 5 anos, e eles falavam português do Brasil. Mas eu não tentei aproximação alguma. Mas como ela estava  conversando comigo tive que conversar com ela. A moça começou a falar no ônibus e só terminou a conversa ou melhor seria, o monólogo, quando desci do trem, 30 minutos depois,  já com dor de cabeça de tanto que ouvi daquela boquinha metralhadora.

Não me entendam mal, eu gosto de ouvir as pessoas, mas gente que não percebe limites, é muito chato, não?? E o pior é a pessoa falar sem parar, sem querer ouvir, e só falar de problemas, e só falar de quanto dinheiro ela tem, de isso ou daquilo.
Eu desci  do trem com dor de cabeça minha gente!!! Foi muito problema de uma vez só pra minha cabecinha.
Como eu sabia que ela todo dia pegava o mesmo ônibus e trem que eu, fiquei desesperada quando ela falou: Então, até amanhã!

Fui pro curso arrasada! Cheguei em casa arrasada. Pedi dicas de todo mundo: O que eu posso fazer pra evitar, mas pelo amor de Deus, delicadamente, essa mulher???

Ser bom é bom, mas ser bom demais a ponto de não conseguir dizer: "olha sinto muito, mas eu não gosto de " conversar " com você". É dose!

As pessoas me deram várias dicas: ignora! dá algo pra ela comer assim ela não fala muito, abre teu livro na cara dela, diz que não quer falar português, que tá aqui pra estudar alemão, enfim... fiquei tão perturbada com a possiblidade de ver aquela metralhadora ambulante todas as manhãs, ohh Deus!!!
Mas como sou uma mulher realmente abençoada, a metralhadora mineira NUNCA mais apareceu no ponto, acho que ela arrumou um novo emprego.

Gente do céu, como pode existir gente assim que só fala de si mesmo e não para um minuto pra tomar fôlego e perguntar : "E você camarada, como anda??"


21 comentários:

  1. Oi, Nina!
    Menina, sei bem o que é isso e também fujo de gente assim, apesar de eu ter muita compaixão pelo ser humano, mas não podemos ser tão boazinhas a nível de estragar nosso dia.
    Com respeito a este assunto, lembro-me que escrevi um post em maio, falando justamente isso.
    Dê uma olhadinha aqui:

    http://supremamaegaia.blogspot.com/2009/05/os-desatinados-desse-mundo.html

    Tô sentindo sua falta no meu pedaço. Apareça!
    beijos cariocas

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  2. Ninoca, gente que só fala e não ouve é terrível né? Eu tinha uma amiga assim e era bem cansativo.

    Hoje sonhei com você e com a Amanda...Não lembro o que a Amanda estava fazendo,só sei que ela estava lá. Você surgia do mar com uma roupa azul bem linda e mexia os cabelos...Tipo a garota do fantástico só que não sexy...Foi tão gostoso te ver!

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  3. Oi Nina!

    Olha eu atraio gente assim, esses tipos sao bem sanguineos, e eu sou meio melancolica, dai vc pode pensar no dilema que fico: faço cara de paisagem ou escuto?
    Acabo por escutar...fico com pena, mas tento direcionar a pessoa a ouvir também, ou entao faço como ela, começo a falar sem parar, e geralmente elas cortam o assunto, se voltam para puxar assunto com outros , e etc...
    Fazemos muitas visitas pra rezar com as pessoas, com as familias e sempre pessoas assim vem partilhar de sua vida comigo, eu, estando alí pra levar um pouco de amor, de Deus tenho que escutar, e exercitar minha paciência, solicitude e compaixão...
    é como você disse, só de ter alguem pra as escutar já alivia a alma.
    Daí nos resta ´pedir a Deus um pouco mais de paciência, sabedoria e discernimento pra ajudar a pessoa até a tentar mudar isso, porque justamente por sair atirando incessantemente as palavras, que faz com que os outros sumam de perto.
    Nina, beijos viu?

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  4. Não concordo que gente meiga e delicada seja confundida com gente besta (ou tola, como se diz aqui).
    Podem é ser mais assediados por gente mal intencionada, que os confunde e julga mal.

    Qt à sua chata interlocutora, Nina, eu ia sugerir que coloque o iPod.
    Bjs

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  5. Nina querida,
    Almas boas parecem atrair pessoas como a metralhadora mineira...
    Mas chega a um ponto em que começamos a nos agredir quando nos colocamos tão à disposição do outro, e o outro tão egoísta e mesquinho nem nota que estamos de fato por lá...
    Bem, uma energia tirou-a do seu caminho... acho que foi o poder de todas as sujestões que lhe deram querida.
    Um bjão!
    Márcia

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  6. Nina,
    É um dilema, né? Ser gentil e ficar com dor de cabeça ou ser franco e dizer: desculpe mas estou sem vontade de conversar.
    Eu tenho optado pela franqueza. Mas é difícil pois as pessoas confundem franqueza com grosseria e acham que a gente tem sim que ouvir, querendo ou não.

    Mas isso de a alma pesar 21 gramas é incrível! Já pensou?
    Tô pensando...
    Beijos, querida.

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  7. Humm é verdade, conheço muita gente assim e q qd ouve vc falar nao ouve apenas escuta mas ja fica pensando o que vai falar em seguida torcendo p outra pessoa acabar logo!

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  8. Nina,

    Acho que muitas vezes as pessoas acabam abusando daquelas que são mais pacientes, tolerantes e amáveis. Nao assisti este filme... Fiquei curiosa.

    Bjs
    Sandra

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  9. Oi Nina,
    olha eu falo muuuito, falo pelos cotovelos mesmo. E por isso acabo me afastando de pessoas que não falam, justamente para não ser inconveniente. Faço o seguinte teste, como todos os seres humanos, falando sobre o tempo, se a pessoa responde com um muxoxo (palavra do Machado de Assis) ou com um é e PONTO. Não falo mais. Se a pessoa responder, dizendo que mudou muito, que é o aquecimento global, que tá aumentando muito o calor no mundo, ou que falar do tempo é o mais comum método de puxar conversa com estranhos sigo o papo, puxando outros assuntos. E como uma boa "faladeira" também não gosto de gente que te enche de problemas e não te deixa falar. Aliás, acho muito chato quando pergunto para alguém se está bem e ela vem dizendo sobre mil doenças, um milhão de problemas e lamentos. A vida é pra ser apreciada pelo melhor ângulo, pelo que tem de melhor, não é?
    Um grande beijo Nina

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  10. Nina,

    Eu tive que aprender na marra que ser uma pessoa boa não é sinônimo de ser uma pessoa boba.
    E já tive uma brasileira no meu pé, que falava mais que a boca e reclamava muito da vida. Eu fui boba por um tempo, ouvia tudo e ficava com o coraçào pesado, mas tinha dó de cortar o barato dela.
    Mas teve um dia que eu disse pra mim mesma: Chega, estou exausta e não vou mais atender nem ouvir fulana.
    Aos poucos paramos de nos encontrar, ela parou de me ligar, eu nunca mais liguei pra ela.
    Ufa!!!

    Boa sorte pra vc!

    Ah! Mandei seu livro essa semana. Vc já o recebeu?
    Beijocas!

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  11. Oi Nina!!

    Que saudade!Pelo que te conheço,concordo com as pessoas da sua sala.....Você é uma pessoa maravilhosa!

    E também concordo com você sobre pessoas como esta do ponto de ônibus.Gosto de conversar...mas conversa de verdade e não monólogo!E logo de manhã só falnado,falando,falando e ainda de problemas?!Ninguém merece!!!

    Beijinhos!!

    Thaís

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  12. Minha irmã quando morou nos EUA dizia que muitas brasileiras lhe deram trabalho por diversos motivos.
    Eu não sei .
    Mas a gente tem que temer. E se puder ajudar, observando os seus atos, então ok.
    Ah ´e dificil falar de longe. A gente tem amigos. Mas a maioria a gente já conhece de anos. Fazer amizade agora é meio arriscado.Ainda mais fora do Brasil
    Cuide se
    Com carinho Monica
    Nós temos a sorte de termos no blog só pessoas que sabem escrever sem magoar.
    Eu ainda não fiquei decepcionada com ninguem. graças a Deus
    mas só conto abobrinhas.
    Nada de prejudicial.

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  13. Nina, que chatice!!!!
    Eu fico imagianando vc, sem saber o que fazer, o que falar...que tristeza, rsrsr.
    Bjus.

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  14. Ai Nina, eu já peguei vaaaarias assim... tu nao tens nocao. Demorei muito para perceber que isso nao era normal, do tao frequente que esse tipo de gente cruzou meu caminho. Agora, eu nao tenho dó nem piedade de nada nem ninguem! É TCHAU MESMO!!!

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  15. Eu que tenho a quietude como maior qualidade fiquei com dor de cabeça de ler seu relato ... detesto conversa fiada ainda mais com estranhos .
    Beijão!

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  16. Salve se quem puder.
    Mas pense tb em entrar num metrô, pra ir trabalhar, estar aborrecida com algo e alguém ficar puxando conversinha. argh! bj

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  17. Nina, está cheio de gente por aí que quando começa a falar mais parece a visão do apocalipse. É só desgraça e bula de remédios. hehe

    Olha vai lá em casa. Tenho Lulu Santos só para as meninas!

    beijos e SOL!

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  18. Adorei, Nina....Eu também estou cansada de vampiros emocionais...

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  19. Nina, a carapuça me serviu .:(
    Tenho mania de puxar conversa com estranhos e falo demais.A única diferença é que além de saber ouvir, tenho desconfiômetro.Se percebo que a pessoa não tá gostando ou está se sentindo perturbada, paro logo.

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  20. Oi Nina,

    Falar é bom, ouvir também. Mas medida é a pessoa perceber quando está incomodando né? Eu nao tenho menor problemas em ouvir as pessoas, mas quando percebo que o contrário nao acontece, ah falo logo: "escuta, vc nao presta atenção em nada que eu digo". Tive que fazer isso com uma grande amiga a pouco tempo. Ela me usa como psicologa dela, mas quando quer dizer alguma coisa já vai me atropelando sabe?
    Agora, papos com estranho e sobre problemas pessoais, finanças, tal que você nem pode sequer opinar? Eu falaria numa boa: "desculpe por não te dar atenção, mas estou com a cabeça muito cheia hoje". A pessoa se tocaria de primeira, eu acho!

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  21. Entendo tanto você quanto a maluquinha falante.Ia dizer que ela sentiu saudades de ouvir alguém falando em português,mas pelo jeito,ela sentiu saudades de ouvir a si própria falando.Tadinha,Brasil faz uma falta que só.

    Ei,estudando Psicologiiiia!Isso aí,dando moral! \o/

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